Quando o mundo está em linha de mudança, quando parece que afinal deixa de haver cidadãos de primeira e de segunda, eis que surge o impensável, ou não!
Pacheco Pereira, deputado do PSD, deve ter trocado a medicação, e por isso teve aquilo que se espera um momento de delírio.
A questão encoberta que ninguém quer falar é a adopção por casais do mesmo sexo, em especial das mulheres homossexuais, que desejam ter sexo com pessoas mais novas que elas, seja procuram perpetrar actos de pederastia.
No meio daquele surto Pacheco Pereira teve pelo menos a lucidez de dizer que não era para confundir pedofilia com pederastia, eram coisas diferentes.
São de facto, mas os efeitos secundários da troca medicamentosa que deve ter feito, fizeram-no afirmar que esse é o assunto escondido e aquilo que as em especial as mulheres lésbicas anseiam porque a historia o diz que é assim.
A história recente também nos diz que são os familiares directos, que violam menores, com centenas de vítimas, a história recente diz-nos que padres são predadores dentro das quatro paredes onde acolhem menores desprotegidos.
Mas nunca vi o Dr Pacheco Pereira a falar desse assunto que todos evitam, na defesa do supremo interesse das crianças e de punir os agressores.
As palavras proferidas por Pacheco Pereira não só são ofensivas, como ultrajante, e agressivo para com a dignidade das mulheres lésbicas e mães, bem como para toda a sociedade em geral.
Dizer que os homossexuais, em especial as mulheres homossexuais querem adoptar para assim conseguirem satisfazer instintos pederastas, devia suscitar das forças políticas e de justiça deste país uma repreensão violenta ao Sr Dr Pacheco Pereira.
Lamento que estejamos todos a pagar para sermos, não apenas os homossexuais masculinos e ou femininos, mas todas as pessoas de bem, com afirmações do género.
Estamos todos felizes porque se está breve a discussão ou o inicio dela, sobre o alargamento da figura do Casamento Civil a pessoas do mesmo sexo, e os debates multiplicam-se na televisão, nas rádios e nos jornais as entrevistas são mais que muitas.
Protagonistas, bem esses, alguns são novos, outros nem por isso, mas devemos estar orgulhosos, pela primeira vez temos múltiplos protagonistas políticos, que ate hoje não tinham nunca estado na linha da frente de uma questão ligada aos homossexuais (mas também á sociedade em geral), e que hoje falam desses assuntos como se fossem qual Luis Zapatero, frequentes marchantes nas marchas do Orgulho de Lisboa e Porto.
Mas isso até me deixa satisfeito, contudo outras posturas, não novas é verdade, deixam-me triste não por mim mas pela "pequinês" dos intervenientes.
Alguns activistas foram a esses programas de televisão, e se uns dizem “nós” outros tem que “eu”, como se o “eu” a que se referem fizesse alguma coisa sozinhos, como se todo o trabalho que essas pessoas dizem ter feito o tivessem feito sozinhos.
Egocêntricos, incorrectos, egoístas, parecem ser capazes de mudar o mundo sozinhos, apenas recorrendo ao “nós” para juntar forças, para recolher apoios, para somar assinaturas, e no fim apresentam-se na pessoa do “eu”, na revelação dos resultados, no protagonismo mesquinho de algo que não sendo deles, dada a idade que muitos tem, o resultado dessas lutas são para os outros.
Parabéns aos que falam no plural, um bem-haja aos que acreditam que o trabalho que fazem é muito mais importante para quem está lá longe, do que para si mesmo!
Proposta está mal escrita, contém erros factuais, pretende limitar irresponsavelmente os direitos dos casais do mesmo sexo e chega ao cúmulo de adiar a aplicação da lei por 120 dias.
O PSD apresentou na mesma semana da votação da igualdade no casamento civil um projecto de lei escrito à pressa sobre “União Civil Registada”.
Ao ler o prefácio ficamos a saber que o objectivo é preencher um “vazio legal” pois a legislação nacional “não acolhe e regulamenta” a situação das pessoas do mesmo sexo que tenham “optado por uma plena comunhão de vida”.
Logo aqui fica a questão da pressa: o “vazio legal” invocado existe hoje, mas deixará de existir, literalmente, depois de depois de amanhã… com a votação que acolherá e regulamentará o contrato entre pessoas do mesmo sexo que decidem construir um projecto de vida em comum, contrato esse que é o casamento.
Pouco depois são indicados, e muito bem, os 16 países na Europa que regulamentaram novas formas de parcerias civis registadas que reconhecem os casais do mesmo sexo. Por alguma razão não há nenhuma referência aos 5 países na Europa que reconhecem a igualdade no casamento civil: Espanha, Bélgica, Suécia, Países Baixos e Noruega. São assim 21 países que reconhecem de uma forma ou de outra os direitos dos casais do mesmo sexo.
Mas é então que os “motivos” do PSD ficam curto-circuitados: a principal razão apresentada para a “especificidade deste novo instituto” é precisamente a filiação incluindo, naturalmente, a adopção.
E é aqui que a matemática do PSD não foi bem estudada.
Dos 21 países europeus indicados acima, 14 reconhecem aos casais do mesmo sexo a capacidade de adoptar crianças em conjunto e apenas 7 não o permitem. Entre estes 7 incluem-se a Áustria, a Croácia, o Luxemburgo, a Suíça, a República Checa, a Hungria e a Eslovénia. Sendo que, azar dos azares, neste último país está a decorrer um processo legislativo similar ao de Portugal que deverá aprovar a igualdade no casamento civil em Maio de 2010 incluindo o pleno direito a adopção.
Mas passemos ao texto da lei proposta…
Os “Direitos dos parceiros” apresentados são praticamente iguais aos da actual união de facto mas agora com efeitos imediatos ao acto do registo, o que não deixa de ser uma melhoria importante. O único direito adicional listado nesta secção seria a herança (Artigo 4º 1.e) o que é bem-vindo e necessário.
Entretanto o PSD optou por criar uma secção de “Outras consequências jurídicas” em que concede novos direitos importantes como o direito ao nome, possibilidade de actuar como representante legal em caso de ausência ou incapacidade, e o direito a pedir informações sobre o estado de saúde. Esqueceu-se da ressalva, como acontece no casamento civil, do direito a recuperar o nome após a separação, assim como o básico direito de visita hospitalar.
Mas o grande tropeção do PSD nesta secção está no Artigo 5º 3. Pode ler-se que os parceiros gozam da faculdade de se recusar a prestar depoimento como testemunha, para efeitos do disposto no artigo 134º do Código Penal. E aqui está um grave erro desta proposta: este direito já tinha sido consagrado às uniões de facto na revisão do Código Penal de 2007, tal como tinham sido reconhecidas na alteração outras situações como Violência Doméstica (Artigo 152º), o Homicídio Qualificado (Artigo 132º) entre outros. Estes passaram a ser aplicáveis também a casais do mesmo sexo que tenham “relação análoga à dos cônjuges”. O proposto legislador do PSD ao colocar este Artigo 5º 3 só pode revelar uma das seguintes situações, ambas fortemente censuráveis:
1.Desconhece o texto actual do código penal e pretendia conceder protecções acrescidas aos casais do mesmo sexo
2.Conhecendo o texto actual do código penal pretendia limitar os direitos dos casais do mesmo sexo neste contexto
Como corolário desta falta de atenção do proposto legislador do PSD pode verificar-se na secção dedicada a “Impedimentos” que nem lhes passou pela cabeça que há casais do mesmo sexo que podem estar em União de Facto e que queiram passar para uma União Civil Registada, o que não é permitido pelo Artigo 6º 1.e)
Como gota de água (ou será de veneno?) vem o prazo de aplicação da lei de 120 dias após a sua publicação como que para garantir o maior atraso possível na aplicação na mesma. Os primeiros registos só seriam possíveis a partir de Junho… porquê?
Envie a mensagem abaixo ou o que bem entender para os deputados no parlamento.
Os emails estão no final desta página.
A ajuda de todos e todas é importante.
Obrigado!
Assunto: É altura da igualdade!
