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Marcador - famílias

05/1/2010 12:21

 

Comunicado de Imprensa


Porque Não – Uniões Civis Registadas do PSD

Proposta está mal escrita, contém erros factuais, pretende limitar irresponsavelmente os direitos dos casais do mesmo sexo e chega ao cúmulo de adiar a aplicação da lei por 120 dias.

O PSD apresentou na mesma semana da votação da igualdade no casamento civil um projecto de lei escrito à pressa sobre “União Civil Registada”.

Ao ler o prefácio ficamos a saber que o objectivo é preencher um “vazio legal” pois a legislação nacional “não acolhe e regulamenta” a situação das pessoas do mesmo sexo que tenham “optado por uma plena comunhão de vida”.

Logo aqui fica a questão da pressa: o “vazio legal” invocado existe hoje, mas deixará de existir, literalmente, depois de depois de amanhã… com a votação que acolherá e regulamentará o contrato entre pessoas do mesmo sexo que decidem construir um projecto de vida em comum, contrato esse que é o casamento.

Pouco depois são indicados, e muito bem, os 16 países na Europa que regulamentaram novas formas de parcerias civis registadas que reconhecem os casais do mesmo sexo. Por alguma razão não há nenhuma referência aos 5 países na Europa que reconhecem a igualdade no casamento civil: Espanha, Bélgica, Suécia, Países Baixos e Noruega. São assim 21 países que reconhecem de uma forma ou de outra os direitos dos casais do mesmo sexo.

Mas é então que os “motivos” do PSD ficam curto-circuitados: a principal razão apresentada para a “especificidade deste novo instituto” é precisamente a filiação incluindo, naturalmente, a adopção.

E é aqui que a matemática do PSD não foi bem estudada.

Dos 21 países europeus indicados acima, 14 reconhecem aos casais do mesmo sexo a capacidade de adoptar crianças em conjunto e apenas 7 não o permitem. Entre estes 7 incluem-se a Áustria, a Croácia, o Luxemburgo, a Suíça, a República Checa, a Hungria e a Eslovénia. Sendo que, azar dos azares, neste último país está a decorrer um processo legislativo similar ao de Portugal que deverá aprovar a igualdade no casamento civil em Maio de 2010 incluindo o pleno direito a adopção.

Mas passemos ao texto da lei proposta…

Os “Direitos dos parceiros” apresentados são praticamente iguais aos da actual união de facto mas agora com efeitos imediatos ao acto do registo, o que não deixa de ser uma melhoria importante. O único direito adicional listado nesta secção seria a herança (Artigo 4º 1.e) o que é bem-vindo e necessário.

Entretanto o PSD optou por criar uma secção de “Outras consequências jurídicas” em que concede novos direitos importantes como o direito ao nome, possibilidade de actuar como representante legal em caso de ausência ou incapacidade, e o direito a pedir informações sobre o estado de saúde. Esqueceu-se da ressalva, como acontece no casamento civil, do direito a recuperar o nome após a separação, assim como o básico direito de visita hospitalar.

Mas o grande tropeção do PSD nesta secção está no Artigo 5º 3. Pode ler-se que os parceiros gozam da faculdade de se recusar a prestar depoimento como testemunha, para efeitos do disposto no artigo 134º do Código Penal. E aqui está um grave erro desta proposta: este direito já tinha sido consagrado às uniões de facto na revisão do Código Penal de 2007, tal como tinham sido reconhecidas na alteração outras situações como Violência Doméstica (Artigo 152º), o Homicídio Qualificado (Artigo 132º) entre outros. Estes passaram a ser aplicáveis também a casais do mesmo sexo que tenham “relação análoga à dos cônjuges”. O proposto legislador do PSD ao colocar este Artigo 5º 3 só pode revelar uma das seguintes situações, ambas fortemente censuráveis:

1. Desconhece o texto actual do código penal e pretendia conceder protecções acrescidas aos casais do mesmo sexo

2. Conhecendo o texto actual do código penal pretendia limitar os direitos dos casais do mesmo sexo neste contexto

Como corolário desta falta de atenção do proposto legislador do PSD pode verificar-se na secção dedicada a “Impedimentos” que nem lhes passou pela cabeça que há casais do mesmo sexo que podem estar em União de Facto e que queiram passar para uma União Civil Registada, o que não é permitido pelo Artigo 6º 1.e)

Como gota de água (ou será de veneno?) vem o prazo de aplicação da lei de 120 dias após a sua publicação como que para garantir o maior atraso possível na aplicação na mesma. Os primeiros registos só seriam possíveis a partir de Junho… porquê?

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# publicado por portugalgay | |
03/1/2010 15:40

 

Uma mensagem pelo casamento


Uma mensagem pelo casamento

É altura de agir.

Envie a mensagem abaixo ou o que bem entender para os deputados no parlamento.

Os emails estão no final desta página.

A ajuda de todos e todas é importante.

Obrigado!

Assunto: É altura da igualdade!

Cara/o deputada/o,
Aproxima-se o dia da votação dos projectos sobre a igualdade no acesso ao casamento.

Temos a possibilidade de começar 2010 a corrigir uma das maiores injustiças e discriminações legais: a actual impossibilidade de acesso ao casamento civil para casais de pessoas do mesmo sexo.

Defendo que os casais de gays e de lésbicas devem poder ter acesso à parentalidade em igualdade de circunstâncias. Desafio cada deputad@ a deixar de lado eventuais ideias feitas que possa ter sobre o assunto e a ler os resultados das investigações académicas sérias feitas neste domínio, em alguns casos acompanhando famílias ao longo de mais de duas décadas. Sei que, se o fizerem, chegarão à conclusão inevitável de que nada, absolutamente nada, justifica a actual desprotecção legal das famílias com pais ou mães LGBT - ou qualquer dúvida em relação ao acolhimento legal dos projectos parentais de casais de pessoas do mesmo sexo.

Mas sei também que a possibilidade de regulação pelo casamento da relação de qualquer casal é fundamental e urgente - e independente de qualquer projecto de parentalidade.

Assim, apelo a que tod@s @s deputad@s lutem pela plenitude dos direitos e, caso não seja possível neste momento uma concertação no sentido de garantir avanços no âmbito da parentalidade, apelo a que garantam e apoiem a igualdade no acesso ao casamento não permitindo o protelar da dignidade num campo tão importante como o da conjugalidade.

Votos de um 2010 com mais igualdade e mais liberdade,

(nome)



Lista de endereços de correio electrónico:

CDU
jm@pcp.parlamento.pt, a.lopes@pcp.pt, pcp@pcp.pt, js@pcp.parlamento.pt, bs@pcp.parlamento.pt, gp_pcp@pcp.parlamento.pt, jose.ferreira@pev.parlamento.pt, mt@pcp.parlamento.pt, hn@pcp.parlamento.pt, af@pcp.parlamento.pt, fl@pcp.parlamento.pt, amf@pcp.parlamento.pt, heloisa.apolonia@pev.parlamento.pt, bd@pcp.parlamento.pt, pedro-filipe.soares@be.parlamento.pt

BE
pedro.soares@be.parlamento.pt, jose.pureza@be.parlamento.pt, cecilia.honorio@be.parlamento.pt, heitor.sousa@be.parlamento.pt, francisco.louca@be.parlamento.pt, ana.drago@be.parlamento.pt, luis.fazenda@be.parlamento.pt, helena.pinto@be.parlamento.pt, rita.calvario@be.parlamento.pt, joao.semedo@be.parlamento.pt, Jose.soeiro@be.parlamento.pt, catarina.martins@be.parlamento.pt, jose.gusmao@be.parlamento.pt, fernando.rosas@be.parlamento.pt, mariana.aiveca@be.parlamento.pt,

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# publicado por portugalgay | |
12/12/2009 13:08

 

Adopção - EUA e Europa


A bem da conversas sobre a adopção que tanto preocupa a Doutora Jurista, os dados da Wikipedia (que valem o que valem) indicam que:

Apenas 4 estados dos EUA não permitem a adopção por pessoas homossexuais a título individual.

Ainda relativamente aos EUA: 17 estados permitem explicitametne a adopção por casais do mesmo sexo, 20 estados permitem-na por omissão, 9 não são claros e apenas 4 a proibem.

Dos 18 países listados da Europa, apenas 3 proibem a adopção por pessoas homossexuais a título individual.

Em termos de adopção por casais, 8 permitem a adopção em geral e 10 proibem. No caso de querem adoptar o filho do parceiro ou marido, 12 países permitem a adopção e apenas 6 são contra.

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# publicado por portugalgay | |
11/12/2009 15:18

 

Celebrações


Na passada quarta-feira, dia 9 de Dezembro, fez 14 anos após ter conhecido aquele que comigo, e eu com ele, partilho uma vida a dois, 14 anos, não são catorze dias, ou meses!

Foi um mês de cada vez, foi um namoro falado, discutido, mas muito amado! Assim e porque não temos filhos, comprei uma árvore, nomeadamente um pinheiro, o qual vamos plantar num vaso grande na nossa varanda, no terraço contrario ao dos cães se não o Júnior chamava-lhe um figo, com ele só mesmo cactos sobrevivem dentro dos vasos.

Mas estas coisas dos aniversários não tem o dom de fazer parar o tempo, e por isso a vida continua, e o país precisa de quem quer de facto trabalhar e não de quem tire licenças, ou apresente baixas, para ir ás compras ou ter um dia diferente, e por isso o maridão foi para o trabalho dele e eu fiquei no meu, vantagens de trabalhar a partir de casa.

E foi ele que me disse: "já tinhas visto isto da Fernanda Cancio?" … até li, e até escrevi sobre o assunto, mas como muito bem sabe algumas pessoas que comigo já se cruzaram, eu gosto sempre de ouvir os dois lados (não é Tété?), e não estava descansado sem ler o que Dona Isilda havia de facto redigido. Mas era dia para descontrair um pouco. Por isso fiquei a "ruminar" na coisa e fui ás compras, a vida de "dona" de casa também tem compras.

Foi aí que decidi que precisávamos de uma árvore de Natal, artificial claro está, e foi aí que comprei o pinheiro para plantar.

Depois chegado a casa e após arrumar as compras, fui montar a árvore nova, ficou linda... o tempo voa, e estava na hora de ir ao ginásio, encontramo-nos lá, depois disso o jantar algo apressado porque o marido ainda tinha trabalho até ás 23:30, enquanto isso fui para casa, ver as noticias do mundo. Até fiquei a saber umas coisas. Por exemplo que em New Jersey a lei do casamento estava a ser debatida por um comité jurídico e até tinha passado nesse comité, e que perante esta avaliação o Governador disse que assinava se a lei chegasse à mesa dele em tempo útil, e tudo isto sem referendo (lol, esta malta está tonta, então não sabem que tem de levar isto a referendo?) ai a nossa vida, estes (norte) americanos querem agora obrigar as pessoas a casar sem falar com elas!

Mas depois vi que os senhores até tem sapiência, pois dizia um dos senadores proponentes da alteração da lei de casamento civil, que não é todos os dias que temos oportunidade de melhorar a sociedade e a forma como tratamos os outros. E que estas oportunidades acontecem poucas vezes na nossa vida, se é que chegam a acontecer.

Mais á frente diz ainda que "as pessoas que se opõem ao casamento entre pessoas do mesmo sexo, não são pessoas más ou cruéis, mas as leis que não permitem esses casamentos, oferecem abrigo seguro para aqueles que o são [cruéis e ruins]. A legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo eliminará esse abrigo e, consequentemente, tornará a nossa sociedade mais compreensiva e inclusiva", penso que nem Zapatero teria dito melhor, ou disse?

Como era o nosso aniversário decidimos ir beber um copo num bar aqui da cidade do Porto, onde por acaso ia acontecer o espectáculo de um amigo de quem sou fã.

Natasha Semmynova, na segunda edição dos seus dez anos de palcos. Sou suspeito para falar deste jovem, afinal por gostar dele, do seu trabalho, costurei para ele algumas peças de vestuário, para ele apresentar nos seus números. Mas aquilo que dele ouvi nessa noite, fica para os presentes na sala, e cada um espalhe como bem entender.

Confesso algumas movimentações nas últimas semanas de exploradores de causas ao invés de activistas que servem causas, me tem deixado em baixo. Assim as palavras do Vítor/Natasha foram recebidas como água cristalina e fresca dada a um moribundo perdido no deserto (música dramática de fundo).

Vítor/Natasha, não tens ideia do bem que fizeste! Pelas palavras de conforto pela minha dedicação, pelas palavras de aplauso ao meu trabalho enquanto PortugalGay.pt e Porto Pride, bem haja meu lindo. Uma das coisas que disseste foi "hoje em dia qualquer um dá a cara, o difícil é manter-se lá de cara descoberta". Vou dizer-te porque é assim tão difícil, principalmente numa causa destas: porque se perde muito, principalmente quando se debate a causa com o coração e a cabeça.

Mas passemos à festa: foi uma noite fantástica, diria mesmo melhor que a primeira edição dos dez anos da Natasha Semminova, especialmente devido ao momento mágico em que Natasha - a pedido do público - cantou à capela "Llorando", na versão de Rabekah Del Rio, uma música que faz parte do filme de David Lynch, "Mulholland Drive".

E assim foi um dia fantástico, o dia em que á catorze anos atrás conheci a melhor pessoa do mundo, o meu amigo, companheiro, o meu maridão.

Mas no dia seguinte de manhã lá fui à net buscar o texto da Senhora Jurista Isilda Pegado. Li o dito, acompanhado do belo de um café, num espaço público mas tranquilo ás primeiras horas de funcionamento, e fiquei a precisar de uma água, e assim fui buscar a dita, com gás como é óbvio, pois logo no primeiro parágrafo a senhora supreendeu-me: não esperava um apelo tão forte ao tradicional casamento entre menores (entenda-se menores de 16 anos). Não sabia que era essa a proposta da alteração da lei, porque se for não participo.

