Carta ao Viegas (por Nuno Carneiro)

por portugalgay quinta-feira, 29 Novembro 2007 03:18

Francisco José Viegas escreve. Já o sabemos. Desta vez, contudo, surpreendeu mais do que nunca, ao conseguir (quando comparadas as suas qualidades de pensamento literário com as dela) converter Margarida Rebelo Pinto numa verdadeira e merecidíssima candidata ao Nobel da Literatura.

Tão iluminado por um blogue (porque teve preguiça de ir mais além), diz que “ hetero que é hetero nem menciona o facto, limita-se a nem falar do assunto”. Mais adiante, repete a ideia. Só que a ela foge de forma “histérica”, como apelidou massivammente as reacções (que não entende!) das pessoas LGBT. Depreendo que então “hetero” não possa ser vossa mercê, já que tudo o que escreve – e desde logo aí começa a questão: sentir-se compelido a escrever e a “falar do assunto” - contraria tal inultilidade da afirmação dos “heteros”. Francisco, Francisco… olhe que a gente pode não ter recebido prémios da Associação Portuguesa de Escritores, mas (umas vezes pior, outras bastante bem) sabe ler o que vossa mercê profere!

A idiotice que (estando sóbrio?!) reconhece à campanha da Tagus é directamente proporcional às atrocidades que escreve. Diz-nos que a mesma campanha foi “inexplicavelmente” retirada do site – não, não foi inexplicavelmente, querido Francisco, foi por mobilizar pessoas (felizmente) atentas a palavras tão perigosas, chauvinistas, retrógradas (e ainda acha que “há sinais dos tempos”?!) como as suas. Leia mais atentamente a História e verá que foi em ignorâncias como as que nos oferece que os totalitarismos e os genocídios beberam as mais fortes inspirações. Ignorâncias (quase sempre) fingidas por parte de quem se sentava nos tronos para ganhar prémios, materiais ou de outra espécie. Oxalá os seus prémios não nos levem a temer que o seu nome se equipare ao de Hitler.

“Parecer-lhe” que não há ódio não chega: exactamente por isso, por se limitar ao “parecer” sem se esforçar por saber, depois dos prémios que recebeu e dos cargos que ocupa, é necessário que se fundamente. Valia a pena perceber (sabendo, em vez de lhe “parecendo”) que não, não somos uma “classe de coitadinhos e de vítimas de tudo e de nada”. Afinal, nem temos que ser vítimas de “tudo”, porque já somos vítimas de palavras como as suas. Se se queixa que hoje há que “vigiar cada distracção, cada frase mal pronunciada”, imagine que queixas temos nós enquanto houver pessoas como você, querido Francisco, ao dizerem coisas assim. Não sei se bebeu demasiada Tagus. Parece - aqui a palavra faz, por decorrência lógica da sua falta de lógica, muito sentido. Mas, mesmo que a tenha bebido (e a gente sabe que tem direito a fazê-lo) nem por isso está perdoado. Escreva, preferencialmente, quando os efeitos nocivos de tais líquidos tiverem já cessado.

Quer ainda parecer-me que Fernando Pessoa ficaria bem pouco orgulhoso (sim: orgulhoso) da sua Direcção na casa que recebeu o nome dele. E estou em crer que o orgulho, como o conhecemos (não como você julga conhecê-lo), é coisa de que o grande vulto não se envergonharia. Se ressuscitar, que não me atraiçoe o poeta nesta crença. Ou, então, desisto do mundo.

Fecha o seu artigo com chave do pior metal, ao ensinar-nos que “precisamos de contar anedotas sobre brancos, pretos, judeus, muçulmanos, gays, machos, mulheres, loiras, morenas, católicos, papas, padres, rabinos, alentejanos, açorianos, portuenses, lisboetas, o que for. Para ver se somos gente normal. Ou se só copiamos os estereótipos politicamente correctos”. Fale por si. Ou nem fale. Que isto de “normal” há muito que tem que se lhe diga. E antes o “politicamente correcto” que o “profissionalmente incauto”, como bem nos demonstrou que é.

Que o Francisco é muito sorridente já a gente tinha dado por ela. Que precise de pessoas por si assim apelidadas para se divertir e para que o sorriso se lhe crave duradouramente na face é que custa. Vai ver, ainda alguém lhe oferece, à maneira de algumas organizações norte-americana que se debatem com palavras como as suas, o título de “homossexual honorário”. Porque trazer o seu orgulho até nós seria tudo menos “histérico”. Apenas uma lição de convívio com as “distracções” que todos os dias, em muitas horas, em muitos lugares nos assomam e às vezes nos matam. Inclusive as distracções da comunicação social. Na qual tem responsabilidades, querido Francisco.

Nuno Carneiro


Hoje estou p'rós vídeos...

por portugalgay domingo, 18 Novembro 2007 20:56

Bruno Nogueira vs. Margarida Cordo



visto aqui

Rocket Man - David Fonseca



visto aqui


Sejam bem vindos ao Portugal profundo!...

por portugalgay quinta-feira, 15 Novembro 2007 01:34


imagem obtida aqui



Fui alertado há dias para o que estaria publicado na revista Visão... comprei a revista e pude ler o que se referiam. Mais concretamente na página 100, e com direito a fotografia, sublinhava-se as palavras de "Margarida Cordo, 46 anos, Terapeuta Familiar": "A homossexualidade é um complexo, um transtorno da identidade sexual. É uma doença e tem recuperação".