Cara/o deputada/o, Aproxima-se o dia da votação dos projectos sobre a igualdade no acesso ao casamento.
Temos a possibilidade de começar 2010 a corrigir uma das maiores injustiças e discriminações legais: a actual impossibilidade de acesso ao casamento civil para casais de pessoas do mesmo sexo.
Defendo que os casais de gays e de lésbicas devem poder ter acesso à parentalidade em igualdade de circunstâncias. Desafio cada deputad@ a deixar de lado eventuais ideias feitas que possa ter sobre o assunto e a ler os resultados das investigações académicas sérias feitas neste domínio, em alguns casos acompanhando famílias ao longo de mais de duas décadas. Sei que, se o fizerem, chegarão à conclusão inevitável de que nada, absolutamente nada, justifica a actual desprotecção legal das famílias com pais ou mães LGBT - ou qualquer dúvida em relação ao acolhimento legal dos projectos parentais de casais de pessoas do mesmo sexo.
Mas sei também que a possibilidade de regulação pelo casamento da relação de qualquer casal é fundamental e urgente - e independente de qualquer projecto de parentalidade.
Assim, apelo a que tod@s @s deputad@s lutem pela plenitude dos direitos e, caso não seja possível neste momento uma concertação no sentido de garantir avanços no âmbito da parentalidade, apelo a que garantam e apoiem a igualdade no acesso ao casamento não permitindo o protelar da dignidade num campo tão importante como o da conjugalidade.
Votos de um 2010 com mais igualdade e mais liberdade,
Apenas 4 estados dos EUA não permitem a adopção por pessoas homossexuais a título individual.
Ainda relativamente aos EUA: 17 estados permitem explicitametne a adopção por casais do mesmo sexo, 20 estados permitem-na por omissão, 9 não são claros e apenas 4 a proibem.
Dos 18 países listados da Europa, apenas 3 proibem a adopção por pessoas homossexuais a título individual.
Em termos de adopção por casais, 8 permitem a adopção em geral e 10 proibem. No caso de querem adoptar o filho do parceiro ou marido, 12 países permitem a adopção e apenas 6 são contra.
Na passada quarta-feira, dia 9 de Dezembro, fez 14 anos após ter conhecido aquele que comigo, e eu com ele, partilho uma vida a dois, 14 anos, não são catorze dias, ou meses!
Foi um mês de cada vez, foi um namoro falado, discutido, mas muito amado! Assim e porque não temos filhos, comprei uma árvore, nomeadamente um pinheiro, o qual vamos plantar num vaso grande na nossa varanda, no terraço contrario ao dos cães se não o Júnior chamava-lhe um figo, com ele só mesmo cactos sobrevivem dentro dos vasos.
Mas estas coisas dos aniversários não tem o dom de fazer parar o tempo, e por isso a vida continua, e o país precisa de quem quer de facto trabalhar e não de quem tire licenças, ou apresente baixas, para ir ás compras ou ter um dia diferente, e por isso o maridão foi para o trabalho dele e eu fiquei no meu, vantagens de trabalhar a partir de casa.
E foi ele que me disse: "já tinhas visto isto da Fernanda Cancio?" … até li, e até escrevi sobre o assunto, mas como muito bem sabe algumas pessoas que comigo já se cruzaram, eu gosto sempre de ouvir os dois lados (não é Tété?), e não estava descansado sem ler o que Dona Isilda havia de facto redigido. Mas era dia para descontrair um pouco. Por isso fiquei a "ruminar" na coisa e fui ás compras, a vida de "dona" de casa também tem compras.
Foi aí que decidi que precisávamos de uma árvore de Natal, artificial claro está, e foi aí que comprei o pinheiro para plantar.
Depois chegado a casa e após arrumar as compras, fui montar a árvore nova, ficou linda... o tempo voa, e estava na hora de ir ao ginásio, encontramo-nos lá, depois disso o jantar algo apressado porque o marido ainda tinha trabalho até ás 23:30, enquanto isso fui para casa, ver as noticias do mundo. Até fiquei a saber umas coisas. Por exemplo que em New Jersey a lei do casamento estava a ser debatida por um comité jurídico e até tinha passado nesse comité, e que perante esta avaliação o Governador disse que assinava se a lei chegasse à mesa dele em tempo útil, e tudo isto sem referendo (lol, esta malta está tonta, então não sabem que tem de levar isto a referendo?) ai a nossa vida, estes (norte) americanos querem agora obrigar as pessoas a casar sem falar com elas!
Mas depois vi que os senhores até tem sapiência, pois dizia um dos senadores proponentes da alteração da lei de casamento civil, que não é todos os dias que temos oportunidade de melhorar a sociedade e a forma como tratamos os outros. E que estas oportunidades acontecem poucas vezes na nossa vida, se é que chegam a acontecer.
Mais á frente diz ainda que "as pessoas que se opõem ao casamento entre pessoas do mesmo sexo, não são pessoas más ou cruéis, mas as leis que não permitem esses casamentos, oferecem abrigo seguro para aqueles que o são [cruéis e ruins]. A legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo eliminará esse abrigo e, consequentemente, tornará a nossa sociedade mais compreensiva e inclusiva", penso que nem Zapatero teria dito melhor, ou disse?
Como era o nosso aniversário decidimos ir beber um copo num bar aqui da cidade do Porto, onde por acaso ia acontecer o espectáculo de um amigo de quem sou fã.
Natasha Semmynova, na segunda edição dos seus dez anos de palcos. Sou suspeito para falar deste jovem, afinal por gostar dele, do seu trabalho, costurei para ele algumas peças de vestuário, para ele apresentar nos seus números. Mas aquilo que dele ouvi nessa noite, fica para os presentes na sala, e cada um espalhe como bem entender.
Confesso algumas movimentações nas últimas semanas de exploradores de causas ao invés de activistas que servem causas, me tem deixado em baixo. Assim as palavras do Vítor/Natasha foram recebidas como água cristalina e fresca dada a um moribundo perdido no deserto (música dramática de fundo).
Vítor/Natasha, não tens ideia do bem que fizeste! Pelas palavras de conforto pela minha dedicação, pelas palavras de aplauso ao meu trabalho enquanto PortugalGay.pt e Porto Pride, bem haja meu lindo. Uma das coisas que disseste foi "hoje em dia qualquer um dá a cara, o difícil é manter-se lá de cara descoberta". Vou dizer-te porque é assim tão difícil, principalmente numa causa destas: porque se perde muito, principalmente quando se debate a causa com o coração e a cabeça.
Mas passemos à festa: foi uma noite fantástica, diria mesmo melhor que a primeira edição dos dez anos da Natasha Semminova, especialmente devido ao momento mágico em que Natasha - a pedido do público - cantou à capela "Llorando", na versão de Rabekah Del Rio, uma música que faz parte do filme de David Lynch, "Mulholland Drive".
E assim foi um dia fantástico, o dia em que á catorze anos atrás conheci a melhor pessoa do mundo, o meu amigo, companheiro, o meu maridão.
Mas no dia seguinte de manhã lá fui à net buscar o texto da Senhora Jurista Isilda Pegado. Li o dito, acompanhado do belo de um café, num espaço público mas tranquilo ás primeiras horas de funcionamento, e fiquei a precisar de uma água, e assim fui buscar a dita, com gás como é óbvio, pois logo no primeiro parágrafo a senhora supreendeu-me: não esperava um apelo tão forte ao tradicional casamento entre menores (entenda-se menores de 16 anos). Não sabia que era essa a proposta da alteração da lei, porque se for não participo.
Mas também fiquei a saber que os Direitos Humanos são um "fantasma", e não uma coisa séria. Como já disse Fernanda Câncio não se referenda esta como não foram referendadas outras alterações ao casamento. Como, por exemplo, as mulheres deixarem de ser propriedade do marido. Não se perguntou ao povo (aos homens em geral? aos homens casados? aos homens casados com filhos?) se concordavam com a medida. Fez-se e pronto: as mulheres ganharam mais um degrau na liberdade individual e na igualdade.