Mas também fiquei a saber que os Direitos Humanos são um "fantasma", e não uma coisa séria. Como já disse Fernanda Câncio não se referenda esta como não foram referendadas outras alterações ao casamento. Como, por exemplo, as mulheres deixarem de ser propriedade do marido. Não se perguntou ao povo (aos homens em geral? aos homens casados? aos homens casados com filhos?) se concordavam com a medida. Fez-se e pronto: as mulheres ganharam mais um degrau na liberdade individual e na igualdade.

A senhora vai buscar até a comunidade muçulmana quando esta não se manifestou interessada em que o Estado Português altere a lei do casamento, de forma a reconhecer o casamento poligâmico, pelo que a senhora está confusa, propondo mais que aquilo que está em discussão. Curiosamente não falou dos cristãos Mormons aos quais o casamento poligâmico é tão querido...

Também não me parece que saiba o que é ser-se católico, porque um católico que preze a sua fé religiosa, casa sempre pela Igreja (e pela lei, simultaneamente pelo civil se não tiver sido celebrado antes). Logo esse "casamento" é indissolúvel, a menos que outros valores se levantem e aquilo que era deixa de o ser.

Senhora jurista as coisas estão mesmo mal para esses lados, na discussão que decorre em New Jersey, uma sua colega disse o seguinte: "O direito de saber que quando o seu parceiro estiver doente, ou quando o seu filho estiver doente, não terá de lutar com burocratas sem nome através de um advogado. O direito de comparecer à reunião de pais na escola sem ter que apresentar desculpas ou explicações. O direito de usar uma aliança de casamento e gozar da dignidade plena e reconhecimento que vem com aquela palavra mágica, casamento, justamente como eu e o meu marido o fazemos. Neste país, não concordamos com o direito civil de alguns e metade do direito civil de outros."

Vá lá doutora, faça um "update" (ou "actualização", se preferir), já reparou que é uma mulher livre e formada, e essa liberdade não foi a referendo?

Mais á frente a Drª diz que "Ou há um grupo que impõe a sua visão à sociedade?", e a resposta é simples e óbvia: a visão da sociedade do casamento civil afastou-se há muito da visão do casamento religioso. A sociedade recusou os casamentos arranjados para perpetuar património e passou a valorizar o casamento por amor. E no meio disto temos um pequeno grupo de pessoas que acham que não... que isto do casamento por amor e os afectos está tudo mal... o que interessa é o casamento para procriar.

Portugal está de facto numa "situação impar": ainda tem muitas facções da sua sociedade que estão à espera desse tal de 25 de Abril. Mas no que tem a ver com a lei em questão estaremos tudo menos numa "situação impar" pois já são muitos os países que consideram os seus cidadãos como cidadãos de pleno direito, o que faz que não estejamos "Orgulhosamente sós".

Agora que penso no assunto... quantos países fizeram um referendo sobre a questão do casamento civil? Os únicos referendos que tive conhecimento aconteceram nos diversos estados dos Estados Unidos da América e alguns desses, no seu fervor religioso, chegaram ao cúmulo de potencialmente acabar com todos os casamentos(!).

Daqui se vê que nem sempre as coisas dos referendos correm bem... e não é só para os que vão votar... é para todos os casais a que se aplique o resultado do referendo.

Termino de forma pessoal, porque afinal este post é sobre o dia do meu "casamento". espero que de uma vez por todas o Estado Português queira de mim mais que os meus impostos, queira também brindar-me com o respeito e a dignidade que enquanto ser humano me é devido, e possa deixar de dizer que estou "casado" entre aspas, e o diga abertamente e com o orgulho de fazer parte de um país que, aos poucos é verdade, está a dar passos decisivos pelo respeito dos seus concidadãos.

E a bem da verdade já somos muitos os casais quer de homens quer de mulheres à espera da lei para fazermos uma festa, a festa do nosso casamento.

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# publicado por portugalgay | |
17/11/2009 23:54

 

Tudo muito católico


Foi ontem que na Universidade Católica em Lisboa que aconteceuum debate... ou melhor: uma sessão de esclarecimento, sobre o Casamento homossexual.
Os oradores foram escolhidos de forma a serem imparciais, pois esperava-se esclarecer uma plateia que ainda não teria entendido bem aquilo a que se propôs o Partido Socialista durante a campanha eleitoral, e agora também apresentado no plano do Governo.
Foram oradores o Padre Gonçalo Portocarrero Almada, e o Padre Nuno Serras Pereira. Completamente imparciais os dois oradores deram uma visão do casamento civil, ao longo da história, ou mais ou menos isso. Contudo introduziram uma alteração ao termo, deixando a determinada altura de se chamar Casamento Civil, para ser Matrimónio Civil.
Que apropriado, ou não estivéssemos nós na Universidade Católica, e não fossem os interlocutores representantes de uma instituição especialista em servir a Deus e ao Diabo. Verdadeiros especialistas em iludir o povo com discursos de clemência, de alusão ao amor, fraterno ou não, e de muito sofrimento para que os mais incautos se sintam impelidos a seguir as suas ideias, os seus propósitos e sintam que devem apoiar as suas posições e teses.
Mas devo confessar de que se por um lado me torci de agonia ao escutar as apresentações de um e outro, por outro lado pude saborear, diria mesmo deliciar-me, que os súbditos - ou supostos súbditos - não mais pensam pela cabeça dos outros e tem as suas próprias posições, as suas próprias leituras da realidade, e daquilo que deve ser uma sociedade justa.
Assim desde já o meu bem-haja ás intervenções dos que na fase das perguntas e respostas, se mostraram insatisfeitos com o "não-esclarecimento" prestado.
Bem... como facilmente perceberam estava a ser irónico quanto à imparcialidade dos oradores, porque aquilo a que se assistiu na “não” sessão de esclarecimento, foi a apresentação, algo suave é verdade, do ministério da fé, ou daquilo que é a posição da Igreja, pelo que penso esta sessão deveria ter-se chamado, “A posição da ICAR sobre o Casamento entre pessoas do mesmo sexo!”.
Vou tentar reproduzir algumas das afirmações e/ou noções que foram proferidas pelos oradores.
O primeiro orador,Portocarrero, até começou bem, questionando como poderia um Padre opinar sobre o Casamento Civil, não sendo este um direito canónico, mas sim civil?
Começou, lá isso começou. E embora o deva cumprimentar pela sua brilhante apresentação, um orador de excelência, aquilo que escolheu dizer foi algo que se ficou pela demagogia barata com uma série de argumentos vazios, observando a realidade actual das diferentes estruturas familiares, e das posturas da ICAR ao longo da historia relativamente ás ditas minorias, e perante uma grande maioria que são as mulheres.
Uma das suas primeiras afirmações foi dirigida ao Português, enquanto língua, que por vezes é usado de forma a iludir e originar conflitos. Citando o caso particular do aborto, que agora se chama IVG (interrupção voluntária da gravidez). Mas os termos foram mudando ao longo dos anos em diversos locais e não se vê grande alarme nisso. Por exemplo, as "contínuas", agora chamam-se “pessoal de acção educativa”, será que estamos a iludir alguém? Depois penso que deviam até ficar contentes pois se a moda de dar novos nomes ás coisas está tão viva na sociedade e na política isso deve-se á mestria da Igreja, que conseguiu (e ainda consegue) ler e reler a Bíblia Sagrada, dando tantos significados quanto aqueles que são precisos no momento.
Depois fiquei a saber que os homossexuais não têm uma relação matrimonial, porque isso é algo apenas relativo aos heterossexuais.
Mas a minha aprendizagem continuou: fiquei a saber que afinal o Código Civil tal como o conhecemos não impede os homossexuais de casar, afinal qualquer homem homossexual pode casar com uma mulher, tal como uma mulher lésbica pode casar com um homem. Por isso é "falaciosa" a nossa pretensão de alterar código civil.
E mais á frente a plateia foi informada que ao Direito não lhe interessa saber a orientação sexual, ou quaisquer outras características dos nubentes. Mais: a discriminação é um sinónimo de respeito pelas distinções existentes em cada um.
“O casamento que não observe a essência do casamento, não é um casamento e por isso é uma fraude” e “Não queremos [os homossexuais] casar, queremos viver juntos, porque aquilo que queremos não é casamento”. Estas foram algumas afirmações que deixo á vossa consideração.
Mas vamos então para a palavra que cada vez mais me deixa com mais dúvidas: “natural”. Esta palavra surge na apresentação de Portocarrero, aliada ao matrimónio, na frase, “o matrimónio natural não decorre de nenhuma repercussão religiosa ou jurídica”, e por isso “abrir o casamento civil a homossexuais, é abrir a caixa de Pandora, porque um mal nunca vem só”.
Ora Senhor Padre não poderíamos estar mais esclarecidos, seja casar é mau, mas na se preocupe, nós seres humanos imperfeitos, estamos habituados a sofrer e queremos por isso aceder a este “mal”, porque acreditamos que o amor que nos une será capaz de o transformar em algo positivo.
O Padre Gonçalo Portocarrero Almada, termina dizendo que tempos difíceis vem a caminho para as famílias Portuguesas. Parece-me que não reparou que a crise económica e a falta de emprego já cá estão, porque no que se refere ao Casamento Civil quase tudo fica na mesma. Apenas mudará o facto de que a minha relação de 14 anos vai poder ser oficializada pelo Estado Português, como oficial são os impostos que religiosamente pago desde sempre.
Mas não nos poderemos esquecer que eram dois oradores, e o segundo, embora não goze do dom da oratória, tem uma oratória que no seu conteúdo é de gozo.
Serras Pereira, começa por dizer que o seu antecessor não merecia as palmas que estava a receber, mas sim muitas mais. Coisa que depois da apresentação de Serras Pereira não poderia estar mais de acordo.
Então aqui fica uma das primeiras afirmações: "as pessoas nascem 'barão' e mulher, podem ter acidentes de percurso que podem ser alvo de correcção”. Fiquei logo alvoraçado porque na sei porque os homens são “barões” e as mulheres não podem ser “baronesas” (será que é da prenuncia do norte?) Mas por outro lado fico satisfeito que o Sr. Padre tenha no seu discurso uma alusão ás pessoas transexuais.
Mas a minha inquietação manteve-se com as frase seguintes: “a relação sexual é a realização de um acto entre duas pessoas diferentes [de sexo diferente], … a única coisa que só pode ser feita por duas pessoas, um homem e uma mulher, … tudo que seja diferente disto não é uma complementaridade”
Ora muito me surpreende que a ICAR tenha um discurso tão virado para o sexo carnal, esperava-os castos, e promotores do sexo reprodutivo, mas pelos vistos afinal o sexo é bom, deve ser praticado, e é a essência do casamento.
No entanto outros dogmas da ICAR não mudam, se não vejamos como apresenta Serras Pereira a "Criação do Mundo": Adão "representa a humanidade". Adão andava metido naquilo que faz rir, entra em transe e é-lhe retirada uma costela (qual Deus a fazer de ladrão de rins) de onde nasce a mulher, esse ser inferior. Perante isto a humanidade/Adão grita de espanto: "um ser igual a mim!".
Confesso que fiquei desordenado, e ao mesmo tempo com a ideia de que Eva afinal era uma Transexual M to F. Até imaginei no meu miolo uma cena animada com o Adão aos saltitos no paraíso a brincar ás casitas com Eva.
Mas depois fiquei realmente perturbado: "a semente de Deus é o sémen de Deus, que vem fecundar mais um filho para a ICAR" - isto no ritual do baptismo - assim o disse Serras Pereira. Eu tenho cá para mim que a água do baptismo é o símbolo da pureza e não do esperma de Deus, isto pareceu-me tudo um pouco repugnante... mas quem sou eu?
Mas a altercação realmente medieval veio pouco de depois, qual bicho papão que atormenta as mentes mais incautas: "Aprovar o casamento civil entre homossexuais, trás consigo a aprovação de outras uniões como o incesto, a poligamia, entre grupos, dos bissexuais, e até com animais." Imagine-se os frades todos do convento a casarem-se uns com os outros! Deus nos livre e guarde! E eu a pensar que tais argumentos básicos tinham sido abandonados há largos anos depois dos debates sobre os casamentos inter-raciais.
Devo ainda confessar, já que estamos a falar de padres, que fiquei maravilhado com o profundo conhecimento de Serras Pereira sobre as actividades deleitosas a que os praticantes da homossexualidade se dedicam. Desde o uso de "utensílios sintéticos e/ou orgânicos introduzidos no ânus" por essas pessoas passando pelas práticas de Sado-maso e até às conhecidissimas "golden-queens". Aparentemente estas actividades estão obstadas pela Santa Madre Igreja de serem realizadas pelas pessoas heterossexuais... aparentemente tal medida não teve grande efeito prático.
"50% das violações de menores são perpetradas por homossexuais" foi a revelação científico-teológica seguinte que, face à forma como a Igreja Católica trata a questão do abuso sexual de menores só pode ser resultado de um qualquer decreto Papal "porque sim". Como os decretos Papais que esconderam os abusadores Católicos das autoridades civis "porque sim".
"Depois da aprovação do casamento civil para pessoas do mesmo sexo, a seguir vem a opressão com base nos actos tidos como homofóbicos, e sendo assim pessoas como os padres que estejam a ler uma qualquer passagem da bíblia que seja considerada homofóbica correm o risco de ir presas". É preciso mesmo ter muita desventura: com milhares de passagens para escolher na bíblia, foram logo pegar naquelas duas que rejeitam a homossexualidade... não haverá mais nada de interessante para ler?
Serras Pereira vai mais longe, e afirma que as pessoas homossexuais não são seres felizes: "não acredito que essa pessoa [homossexual] seja feliz, sei por experiência própria e de vida, que essa pessoa não pode ser feliz contrariando os mandamentos de Deus". Novamente a dúvida! A surpresa! Que experiências terá tido Serras Pereira para ficar tão abalado? Se calhar foi na mesma circunstância em que deleitou-se com as "Golden-Queens"...
Termino com uma questão colocada por um dos jovens. Queria ele saber como sustentavam os dois oradores que o casamento civil seja apenas para heterossexuais, ou apenas realizável entre um homem e uma mulher. Na resposta Padre Portocarrero diz "o contexto natural da procriação é o matrimónio, algo fora disso é ofensivo à condição humana". Ficamos esclarecidos que mais de 1 em cada 4 crianças em Portugal é uma ofensa à condição humana (por nascerem fora do casamento).
Mas a melhor parte do "debate" foi quando um jovem tentou, em vão, colocar a sua pergunta sobre o casamento civil e a presidente da Associação Mulheres em Acção, Alexandra de Almeida Teté, levanta-se do seu lugar, e em consonância com a restante plateia que vaiava o dito aluno desde o início, retira a este o microfone da mão, dizendo que "o direito só vai proteger aquilo que é o bem comum".
Tudo muito católico como se vê.