Algumas das pessoas com quem falei estavam escandalizadas, por ainda haver gente a pensar assim, mas eu, activista visível desde 2001, já ouvi tanta ignorância, que mais uma já não me faz mossa. Não faz a mim mas como activista sei que faz a muita gente! Como tive oportunidade de visitar a exposição de Leonardo Da Vinci aqui no Porto, pude recordar uma frase dele que aqui se ajusta lindamente. Dizia o senhor que há três tipos de cegos: Os que não vêem! Os que tem que se mostrar, para verem! E os que não querem ver!

Na nossa sociedade tem uns quantos pseudo-intelectuais, a quem por sinal se dá muito espaço de antena, que pararam no tempo e ainda devem pensar que o mundo é plano, e que se navegarmos sempre em frente acabamos por cair no abismo... com sorte talvez apanhemos uma viagem gratuita para Marte!

Este tipo de afirmação já "sacou", e continua a "sacar", dividendos de pais ainda pouco informados, que quando descobrem da homossexualidade (m/f) dos seus filhos, procuram alguns psicólogos, sem escrúplos, que com base nesta afirmação e outras do género, vão-se fazendo cobrar pelas consultas e até hipotéticas sessões de psicanálise. Mas a senhora vai mais longe e chama a minha atracção por pessoas do mesmo sexo, de "dependência", como se de um adito de qualquer vício nocivo á saúde física, psíquica e financeira se tratasse.

O reflexo deste tipo de comentários, publicados na imprensa, ajuda a fazer com que mentes que se esforçam para andar em frente (e tentam juntar as pontas do mundo a ver se ele fica mais redondo( se percam a certa altura porque uma Senhora Terapeuta diz tamanha alarvidade no século XXI, 32 anos depois de se ter desmistificado o assunto. Lamentável que ainda existam pessoas com responsabilidades, mais que não seja nas suas profissões, a pensarem como se pensava no tempo do electro-choque. Com sorte esta senhora trabalha para o Estado e andamos todos nós a pagar para ela ensinar e ou pôr em prática disparates do género.

João Paulo
PortugalGay.pt


Casamento na Bélgica

por portugalgay quarta-feira, 14 Novembro 2007 15:42

Pergunta:

Minha namorada é Brasileira, mas tá morando na Bélgica.E não tem nacionalidade espanhola. Eu,brasileira poderia me casar com ela lá na Bélgica?


Resposta:

Sugerimos que entre em contacto com a ILGA Europa, www.ilga-europe.org ,e junto da mesma obtenha informação a respeito.

Contudo do que nos é dado a conhecer julgamos que o casamento entre pessoas do mesmo sexo na Bélgica é só permitido a cidadãos Belgas.

João Paulo
Editor

Odisseia Transexual

por portugalgay segunda-feira, 12 Novembro 2007 16:51

O Canal Odisseia está a transmitir hoje e amanhã o documentário (de produção própria) Transexuais Hoje.

A ver.

Canal Odisseia
12 Novembro - 17:00
13 Novembro - 1:00 e 8:00


Chatos que são... chatos

por portugalgay domingo, 11 Novembro 2007 16:59

Pergunta em Doenças Sexualmente Transmissíveis:

Eu acho que apanhei chatos. O que fazer?

Resposta:

Os chatos ao contrário do que se possa pensar são uma doença e eles mesmos podem originar outros problemas (e mesmo facilitar infecção por outras doenças), pelo que deve procurar um farmacêutico ou o seu médico de família que certamente lhe indicará um dos inúmeros medicamentos existentes no mercado, entre loções e champôs.

João Paulo
Editor

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José Castelllo Branco

por portugalgay sábado, 10 Novembro 2007 16:48

Pergunta:

Já que estamos num site gay, gostaria de falar (e finalmente que o faço) sobre uma certa pessoa de nome Castelo Branco. Tenho visto os programas em que essa "coisa" entre e sinceramente, por muito bonzinho que eu queira ser, fico com os cabelos em pé. è que ele é completamente ridículo e acho até, que seria necessário e urgente que ele procurasse um psiquiatra para tentar ver se o ajudava. è que aquela criatura não tem identidade sequer. Olho pra ele e o que vejo?

Um homem? - Nada que se pareça;

Uma mulher? Coitadas das mulheres não deviam sequer gostar dele;

Um gay? Santo Deus, como é que um comum espectador fica ao pensar que se calhar todos os gays são assim;

Um travesti? Não. Um travesti é uma pessoa normal que apenas gosta de se vestir de mulher.

Afinal o que é que esse "menino" é para além de uma cobra venenosa?

Se alguém me puder ajudar, agradecia.