A senhora vai buscar até a comunidade muçulmana quando esta não se manifestou interessada em que o Estado Português altere a lei do casamento, de forma a reconhecer o casamento poligâmico, pelo que a senhora está confusa, propondo mais que aquilo que está em discussão. Curiosamente não falou dos cristãos Mormons aos quais o casamento poligâmico é tão querido...
Também não me parece que saiba o que é ser-se católico, porque um católico que preze a sua fé religiosa, casa sempre pela Igreja (e pela lei, simultaneamente pelo civil se não tiver sido celebrado antes). Logo esse "casamento" é indissolúvel, a menos que outros valores se levantem e aquilo que era deixa de o ser.
Senhora jurista as coisas estão mesmo mal para esses lados, na discussão que decorre em New Jersey, uma sua colega disse o seguinte: "O direito de saber que quando o seu parceiro estiver doente, ou quando o seu filho estiver doente, não terá de lutar com burocratas sem nome através de um advogado. O direito de comparecer à reunião de pais na escola sem ter que apresentar desculpas ou explicações. O direito de usar uma aliança de casamento e gozar da dignidade plena e reconhecimento que vem com aquela palavra mágica, casamento, justamente como eu e o meu marido o fazemos. Neste país, não concordamos com o direito civil de alguns e metade do direito civil de outros."
Vá lá doutora, faça um "update" (ou "actualização", se preferir), já reparou que é uma mulher livre e formada, e essa liberdade não foi a referendo?
Mais á frente a Drª diz que "Ou há um grupo que impõe a sua visão à sociedade?", e a resposta é simples e óbvia: a visão da sociedade do casamento civil afastou-se há muito da visão do casamento religioso. A sociedade recusou os casamentos arranjados para perpetuar património e passou a valorizar o casamento por amor. E no meio disto temos um pequeno grupo de pessoas que acham que não... que isto do casamento por amor e os afectos está tudo mal... o que interessa é o casamento para procriar.
Portugal está de facto numa "situação impar": ainda tem muitas facções da sua sociedade que estão à espera desse tal de 25 de Abril. Mas no que tem a ver com a lei em questão estaremos tudo menos numa "situação impar" pois já são muitos os países que consideram os seus cidadãos como cidadãos de pleno direito, o que faz que não estejamos "Orgulhosamente sós".
Agora que penso no assunto... quantos países fizeram um referendo sobre a questão do casamento civil? Os únicos referendos que tive conhecimento aconteceram nos diversos estados dos Estados Unidos da América e alguns desses, no seu fervor religioso, chegaram ao cúmulo de potencialmente acabar com todos os casamentos(!).
Daqui se vê que nem sempre as coisas dos referendos correm bem... e não é só para os que vão votar... é para todos os casais a que se aplique o resultado do referendo.
Termino de forma pessoal, porque afinal este post é sobre o dia do meu "casamento". espero que de uma vez por todas o Estado Português queira de mim mais que os meus impostos, queira também brindar-me com o respeito e a dignidade que enquanto ser humano me é devido, e possa deixar de dizer que estou "casado" entre aspas, e o diga abertamente e com o orgulho de fazer parte de um país que, aos poucos é verdade, está a dar passos decisivos pelo respeito dos seus concidadãos.
E a bem da verdade já somos muitos os casais quer de homens quer de mulheres à espera da lei para fazermos uma festa, a festa do nosso casamento.
Manifesto para a insurreiçom TransFeminista (em Galego)
Fazemos um chamamento à insurreiçom TransFeminista:
Vimos do feminismo radical, somos as bolheras, as putas, xs trans, as migrantes, as negras, as hetero-dissidentes….somos a raiva da revoluçom feminista, e queremos amossar os dentes; sairmos dos gabinetes do gênero e das políticas correctas, e sermos guiadas polo nosso desejo sendo politicamente incorrectas, amolando, repensando e resignificando as nossas mutaçons. Já nom vale com sermos só mulheres. O sujeito político do feminismo “mulheres” ficou pequeno, é exluínte por sim próprio, deixa fora às bolheras, às/aos trans, às putas, às do véu, às que ganham pouco e nom vam à úni, às que berram, às sem-papéis, às marikas…
Dinamitemos o binómio gênero e sexo como prática política. Sigamos o caminho que começamos, “nom se nasce mulher, chega-se a sê-lo”, continuemos a desenmascarar as estruturas de poder, a divisom e ierarquizaçom. Se nom aprendemos que a diferença homem mulher, é umha produçom cultural, ao igual que o é a estrutura ierárquica que nos oprime, reforçaremos a estrutura que nos tiraniza: as fronteiras homem/mulher. Todas as pessoas produzimos gênero, produzamos liberdade. Argumentemos com infinitos gêneros…
Chamamos à reinvençom desde o desejo, à luita com os nossos corpos ante qualquer regimem totalitário. Os nossos corpos som nossos!, ao igual que o som os seus límites, mutaçons, cores e transacçons. Nom precissamos protecçom entorno às decisons que tomamos nos nossos corpos, transmutamos de gênero, somos o que nos peta, travestis, bolhos, superfem, butch, putas, trans, levamos véu e falamos wolof, somos rede: manada furiosa.
Chamamos à insurreiçom, à ocupaçom das ruas, dos blogues, à desobediência, a nom pedir permissom, a gerar alianças e estruturas próprias: nom nos defendamos, façamo-nos temíveis!
Somos umha realidade, operamos em diferentes cidades e contextos, estamos conectadxs, temos objectivos comuns e já nom nos calades. O feminismo será transfronteiriço, transformador, transgênero ou nom será, o feminismo será TransFeminista ou nom será…
Keremos-vos
Rede PutaBolloNegraTransFeminista.
Medeak, Garaipen, La Acera Del Frente, Itziar Ziga, Lolito Power, Las Chulazas, Diana J. Torres AKA Pornoterrorista, Parole de Queer, Post_op, Maribolheras Precárias, Miguel Misse, Beatriz Preciado, Katalli, MDM, Colectivo Transgaliza, Laura Bugalho, EHGAM, NacionScratchs, IdeaDestroyingMuros, Sayak Valencia, TransFusión, Stonewall, Astrid Suess, Alira Zinkunegi, Juana Ramos, 7menos20, Kim Pérez (Cofundadora de Conjuntos Difusos), bizigay, d-generadas, lasdel8 y et al, Beatriz Espejo, Xarxa d’Acció Trans-Intersex de Barcelona, Guerrilla Travolaka, Towanda, Ciclobollos.
Foi ontem que na Universidade Católica em Lisboa que aconteceuum debate... ou melhor: uma sessão de esclarecimento, sobre o Casamento homossexual.
Os oradores foram escolhidos de forma a serem imparciais, pois esperava-se esclarecer uma plateia que ainda não teria entendido bem aquilo a que se propôs o Partido Socialista durante a campanha eleitoral, e agora também apresentado no plano do Governo.
Foram oradores o Padre Gonçalo Portocarrero Almada, e o Padre Nuno Serras Pereira. Completamente imparciais os dois oradores deram uma visão do casamento civil, ao longo da história, ou mais ou menos isso. Contudo introduziram uma alteração ao termo, deixando a determinada altura de se chamar Casamento Civil, para ser Matrimónio Civil. Que apropriado, ou não estivéssemos nós na Universidade Católica, e não fossem os interlocutores representantes de uma instituição especialista em servir a Deus e ao Diabo. Verdadeiros especialistas em iludir o povo com discursos de clemência, de alusão ao amor, fraterno ou não, e de muito sofrimento para que os mais incautos se sintam impelidos a seguir as suas ideias, os seus propósitos e sintam que devem apoiar as suas posições e teses.
Mas devo confessar de que se por um lado me torci de agonia ao escutar as apresentações de um e outro, por outro lado pude saborear, diria mesmo deliciar-me, que os súbditos - ou supostos súbditos - não mais pensam pela cabeça dos outros e tem as suas próprias posições, as suas próprias leituras da realidade, e daquilo que deve ser uma sociedade justa. Assim desde já o meu bem-haja ás intervenções dos que na fase das perguntas e respostas, se mostraram insatisfeitos com o "não-esclarecimento" prestado. Bem... como facilmente perceberam estava a ser irónico quanto à imparcialidade dos oradores, porque aquilo a que se assistiu na “não” sessão de esclarecimento, foi a apresentação, algo suave é verdade, do ministério da fé, ou daquilo que é a posição da Igreja, pelo que penso esta sessão deveria ter-se chamado, “A posição da ICAR sobre o Casamento entre pessoas do mesmo sexo!”. Vou tentar reproduzir algumas das afirmações e/ou noções que foram proferidas pelos oradores.