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10/11/2009 00:30

 

Discurso de D. Jorge Ortiga na abertura da Assembleia Plenária da Conferência Episcopal Portuguesa


Agência Ecclesia

Discurso de D. Jorge Ortiga na abertura da Assembleia Plenária da Conferência Episcopal Portuguesa

A Assembleia Plenária da Conferência Episcopal é, sempre, experiência de profunda comunhão eclesial. Desta vez, a alegria da comunhão torna-se mais expressiva pela graça que nos é concedida da visita de Sua Santidade o Papa.

Como já foi referido em Nota Pastoral do Conselho Permanente da C.E.P (6 de Outubro de 2009): "A comunhão visível com o Sucessor de Pedro, fisicamente presente entre nós, será, mais uma vez, ocasião da expressão espontânea desse amor à sua pessoa, ao seu magistério e ao seu serviço universal e de fidelidade à Igreja".

Expressamos a mais sentida gratidão e queremos corresponder com a preparação consciente das nossas comunidades, de modo que a sua mensagem seja acolhida sem reticências por todos os cristãos.

A mesma comunhão eclesial faz com que manifestemos a D. Albino Mamede Cleto, Bispo de Coimbra, as felicitações pelos vinte e cinco anos de serviço episcopal e a D. Manuel Rodrigues Linda, novo Bispo Auxiliar de Braga, a solidariedade permanente de cada um de nós.

A IGREJA NO MUNDO

A C.E.P., norteada pela necessidade de repensar a pastoral nas suas dioceses, encontra-se mergulhada num momento num contexto de mudança civilizacional. Muitas perspectivas podem e devem ser equacionadas. Fiéis a uma responsabilidade histórica – que a minha presença no Sínodo dos Bispos sobre a África veio reforçar – importa que reinterpretemos a nossa vocação missionária. Para isso, teremos, por um lado, de continuar a acolher os imensos contornos do universo como espaço onde levar a semente do Evangelho; por outro, centrar a atenção nos nossos próprios espaços, onde nos apercebemos de um progressivo afastamento da mensagem cristã.

Sempre interpelados pela missão, recordo a peculiar relação histórica entre a Europa e a África, para manifestar a particular solidariedade, no campo espiritual e material, com os povos de língua portuguesa (1).

Aceitamos, também, a gratidão manifestada pelo Sínodo às nossas Igrejas na Europa, sabendo que é nosso dever eclesial permanecer junto desses povos, inclusive através do envio de missionários que, por meio da inculturação, testemunhem a fidelidade a Cristo com o anúncio do evangelho e a entrega da vida (2).

Esta nova consciência missionária e a reflexão que dela fazemos, obriga-nos a repensar, à luz do Concílio Vaticano II, o papel da Igreja no mundo. Durante muito tempo apenas vimos “o mundo da Igreja”. Hoje, é inequívoco que não existe o “mundo da Igreja”, mas que Ela deve estar no meio do mundo, não como senhora mas como serva. Estar no coração do mundo é já uma luta a travar, uma vez que a mudança que modernidade ocidental trouxe consigo deslocou o cristianismo do centro para a “periferia dos dispensáveis e dos irrelevantes”.

Curiosamente, na fragilidade desta periferia podemos reencontrar a nossa identidade cristã, a qual se plasma na única segurança que vem de Cristo. É neste contexto de humildade, que teremos de passar duma atitude de detentores da verdade para uma transparência da verdade, de emissores únicos e autoritários a peregrinos dialogantes nesta mesa comum da procura. Nunca podemos renunciar ao encargo que nos é confiado de apontar a urgência dum encontro com a Verdade. Sabemos que o ser humano se desfigura sempre que não é capaz de se confrontar com Ela e vive na persistente “ditadura do relativismo”, ou seja, no comodismo de quem se demite de pensar com rigor a realidade.

Segundo Santo Agostinho, a verdade, que também é dom, é maior do que nós e é-nos primeiramente dada. Em “qualquer processo cognoscitivo, a verdade não é produzida por nós, mas sempre encontrada ou, melhor, recebida”, afirma a encíclicaCaritas in Veritate (n. 34). Podemos então concluir que, sendo a verdade um dom recebido por todos, pode constituir-se como força que unifica a Humanidade e promove a universalidade dos povos.

Compete-nos, por isso, sair do “nosso” mundo para provocar encontros com todos e ouvir as suas inquietações e dramas e, na comunhão com todos, semear a sede duma redescoberta do sentido para a vida que só Deus oferece. Este encontro dialogante acontecerá, ou deverá acontecer, através de uma presença, silenciosa mas de testemunho, da Igreja nos mais variados ambientes.

A missão está aí e é desafio que devemos encarar. Os “mundos” esperam-nos e teremos de lá chegar. A sociedade portuguesa é, ainda, detentora de profundas marcas cristãs. Trata-se de avivar o que parece morto e situar o Evangelho neste contexto que parece contradizê-lo em muitas dimensões.

Como pode, então, a Igreja convergir com o mundo neste jogo de fronteiras e de procura da Verdade? Acredito que é, precisamente, apostando no desenvolvimento integral da pessoa, na educação para os valores e restituindo a dignidade à instituição familiar, como nos recorda o Santo Padre na encíclica Caritas in Veritate.

TEMPO DE MUDANÇAS

O trabalho só faz sentido se dinamizado em conjunto com múltiplos parceiros.

A actual condição da sociedade portuguesa solicita da Igreja uma atitude muito concreta. Qualquer mudança projecta-nos para um futuro em aberto, uma infinitude de possibilidades que, a seu tempo, se concretizam ou desvanecem. Este é o tempo de mudança de governo e, neste sentido, perspectiva-se uma nova fase de relacionamento com o poder civil.

Hoje é consensual a autonomia entre Igreja e Estado. A laicidade é uma realidade e, no dizer do Papa João Paulo II (Fevereiro de 2005): “longe de ser um lugar de colisão, é realmente o âmbito para um diálogo construtivo, no espírito dos valores de liberdade, de igualdade e de fraternidade”. Este “diálogo construtivo” é o nosso permanente compromisso e queremos continuar a cooperar na linha da Lei da Liberdade Religiosa que consigna que não pode ser tratado como igual o que é diferente (Art.º 5º) e cria espaço legal para uma Concordata que testemunha o específico da Igreja Católica nos vários quadrantes. Não queremos pretender um Estatuto de privilégio. Caminhamos como povo português e trairemos a nossa missão se não lhe oferecermos uma mensagem que alguns podem não reconhecer como necessária. Aceitamos a lógica da liberdade.

PRIORIDADE DA EDUCAÇÃO

Torna-se prioritário olhar para a Educação e reconhecê-la como elemento fundante e estruturante da sociedade portuguesa, comportando responsabilidades, quer para a sociedade em geral quer para a Igreja em particular. A educação apela a acções que favorecem o desenvolvimento intelectual, afectivo, espiritual, físico e moral da pessoa humana, tendo sempre como objectivo a tomada de consciência da própria pessoa e o autodomínio. É necessário, portanto, ter a capacidade de abrir horizontes e promover a totalidade da pessoa, nas suas múltiplas dimensões: intelectual, afectiva, física e espiritual… Só um projecto onde se fomentem os valores garante um humanismo com futuro.

Daí que algumas coordenadas do ensino em Portugal nos inquietem. Importa ter a coragem de o repensar e não caminhar com soluções parciais e ao sabor dos ventos e conveniências corporativas e políticas. Sem valores verdadeiramente assumidos, a educação não acontece, o relativismo ganha foros de “norma”, a família desestrutura?se, perde as suas coordenadas de referência e até de autoridade e a vida social corre o risco de se tornar ponto de “desencontro”. Muitos já o referiram e nunca se pode esquecer. A crise está na ausência de valores. Poderá parecer que temos uma sociedade de progresso e verdadeiramente desenvolvida. O actual momento da sociedade já o desmente e o futuro poderá reservar-nos algumas surpresas.

Educar para os valores deve permitir uma pluralidade plausível e séria de propostas, de modo que, segundo o princípio da subsidiariedade, seja permitido aos pais escolher o projecto que querem assumir para os seus filhos. Os pais necessitam da concretização deste direito. E para que isto seja uma realidade, o ensino não pode ser estatizado em absoluto, de uma forma sub?reptícia e compulsiva, como parece ser essa a vontade de muitas políticas pseudo?educativas. Também na educação, a democracia passa necessariamente pela justa autonomia e descentralização estatal.

A par da necessária pluralidade e qualidade de oferta, torna-se imprescindível sensibilizar, consciencializar e responsabilizar as famílias, para que sejam capazes de interpretar a sua missão, neste ambiente de uma sociedade com sinais de desorientação e imaturidade. Em muitos casos, podem ser necessários gestos e atitudes frontais, manifestando um justo inconformismo cívico, a fim de que seja respeitada e legislada claramente a liberdade de opção dos pais sobre a educação dos seus filhos.

A FAMÍLIA E OS VALORES

A “família tornou-se a célula primeira e vital da sociedade” (FC 42), uma vez que possui vínculos vitais e orgânicos com a mesma sociedade. Na verdade, representa a primeira escola da sociedade e, como tal, local privilegiado para a aprendizagem dos valores éticos e cívicos.

A nossa história atesta que a instituição familiar tem sido uma escola positiva e fundamental. Foi ela que promoveu uma consciência viva da liberdade pessoal, incutiu a importância das relações interpessoais, estimulou uma verdadeira educação dos filhos e, no amor mútuo, abriu-se a uma necessária procriação responsável.

Hoje, a família encontra-se exposta ao relativismo dos valores, o que estará a degenerar em anti?valores: rupturas familiares, crise social da figura do pai, dificuldade em assumir compromissos estáveis, graves ambiguidades acerca da relação de autoridade entre pais e filhos, o número crescente dos divórcios, a praga do aborto, o recurso cada vez mais frequente à esterilização e a instauração de uma verdadeira e própria mentalidade contraceptiva (cf. FC 6).

É, pois, fundamental que a família descubra a sua identidade. O que é, e também qual a sua missão na sociedade. Cada família é chamada a descobrir o apelo de Deus dentro de si e “tornar-se aquilo que é” (FC 17).

Se a emergência educativa passa pela família, nunca nos poderemos cansar de anunciar o seu verdadeiro estatuto e denunciar campanhas que pretendem dar uma orientação contrária às características que, queiramos ou não, se revestem de uma dimensão cultural e antropológica e que, por essa razão, nunca podem ser consideradas ultrapassadas ou retrógradas.

Continua a infiltrar?se, em muitos casos de uma maneira camuflada, a “teoria do género”, como verdadeira ideologia apostada em redefinir a família, a relação matrimonial, a procriação e a adopção. Ninguém ignora os problemas reais com os quais a instituição familiar se debate quotidianamente. Perante estas novas problemáticas, vão surgindo tentativas de solução baseadas nos valores tradicionais de liberdade, igualdade e saúde que, para além dos seus significados verdadeiros, começam a ficar mergulhados num conjunto de ambiguidades, desviando-se duma antropologia sadia e verdadeiramente confirmada pela genuína cultura.

Em muitos casos, a justa liberdade da mulher já não encerra uma verdadeira emancipação das discriminações sociais e do poder autoritário do homem. Enveredou por uma competição entre os dois sexos, onde aparece com evidência a rivalidade e o antagonismo que conduzem a uma procura da afirmação individual, quando deveria estruturar-se em termos de solidariedade e complementaridade responsável. A violência doméstica prolifera e o desencanto familiar multiplica-se.

Determinadas concepções de igualdade pretendem sublinhar a diferença natural entre homem e mulher como irrelevante e propõem a uniformidade de todos os indivíduos como se fossem sexualmente indiferenciados, com a consequência inevitável de considerar os comportamentos e orientações sexuais equivalentes. Assim julgam que cada indivíduo tem o direito de concretizar livremente e, em muitos casos até mudar, as próprias escolhas segundo as suas preferências, desejos ou inclinações. As uniões homossexuais pretendem apresentar-se com estatuto idêntico à família.

Também na área da saúde reprodutiva, sob o pretexto da prevenção e da preocupação por evitar as doenças, aconselha-se o exercício meramente amistoso, ou até simplesmente lúdico, da sexualidade, não a integrando numa perspectiva de verdadeiro amor aberto, responsavelmente, à procriação. Neste terreno, o aborto é banalizado com orientações legais que desrespeitam o valor indiscutível da vida e assim o decréscimo da natalidade atinge níveis preocupantes, motivados por interpretações egoístas do dom da sexualidade.

Trata-se duma verdadeira campanha ideológica que não tem em consideração as implicações antropológicas. Se isto acontecesse, tais comportamentos deviam ser considerados eticamente inaceitáveis. Urge, por isso, a responsabilidade de restituir aos sagrados princípios da liberdade, igualdade e saúde os seus verdadeiros conteúdos em favor duma convivência responsável perante um amanhã que deve ser continuamente repensado dentro dos parâmetros dum humanismo integral.

O papel da Igreja será sempre de proposta e defesa da dignidade humana, independentemente da ideologia ou crença religiosa dos indivíduos, aliando o respeito com a coragem. Sentimos o dever de oferecer um contributo para uma sociedade constituída por homens e mulheres verdadeiramente livres e iguais. Em muitos casos seremos incompreendidos, mas o que julgamos ser a verdade sobre a vida humana deve prevalecer sobre o que é considerado política ou socialmente correcto e os aplausos da opinião pública reinante. Por vezes, a Igreja experimenta seguir em contra-corrente, mas sempre de modo respeitoso e dialogante, a mentalidades facilitistas que pretendem impor os seus critérios.

