por portugalgay
domingo, 18 Setembro 2005 01:56
Portugal é, neste momento, o único país da Europa cuja Constituição proíbe explicitamente a discriminação com base na orientação sexual. No entanto, essa discriminação continua a existir na lei uma vez que o casamento civil continua a não ser permitido para casais de gays ou de lésbicas.
Porque é fundamental acabar com esta discriminação a Associação ILGA Portugal lançou uma petição que promove a revisão do Código Civil português para que casais de pessoas do mesmo sexo possam ter acesso ao casamento civil.
O PortugalGay.PT junta-se a esta iniciativa com a criação do site
www.casamentocivil.org que tem como objectivo recolher pelo menos 4000 assinaturas de forma a garantir a sua apreciação em Plenário da Assembleia da República.
A entrega desta petição ao Presidente da AR está prevista para Novembro deste ano, aquando da realização do “Fórum do Casamento entre pessoas do mesmo sexo”, fórum este em que se abordarão as eventuais implicações jurídicas, sociais e políticas do acesso ao casamento civil por casais de gays ou de lésbicas.

por portugalgay
sábado, 17 Setembro 2005 15:40
15:30

16:20

16:30

16:30

Brevemente teremos uma reportagem completa do evento.
Veja também:
Comunicado de Imprensa PortugalGay.PTwww.casamentocivil.org
por portugalgay
sexta-feira, 16 Setembro 2005 19:28
Estreou ontem no cinema quarteto em Lisboa a nona edição do festival de cinema Gay Lésbico de Lisboa.
Esta que é a primeira inteiramente organizada pela nova direcção, presidida por João Ferreira. O antigo presidente, Celso Junior, continua a ajudar no festival mas este ano apenas no visionamento de alguns filmes.
Mais tarde daremos conta de como correu esta nona edição.
Iniciou-se hoje no Instituto Luso-Frances um
colóquio promovido pela organização do Festival de Cinema Gay Lésbico de Lisboa com um painel de luxo tendo contado na sessão se abertura com um dos mais importantes, se não o mais importante investigador da actualidade sobre o tema Queer: Didier Eribon. Este coloquio estende-se até amanhã.
Toda a informação sobre o Festival de Cinema em:
www.portugalgay.pt/lxfilmfest/.
por portugalgay
sexta-feira, 16 Setembro 2005 12:04
Artigo de Opinião de Nuno Pacheco publicado no Jornal Público de 16 de Setembro de 2005.
Liberdade poluída
Nuno Pacheco
Se os automóveis poluem a Liberdade na avenida, os auto-intitulados nacionalistas vão poluí-la um pouco mais acima, no Parque Eduardo VII
A notícia não é nova, mas ressurgiu ontem: a lisboeta Avenida da Liberdade é a zona mais poluída da Europa. Automóveis em excesso e um trânsito infernal contribuíram para tal "triunfo", que agora lhe valerá umas lavagens diárias e mais uns estudos técnicos, a ver se acertamos com as normas comunitárias relativas à emissão de partículas poluentes. Mas a poluição desta Liberdade viária tem, amanhã, um forte concorrente uns largos metros acima. Trata-se da manifestação "Defendamos as nossas crianças contra o lobby gay e a pedofilia", convocada pelo Partido Nacional Renovador (PNR), com todos os seus fiéis atrelados, onde se inclui a Frente Nacional (FN). Só que, aqui, a Liberdade a poluir é outra: é a de todos os portugueses que, mesmo nos piores momentos, ainda se orgulham de o ser, sem precisarem de "mestres" iluminados ou ditadores de pacotilha.
A conversa é antiga, germina na lama, e começa sempre do mesmo modo. Primeiro, os alvos são escolhidos entre os que eles consideram "anormais", "imorais" ou ameaças à pátria: homossexuais, imigrantes, minorias étnicas, artistas "decadentes" e outros chavões do género. Depois, quando lhes crescer a força, virão todos os que, por defenderem a democracia e o livre-pensamento, são considerados anarquistas e defensores do "caos social". Por fim, serão todos os cidadãos cuja alma não caiba no cangaço dos ditadores. Eles negam, é claro. Mas nas entrelinhas das suas mensagens públicas, e mesmo até nas linhas mais explícitas, lá estão os pequenos ovos da mesma velha serpente: o facho azul e vermelho sobre umas quinas de estética fascista no cartaz-símbolo do PNR; o desejo de um "governo verdadeiramente patriótico que promova valores em vez de proveitos, trabalho em vez de passeatas" (discurso populista de efeito fácil, já usado com êxito por vários candidatos a ditadores); a "unidade da pátria e das suas gentes", bandeira falaciosa para encobrir o desejo de um Portugal soturno e de novo fechado ao mundo.