O primeiro orador,Portocarrero, até começou bem, questionando como poderia um Padre opinar sobre o Casamento Civil, não sendo este um direito canónico, mas sim civil?
Começou, lá isso começou. E embora o deva cumprimentar pela sua brilhante apresentação, um orador de excelência, aquilo que escolheu dizer foi algo que se ficou pela demagogia barata com uma série de argumentos vazios, observando a realidade actual das diferentes estruturas familiares, e das posturas da ICAR ao longo da historia relativamente ás ditas minorias, e perante uma grande maioria que são as mulheres. Uma das suas primeiras afirmações foi dirigida ao Português, enquanto língua, que por vezes é usado de forma a iludir e originar conflitos. Citando o caso particular do aborto, que agora se chama IVG (interrupção voluntária da gravidez). Mas os termos foram mudando ao longo dos anos em diversos locais e não se vê grande alarme nisso. Por exemplo, as "contínuas", agora chamam-se “pessoal de acção educativa”, será que estamos a iludir alguém? Depois penso que deviam até ficar contentes pois se a moda de dar novos nomes ás coisas está tão viva na sociedade e na política isso deve-se á mestria da Igreja, que conseguiu (e ainda consegue) ler e reler a Bíblia Sagrada, dando tantos significados quanto aqueles que são precisos no momento. Depois fiquei a saber que os homossexuais não têm uma relação matrimonial, porque isso é algo apenas relativo aos heterossexuais. Mas a minha aprendizagem continuou: fiquei a saber que afinal o Código Civil tal como o conhecemos não impede os homossexuais de casar, afinal qualquer homem homossexual pode casar com uma mulher, tal como uma mulher lésbica pode casar com um homem. Por isso é "falaciosa" a nossa pretensão de alterar código civil.
E mais á frente a plateia foi informada que ao Direito não lhe interessa saber a orientação sexual, ou quaisquer outras características dos nubentes. Mais: a discriminação é um sinónimo de respeito pelas distinções existentes em cada um.
“O casamento que não observe a essência do casamento, não é um casamento e por isso é uma fraude” e “Não queremos [os homossexuais] casar, queremos viver juntos, porque aquilo que queremos não é casamento”. Estas foram algumas afirmações que deixo á vossa consideração.
Mas vamos então para a palavra que cada vez mais me deixa com mais dúvidas: “natural”. Esta palavra surge na apresentação de Portocarrero, aliada ao matrimónio, na frase, “o matrimónio natural não decorre de nenhuma repercussão religiosa ou jurídica”, e por isso “abrir o casamento civil a homossexuais, é abrir a caixa de Pandora, porque um mal nunca vem só”. Ora Senhor Padre não poderíamos estar mais esclarecidos, seja casar é mau, mas na se preocupe, nós seres humanos imperfeitos, estamos habituados a sofrer e queremos por isso aceder a este “mal”, porque acreditamos que o amor que nos une será capaz de o transformar em algo positivo. O Padre Gonçalo Portocarrero Almada, termina dizendo que tempos difíceis vem a caminho para as famílias Portuguesas. Parece-me que não reparou que a crise económica e a falta de emprego já cá estão, porque no que se refere ao Casamento Civil quase tudo fica na mesma. Apenas mudará o facto de que a minha relação de 14 anos vai poder ser oficializada pelo Estado Português, como oficial são os impostos que religiosamente pago desde sempre. Mas não nos poderemos esquecer que eram dois oradores, e o segundo, embora não goze do dom da oratória, tem uma oratória que no seu conteúdo é de gozo. Serras Pereira, começa por dizer que o seu antecessor não merecia as palmas que estava a receber, mas sim muitas mais. Coisa que depois da apresentação de Serras Pereira não poderia estar mais de acordo. Então aqui fica uma das primeiras afirmações: "as pessoas nascem 'barão' e mulher, podem ter acidentes de percurso que podem ser alvo de correcção”. Fiquei logo alvoraçado porque na sei porque os homens são “barões” e as mulheres não podem ser “baronesas” (será que é da prenuncia do norte?) Mas por outro lado fico satisfeito que o Sr. Padre tenha no seu discurso uma alusão ás pessoas transexuais.
Mas a minha inquietação manteve-se com as frase seguintes: “a relação sexual é a realização de um acto entre duas pessoas diferentes [de sexo diferente], … a única coisa que só pode ser feita por duas pessoas, um homem e uma mulher, … tudo que seja diferente disto não é uma complementaridade”
Ora muito me surpreende que a ICAR tenha um discurso tão virado para o sexo carnal, esperava-os castos, e promotores do sexo reprodutivo, mas pelos vistos afinal o sexo é bom, deve ser praticado, e é a essência do casamento. No entanto outros dogmas da ICAR não mudam, se não vejamos como apresenta Serras Pereira a "Criação do Mundo": Adão "representa a humanidade". Adão andava metido naquilo que faz rir, entra em transe e é-lhe retirada uma costela (qual Deus a fazer de ladrão de rins) de onde nasce a mulher, esse ser inferior. Perante isto a humanidade/Adão grita de espanto: "um ser igual a mim!". Confesso que fiquei desordenado, e ao mesmo tempo com a ideia de que Eva afinal era uma Transexual M to F. Até imaginei no meu miolo uma cena animada com o Adão aos saltitos no paraíso a brincar ás casitas com Eva. Mas depois fiquei realmente perturbado: "a semente de Deus é o sémen de Deus, que vem fecundar mais um filho para a ICAR" - isto no ritual do baptismo - assim o disse Serras Pereira. Eu tenho cá para mim que a água do baptismo é o símbolo da pureza e não do esperma de Deus, isto pareceu-me tudo um pouco repugnante... mas quem sou eu? Mas a altercação realmente medieval veio pouco de depois, qual bicho papão que atormenta as mentes mais incautas: "Aprovar o casamento civil entre homossexuais, trás consigo a aprovação de outras uniões como o incesto, a poligamia, entre grupos, dos bissexuais, e até com animais." Imagine-se os frades todos do convento a casarem-se uns com os outros! Deus nos livre e guarde! E eu a pensar que tais argumentos básicos tinham sido abandonados há largos anos depois dos debates sobre os casamentos inter-raciais. Devo ainda confessar, já que estamos a falar de padres, que fiquei maravilhado com o profundo conhecimento de Serras Pereira sobre as actividades deleitosas a que os praticantes da homossexualidade se dedicam. Desde o uso de "utensílios sintéticos e/ou orgânicos introduzidos no ânus" por essas pessoas passando pelas práticas de Sado-maso e até às conhecidissimas "golden-queens". Aparentemente estas actividades estão obstadas pela Santa Madre Igreja de serem realizadas pelas pessoas heterossexuais... aparentemente tal medida não teve grande efeito prático. "50% das violações de menores são perpetradas por homossexuais" foi a revelação científico-teológica seguinte que, face à forma como a Igreja Católica trata a questão do abuso sexual de menores só pode ser resultado de um qualquer decreto Papal "porque sim". Como os decretos Papais que esconderam os abusadores Católicos das autoridades civis "porque sim". "Depois da aprovação do casamento civil para pessoas do mesmo sexo, a seguir vem a opressão com base nos actos tidos como homofóbicos, e sendo assim pessoas como os padres que estejam a ler uma qualquer passagem da bíblia que seja considerada homofóbica correm o risco de ir presas". É preciso mesmo ter muita desventura: com milhares de passagens para escolher na bíblia, foram logo pegar naquelas duas que rejeitam a homossexualidade... não haverá mais nada de interessante para ler? Serras Pereira vai mais longe, e afirma que as pessoas homossexuais não são seres felizes: "não acredito que essa pessoa [homossexual] seja feliz, sei por experiência própria e de vida, que essa pessoa não pode ser feliz contrariando os mandamentos de Deus". Novamente a dúvida! A surpresa! Que experiências terá tido Serras Pereira para ficar tão abalado? Se calhar foi na mesma circunstância em que deleitou-se com as "Golden-Queens"... Termino com uma questão colocada por um dos jovens. Queria ele saber como sustentavam os dois oradores que o casamento civil seja apenas para heterossexuais, ou apenas realizável entre um homem e uma mulher. Na resposta Padre Portocarrero diz "o contexto natural da procriação é o matrimónio, algo fora disso é ofensivo à condição humana". Ficamos esclarecidos que mais de 1 em cada 4 crianças em Portugal é uma ofensa à condição humana (por nascerem fora do casamento). Mas a melhor parte do "debate" foi quando um jovem tentou, em vão, colocar a sua pergunta sobre o casamento civil e a presidente da Associação Mulheres em Acção, Alexandra de Almeida Teté, levanta-se do seu lugar, e em consonância com a restante plateia que vaiava o dito aluno desde o início, retira a este o microfone da mão, dizendo que "o direito só vai proteger aquilo que é o bem comum". Tudo muito católico como se vê.