A atenção à família determina o conteúdo das prioridades a considerar pelas instâncias governativas. Não devemos cair num alarmismo ou visão negativa do actual momento histórico. Também não interessa ficar passivamente a apontar os culpados ou responsáveis pela actual situação social. Sabemos que o desemprego cresce e as empresas lutam com dificuldades ou já encararam a realidade da falência. A carência de bens essenciais entrou em muitas casas e não pode ser camuflada a resignação dura de pessoas simples que se vêem obrigadas à austeridade. A vergonha encobre muita miséria e os dados estatísticos, elaborados a nível nacional ou internacional, lançam alertas que os poderes deveriam ouvir para discernir caminhos que ofereçam aos pobres uma vida digna.

Esta é a prioridade das prioridades. As soluções não são fáceis de encontrar. Só uma convergência que não admite distracções permite uma sociedade justa e fraterna.

SACERDOTES, SERVOS DUMA NOVA HUMANIDADE

É meu grato dever recordar o Ano Sacerdotal. A Igreja é povo de Deus que participa no único sacerdócio de Cristo. Nesta abrangência de responsabilidades, os sacerdotes devem revitalizar o dom que receberam e sentir-se intérpretes duma missão ministerial capaz de rejuvenescer o tecido das comunidades, suscitando e reconhecendo o Sacerdócio comum dos fiéis. A todos e cada um dos sacerdotes, gostaria de expressar a mais profunda gratidão pelo testemunho de fidelidade a Cristo e pedir que continuem a testemunhar maior transparência do Amor de Deus pela humanidade. Os Bispos de Portugal não só compreendem o novo e complexo contexto em que o ministério é exercido, mas estão, também, empenhados em discernir soluções capazes de a todos proporcionar as condições humanas exigidas para a alegria de serem intérpretes duma missão que, sendo de origem divina, se incarna na história, mostrando como Cristo continua a ser imprescindível para uma vida feliz.

Continuaremos empenhados em vivenciar um amor feito verdade a partir dum projecto de vida onde resplandeça a lógica do dom e o princípio da gratuidade capaz de constituir um Portugal caracterizado por um desenvolvimento integral para todos e, particularmente, para os mais pobres.

Que o Santo Padre, cuja visita queremos preparar com esmero e júbilo, nos encontre mergulhados neste serviço.

Fátima, 9 de Novembro de 2009

† Jorge Ortiga, Arcebispo Primaz de Braga e Presidente da C.E.P

NOTAS:

1 - Um sincero agradecimento a todas as Igrejas locais que, estendendo a mão, prestam serviços em África e à África, tanto no campo espiritual como no material. No que se refere à reconciliação, à justiça e à paz, a Igreja em África continua a contar com a solidariedade dos responsáveis da Igreja nos países ricos e poderosos, cuja políticas, acções ou omissões, ajudam ou podem causar e mesmo agravar a difícil situação da África. A este respeito, recordamos que entre a Europa e a África há uma peculiar, relação histórica.

2 - A este propósito, o Sínodo sente o dever de exprimir um profundo reconhecimento aos muitos missio nários, clérigos, religiosos e fiéis leigos de outros continentes que semearam a fé na maior parte dos países de África. São muitos os que ainda hoje aí trabalham, com uma dedicação e zelo heróicos. Um agradecimento muito especial àqueles que permaneceram junto do seu povo, mesmo em tempos de guerra e de graves crises. Alguns chegaram mesmo a pagar com a vida a sua fidelidade.

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# publicado por portugalgay | |
07/11/2009 12:32

 

O que há de errado com a adopção gay?


Em Novembro de 2002 a APA (Associação Psiquiatria dos EUA) emitiu um comunicado em que defendia a co-adopção por casais do mesmo sexo.

Neste comunicado, reproduzido abaixo, pode ler-se que: "Diversos estudos realizados nas últimas três décadas demonstram que as crianças educadas por gays e lésbicas exibem o mesmo nível de funcionalidade emocional, cognitiva, social e sexual quando comparadas com crianças educadas por casais heterossexuais"

E, no entanto, a co-adopção ainda é um bicho-papão quem em Portugal quer nos EUA.

Pior: os que são contra esta medida defendem-se dizendo que é pelo melhor interesse das crianças. Como se vê pela declaração da APA os dados científicos contrariam claramente esta teoria.

Fica a pergunta que não sei responder: o que querem realmente essas pessoas que são contra?

Filipe Paulo


Adoption and Co-parenting of Children by Same-sex Couples
POSITION STATEMENT

Approved by the Board of Trustees, November 2002
Approved by the Assembly, November 2002

"Policy documents are approved by the APA Assembly and Board of Trustees… These are …position statements that define APA official policy on specific subjects…" -- APA Operations Manual.

Numerous studies over the last three decades consistently demonstrate that children raised by gay or lesbian parents exhibit the same level of emotional, cognitive, social, and sexual functioning as children raised by heterosexual parents. This research indicates that optimal development for children is based not on the sexual orientation of the parents, but on stable attachments to committed and nurturing adults. The research also shows that children who have two parents, regardless of the parents’ sexual orientations, do better than children with only one parent.
While some states have approved legislation sanctioning second parent adoption, other court judgments and legislation have prohibited lesbian women and gay men from adopting or co-parenting. Therefore, in most of the United States, only one partner in a committed gay or lesbian couple may have a legal parental relationship to a child they are raising together. Adoption by a second parent, however, would not only formalize a child’s existing relationships with both parents in a same-sex couple, it would also provide vital security for the child. Children could avail themselves of both parents’ health insurance benefits, access to medical care, death benefits, inheritance rights, and child support from both parents in the event of separation. Adoption protects both parents’ rights to custody and/or visitation if the couple separates or if one parent dies.

The American Psychiatric Association has historically supported equity, parity, and non-discrimination regarding legal issues affecting mental health. In 2000, APA supported the legal recognition of same sex unions and their associated legal rights, benefits, and responsibilities. APA has also supported efforts to educate the public about homosexuality and the mental health needs of lesbian women, gay men, and their families. Removing legal barriers that adversely affect the emotional and physical health of children raised by lesbian and gay parents is consistent with the goals of the APA.

The American Psychiatric Association supports initiatives which allow same-sex couples to adopt and co-parent children and supports all the associated legal rights, benefits, and responsibilities which arise from such initiatives.

This position statement was drafted and proposed by the Committee on Gay, Lesbian, and Bisexual Issues and was supported by the Council on Minority Mental Health and Health Disparities.

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02/11/2009 20:16

 

Definição de Casamento e Matrimónio no dicionário



casal
nome masculino
1.conjunto de macho e fêmea
2.conjunto de duas pessoas de sexo diferente
3.conjunto de duas pessoas casadas ou que mantêm uma relação amorosa ou íntima, vivendo ou não juntas
4.par, parelha
[...]
(Do lat. casále-, «quinta; fazenda»)
casamento
nome masculino
1.ato ou efeito de casar
2.contrato celebrado entre duas pessoas que pretendem constituir família em conjunto; matrimónio
3.cerimónia que celebra o estabelecimento desse contrato; núpcias
4.situação que resulta do ato de casar
5.estado de casado
[...]
(De casar+-mento)
matrimónio
nome masculino
1.DIREITO contrato perante a lei para um homem e uma mulher viverem em comum e beneficiarem de certos privilégios legais
2.união legítima, de caráter civil ou religioso, entre duas pessoas; casamento; união conjugal
3.bodas; núpcias
[...]
(Do lat. matrimonìu-, «id.»)
casar
verbo transitivo
1.ligar pelo casamento
[...]
verbo intransitivo e pronominal
1.unir-se pelo casamento
[...]

cônjuge
nome masculino
cada um dos esposos em relação ao outro
(Do lat. conjùge-, «esposo; esposa»)
esposo
nome masculino
homem em relação à pessoa com quem casou
(Do lat. sponsu-, «id.»)
esposa
nome feminino
mulher em relação à pessoa com quem casou
(Do lat. sponsa-, «id.»)

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02/11/2009 19:47

 

Regiões TV - Esclarecimento sobre Falhas e Buracos


Alguns dias atrás fui convidado para ir a um canal de cabo (Regiões TV), para desvendar um pouco do PortugalGay.pt e do seu trabalho em 13 anos de existência.

Era suposto falar das mais de 20.000 páginas que ilustram o directório, as noticias, as sondagens, bem como a secção de apoio, entre outros temas como a saúde, … era ainda suposto dizer que temos mais de 5000 pessoas por dia que nos visitam pelas mais diversas razões, e que resultam em mais de cinco milhões de page views, e muito perto de dois milhões de pessoas por ano. Devia ainda falar das reportagens presentes no portugalgay.pt/tv e do número verde 800206919 o único totalmente gratuito para que as pessoas possam deixar as suas denúncias e também pedir informações e apoio, alertando que só o podemos fazer quando deixam contacto para o efeito.

Era suposto falar de tudo isto e mais, sobre o PortugalGay.pt que se confunde com o seu Editor (eu mesmo), mas estavam outros convidados presentes na entrevista, e um desses convidados era a Alexandra de Almeida Teté, representante da associação “Mulheres em Acção”.


Presente esteve também a “DJ Buondi” que se mostrou algo agradada com a postura de Teté durante a sua entrevista, tal como eu mesmo. Em pleno século XXI inda são necessárias associações que defendam a igualdade, e que a paridade não deve ser uma mera questão de retórica.

Contudo toda esta nossa concordância muda, e o abismo surge, quando, ainda não estou muito certo como, entra o tema do Casamento Civil acessível a todos e todas, em que Teté se mostra completamente contra, e adianta a sua posição também contrária á adopção por homossexuais.

Ora foi aqui que tudo que era suposto eu dizer caiu por terra, pois os entrevistadores, do programa “Chá de Frutas”, preferiram o debate entre a minha pessoa e a Teté.

Não vou descrever o debate, pois foi penoso ver alguém com responsabilidades sociais a ter posturas de uma tal profunda discriminação e preconceituosas que deixou a mim e a Dj Buondi (segundo ela mesma me disse) surpresos, para não dizer chocados, com tais posturas. Contudo acredito que este debate venha a estar presente na secção de multimédia do site da RTV (http://www.rtv.com.pt/www/).

O que me leva a escrever estas linhas não é o debate em si, mas sim algo que eu disse no calor da discussão que quero aqui deixar claro o que quis de facto dizer.

A certa altura a Senhora Alexandra Teté, diz que o que não falta são pais a querer adoptar,… e eu respondi que esses pais querem adoptar bébes, para colmatar falhas, para tapar buracos,...

Pois bem as “falhas” e “buracos” a que me refiro, não são falhas dessas pessoas ou que a vida dessas pessoas tenham buracos que precisam ser tapados, e que o serão com a adopção de bebés! Nada disso.

Aquilo a que me referia no momento é falhas da natureza, que priva alguns seres humanos da sua capacidade de fecundação, levando-os a pensar na adopção, para colmatar um vazio (buraco) que existe nas suas vidas, a vontade de exercer a parentalidade, de educar, de criar, de formar um ser à sua imagem e semelhança. Esse é o significado das minhas palavras que ali, e como já disse no calor da discussão, ficou por esclarecer.

Mas aqui também incluo as pessoas, e casais que com o coração cheio de amor para dar, se sentem impelidos, e na obrigação de oferecer ás crianças institucionalizadas uma oportunidade de acreditarem nos adultos e nas famílias.

Entre essas pessoas estão os homossexuais, homens e mulheres que desejam exercer esse seu lado de responsabilidade perante um ser em construção! Pessoas que desejam ser pais e mães! E os homens e mulheres homossexuais já são pais e mães hoje em dia mas não são reconhecidos legalmente como pais ou mães com a pessoa com que partilham a sua vida.

Por isso defendo que a discriminação com base na orientação sexual, identidade de género, origem étnica ou religião não têm lugar quando alguém se propõe a adoptar uma criança. O objectivo é dar a essa criança um ambiente estável, acolhedor, com amor, com regras, com educação, de dar um espaço a que possa chamar de LAR e uma família que possa ela adoptar como sua. E ao avaliar as capacidades de uma ou duas pessoas nesta tarefa com base em preconceitos está-se a reduzir as probabilidades de encontrar o lar mais adequado a cada criança em particular.

Quanto a Alexandra de Almeida Teté, que no início da sua entrevista tanto defendeu a necessidade de ser exercida uma acção na defesa dos direitos da mulher no local de trabalho, que desde já tem o meu inteiro apoio, deixo uma reflexão:

Qual seria a sua postura enquanto representante da Associação Mulheres Em Acção, quando uma lésbica lhes pedisse ajuda, porque a sua entidade patronal não quis situar as suas férias em consonância com as da sua companheira/esposa; ou se, por outro lado, não quis dar licença de parto, para poder acompanhar a gravidez da sua companheira e primeiro passos do filho delas?

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25/8/2009 21:39

 

União de Facto - Alterações e o Veto Presidencial


O Presidente da República decidiu vetar as alterações à lei de união de facto propostas pelo PS, partido do Governo.

Algumas das razões apresentadas por Cavaco Silva deixam-nos perplexos, como o caso do "momento" político, parecendo de alguma forma que o governo só pode legislar durante uma parte do tempo para o qual foi eleito... não nos recordamos de uma lei que defina tal limite...

Mas há várias questões levantadas no texto que acompanha o veto que merecem a nossa reflexão e apoio.

Em especial há a questão de escolha de viver ou não em união de facto.

A nova lei ao indicar que "A união de facto implica a perda ou diminuição de direitos ou benefícios nos mesmos casos e termos em que o casamento implique a perda ou diminuição de direitos ou benefícios." vem fazer com que os que vivam em união de facto há mais de dois anos e, por circunstâncias da vida, beneficiem de direitos específicos apenas até se casarem de novo, se vejam na situação de "casados" mesmo que não queiram! Um exemplo desta situação é a senhora viúva de funcionário público que tinha protecção ADSE e agora está junta com uma pessoa... ao passarem dois anos dessa união perde direito à ADSE. E quem vai verificar esta situação? E como a distinguir de uma Economia Comum?