No site da Frente Nacional, que se apresenta a si própria como uma legião de activistas de cérebro voluntariamente desligado (a FN, escrevem, "não faz doutrina política, apenas promove o activismo nacionalista. Deixamos a política para quem de direito"), diz-se a dado passo o seguinte: "Desde o final da Segunda Guerra Mundial que o nacionalismo é extremamente perseguido e marginalizado na nossa sociedade, devido à campanha permanente de propaganda. Os nossos inimigos têm conseguido separar-nos do nosso povo." Conseguem adivinhar porquê? Recuem 60 anos e revejam os horrores do nazismo, das perseguições e deportações em massa, do Holocausto. Demagogia, dirão os "nossos" nacionalistas. Porque, eles próprios o dizem, a ideia é pôr "os portugueses primeiro!" E, como diz o tal partido-cérebro, de onde sairia naturalmente o déspota a impor à pátria, desejam "um novo rumo para Portugal". Perfeito. A começar por esta frase, escrita pela FN no seu site: "Sem dúvida que "o trabalho liberta" e este trabalho ajuda a libertar todo um povo, o nosso povo!" Por curiosa coincidência, "O Trabalho Liberta" ("Arbeit Macht Frei") era a consigna que encimava a entrada do infame campo de Auschwitz, sinistro símbolo de um dos períodos mais terríveis e sanguinários de toda a nossa história. O discurso destes "libertadores" pode, por isso, poluir mais que o fuel que respiramos.
por portugalgay
sexta-feira, 16 Setembro 2005 11:58
A opinião de Emídio Rangel
Esquadrão G
A SIC estreou um novo formato em que faz o elogio do ser ‘gay’. Ao facto de o efeito surpresa se ter esgotado na estreia, acresce uma audiência pouco generosa.
O ‘Esquadrão G’ entrou em acção. O formato não traz nada de novo. No todo ou em partes este programa já foi concretizado em Portugal. Portanto o efeito surpresa perdeu-se com a exibição do primeiro número. É merecida no entanto uma referência positiva à promoção do programa. Criou a expectativa necessária para espevitar a curiosidade dos portugueses. Mesmo assim as audiências não foram boas. Um share de 28.8% é curto para um programa de estreia. Muito provavelmente a tendência é para diminuir nas próximas edições. Mas vamos ao essencial da questão. O pecado capital deste programa prende-se com a mensagem subliminar que está na sua génese.
A formação do ‘Esquadrão G’ estabelece-se tendo como principio definido que todos os seus membros são antes de tudo ‘gays’. Depois vem tudo o resto. As qualidades humanas e técnicas e as capacidades desenvolvidas por cada elemento para enfrentar a televisão são elementos secundários. O que é preciso é ser ‘gay’. Assim talvez pudessemos dizer que nasceu em Portugal o primeiro programa ditado pelo ‘orgulho gay’, estabelecendo-se o preconceito de que um programa deste género só pode ser desenvolvido por ‘gays’.
A mensagem que se pretende passar é a de que só os ‘gays’ têm bom gosto, sentido estético, normas elementares de educação, estão sintonizados com as novas correntes culturais do mundo, etc. Nada mais falso. Não é com certeza a opção sexual que ditará a arrumação destes saberes. A SIC presta um mau serviço aos seus públicos quando alimenta este programa preconceituoso. Quanto ao desempenho dos ‘gays’ o mínimo que se pode dizer é que é desigual. Há elementos que sabem bem o que estão a fazer e há outros que não evidenciaram sequer bom gosto nem capacidade de expressão aceitável, com muitos pontapés na gramática.
Emídio Rangel
http://www.correiodamanha.pt/noticia.asp?id=174260&idCanal;=17
Nota minha: Emídio Rangel foi fundador e director da Rádio TSF, passou pela SIC, depois para a RTP de onde saíu em 2002.