Regiões TV - Esclarecimento sobre Falhas e Buracos
Alguns dias atrás fui convidado para ir a um canal de cabo (Regiões TV), para desvendar um pouco do PortugalGay.pt e do seu trabalho em 13 anos de existência.
Era suposto falar das mais de 20.000 páginas que ilustram o directório, as noticias, as sondagens, bem como a secção de apoio, entre outros temas como a saúde, … era ainda suposto dizer que temos mais de 5000 pessoas por dia que nos visitam pelas mais diversas razões, e que resultam em mais de cinco milhões de page views, e muito perto de dois milhões de pessoas por ano. Devia ainda falar das reportagens presentes no portugalgay.pt/tv e do número verde 800206919 o único totalmente gratuito para que as pessoas possam deixar as suas denúncias e também pedir informações e apoio, alertando que só o podemos fazer quando deixam contacto para o efeito.
Era suposto falar de tudo isto e mais, sobre o PortugalGay.pt que se confunde com o seu Editor (eu mesmo), mas estavam outros convidados presentes na entrevista, e um desses convidados era a Alexandra de Almeida Teté, representante da associação “Mulheres em Acção”.
Presente esteve também a “DJ Buondi” que se mostrou algo agradada com a postura de Teté durante a sua entrevista, tal como eu mesmo. Em pleno século XXI inda são necessárias associações que defendam a igualdade, e que a paridade não deve ser uma mera questão de retórica.
Contudo toda esta nossa concordância muda, e o abismo surge, quando, ainda não estou muito certo como, entra o tema do Casamento Civil acessível a todos e todas, em que Teté se mostra completamente contra, e adianta a sua posição também contrária á adopção por homossexuais.
Ora foi aqui que tudo que era suposto eu dizer caiu por terra, pois os entrevistadores, do programa “Chá de Frutas”, preferiram o debate entre a minha pessoa e a Teté.
Não vou descrever o debate, pois foi penoso ver alguém com responsabilidades sociais a ter posturas de uma tal profunda discriminação e preconceituosas que deixou a mim e a Dj Buondi (segundo ela mesma me disse) surpresos, para não dizer chocados, com tais posturas. Contudo acredito que este debate venha a estar presente na secção de multimédia do site da RTV (http://www.rtv.com.pt/www/).
O que me leva a escrever estas linhas não é o debate em si, mas sim algo que eu disse no calor da discussão que quero aqui deixar claro o que quis de facto dizer.
A certa altura a Senhora Alexandra Teté, diz que o que não falta são pais a querer adoptar,… e eu respondi que esses pais querem adoptar bébes, para colmatar falhas, para tapar buracos,...
Pois bem as “falhas” e “buracos” a que me refiro, não são falhas dessas pessoas ou que a vida dessas pessoas tenham buracos que precisam ser tapados, e que o serão com a adopção de bebés! Nada disso.
Aquilo a que me referia no momento é falhas da natureza, que priva alguns seres humanos da sua capacidade de fecundação, levando-os a pensar na adopção, para colmatar um vazio (buraco) que existe nas suas vidas, a vontade de exercer a parentalidade, de educar, de criar, de formar um ser à sua imagem e semelhança. Esse é o significado das minhas palavras que ali, e como já disse no calor da discussão, ficou por esclarecer.
Mas aqui também incluo as pessoas, e casais que com o coração cheio de amor para dar, se sentem impelidos, e na obrigação de oferecer ás crianças institucionalizadas uma oportunidade de acreditarem nos adultos e nas famílias.
Entre essas pessoas estão os homossexuais, homens e mulheres que desejam exercer esse seu lado de responsabilidade perante um ser em construção! Pessoas que desejam ser pais e mães! E os homens e mulheres homossexuais já são pais e mães hoje em dia mas não são reconhecidos legalmente como pais ou mães com a pessoa com que partilham a sua vida.
Por isso defendo que a discriminação com base na orientação sexual, identidade de género, origem étnica ou religião não têm lugar quando alguém se propõe a adoptar uma criança. O objectivo é dar a essa criança um ambiente estável, acolhedor, com amor, com regras, com educação, de dar um espaço a que possa chamar de LAR e uma família que possa ela adoptar como sua. E ao avaliar as capacidades de uma ou duas pessoas nesta tarefa com base em preconceitos está-se a reduzir as probabilidades de encontrar o lar mais adequado a cada criança em particular.
Quanto a Alexandra de Almeida Teté, que no início da sua entrevista tanto defendeu a necessidade de ser exercida uma acção na defesa dos direitos da mulher no local de trabalho, que desde já tem o meu inteiro apoio, deixo uma reflexão:
Qual seria a sua postura enquanto representante da Associação Mulheres Em Acção, quando uma lésbica lhes pedisse ajuda, porque a sua entidade patronal não quis situar as suas férias em consonância com as da sua companheira/esposa; ou se, por outro lado, não quis dar licença de parto, para poder acompanhar a gravidez da sua companheira e primeiro passos do filho delas?
Eu não tenho a menor idéia, mas aqui vão os factores em jogo... 1. As sondagens dão um empate técnico. Isto pode não ser bom para os gays, porque, alguns dizem, as pessoas que vão votar de uma maneira que outros consideram preconceituosa podem sentir-se inibidas de dizer as verdade na sondagem.
2. Os adversários da igualdade no casamento estão tipicamente mais motivados sobre a questão do que apoiantes. Como tal, os opositores podem sentir-se mais motivados para ir efectivamente votar. Não é bom para os gays.
3. No entanto, a operação de "saiam-de-casa-e-vão-votar" tem sido superior do lado dos gays aqui no Maine quando comparada com a operação dos adversários. Isto é muito bom para os gays. Independentemente da forma como alguém se sente sobre o casamento homossexual, não importa pêveas se não forem votar. O lado gay pode obter um apoio mais significativo no momento da votação real.
Estes tópicos importantíssimos podem ser o que eu e a porta-voz da campanha "NO ON 1" Karin Roland estávamos a discutir no corredor à noite quando o Andrés Duque disparou uma série interminável de fotos sem eu saber de nada.
Também pode ser que estivéssemos apenas fazendo caretas de Halloween um ao outro.
Repararam os corninhos diabólicos?
Julia Rosen da "Corage Campaing" também tinha o seu par de cornos de Halloween. Como se lésbicas numa noite normal não fossem suficientes divertidas.
Na foto abaixo, encontrei-me com a minha conterrânea de San Diego, Elaine Graybill, na sede de No On 1/Protect Main Equality. É completamente inútil tentar resistir aos seus abraços. E, na realidade, por que alguém iria querer resistir?
A campanha No On 1 ainda está à procura de voluntários em qualquer lugar os E.U.A. para o seu programa "Call on Equality". Clickez-vous aqui.