Mas a nova proposta não se fica por aqui. Por um lado a lei presume que "bens móveis ter-se-ão como pertencentes em compropriedade a ambos". Novamente sem haver nenhum compromisso claro e informado entre as duas pessoas em causa os bens cuja compra não possa ser claramente atribuída a um dos membros passa a ser em partes iguais do casal.

E, para completar a situação, "os dois membros da união de facto respondem solidariamente pelas dívidas contraídas por qualquer deles para ocorrer aos encargos normais da vida familiar". Primeiro problema: o que são encargos normais de vida familiar? Comprar um carro é um encargo normal? Ou um frigorífico? Ou marcar umas férias? Segundo problema: se um dos elementos do casal decide fazer uma compra a crédito (por exemplo com o seu cartão de crédito da sua conta pessoal) excedendo a capacidade financeira do casal de algo que possa ser considerado como "encargo normal da vida familiar" então o outro elemento fica com obrigação sobre esta dívida, mesmo sem ter conhecimento da mesma, e até depois de terminar a união de facto!

Resumindo: parece-nos que a questão da lei de União de Facto deve ser tratada com extremo cuidado por parte do legislador no que toca à liberdade de cada um, o que não se aplica, quanto a nós nestes pontos específicos da lei.

Note-se que, ao contrário do que foi escrito e dito em diversos meios de comunicação social, a maioria das outras alterações ou são de cariz meramente "admnistrativo", limitando-se a reescrever ou esclarecer situações da lei existente, ou então reforçam efectivamente direitos da união de facto como é o caso da "Protecção da casa de morada de família em caso de morte".

A lei mantém a discriminação de casais do mesmo sexo que continuam a ver vedada a co-adopção e a procriação medicamente assistida, em tudo o resto é aplicável igualmente a casais de sexo oposto e casais do mesmo sexo sendo que, obviamente, são muitos mais os casais de sexo oposto afectados pela lei do que os casais do mesmo sexo.

Finalmente lamentamos que o Presidente da República não tenha consciência que nem todos os que vivem em união de facto podem optar pelo casamento: os casais do mesmo sexo que vivem em união de facto continuam sem acesso ao casamento civil em Portugal.

João Paulo
Editor

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09/7/2009 00:38

 

Manifesto Marcha do Orgulho LGBT no Porto 2009


Marcha do Orgulho LGBT no Porto 2009
11 de Julho 2009 - 15 horas
www.orgulhoporto.org

Há 40 anos, no bar Stonewall Inn, em Nova Iorque, pessoas homossexuais, bissexuais e transgéneras revoltaram-se e pela primeira vez reagiram e defenderam-se dos sistemáticos actos de agressão e opressão das forças policiais. Foi o início da luta pelos direitos das pessoas Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transexuais/Transgéneras (LGBT). No ano seguinte, realizou-se a primeira Marcha do Orgulho LGBT – orgulho pela coragem de resistir.

No Porto, a 1ª Marcha do Orgulho LGBT foi impulsionada pelo brutal assassinato de Gisberta Salce Júnior, uma mulher transexual. Estávamos em 2006 e pedíamos “um presente sem violência, um futuro sem diferença”. 2007 foi o Ano Europeu da Igualdade de Oportunidades para Todos. As uniões de facto foram finalmente reconhecidas no Código Penal, sem distinguir casais de pessoas do mesmo sexo e casais de pessoas de sexo diferente. Por outro lado, apesar de muito se ter falado na necessidade de pôr termo à discriminação das mulheres no trabalho, nada se disse, por exemplo, sobre a dificuldade que transexuais e transgéneros têm em conseguir um emprego. Exigimos a inclusão da identidade de género no artigo 13º da Constituição da República Portuguesa e uma Lei de Identidade de Género.

Porque a igualdade de direitos não é adiável ou negociável, exigimos a cidadania plena para todas e todos.

Ano após ano, lembramos que o Estado tem a obrigação de se empenhar activamente na luta contra o preconceito. Porque a educação é fundamental, exigimos acções de formação anti-discriminação nas escolas, nos tribunais, nos estabelecimentos de saúde, nas esquadras. Em todos os pilares da democracia. Em 2008 congratulámo-nos com as medidas tomadas no âmbito da educação para uma saúde responsável, mas lamentámos o facto de a educação continuar a ter como base um modelo heteronormativo, que não corresponde à pluralidade das práticas familiares do Portugal do século XXI.

Na linha de todos os alertas e reivindicações que temos vindo a fazer, hoje pedimos a todas e todos que façam connosco uma reflexão sobre uma temática transversal e central de todas as sociedades: a FAMÍLIA.

Os argumentos em defesa do que é normal e tradicional são recorrentes quando se fala de famílias que não obedecem ao paradigma 1 homem +1 mulher = filhos. Mas o que é "normal"?

No Império Romano havia escravatura. Era normal. Diversas formas de escravatura são ainda consideradas normais em vários locais do mundo. No entanto, Portugal foi um dos primeiros países a abolir a escravatura, no século XVIII. A pena de morte também é histórica e ainda se aplica em diversos países. Portugal foi o terceiro país a abolir a Pena Capital, em finais do século XIX.

Avancemos para meados do século XX e para as coisas normais do mundo ocidental. O casamento inter-racial era proibido em muitos países, sob a justificação de que iria desvirtuar a instituição do casamento e porque a seguir teríamos o incesto e a bestialidade. Era normal obrigar os canhotos e escrever com a mão direita. Era normal os surdos não terem uma língua própria. Era normal os negros serem obrigados a viajar na parte de trás dos autocarros. Era normal uma mulher primeiro ser propriedade do pai para depois ser propriedade do marido. Era normal as mulheres não poderem votar nem usar calças de ganga. Era normal dizer-se que o preservativo e a pílula iam acabar com a família. Era normal haver filhos em todos os casamentos. Era normal o casamento ser para toda a vida mesmo que as pessoas fossem infelizes.

O normal é o que a maior parte das pessoas faz, ou acredita que se faz, num determinado momento. Não quer dizer que as práticas minoritárias estejam erradas. Aliás, o normal muda com os tempos...

Não se pode negar a diversidade de modelos familiares existente.

Um lar pode ter como núcleo um relacionamento monogâmico entre um homem e uma mulher, entre dois homens, ou entre duas mulheres. Mas também há relacionamentos amorosos responsáveis entre mais de duas pessoas. Assim como há famílias cuja base é a amizade, e não o amor, ou o sangue. Todas estas famílias existem. Umas têm filhos, biológicos ou adoptados, outras não.

O problema é que algumas destas famílias não são reconhecidas pelo Estado, ou são tratadas como famílias de segunda.

Há menos de 100 anos, o casamento normal seria a união entre duas pessoas com a mesma cor de pele, a mesma religião, do mesmo estrato social e de sexo diferente. Permitiu-se a anormalidade dos casamentos inter-raciais, a modernice de casar por amor, a leviandade de não se pensar nos interesses religiosos ou patrimoniais das famílias. Permitiu-se o amor. O casamento passou assim a ser o coroar de uma relação, o querermos que seja “para sempre” (pelo menos até ao dia do divórcio). As pessoas com orientações afectivas ou sexuais diferentes da maioria também cresceram neste país, e é normal que vejam no casamento civil a legitimação e dignificação do amor que sentem por outra pessoa.

E é disso que falamos: de amor.

Nem todos temos o desejo de encontrar a alma gémea, casar e ter filhos. Mas quem tem esse sonho deve ter igualdade de acesso ao casamento civil. Todos devemos ter o direito de escolher o modelo de família com que mais nos identifiquemos, e o estado tem de dar as mesmas oportunidades a todos e todas.

É urgente que o Estado reconheça o direito à igualdade para todas as pessoas, para todas as famílias. É necessário que ninguém seja discriminado. Somos uma sociedade diversa. Sejamos verdadeiramente inclusivos.

Por tudo isto marchamos e afirmamos:

“Na felicidade e na dor, o que faz a família é o amor!”

Não estamos a legislar, meus senhores, para gentes remotas e estranhas. Estamos a ampliar as oportunidades de felicidade dos nossos vizinhos, dos nossos colegas de trabalho, dos nossos amigos e dos nossos familiares, e desse modo estamos a construir um país mais decente, porque uma sociedade decente é a que não humilha os seus membros.”

(discurso do Presidente do Governo Espanhol na Câmara dos Deputados, 30 de Junho de 2005 – dia da aprovação da reforma do Código Civil espanhol que passou a permitir o casamento entre pessoas do mesmo sexo)

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19/1/2009 02:04

 

Comunicado da Associação Ateísta Portuguesa


A Associação Ateísta Portuguesa (AAP), sem se rever nos conselhos do Sr. Patriarca, José Policarpo, às católicas jovens que eventualmente queiram casar com muçulmanos, manifesta-lhe pública solidariedade perante a onda de falsa indignação com que pretendem impedir-lhe o direito à livre expressão e aos conselhos que entende dar.

Carecem de legitimidade moral para condenar o patriarca, por sinal bastante tolerante, para um bispo, os que defendem a poligamia, a discriminação das mulheres, a decapitação dos apóstatas e a lapidação das mulheres adúlteras e pretendem que o Corão substitua o Código Penal.

Antes de se manifestarem ofendidos com o cardeal, os líderes islâmicos em Portugal devem penitenciar-se do seu silêncio perante as ditaduras teocráticas do Médio Oriente e o carácter implacavelmente misógino do Islão. Face a qualquer mullah até Bento XVI parece um defensor dos Direitos do Homem.

Quem pretende que compreendam os seus preconceitos tem de os explicar com clareza. E quem quiser que respeitem as suas crenças tem de demonstrar que estas merecem algum respeito. Falta aos muçulmanos europeus explicar a que tipo de regime submeteriam os não muçulmanos se deixássemos que Alá se tornasse grande e Maomé fosse o único profeta. Falta-lhes justificar porque havemos de respeitar as suas crenças acerca das mulheres, dos apóstatas, dos outros crentes, dos ateus e de todos que critiquem a sua religião.

Mas compete também aos bispos católicos fazer o mesmo. Explicar o que fez a sua religião pela democracia e pelo livre-pensamento, sabendo-se que a derrota política da Igreja está na origem das liberdades individuais de que gozamos. E justificar porque hão de merecer respeito as crenças católicas acerca das mulheres, do divórcio, do sacerdócio, da homossexualidade e do que é ou não é pecado.

Não são só os muçulmanos que criam um "monte de sarilhos" sem necessidade. A AAP recorda que as três religiões do livro – judaísmo, cristianismo e islamismo – são anti-humanas e patriarcais. A misoginia não é uma tara exclusiva do Islão mas apanágio do texto bárbaro da Idade do Bronze – o Antigo Testamento –, herdada pelas referidas religiões. O racismo, a xenofobia, a misoginia e a homofobia são valores do Antigo Testamento.

As três religiões não têm feito mais do que reproduzir esses valores cruéis e obsoletos sendo o Islão, actualmente, a religião que mais implacavelmente se bate pela manutenção do obscurantismo.

A AAP reitera o seu firme propósito de defender as liberdades, nomeadamente a religiosa, do mesmo modo que defende o direito à descrença e à anti-crença.

Odivelas, 18 de Janeiro de 2009
Carlos Esperança
(Presidente da Direcção)

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10/10/2008 17:02

 

Casamento Civil entre pessoas do mesmo sexo no Parlamento



Foram hoje discutidos na Assembleia da República (AR) os projectos do BE e de Os Verdes. Foram discutidos pelos proponentes e pelos partidos que se apresentam contra, mais que estar contra parecem se apresentar contra o respeito pela cidadania dos que os elegeram.

O PortugalGay.pt esteve nas galerias a assistir a esta discussão, e ficou perplexo com a imaginação do Sr deputado do PP, Nuno Melo, que além de ter origem na terra dos três Pés, fez um discurso conservador (outra coisa não seria alias de esperar) e entrou também pelo caminho da criatividade capaz de fazer corar até o Steven Spielberg, fazendo um jogo de palavras e de ideias que embora não estando escritas em lado algum. A sua criatividade deu-nos provas de que tudo é possível (discurso disponível no site do CDS-PP).

Foi contudo o discurso do PSD que a mim me chocou mais. Sempre tive a esperança de que as eloquentes declarações da líder deste partido fosse uma "infecção" controlada, mas parece que todo o partido devia entrar em quarentena. É preocupante as convicções que os senhores deputados do PSD expressam referente a este assunto em específico. Mais assustador é saber que estas senhoras e senhores estão na AR a opinar leis, a decidir vidas. António Montalvão Machado, foi protagonista de um discurso retrógrado, hipócrita e a léguas da realidade da sociedade Portuguesa. Montalvão Machado num discurso triste conseguiu ferir a assistência, conseguiu remeter de forma clara todas e todos os homossexuais para uma linha de tratamento de segunda. A juntar a toda esta infelicidade o senhor deputado do PS Jorge Stresht, vem afirmar a nota de imprensa que embora o PS vote contra, é a favor. Tipo discurso do nosso brilhante grupo humorístico "Gato Fedorento", na caricatura do Professor Marcelo... "Votamos contra, mas somos a favor!"

Mas nem tudo foi mau, e aqui expresso de seguida os louvores devidos: em primeiro lugar ao BE e aos Verdes por terem trazido este assunto á discussão pública, por terem dado, neste deserto que tem sido o respeito pelos direitos humanos, uma réstia de esperança de que um Oásis existe algures.

Depois ao brilhante discurso de Helena Pinto que em poucas palavras disse uma verdade tão grande, disse-o de forma clara e firme não deixando espaço para dúvidas, sobre a pretensão de muitas e muitos homossexuais, concretizado no projecto doo BE.

Igual congratulação, tenho de dar a Madeira Lopes, o deputado que com voz clara e sem papas na língua expressou a nossa pretensão, desta vez no projecto dos verdes.