Sérgio



Resposta:

É difícil ajudá-lo pois não poderia ter definido melhor a personagem (note-se que ele próprio afirma não ser homossexual e como tal a questão não é assim tão relevante num "site gay"), mas tem que ter em conta que quem lhe dá audiência são os milhares ou milhões de pessoas que o vêem, e o aparelho de Marketing da TVI, logo o melhor é ignorar, porque falar dele dá-lhe mais razão de existir.

Obrigado pelo seu comentário.

João Paulo
Editor

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Gay na Escola

por portugalgay terça-feira, 06 Novembro 2007 10:48

Pergunta

Na minha escola existe um rapaz que toda a gente diz que é gay, eu gostava de ter uma relação sexual com ele. Mas tenho medo que ele nao seja ou que vá contar a toda a gente, o que é que faço tou a desesperar. por favor ajudem me rapidamente!



Resposta

O problema é mais profundo que isso, não o facto de ele ser ou não ser Gay que vai determinar se vai ter relações sexuais com ele, porque ele também tem que querer, certo? Quanto ao facto de vir a ter relações com ele, e ele contar a toda a gente isso tem a ver com o carácter da pessoa, ou seja terás de observar se ele é do tipo que na sabe “estar à mesa e comer calado”, essa atitude não é um derivado da orientação sexual mas sim como já disse do carácter da pessoa, da sua personalidade:

Para inicio de conversa penso que deve estar atento e ver ate que ponto os boatos são ou não verdadeiros, e depois nada como ir conhecendo o jovem em causa, aproximar-se travar conhecimento, conversar, quem sabe de repente ate descobre algo que não se vê à primeira vista que vai deitar por terra essa sua vontade de se relacionar sexualmente com ele!?

Obrigado pela sua questão,
João Paulo
Editor

Verrugas, Condilomas...

por portugalgay domingo, 04 Novembro 2007 11:21

Pergunta em Condilomas / HPV

tenho verrugas, mas n crescem e somente envolta dos pelos mas perto do meu penis, sera q é verruga sexualmente tranmissível ou outras?



Resposta

Condilomas: Zonas com pápulas, rosadas, em feitio de couve-flor, que crescem dentro da vagina, no pénis ou à volta do ânus, estas verrugas, ou condilomas, são transmissíveis por contacto sexual ou por outras formas e devem ser tratadas o mais cedo possível, pois maior são as probabilidades de sucesso do mesmo, e mais curta a duração do tratamento (e menores os incómodos).

Há outros tipos de verrugas que podem aparecer nos genitais e não são problemáticas, no entanto o risco de serem condilomas justifica que deve contactar o seu médico o quanto antes para fazer o despiste.

João Paulo
Editor

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'Aborto' vs. 'Interrupção Voluntária da Gravidez' na Lei em Portugal

por portugalgay sexta-feira, 02 Novembro 2007 01:14
Na Lei em geral...

http://www.pgdlisboa.pt/pgdl/leis/lei_main.php

Uma pesquisa rápida na base de dados por "abort" tem como resultado 4 diplomas (1 deles sobre registo automóvel) ou 6 artigos.

Uma pesquisa rápida na base de dados por "interrupção voluntária da gravidez" tem como resultado 6 diplomas ou 11 artigos.

Uma pesquisa rápida na base de dados pela expressão exacta "interrupção da gravidez" tem como resultado 9 diplomas ou 7 artigos.

Uma pesquisa rápida na base de dados pela expressão exacta "aborto espontâneo" tem como resultado 1 diploma ou 2 artigos.

Uma pesquisa rápida na base de dados pela expressão exacta "aborto provocado" tem como resultado 0 diplomas e 0 artigos.

No Código Penal

Em todo o texto do Código Penal a palavra "interrupção" é utilizada 7 vezes (no contexto de "interrupção voluntária da gravidez"), a palavra "aborto" (e variações como "aborte" e "abortar") é utilizada 9 vezes.

Nos títulos a palavra "aborto" é utilizada 2 vezes (artigos 140 e 141) e a palavra "interrupção" 1 vez (artigo 142).

Todos os artigos indicados foram incluídos na versão original do Código Penal 1995 com os mesmos títulos. No Código Penal 1982 os títulos eram "Aborto", "Aborto consentido" e "Aborto agravado". Em 1984 estes artigos foram alterados pela lei "Exclusão de ilicitude em alguns casos de interrupção voluntária da gravidez" e a expressão "interrupção voluntária e lícita da gravidez" é utilizada na regulamentação.

Lei 16/2007, de 17 de Abril - Interrupção Voluntária da Gravidez

Além de aprovar as alterações ao código penal (artigo 142 acima) no seu artigo 1º regulamenta a aplicação do mesmo sempre sempre utilizada a expressão "interrupção voluntária da gravidez" nos seus outros 5 artigos regulamentares. Esta lei está em vigor.

Código do Trabalho (versão actual, após revisão de 27 de Agosto de 2007)

É utilizada a expressão "aborto espontâneo" e feita referência ao artigo 142 do código penal (sem o descrever) para efeitos de Licença por maternidade e faltas.

Código Civil (versão actual, após revisão de 27 de Agosto de 2007)

Não há referências a "aborto" e há várias referências a "interrupção da gravidez", referências essas definidas por uma lei de 1977.

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