A luta pela despatologização trans (trans de transgénero, não de transexual) é, e pelos vistos vai continuar a ser, um tema nada consensual nem pacífico dentro da comunidade transexual e seus apoiantes.
E o curioso é que, invariavelmente, usam a transexualidade como exemplo da patologização trans. Curioso ou não, não passa de um aproveitamento da situação das pessoas transexuais para legitimar a luta contra o binarismo de género.
Numa conversa informal que tive com um defensor destas teorias, chegou-se à conclusão que cada pessoa é um género em si.
É uma teoria, tem a sua lógica própria, as suas razões e os seus apoiantes, como qualquer outra teoria. O facto de pessoalmente não concordar com ela não lhe tira nenhum mérito. Claro que também não dá.
O problema é que existe uma corrente que, por exemplo, diz que a identidade de género é apreendida pelo indivíduo, durante o seu crescimento. Bem, quem o diz lá terá as suas razões. As minhas, para não concordar, são simples. Se a identidade de género fosse apreendida pelo indivíduo, como se explica que, em crianças com quatro e cinco anos de idade, já saibam perfeitamente que são meninos ou meninas? É que, no caso de uma criança transexual, portanto que a sua identidade de género não coincide com a sua genitália, e que consequentemente foi criada e ensinada a comportar-se de acordo com o género ditado pela sua genitália, como se explica então que essa criança saiba perfeitamente que a sua identidade de género não corresponde ao que lhe têm estado a impingir?
Porque essa criança tem sido ensinada, portanto tem apreendido a comportar-se de um determinado género. Portanto, se a identidade de género fosse uma mera construção social, não existiam pessoas transexuais. Toda a gente apreendia o que a sociedade dizia que lhe competia, e evitavam-se muitos problemas e discriminações.
Mas o simples facto de existirem pessoas transexuais deixa esta teoria de rastos. A identidade de género não se apreende mas sim, nasce com o indivíduo. O que se apreende, isso sim, são os papéis de género, em que a sociedade afirma que os meninos comportam-se de uma determinada maneira e as meninas de outra. E eventualmente será a partir dos papéis de género que cada pessoa poderá começar a questionar-se sobre a sua própria identidade de género.
Outra teoria que também serve para confundir as coisas é precisamente a do binarismo de género. Já se sabe que o binarismo de género implica a existência única de dois géneros, o masculino e o feminino.. Há quem diga que existem mais géneros, servindo-se erradamente e abusivamente das pessoas transexuais e intersexuais como exemplos de outros géneros.
No entanto, uma pessoa transexual tem a plena consciência que é ou masculina ou feminina. Também as pessoas intersexuais têm essa consciência. Daí vem a necessidade de se adequar a genitália e restante corpo ao género ditado pela nossa identidade de género, tanto no caso das pessoas transexuais como no caso das pessoas intersexuais.
Portanto, e apesar de repetidamente falarem em trans (que imediatamente se associa a transexuais),quando sentem a necessidade de justificar os pretensos géneros extra-binários, a realidade é precisamente a contrária.
Na minha opinião, a coisa é muito mais simples. Existem dois géneros, o masculino e o feminino, estanto um nos 0º e o outro nos 180º. Entre os dois existe uma gama quase infinita onde cabem todos. Cada pessoa mais ou menos masculina ou feminina. Mas géneros são só dois.
Que cada uma dessas pessoas tenha os seus direitos humanos é inquestionável. Que devem ser aceites também. Mas que cada uma seja um género, desculpem mas essa não engulo. Eu sou uma mulher transexual, sei-o bem, e também sei que não sou um terceiro género, ou quarto ou quinto, etc. Eu sou do género feminino, ponto final, doa a quem doer, concordem ou não. E assim como eu, ainda estou para encontrar quem seja transexual e não se considere ou do género masculino ou do feminino. É provavel que exista, debaixo deste sol cabe tudo. Mas ainda não a encontrei.
A transexualidade nada mais faz que reforçar a teoria do binarismo de género. E é por isso que é abusivo e até lesivo o uso da transexualidade como joguete de tentativas de legitimação precisamente do oposto.
E é a partir destas teorias, que advém a pretensa luta contra a patologização das pessoas trans. Note-se, da comunidade transgénero, que insistentemente inclui a comunidade transexual (a intersexual já obteve a nível internacional o reconhecimento da sua sigla I), as únicas pessoas forçadas a penarem em processos intermináveis são precisamente as pessoas transexuais. Mais ninguém tem esse estigma.
Portanto contra que patologização trans se luta então? Só pode ser a transexual. Travestis, andróginos, cross-dressers, nenhum é forçado a submeter-se a consultas de psiquiatria e psicologia para serem quem são. Só as pessoas transexuais têm esse estigma.
A luta pela despatologização é legítima? Sem dúvida nenhuma, aliás, é uma necessidade. O timing é que é muito questionável.
Existem muito poucos países em que as cirurgias de redesignação de sexo sejam comparticipadas ou pagas pelos respectivos serviços estatais de saúde. E esses países pagam essas cirurgias precisamente porque a transexualidade é considerada uma doença mental, apesar de qualquer psiquiatra ou psicólogo saber perfeitamente que essa doença só existe nos volumosos calhamaços sobre medicina (neste caso sobre sexologia, mais precisamente).
E é um erro crasso (expressão que refere os erros tácticos de Marco Licínio Crasso na batalha de Carras. Estes equívocos passaram à história através da expressão erro crasso, que remete a uma falha grosseira de planeamento com consequências trágicas.) o de se querer uma despatologização da transexualidade antes de se garantir, se possível constitucionalmente, as cirurgias e tratamentos referentes à transexualidade, bem como a obtenção da alteração de nome e género na documentação oficial, independentemente das cirurgias.
Depois de obtidos estes direitos, então sim, vamos lutar por uma despatologização. Antes será um verdadeiro tiro no pé.
Porque muitas pessoas transexuais, há alguns anos atrás, quando em Portugal a transexualidade era tabú e confundida com a homossexualidade, muitas mulheres transexuais arriscavam a vida em cirurgias nas mãos de verdadeiros carniceiros em Marrocos, por exemplo, onde em vez de ficarem com uma neo-vagina ficavam com um buraco, quando a coisa corria bem e não tinham infecções não raras vezes mortais.
Porque muitas pessoas transexuais, por impossibilidade de ganharem em tempo útil o montante necesário para se submeterem às cirurgias necessárias, viam no suicídio a única forma de fugirem a uma vida de discriminação e sofrimento.
Porque na tentativa de se submeterem à CRS, a única possibilidade que havia de se perfazer os montantes necessários (Portugal nunca foi conhecido como um país com bons ordenados) era uma vida de prostituição de rua, à mercê da polícia, dos energúmenos transfóbicos, dos proxenetas e dos traficantes de droga.
A inclusão destas cirurgias no SNS veio mudar isto. E considero isto sério o suficiente para não querer arriscar uma despatologização que, no caso de Portugal, certamente irá retirar estas cirurgias do SNS.
Ainda há poucos anos atrás, quando para Bastonário da Ordem dos Médicos foi eleito o Prof. Dr. Gentil Martins, um conceituado cirurgião nacional, um verdadeiro expert mundialmente reconhecido na sua área, mas infelizmente transfóbico, uma das medidas que tomou foi a paralização destas cirurgias. Muto bom cirurgião na sua área, mas quando nos metemos em áreas que não são as nossas, como neste triste caso, deixamos que convicções religiosas e conceitos mal formados levem a que se faça asneira.
Portanto nem sequer agora, que se praticam estas cirurgias, as temos como garantidas. Portanto será de se pôr em risco o pouco que temos por questões que na prática não servem para nada? Penso que neste caso será uma mais-valia o lutar-se por coisas que ajudem esta comunidade no seu dia-a-dia do que por teorias que, não questionando a sua justeza, pecam por muito pouco trazerem como benefícios, arriscando-se mesmo a serem prejudiciais.
Noutra conversa informal com um defensor desta despatologização, questionei-o sobre estes riscos. A resposta que obtive foi “Mas essas cirurgias não tarda saem do SNS”. Ou seja, como o mais provável é um dia destes, por exemplo com outro bastonário transfóbico ou com um governo de direita (que são conhecidos por não respeitarem os direitos humanos, salvo se estiverem incluídos), perder-se estas cirurgias, então que se percam já. A lógica da batata, diria eu.