Contudo há um deputado que em resposta ás barbaridades proferidas pelos deputados do CDS-PP e do PSD, teve uma defesa, um discurso, uma apresentação que, a meu ver, deitou por terra qualquer argumento destes dois partidos. Luís Fazenda foi implacável.

Fica também o meu bem haja a três deputados que se destacaram nesta sessão, Manuel Alegre e Pedro Nuno do PS, e Paulo Coelho do PSD, só mostraram que ainda existem seres humanos que por acaso são deputados, e que tem personalidade, as quais ultrapassam quaisquer tipo de castrações. Diria a estes senhores "Viva a Liberdade!"
(entretanto lá fora, faziam-se dois casamentos civis que seriam legais não fossem 3 horas de viagem...)

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03/9/2008 12:57

 

Herança e União de Facto


Pergunta:

Embora ter efectuado uma pesquisa extenuante sobre a matéria de União de Facto entre casais homosexuais, não encontrei nada que esclarecesse a minha dúvida que passo a apresentar: tenho uma relação de 6 anos com o meu parceiro.
Neste momento procuramos casa. Contudo, embora estejamos muito bem de saude
o futuro é sempre uma icógnita.
O receio de que possamos lutar e trabalhar para construir o nosso lar, para que na eventualidade de um de nós falecermos, não ter-mos direito de herança à casa que está em ambos os nossos nomes para que uma parte possa ser atribuida aos "ascendentes" do parceiro falecido, provoca-me uma inquietação tremenda.
A minha questão é mesma esta: o que poderá acontecer à casa que foi adquirida e está a ser paga pelo casal homosexual na eventualidade de um deles falecer?
Uma parte fica para o parceiro sobrevivente e uma quaota parte é distribuida pelos ascentes do parceiro falecido?
Agradeço qualquer resposta concreta sobre este assunto.
Obrigado.

Resposta:

A lei de União de Facto é nula para efeitos de Herança.

Se comprarem a casa a meias (50/50) e um falecer há duas situações:

1. Se não fizerem testamentos "cruzados", o sobrevivo terá de pagar 50% da casa aos herdeiros legitimários. Se não houver herdeiros legitimários 50% da casa é do Estado.

2. Se fizerem testamentos "cruzados", o sobrevivo terá de pagar entre 33% a 66% da casa aos "herdeiros legitimários". Este valor varia conforme os herdeiros seja pais, filhos, irmãos, etc (Código Civil arts. 2158º a 2161º - 2157º).

Valor para os herdeiros legitimários:

Cônjugue sozinho - 50%

Um só filho - 50%

Conjugue + filhos - 66%

Conjugue + ascendentes - 66%

Dois ou mais filhos - 66%

Só os pais - 50%

Só avós e seguintes - 33%

No caso de familiares mais afastados os herdeiros legitimários só se aplicam até ao 4º grau, inclusivé.

No caso de haver familiares vivos até ao 4º grau, não há forma de "escapar" a esta situação excepto, eventualmente, com criação de sociedades comerciais e outras soluções legais complexas.

Note-se que, no entanto, no caso de separação, a situação é semelhante em termos de custos relativamente aos casados. O que ficar com a casa terá de pagar 50% à outra parte. Se a casa não for de "habitação própria permanente" terá também de pagar impostos respectivos (IMT).

Filipe Paulo

Este texto é meramente informativo e não dispensa a consulta a um profissional antes de qualquer tomada de decisão por parte dos interessados.

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16/4/2008 12:33

 

O Paradoxo do Casamento Católico


Recentemente o governo apresentou uma proposta para tornar os divórcios mais simples e menos burocráticos.

Quase imediatamente vieram várias reacções de sectores católicos em Portugal dizendo que se está a prejudicar a família, o casamento, etc... houve até quem dissesse que havia o "casamento à séria" que seria o católico e o "outro" que seria o civil.

Vamos lá por partes...

Em primeiro lugar é preciso ter consciência que para um Católico o casamento religioso é a única forma de constituir família. É uma das directrizes mais "marteladas" pelo lider espiritual dos católicos e é referenciada como tal em diversos documentos sobre família. As pessoas que se dizem católicas e não cumprem estes requisitos estão em pecado grave segundo a visão da Igreja Católica Apostólica Romana (ICAR). Ao estarem em pecado não podem aceder a outro dos actos mais importantes de toda a fé Católica: a comunhão.

Qual o problema disto? O problema é que na prática metade dos casamentos realizados em Portugal não são casamentos religiosos. Na verdade temos mais de metade dos casamentos realizados à revelia da ICAR e contra ela (sim... que nisto de fé e directrizes religiososas ou estamos a favor ou estamos contra, não há meios-termos). Para piorar como é vista a ICAR na nossa sociedade, um em cada 4 filhos nasce fora de *qualquer* tipo de casamento, isto mesmo quando o casamento civil "per se" resolve uma série de questões burocráticas relativamente a estas crianças.

Resumindo: embora mais de 90% da população se identifique como "Católica", na prática temos uma maioria que não se revê numa das dizectrizes que a ICAR dedica tanto tempo de antena a promover: o casamento religioso como única forma válida de construir família.

É esta mesma ICAR que não tem capacidade sequer para convencer a maioria dos seus "fieis" (?) das virtudes do casamento religioso. Muito menos tem capacidade para os manter "até que a morte os separe"...

E eis que não contente com a sua miserável performance em termos de seus fieis (ou melhor... "fieis selectivos") vem tentar impor as suas regras a todos os outros habitantes de Portugal!

Serei só eu a achar isto muito estranho?

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14/11/2007 15:42

 

Casamento na Bélgica


Pergunta:
Minha namorada é Brasileira, mas tá morando na Bélgica.E não tem nacionalidade espanhola. Eu,brasileira poderia me casar com ela lá na Bélgica?

Resposta:

Sugerimos que entre em contacto com a ILGA Europa, www.ilga-europe.org ,e junto da mesma obtenha informação a respeito.

Contudo do que nos é dado a conhecer julgamos que o casamento entre pessoas do mesmo sexo na Bélgica é só permitido a cidadãos Belgas.

João Paulo
Editor

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06/11/2007 10:48

 

Gay na Escola


Pergunta

Na minha escola existe um rapaz que toda a gente diz que é gay, eu gostava de ter uma relação sexual com ele. Mas tenho medo que ele nao seja ou que vá contar a toda a gente, o que é que faço tou a desesperar. por favor ajudem me rapidamente!


Resposta

O problema é mais profundo que isso, não o facto de ele ser ou não ser Gay que vai determinar se vai ter relações sexuais com ele, porque ele também tem que querer, certo? Quanto ao facto de vir a ter relações com ele, e ele contar a toda a gente isso tem a ver com o carácter da pessoa, ou seja terás de observar se ele é do tipo que na sabe “estar à mesa e comer calado”, essa atitude não é um derivado da orientação sexual mas sim como já disse do carácter da pessoa, da sua personalidade:

Para inicio de conversa penso que deve estar atento e ver ate que ponto os boatos são ou não verdadeiros, e depois nada como ir conhecendo o jovem em causa, aproximar-se travar conhecimento, conversar, quem sabe de repente ate descobre algo que não se vê à primeira vista que vai deitar por terra essa sua vontade de se relacionar sexualmente com ele!?

Obrigado pela sua questão,
João Paulo
Editor

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24/10/2007 11:14

 

Prova da União de Facto


Recebido em Política & Direitos:


Os meus parabens por esta pagina e por todos os vossos servicos.

Eu tenho uma pergunta que talvez os senhores me possam responder.

O que e necessario para formalizar uma uniao de facto entre duas pessoas do mesmo sexo?

Pois tenho uma tia que vive ha ja 40 anos com outra senhora e vivem em uma casa alugada ,o arrendamento esta em nome da minha tia,caso minha tia venha a falecer,sera que a outra senhora perde o direito ao arrendamento?Eu queria bastante que a outra senhora ficasse com todos os direitos apos a morte da minha tia.

Mais uma vez obrigado e aguardo a vossa resposta.

Viriato



Resposta:


Existe um ligeiro vazio legal sobre o assunto em questão pois alguns especialistas legais dizem que é preciso regulamentar a lei de União de Facto enquanto outros indicam que não é necessária regulamentação.

Contudo duas das formas mais eficazes de provar a união de facto (que é neutra em termos de sexo) são:

  • Passar pela junta de freguesia da área, e pedir uma simples declaração (pode ser preciso apresentar recibos ou outras provas de morada comum).
  • Fazer entrega do IRS em conjunto (é necessário que as duas declarações de IRS anteriores tenham moradas iguais).

Espero ter de alguma forma ajudado, qualquer outra duvida não deixe de nos procurar

João Paulo
Editor

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16/10/2007 14:18

 

Homossexual com Casamento


Pergunta

olá! tenho 34 anos e apenas há pouco mais de 1 mês decidi acabar com o meu casamento e assumir a minha homossexualidade.No dia em que tive a conversa séria e sincera com a minha mulher, achei que fiz o mais correcto, passaram alguns dias e saí de casa. Quero referir que a minha mulher teve uma reacção espantosa, embora a sofrer com a novidade e a separação deu-me todo o apoio e esteve presente. Mas passados alguns dias, comecei a sentir saudades dela, a ter uns ciumes loucos de ela poder ter outro homem, fiquei e estou descontrolado.Ela conheceu uma pessoa mas não se passou nada, disse-me que se eu quisesse voltar me aceitava porque me ama. Eu tenho vontade de voltar, umas vezes quero outras não, pois penso que nunca vou deixar de desejar homens, por outro o lado o meu ciume doentio que me está a enlouquecer faz com que não consiga voltar. Estou a ficar doido, não como quase nada, mal consigo dormir e passo as horas a pensar no mesmo, o que faço? e não encontro resposta.Não sei mesmo o que fazer, estou desesperado. Podem-me ajudar?

Resposta

Dado o teor desta mensagem não me parece ser o mais acertado dar uma resposta pública mas sim algo mais direccionado, seja, dava mesmo jeito ter o mail do interessado.

Ajudar alguém nesta situação não se faz com uma solução “mágica”, mas sim na base de muito dialogo, que seria melhor pessoalmente, mas que também pode ser por mail. Uma ajuda seria requer que o receptor (a pessoa interessada em ter ajuda), se sinta confortável com o emissor, (quem vai tentar ajudar). É preciso que se crie uma empatia entre as duas personagens para que haja um melhor entendimento de parte a parte.
Assim sugeria ao interessado que entre em contacto connosco para podermos dar inicio a essa interacção.

Grato pela
atenção,

João Paulo
Editor

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05/6/2007 23:52

 

Pai e Filho


Pergunta

Sou divorciado, tenho 36 anos e um fiho com 17 a meu cargo.Pelo facto de ser divorciado durmo na minha cama de casal, sozinho. Como somos só nós os dois a viver em minha casa, durmo sem roupa interior(cuecas). Ontem pela madrugada, acordei com o meu filho na minha cama a agarrar no meu pénis. ele perguntou-me se poderia lamber-mo. estou preocupado. Será normal um filho sentir-se atraido pelo seu próprio pai?Sou liberal, mas não deixei ele me lamber o pénis, deveria ter deixado? Agradeço respostas

Resposta


Demorei para responder a esta questão porque penso ser demasiado sério e que se deve pensar muito antes de dar qualquer resposta.

Não que tenha conhecimento, de facto não me parece normal, o filho sentir-se atraído pelo próprio pai,… depois esse tipo de situação pode mesmo vir a penalizar emocionalmente os dois.

Penso que fez bem em não ter deixado o seu filho atingir os objectivos a que se propôs, mas deixo a pergunta:
Falou com ele sobre isso depois?

Penso que antes de mais deveriam tentar conversar, como pai e filho que são, tentar perceber o que o levou a sugerir tal coisa? Porquê ele foi deitar-se na sua cama? Que tipo de sentimento é esse que o levou a pensar que poderia ter sexo com o pai?

E se por ventura não conseguirem juntos encontrar respostas que sosseguem os dois, a minha sugestão é que consultem um psicólogo/a, podem faze-lo por mail com aqueles que estão na nossa página, e se for caso disso presencialmente.

Se preferirem podemos ainda ter mais algumas conversas antes mesmo de se partir para qualquer situação “clínica”, e para isso basta que entre em contacto connosco por mail info@portugalgay.pt

João Paulo

Editor

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# publicado por portugalgay | |
19/1/2007 20:10

 

Como adoptar uma criança em Portugal (manual para casais heterossexuais)


Passo 1: encontrar uma mãe que tenha registado o filho com pai desconhecido

Passo 2: ter uma declaração da mãe a prescindir de todos os direitos legais sobre a criança

Passo 3: ficar com a criança e fugir se aparecer alguém a pedir a paternidade durante 5 anos

F.

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# publicado por portugalgay | |
25/10/2006 23:49

 

Adolescente homossexual


Recebido em http://portugalgay.pt/pais/

Minha filha tem 17 anos e está manisfestando ser homosexual lhe pego apaixonada por meninas fazendo jurar de amor mas por outro lado já teve namorinhos com meninos. Tem algo que ainda posso fazer para reverter esse quadro, alguma tentativa sem que aja divergências entre ela e nós (mãe, pai e duas irmas). Às vêzes acho que posso fazer ainda alguma coisa mas não sei o que). E se caso não conseguir tenho lido, me esclarecido bastante para poder aceitá-la na boa já que a amo muito e quero sua fecilidade acima da minha.

Obrigada


Resposta:

Obrigado antes de mais pelo seu contacto.

Para inicio de conversa penso que a sua filha esta numa descoberta da sua sexualidade e por isso perfeitamente natural que tenha namorados e namoradas, depois mesmo que tenha uma maior predominância de namoradas não quer dizer que seja Lésbica, o processo de descoberta pode ser mais ou menos longo e pode ainda dar-se que ela seja bissexual com mais inclinação para as meninas que os meninos.

Mas como diz e muito bem o importante é que ela seja feliz, por isso sem tocar no assunto mostrar que estão do lado dela para discutir seja o que for, sexo, sexualidade, drogas, namorados e namoradas, a escola, etc,… pode mesmo talvez usar as irmãs e numa reunião de família assim como quem não quer a coisa verem por exemplo um filme que mostre ou aborde a homossexualidade, e falarem sobre isso de espírito aberto sem recriminações, porque ela vai estar atenta a qualquer critica a qualquer apontar de dedo que seja feita a esta ou aquela conduta por isso vá com calma, hoje um filme amanha, uma noticia, e agora que se aproxima as paradas Gay e, todo mundo o que não vai faltar é assunto por isso esteja atento.

Já agora Obrigado pelos pais e família que são!





João Paulo
Editor

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# publicado por portugalgay | |
24/10/2006 15:18

 

Picnic Mães e Pais LGBT, Crianças e Amig@s – 29 de Outubro, Lisboa


A ideia de juntar novamente crianças com pais e/ou mães LGBT surgiu logo após a última actividade do género, contudo, foi sendo continuamente adiada porque entre as férias, trabalho e criançada, o tempo escasso muitas vezes voa.

Em 2006 realizaram-se já duas actividades: um Encontro sobre Homoparentalidade, no Centro Comunitário Gay e Lésbico de Lisboa em Março, que teve cerca de 30 pessoas, animadas e conversadoras, entre mães e pais actuais e futuros, filh@s e net@s de LGBT, pequenos e já mais crescidos; e em Maio, um animado picnic ao ar livre.

Ora, a ideia é mesmo dar continuidade a este tipo de eventos, tornando-os regulares e aproveitando a partilha para se construirem redes de apoio [in]formal . Gostaríamos de, aos poucos, alargar a rede a outras cidades e outro tipo de partilha/eventos, para onde quisermos ir. Assuntos sobre a legislação/escola, entre outros, estarão presentes entre os temas a partilhar neste tipo de eventos.

Para voltar a reunir este grupo, cada vez com mais gente, desafiamos tod@s @s interessad@s a juntarem-se a nós num encontro para crianças e adultos, em Lisboa, em que haverá espaço e boa disposição para troca de histórias e experiências.

Gostaríamos também de criar uma mailing list [informal] para os participantes e interessados para que seja um espaço que permita dar continuidade a cada evento e onde se possa debater questões do nosso dia-a-dia.

QUANDO: Dia 29 de Outubro, domingo, a partir das 14:30
ONDE: no Jardim dos Moinhos de Santana, à Ajuda, se a metereologia ajudar. Enviaremos mapa aos interessados.

Para mais informações e ** para confirmar presença ** por favor enviar mail para Manuel Beja marilgapor@yahoo.com Sara Martinho cacaoccino@yahoo.com.br

Por favor ** divulguem ** por mail, sites e blogs possíveis para chegarmos aos eventuais interessad@s.

Até domingo, dia 29. APARECE! .

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# publicado por portugalgay | |
14/10/2006 12:21

 

Ainda o casamento civil


Sobre a notícia "JS desafia Sócrates" publicada no PortugalDiário:

http://www.portugaldiario.iol.pt/noticia.php?div_id=291&id=732348

Eis o meu comentário (depois de uma série de comentários que vão desde à infeliz ignorância até a mais pura homofobia).

João Paulo (PortugalGay.PT)
2006-10-14 05:49


Maria e Josefino casaram-se às 12:00... Maria morre num acidente de automóvel às 13:00. O Josefino fica automaticamente com todos os bens de Maria.Manel e Mário vivem juntos há 40 anos e construíram património comum durante esse tempo.

Manel morre de acidente de automóvel. Os familiares do Manel têm direito a pelo menos 50% do património do Manel, mesmo que Manel tenha em vida deixado tudo o que podia em testamento para o Mário.

Luísa casou com o João. Entretanto Luísa teve uma queda e foi parar inconsciente ao hospital. Todas as decisões médicas devem ser tomadas pelo João, mesmo que seja contra os pais de Luísa.

Lúcia e Marta vivem juntas há 30 anos. Entretanto Lúcia teve uma queda e foi parar inconsciente ao hospital. A Marta não tem qualquer poder de decisão e só pode visitar Lúcia com autorização dos pais de Lúcia.

Pois é... União de Facto não é o mesmo que Casamento Civil.

Mas não se pense que Casamento Civil é o mesmo que a "Família Tradicional" ou o "Sagrado Matrimónio"... as diferenças saltam à vista:

- No "Sagrado Matrimónio" não há divórcio. No "Cassamento Civil" basta as assinaturas dos dois membros do casal para se fazer o divórcio.

- Na "Família Tradicional" o homem manda, a mulher obdece. No "Casamento Civil" os dois cônjugues têm igualdade de tratamento.

- Na "Família Tradicional" fica bem a um homem ter múltiplas parceiras (quer antes, quer depois do casamento), pelo contrário uma "boa" mulher tem de ir virgem para o casamento. No "Casamento Civil" a experiência sexual prévia dos dois elementos do casal é irrelevante.

- No "Sagrado Matrimónio" a Igreja Católica (que o define) diz que não faz sentido usar métodos anti-contraceptivos e o protecção contra doenças sexualmente transmissíveis. No "Casamento Civil" o estado não se mete na cama dos casados.

Quanto às prioridades... vão dizer isso aos Mários e Martas deste país que se vêem sem direitos apenas porque têm uma orientação sexual diferente da suposta maioria.

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# publicado por portugalgay | |
09/10/2006 12:03

 

Namorado VIH+


Recebido em http://portugalgay.pt/assumir/

Tocando agora num assunto mais sério: Conheci aqui há um tempo atrás um rapaz meigo, simpático super carinhoso mas, há um mês contou-me que tem VIH.

Obviamente que foi um choque para mim porque não é todos dias que a pessoa que está ao nosso lado e por quem temos um carinho especial tem VIH.

Não demonstrei qualquer ressentimento mas a verdade é que ás vezes não me sinto à vontade e não sei muito bem o que fazer.

Não o quero magoar mas o medo que dentro de mim está também é muito grande.

Gostava que alguém me pudesse aconselhar.

Obrigado.



Resposta


Obrigado pelo seu mail antes de mais.

Depois a sua atitude não podia ter sido melhor, portou-se como de certo muitos outros gostariam que os seus companheiros/as se portassem perante uma noticia dessas.

Deve compreender que para ele também deve ter sido muito difícil guardar o segredo e agora ter-lhe contado, e por isso ter tido da sua parte uma postura de aceitação, embora o choque seja a meu ver inevitável, é o melhor presente que alguém que ama alguém pode receber.

Ele estará a tentar reiniciar a sua vida também ele depois do choque de ter recebido a notícia de que era positivo e esta a tentar essa tarefa ao seu lado.

Penso que não tem muito conselho que lhe possa dar, que você já não tenha conhecimento e ele mesmo, se calhar isto até deveria ser um assunto que deveria falar com ele.

Sexo já sabe que será para todo o sempre (a menos que a desejada cura surja entretanto, e enquanto há vida há esperança), será com preservativo, isto no que respeita a penetrações anais. Quanto ao sexo oral desde que não existam secreções poderá ser sem protecção, NUNCA lavar a boca com escova dos dentes imediatamente antes do sexo nem imediatamente depois, poderá ferir a gengiva e dessa forma deixar uma porta aberta para a infecção, bocheche com um elixir se pretender ter uma boca mais fresca. Quanto ao resto do convívio, cobram-se de beijos, durmam, comam, bebam, e vivam juntos porque esse “bichinho” mau chamado VIH não tem assim tanta força, digo eu!

João Paulo
Editor

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# publicado por portugalgay | |
02/10/2006 10:38

 

Adopção por pessoas do mesmo sexo


Sobre a notícia no PortugalDiário sobre a primeira adopção por um casal do mesmo sexo em Espanha sem laços biológicos com a criança fica aqui o comentário que enviei na página da referida notícia.

http://www.portugaldiario.iol.pt/noticia.php?div_id=291&id=728836






A adopção deveria ser uma forma de:

-providenciar uma educação adequada às crianças que por diversas razões não tiveram a oportunidade de ter quem as educasse

Aqui uso a palavra "educação" no seu sentido mais lato... ou seja: incluindo tudo aquilo que se pode incutir numa criança: segurança, valores, vivência em sociedade, conhecimento científico, percepção das relações humanas, etc.

Por muitas linhas que alguns queiram aqui escrever não há ninguém que consiga provar por a+b (i.e. de forma científica e não com frases como "está na Bíblia", "desde sempre" ou "é óbvio") que uma criança educada por duas pessoas do mesmo sexo não tem as mesmas condições de desenvolvimento que uma criança educada por duas pessoas de sexo oposto.

Pelo contrário: os únicos estudos que se dedicaram ao assunto de forma metódica só vieram demonstrar que o que importa é realmente que as crianças tenham uma família, seja esta família constituída por um pai, uma mãe, dois pais, duas mães, uma avó ou quem quer que seja.

Mas vamos lá ver de que estamos a falar:

PAPEL DE GÉNERO

uma criança pode ser neste momento adoptada por apenas um homem ou uma mulher. Muitas crianças são educadas exclusivamente por pessoas de apenas um dos sexos. E no entanto continuam a ter montes de referências sobre o que é ser homem e mulher, quer através dos mídia, quer através do seu dia-a-dia (por muito estranho que pareça a muitos, os homossexuais também têm irmãos, tios, pais, avós... e têm pessoas do sexo oposto no seu círculo social).

[http://www.aclu.org/images/asset_upload_file953_24098.pdf]

[http://www.nllfs.org/publications/pdf/tenyearolds.pdf]

ORIENTAÇÃO SEXUAL

Mesmo nestes comentários muito se fala de "dissiminar a homossexualidade" e coisas do estilo... só o simples facto de praticamente 99% das pessoas homossexuais serem filhos de pessoas heterossexuais deveria ser uma prova que a orientação sexual não se transmite pela educação.

SER BOM PAI

Mesmo com todos os estudos que provam o contrário ainda continua a haver o pavor de entregar uma criança a um casal de pessoas do mesmo sexo. Muitas vezes até com o argumento que "há muitos casais que querem adoptar".

Em portugal existem mais de 5 crianças adoptáveis por cada pessoa ou casal que se propõe a adoptar, onde se vê que estamos muito longe de ter "muitos casais que querem adoptar". O que se passa muitas vezes é que os fabulosos casais heterosexuais querem que o seu adoptado seja o mais parecido possível com um filho biológico, e todas as crianças que já passaram de uma certa idade ficam fora desta lista de "crianças queridas" e passam a ser recusadas pelos casais de pessoas de sexo oposto.

Posto isto tudo... afinal quem é que estamos a proteger com as leis que proíbem a adopção por crianças do mesmo sexo?






Os links e organização dos argumentos foram obtidos desde a página:

http://en.wikipedia.org/wiki/Adoption_by_same-sex_couples

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# publicado por portugalgay | |
23/8/2006 00:04

 

Casar em Londres


Pergunta:

Sou Madeirense e a minha namorada também...!!!Estamos a pensar ir a Londres para casar mas,não sabemos se isso é possivel?!Desde já agradecemos a vossa atenção na resolução desta dúvida,bem como,a rapidez da vossa resposta,visto estarmos quase a viajar!Já não é a primeira vez que tentamos entrar em contacto convosco,mas infelizmente ainda não obtivemos nenhuma resposta....F.S

Resposta:

Em primeiro lugar devo salientar que este tipo de questões teriam resposta mais célere se indicasse um email de resposta.

Quanto à pergunta que fazem:

1-qualquer casamento civil entre pessoas do mesmo sexo não tem existência legal em Portugal, ou seja: quando voltarem a Portugal passam automaticamente a serem duas pessoas solteiras novamente.

2-no Reino Unido não é possível ainda o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo, A lei de Parceria Civil é específica para casais do mesmo sexo e dá quase todos os direitos e deveres do casamento civil (a diferença mais significativa é na forma de registo da união). Por estranho que pareça um casamento civil realizado, por exemplo, em Espanha, não é reconhecido no Reino Unido.

3-O registo da Parceria Civil é possível entre duas pessoas do que residam no Reino Unido por 7 dias ou mais. Desde que um dos elementos tenha cidadania britânica é possível registar a Parceria Civil em alguns consulados do Reino Unido (incluindo Lisboa).

Mais informação:

Registo de Uniões na Embaixada Britânica em Portugal
(PortugalGay.PT Política e Direitos)

Civil partnerships in the United Kingdom
(Wikipedia Inglês)

João Paulo
Editor


Adenda [24 Agosto 2006]


Ver também:
Direitos dos Homossexuais pelo Mundo
(Wikipedia Português)

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# publicado por portugalgay | |
07/3/2006 15:35

 

Ainda a Adopção Gay


Recebido em Comentários de um visitantte:

Boa Noite!
Respeito a homosexualidade. No entanto, sou completamente contra a adopção por um casal gay.

Eu imagino como me sentiria se tivesse sido adoptado por um casal gay.........

O senhor fala a certa altura: é preferivel ser filho de um casal de pais desiquilibrados com prejuiso enerente dos filhos ou de um casal gay. Se o casal gay fossem um casal prefeito(conceder uma boa educação) ok, no entanto, tanto um casal gay como hetero pode ser desiquilibrado. Assim sendo, por ai estamos empatados. Desempatamos ao falar que em condições iguais, é saudavel uma criança se filha de um casal hetero em detrimento de um casal gay.

Obrigado pela atenção.


Resposta:


Continua-se a fazer as maiores confusões ou pelo menos não se quer ver o obvio!?

Coitadas das crianças que vão ser adoptadas por casais homossexuais, como se vão sentir? Vão sentir-se da mesma forma que sentiram as crianças que tinham um olho de cada cor, o nariz grande, gaga, filhos de divorciados (há uns anitos atrás), ou filhos negros de um casal branco ou mix-race.

Pela ordem de ideias sempre que um dos progenitores morresse, o sobrevivente devia ter o máximo de um mês para encontrar o seu par, não vá a criança ser penalizada pela sociedade, ou ter deformações psíquicas por ser educada apenas pelo pai ou pela mãe.