Também gostam muito de dar o exemplo que a homossexualidade já foi considerada uma doença e que já não o é. Mas o que nunca dizem é que, no caso da homossexualidade, os homossexuais eram muitas vezes forçados a tratamentos variados na tentativa de se “curar” esse mal. Portanto a retirada da homossexualidade das doenças sexuais só veio trazer benefícios, pois nenhum homossexual necessita de qualquer tipo de cirurgia para o ser. O que não é, de todo, o caso das pessoas transexuais. Embora existam transexuais que não necessitem de uma CRS para se sentirem bem com elas próprias, uma larga quantidade necessita. Duas coisas completamente distintas e que em caso algum podem servir como exemplo mútuo ou como qualquer tipo de comparação (salvo nas discriminaçãoões sofridas, em que a comunidade transexual largamente segue em primeiro lugar, infelizmente).
Mas existem pessoas transexuais que apoiam esta despatologização. Por exemplo, quem não deseja ou necessita de fazer uma CRS ou quem já a fez. De resto, onde estão as (poucas) pessoas transexuais portuguesas sem medo de aparecerem ou sem vergonha de serem quem são, que apoiem esta pretenção?
Num evento próximo, a acontecer no Porto e em Lisboa, onde irá ser apresentada a campanha “STOP PATOLOGIZAÇÃO TRANS 2012” quem são os oradores? Transexuais (mesmo que não queiram ou já tenham feito a CRS)? Não, ou pelo menos não totalmente. No Porto será um activista gay, uma psicóloga e um activista pertencente à rede trans e intersexual de Barcelona, que não se sabe se é trans, intersexo ou unicamente activista. Em Lisboa, um representante dos médicos pela escolha (que pelos vistos quer escolher pela comunidade transexual portuguesa), o mesmo activista gay e o mesmo activista de Barcelona.
Ou seja, como se já não bastasse que qualquer pessoa que o queira que fale pela comunidade transexual, reivindicando em nosso nome pretenções sobre as quais não existe consenso nem discussão sequer, dentro da comunidade, agora até vêm de Espanha tentar convencer-nos das razões pelas quais lutar. O que não é de admirar, pois em Espanha, apesar de ter sido uma promessa do governo, o serviço de saúde espanhol ainda não contempla estas cirurgias.
Bem, eu continuo na minha, apoio toda e qualquer pretenção das associações e grupos transexuais espanhóis que sejam justas, mas em caso algum vou a Espanha falar por eles. E acho que as associações e grupos espanhóis deviam fazer o mesmo. No máximo falaria com eles, o que não acontece cá, pois representantes da comunidade, nem vê-los como oradores. Além de que devia haver debates e discussões dentro da(s) comunidade(s) visada(s) sobre isto, o que não aconteceu.
E falando em debates, na mailing list da Transgender Europe levantei precisamente estas questões. O feedback recebido foi que a TGEU apoia esta pretenção, salvo a comunidade T italiana, que tem problemas muito parecidos com os nossos, quer dizer, a possibilidade de governos de direita que neguem os direitos humanos LGBTTI, sendo que a qualquer momento poderão perder o pouco ou nada que detêm, e que curiosamente pensam da mesma maneira que eu, primeiro garantir os direitos essenciais para o dia-a-dia das pessoas transexuais, e só depois avançar-se para uma despatologização.
O Presidente da República decidiu vetar as alterações à lei de união de facto propostas pelo PS, partido do Governo.
Algumas das razões apresentadas por Cavaco Silva deixam-nos perplexos, como o caso do "momento" político, parecendo de alguma forma que o governo só pode legislar durante uma parte do tempo para o qual foi eleito... não nos recordamos de uma lei que defina tal limite...
Mas há várias questões levantadas no texto que acompanha o veto que merecem a nossa reflexão e apoio.
Em especial há a questão de escolha de viver ou não em união de facto.
A nova lei ao indicar que "A união de facto implica a perda ou diminuição de direitos ou benefícios nos mesmos casos e termos em que o casamento implique a perda ou diminuição de direitos ou benefícios." vem fazer com que os que vivam em união de facto há mais de dois anos e, por circunstâncias da vida, beneficiem de direitos específicos apenas até se casarem de novo, se vejam na situação de "casados" mesmo que não queiram! Um exemplo desta situação é a senhora viúva de funcionário público que tinha protecção ADSE e agora está junta com uma pessoa... ao passarem dois anos dessa união perde direito à ADSE. E quem vai verificar esta situação? E como a distinguir de uma Economia Comum?
Mas a nova proposta não se fica por aqui. Por um lado a lei presume que "bens móveis ter-se-ão como pertencentes em compropriedade a ambos". Novamente sem haver nenhum compromisso claro e informado entre as duas pessoas em causa os bens cuja compra não possa ser claramente atribuída a um dos membros passa a ser em partes iguais do casal.
E, para completar a situação, "os dois membros da união de facto respondem solidariamente pelas dívidas contraídas por qualquer deles para ocorrer aos encargos normais da vida familiar". Primeiro problema: o que são encargos normais de vida familiar? Comprar um carro é um encargo normal? Ou um frigorífico? Ou marcar umas férias? Segundo problema: se um dos elementos do casal decide fazer uma compra a crédito (por exemplo com o seu cartão de crédito da sua conta pessoal) excedendo a capacidade financeira do casal de algo que possa ser considerado como "encargo normal da vida familiar" então o outro elemento fica com obrigação sobre esta dívida, mesmo sem ter conhecimento da mesma, e até depois de terminar a união de facto!
Resumindo: parece-nos que a questão da lei de União de Facto deve ser tratada com extremo cuidado por parte do legislador no que toca à liberdade de cada um, o que não se aplica, quanto a nós nestes pontos específicos da lei.
Note-se que, ao contrário do que foi escrito e dito em diversos meios de comunicação social, a maioria das outras alterações ou são de cariz meramente "admnistrativo", limitando-se a reescrever ou esclarecer situações da lei existente, ou então reforçam efectivamente direitos da união de facto como é o caso da "Protecção da casa de morada de família em caso de morte".
A lei mantém a discriminação de casais do mesmo sexo que continuam a ver vedada a co-adopção e a procriação medicamente assistida, em tudo o resto é aplicável igualmente a casais de sexo oposto e casais do mesmo sexo sendo que, obviamente, são muitos mais os casais de sexo oposto afectados pela lei do que os casais do mesmo sexo.
Finalmente lamentamos que o Presidente da República não tenha consciência que nem todos os que vivem em união de facto podem optar pelo casamento: os casais do mesmo sexo que vivem em união de facto continuam sem acesso ao casamento civil em Portugal.
Finalmente foi publicada a nova Lei de Educação Sexual nas Escolas, no Diário da República, 1.ª série N.º 151 de 6 de Agosto de 2009.
Para esta lei foi feita uma Audição Parlamentar sobre Educação Sexual nas Escolas do dia 14 de Abril, na qual não pude estar presente devido à tromboflebite de que fui vítima.. No entanto, representantes de diversos movimentos, pro e contra, devem ter estado presentes. E de certeza que entre eles se encontravam representantes de movimentos LGBTTI.
Uma lei deste tipo, que visa ensinar as gerações emergentes sobre temas sexuais, deverá contribuir para acabar com os muitos tabús existentes na nossa atrasada sociedade sobre conteúdos de cariz sexual, nomeadamente a prevenção e contenção das (não) tão conhecidas doenças sexualmente transmissíveis e o reforço dos esforços para terminar com estereotipos gastos e ultrapassados sobre as diversas orientações sexuais e sobre a identidade de género, contribuindo para uma melhor desmistificação destas realidades, tão velhas como a humanidade, e para um contínuo cessar das discriminações existentes das maiorias sobre as restantes minorias.