Embora na minha óptica se esteja com o carro à frente dos bois, ou seja deve-se primeiro lutar pelo casamento civil entre pessoas do mesmo sexo e, só depois a adopção. Aquilo que se esta a argumentar contra a adopção por casais do mesmo sexo é pura e simplesmente o mesmo que se fez quando houve os primeiros divórcios, ou os primeiros casamentos entre pessoas de raças diferentes, por outras palavras uma verdadeira hipocrisia.

Aquilo que se pede há anos é: "Nem menos nem mais, direitos iguais!"

Ou seja na questão da adopção deve um casal homossexual passar pelos mesmo tramites legais que passa um casal heterossexual.

Mais uma questão. Parece dramático ser-se adoptado por um casal de pessoas do mesmo sexo, mas já não dramático ser-se adoptado por um idoso/a, alguém que esta no seu fim de vida em muitos casos até se encontra sozinho/a, e adopta um elemento de companhia, no caso uma criança, já não parece nada dramático nem nada do outro mundo. Onde vai estar o pai ou a mãe dessa criança quando ela tiver 16 anos, uma fase problemática na vida de cada um, uma vez que foi adoptada com cinco anos, e o pai ou a mãe adoptiva tinha 50,... é com 61 anos que vão encarar os matulões que rondam as escolas? Já é problemático faze-lo com trinta anos imagine-se com 61.

João Paulo
Editor

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# publicado por portugalgay | |
05/2/2006 21:56

 

Petição Casamento Civil


Pergunta:

Oi boas noites

Será que eu daqui do meu fim do mundo não posso enviar umas assinaturas para a petição?

é so imprimir?

Pedir assinaturas e mando para onde?

Quero participar ja que não posso fazer mais pelo menos por enquanto..

um abraço


Resposta:



Casamento Civil para todas as famílias

A petição e respectiva morada de envio estão disponíveis para download (em formato PDF) aqui.

Basta imprimir, preencher assinaturas (é necessário que cada pessoa indique o NOME COMPLETO, NÚMERO DO BILHETE DE IDENTIDADE e, obviamente, assine).

Quanto tiver a folha completa (ou mesmo que tenha a folha só com algumas assinaturas) deve enviar para:

PortugalGay.PT
Apartado 4705
4012-001 Porto

Nota importante: as assinaturas têm de chegar no apartado até ao dia 15 de Fevereiro!

João Paulo
Editor

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# publicado por portugalgay | |
26/12/2005 20:47

 

Documento para União de Facto


Recebida em http://portugalgay.pt/politica/parlamento03.asp

Gostaria que me informasem qual o documento que se deve exigir para fazer
prova da união de facto.

Resposta:

Para efeitos legais pode pedir uma declaração na Junta de Freguesia onde
vive.

Para efeitos fiscais tal declaração não é necessária bastando que as duas
pessoas que pretendam entregar uma declaração conjunta tenham morada fiscal
comum nos últimos dois anos.

João Paulo
Editor

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# publicado por portugalgay | |
19/11/2005 13:52

 

Miguel Sousa Tavares - O Casamento No Armário


Miguel Sousa Tavares escreveu no jornal Público:


POL nº 5716 Sexta, 18 de Novembro de 2005

Desencontros
Miguel Sousa Tavares


1. Duas miúdas de 14 ou 15 anos foram chamadas e repreendidas pelo conselho directivo da respectiva escola pelo facto de andarem a exibir a sua mútua atracção, através de beijos e apalpões, perante a plateia da escola. O caso chegou às televisões e aos jornais e, como era fatal que acontecesse, provocou a habitual erecção escandalizada dos mentores do politicamente correcto. Parece que, argumentam eles, a "repressão" exercida sobre aquelas miúdas viola o sagrado direito constitucional à "liberdade de orientação sexual". Não lhes ocorreu que, antes de tudo, o que está em causa não é uma questão de orientação sexual, mas sim um comportamento infelizmente muito típico das comunidades gays e lésbicas, que é o exibicionismo sexual. O problema não é as miúdas amarem-se ou desejarem-se intensamente: é que os restantes colegas da escola não têm nada a ver com isso, nem têm de ser expostos às demonstrações públicas de tais "afectos" (como costumam dizer os politicamente correctos). E é também, obviamente, uma questão de bom gosto, que vale para heteros ou homos. Esta teoria do primado absoluto do "direito à orientação sexual" está-se a tornar uma espécie de ditadura bem-pensante, que funciona por um método "terrorista" de silenciamento dos discordantes: quem não reconhece este sagrado direito constitucional, com todas as suas consequências, só pode ser uma abecerragem, ao estilo do dr. João César das Neves. É assim que o Tribunal Constitucional está à beira de declarar inconstitucional, com força obrigatória geral, a disposiçâo do Código Penal que, a seu ver, "discrimina ilegitimamente" a pedofilia homossexual. Ou seja, os juízes entendem, por exemplo, que é exactamente igual um miúdo ser abusado ou violado por uma mulher ou por um homem. Sem curar de saber qual das situações poderá causar maior abalo e mais danos permanentes ou futuros à vítima, eles consideram que o essencial é preservar o direito à orientação sexual do abusador. Espanta-me que não ocorra a estes guardiões da Constituição nenhuma consideração relativa ao direito à orientação sexual da vítima: e se o miúdo abusado não tem, nem nunca vier a manifestar ao longo da vida, qualquer propensão homossexual? Mesmo assim deve curvar-se ao intocável direito de orientação sexual do abusador? Desculpem-me que o diga com toda a franqueza, mas a aplicação cega deste princípio parece-me tão repelente que a única conclusão lógica que eu consigo extrair é que as vítimas do caso Casa Pia, por exemplo, vão acabar por ter sido duplamente abusadas: pelos criminosos e pela Constituição.

E lamento desiludir o Daniel Oliveira e demais vestais deste templo: nem sequer sou católico (aliás, constato que a Igreja Católica tem estado na linha da frente da protecção aos pedófilos homossexuais, especialmente se do seu clero); nunca descobri em mim, vários exames de consciência feitos, qualquer orientação sexual homofóbica, e fui seguramente dos primeiros a defender publicamente a total igualdade de direitos, incluindo o casamento, para os homossexuais. Só não defendo o direito à adopção, porque aí, mais uma vez, entendo que o direito deles não se pode impor ao direito das crianças adoptadas, cuja vontade não é lícito presumir. E eu não posso presumir que uma criança não se importe nem venha a sofrer pelo facto de ser criada por duas mães ou dois pais.

Voltando à escola das miúdas "reprimidas", o que eu penso é que os restantes alunos têm a liberdade correspondente à delas, que é a de não quererem saber nem terem de assistir às demonstrações da sua inclinação sexual. E os pais das crianças que frequentam a escola, algumas apenas com seis ou sete anos de idade, têm o direito de educarem sexualmente os seus filhos conforme entendem e no momento que entendem, sem que esse processo, que é complicado e sensível, possa ser afectado pela atitude voluntariamente desafiadora de exibicionistas sexuais, que sempre existiram e existirão em qualquer escola. Além do mais, repito, trata-se de uma questão de boas maneiras e bom gosto - que são coisas que se devem ensinar e se devem aprender.

[... o artigo continua com a análise de outro tema]



Este texto foi comentado em diversos blogs que deixo aqui os links:

Aforismos e Afins - MST - um homofobico inconsciente?

da literatura - Miguel Sousa Tavares

Renas e Veados - César das Neves, Coragem, Não estás sozinho!


Fica aqui o meu resumo:


Ao contrário do que diz MST, não são "duas miúdas de 14 ou 15 anos" mas sim de 17 e 19 anos. Na escola em causa não existem, obviamente, crianças de 6 ou 7 anos de idade.

A situação é uma clara demonstração pública de afectos e não de "exibicionismo sexual", infelizmente MST não conhece a diferença entre os dois conceitos.

Ao contrário do que MST pensa quem ficou incomodado com o "amor e desejo intenso" das duas jovens não foram "os restantes colegas da escola" mas sim alguns elementos do Conselho Executivo da escola, isto foi claramente demonstrado pelo apoio que a Associação de Estudantes deu às duas jovens.

Dizer que o artigo 175 é sobre "pedofilia homossexual" demonstra um total desconhecimento do código civil... há dois artigos que tratam das situações de sexo entre maiores e adolescentes entre 14 e 16 anos. O artigo 174 criminaliza situações de abuso heterossexual em que abuso é definido como "abusar da inexperiência" de alguém. Já o artigo 175, que foi considerado inconstitucional, criminaliza qualquer acto homossexual mesmo realizado com total e absoluto conhecimento. A diferença que levou à decisão do Tribunal Constitucional está aqui: o artigo 174 aplica-se realmente a violações... o artigo 175 aplica-se em qualquer situação de sexo.

MST diz-se "defensor da igualdade de direitos , incluindo o casamento"... pergunto eu como serão realizados estes casamentos de forma a não expor terceiros a "demonstrações da sua inclinação sexual".

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# publicado por portugalgay | |
18/9/2005 01:56

 

Casamento Civil para todas as Famílias (hetero, gays, les, trans)


Portugal é, neste momento, o único país da Europa cuja Constituição proíbe explicitamente a discriminação com base na orientação sexual. No entanto, essa discriminação continua a existir na lei uma vez que o casamento civil continua a não ser permitido para casais de gays ou de lésbicas.

Porque é fundamental acabar com esta discriminação a Associação ILGA Portugal lançou uma petição que promove a revisão do Código Civil português para que casais de pessoas do mesmo sexo possam ter acesso ao casamento civil.

O PortugalGay.PT junta-se a esta iniciativa com a criação do site www.casamentocivil.org que tem como objectivo recolher pelo menos 4000 assinaturas de forma a garantir a sua apreciação em Plenário da Assembleia da República.

A entrega desta petição ao Presidente da AR está prevista para Novembro deste ano, aquando da realização do “Fórum do Casamento entre pessoas do mesmo sexo”, fórum este em que se abordarão as eventuais implicações jurídicas, sociais e políticas do acesso ao casamento civil por casais de gays ou de lésbicas.

Casamento Civil para todas as famílias

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# publicado por portugalgay | |
13/9/2005 20:06

 

União de Facto e Casa Comum


Pergunta:

em abril de 2001 comprei a minha casa só ficou em meu nome, em dezembro do mesmo ano comecei a viver em união de facto. a minha pergunta é se me quiser separar tenho de idemenizá-lo pelas prestações da casa já pagas pelos dois? tenho de lhe dar metade do valor das prestaçoes já pagas por ele? posso vender a minha casa sem ter de pedir consentimento a ele?


Resposta:

Para todos os efeitos legais o seu companheiro não tem qualquer direito sobre a casa (estando você vivo) uma vez que o contrato de compra foi feito em seu nome.

Os pagamentos que ele cooperou podem ser encarados como uma renda. Se ele tivesse alugado um apartamento, teria de pagar a renda. Como estava consigo estava de certa forma a pagar a renda de ocupação de usufruto parcial do imóvel.

Agora sobre o aspecto moral - um vez que você quer se separar - e tenciona manter a sua casa, apenas e só por uma questão de moralidade, poderá compensá-lo pela colaboração dele, mas apenas e só por você quer assim e não porque seja obrigado (tal como acontece quando se termina de forma unilateral um contrato de arrendamento).

Quanto a querer vender o seu imóvel, pode faze-lo sempre que queira sem ter que dar satisfações a ninguém excepto, quanto muito, ao banco que lhe fez o empréstimo.

Obrigado pela sua questão!

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# publicado por portugalgay | |
01/9/2005 11:32

 

Casamento Civil no mundo


Pergunta:

Caros amigos,

Gostaria de vos pedir uma informação.

Seria por favor possível informarem-me quais os países em todo o mundo onde são permitidos os casamentos entre pessoas do mesmo sexo? Gostaria ainda de saber se dois cidadãos portugueses poderão casar nesses países e se esse casamento seria válido em Portugal em termos legais.

Fico a aguardar a vossa resposta. Desde já muito obrigado.

utilizador devidamente identificado


Resposta:


O Casamento Civil entre pessoas do mesmo sexo pode ser realizado em:

Holanda
Bélgica
Espanha
Canadá
Estado de Massachusetts (E.U.A.)

O casamento civil entre pessoas do mesmo sexo não é reconhecido em Portugal e não tem efeitos legais no território nacional.

Os requisitos de nacionalidade variam de país para país. De seguida apresentamos a informação que dispomos (que pode estar desactualizada ou incompleta):

Cidade de Amsterdão, Holanda

É necessário que as duas pessoas que querem casar sejam residentes na cidade durante 6 meses.

Espanha

É necessário que pelo menos uma das pessoas que se quer casar tenha nacionalidade espanhola. No caso de Portugueses a nacionalidade espanhola é concedida passado dois anos de residência no país.

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# publicado por portugalgay | |
12/8/2005 00:20

 

ADSE e Uniões de Facto


Pergunta:

Sou professor do ensino secundario em Portugal e pertenço, por isso, aos quadros do Ministério da Educação. Coabito há pouco mais de um ano com o meu companheiro, situação que podecomprovar-se com os diferentes docs emitidos pelas finanças, Seg Soc, Reg civil, etc.

O que pergunto é: o meu companheiro, que está desempregado, pode beneficiar do meu regime de segurança social (ADSE)?

Que outros direitos tem ele, como meu companheiro?

Que direitos e deveres tenho eu, como funcionário público, enquanto seu companheiro?

Obrigado pela informaçao k possam disponibilizar. Cumprimentos.



Resposta:


A União de Facto não é válida para efeitos de ADSE. No regulamento da mesma é explícito que apenas as pessoas casadas tem acesso como familiares aos benefícios da ADSE.

No entanto a União de Facto é válida para efeitos de Regimes Complementares de Segurança Social em que a lei especifica que tem acesso como falimiares as pessoas casadas ou equiparadas. Não no caso da ADSE (que não se enquadra nesta categoria) mas sim no caso de outros regimes como os dos militares, bancários, funcionários judiciais, etc.

Para saber outras situações em que a União de Facto é aplicável em geral consulte a lei respectiva.

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# publicado por portugalgay | |

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