Foi trabalho dos activistas presentes, ou deverá ter sido, o foco sobre os problemas levantados devido à não informação ou mesmo ausência total de informação em relação à assexualidade, pansexualidade, homossexualidade e bissexualidade, que lidam com a orientação sexual, bem como os problemas inerentes à androginia, transexualidade e intersexualidade, que lidam com a identidade de género.
Porque, ou se entende que se nasce de uma determinada maneira, constante e imutável, e nesse caso a informação não irá alterar nada, mas servindo para se acabar com fobias e discriminações, ou se entende que existem coisas que podem mudar ao longo da vida e que uma pessoa pode escolher determinadas coisas, e neste caso é necessária uma informação completa e não tendenciosa para que seja quem for possa decidir com plena consciência a sua vida.
Assim foi com surpresa e frustração que li na lei as alíneas referentes a estas questões, a alínea f) do artº 2º (finalidades) que diz o seguinte: O respeito pela diferença entre as pessoas e pelas diferentes orientações sexuais, e a alínea i) do mesmo artigo: A eliminação de comportamentos baseados na discriminação sexual ou na violência em função do sexo ou orientação sexual.
Não se encontram mencionadas as questões sobre a identidade de género. Ou seja, a identidade de género continua a ser considerada como filha de um deus menor, estando as pessoas incluídas neste grupo relegadas para uma ausência de informação com todas as cargas negativas presentes e de boa saúde e continuando a serem vítimas de uma censura imposta.
A que se deve isto? Ao governo, que no seu programa espantosamente (confesso que não estava à espera) tem mencionada a identidade de género com a seguinte redacção: “Durante a próxima legislatura, o PS compromete-se a combater todas as discriminações e, em particular, a envidar todos os esforços no sentido de proporcionar a todas as pessoas, independentemente da sua orientação sexual e identidade de género, o pleno usufruto dos direitos constitucionais. Com este passo, acreditamos contribuir para uma sociedade mais justa, estruturada no respeito pelos Direitos Fundamentais, pela democracia e pela inclusão de todas as pessoas. • Propor a aprovação de uma Lei da Igualdade; • Remover as barreiras jurídicas à realização do casamento civil entre pessoas do mesmo sexo; • Aperfeiçoar os mecanismos de apoio a vítimas de discriminação em função da orientação sexual e identidade de género”?
Se até vem mencionado no programa do governo não me parece que fosse um tema tão obscuro que fosse intransigentemente excluído de uma lei que se quer educativa, completa e isenta.
Se foi por causa de elementos transfóbicos existentes na nossa sociedade, e que numa auditoria deste tipo teriam tanto peso como os apoiantes, deve-se relembrar que o secretário geral do PS, presentemente primeiro-ministro e candidato a primeiro-ministro nas próximas eleições afirmou a sua vontade (e do PS) de lutarem contra todas as discriminações ainda existentes.
Terá sido por causa da transfobia existente em muitos dos activistas existentes no nosso meio que bradam aos céus pelos direitos humanos de todas as pessoas? Todas? Não. Existem pessoas pertencentes a grupos que, numa analogia à aldeia de Asterix, agora e sempre são excluídas dos direitos humanos: as pessoas que se inserem nos temas relacionados com a identidade de género. E neste caso só uma coisa se pode dizer: os activistas presentes na auditoria fizeram um péssimo trabalho do qual, se tiverem um pingo de vergonha e dignidade se devem retratar. Que mais se pode chamar a isto senão uma vergonha para toda uma comunidade que se diz inclusiva mas que sistematicamente exclui a identidade de género das suas reivindicações?
E o mais grave é que, apesar desta transfobia declarada de exclusão de tudo que seja referente à identidade de género, ainda declaram ter um “grande prazer” (como descrevia um email que recebi) em divulgar mais uma manifestação da discriminação existente.
Como activista transexual só posso manifestar o meu mais completo repúdio pela inaptidão demonstrada no tratamento deste tema, num assunto que pode não parecer muito relevante momentaneamente, mas que futuramente se poderá revelar como uma excelente arma contra a homofobia e a transfobia, a educação sexual, e no prazer que demonstram em mais uma vez discriminarem um grupo de pessoas já de si tão discriminados pela sociedade. É uma vergonha para todo o "colectivo" LGBTTI a ausência da identidade de género nesta lei. E não se compreende como o facto de mais uma vez se excluir a identidade de género pode ser "muito bem recebido por todos os colectivos e activistas que trabalham as questões dos direitos humanos"(como está descrito no PortugalGay.pt na notícia relativa). Afinal é GLBT; como no post ou é só GLB? E que dizer então do trabalho destes activistas, que falharam numa coisa tão simples mas tão essencial como a educação? É assim que querem acabar com a discriminação? Tenham pelo menos a vergonha suficiente para não receberem tão "bem" a continuação desta discriminação, e assumam finalmente que não lutam pelas pessoas GLBT mas GLB, agora dizerem uma coisa e praticarem outra está muito, mas muito mal.
Como disse, o programa do PS inclui a identidade de género como segmento a defender. Esperemos que não sejam só mais palavras vãs do tipo politicamente correcto, tão usual nestes últimos tempos, e que se dediquem a ver as propostas existentes para uma lei de identidade de género, que tanta falta nos faz.
O programa do BE também menciona este tema com o seguinte teor: • Medidas para que a identidade de género seja respeitada na lei, reconhecendo a autodeterminação das pessoas transsexuais e transgénero, que facilitem os processos de adaptação do nome e do sexo nos documentos de identificação; Também neste caso se espera uma colaboração com activistas e com o governo, este último terá que demonstrar disponibilidade para tal para que as suas declarações no seu programa não sejam vazias de conteúdo, de maneira a que se acabe de uma vez com a censura existente em relação à identidade de género, e que se faça finalmente uma lei de identidade de género não inferior à espanhola, mesmo melhorando certos aspectos. Por estarmos em Portugal não poderemos conseguir isto? Como está muito em voga agora “Sim, podemos”.
Segundo parece, o futuro deputado independente do PS, Miguel Vale de Almeida, argumentou que temas minoritários como as questões transexuais não podem impedir a obtenção de direitos para as maiorias lgbt.
Este curioso argumento (curioso porque ouvi-o muitas vezes de pessoas não LGBTTI quando se referiam às reivindicações LG) dito por um suposto activista dos direitos das minorias parece ser uma contradição.
Mas vem confirmar tudo o que eu sempre disse sobre as associações e grupos que se dizem LGBTTI, que quando se trata de obtenção de direitos, deixam de ser LGBTTI para serem LG.
Erros desta linha de pensamento? Bem, como lógica LG, não tem nenhum. Como lógica LGBTTI tem logo à partida um erro crasso. Pela mesma linha de pensamento, porque razão se há-de perder tempo a discutir e a legislar sobre temas minoritários como os temas LG, por exemplo, quando a população tem tantas necessidades prementes que irão influenciar a totalidade das pessoas e não somente uma minoria LG?
Pois é, estão a ver o problema desta linha de pensamento? Se toda a gente pensasse desta maneira, a orientação sexual ainda não estaria inserida no Artº 13º da Constituição Portuguesa e não se estaria a lutar pelo direito ao casamento entre pessoas do mesmo sexo, mas ainda se estaria a lutar pela descriminalização da homossexualidade, bem como pela exclusão da homossexualidade do rol das doenças mentais.
Por outro lado, gostava de saber como é que as reivindicações transexuais impedem a obtenção de direitos a alguém. Que eu saiba, nas nossas reivindicações não se encontra nenhuma que contrarie as reivindicações da restante comunidade.
O que deve querer dizer é que, dado os altos níveis de transfobia deste país, mesmo dentro da comunidade LG, se se reivindicasse temas trans corria-se o risco de se ver negadas todas as pretenções associadas. Mas neste caso não são as reivindicações de temática transexual que obsta à obtenção de direitos, mas sim a transfobia de certos e alguns.
Também é revelador da não existência ou da vontade de não querer que exista uma comunidade LGBTTI. E porquê? Porque se houvesse uma comunidade conjunta de todas estas siglas, lutava-se por uma inclusão de direitos referentes à comunidade e não egoisticamente só a parte dela.
Tenho a certeza de que, se a maioria da comunidade LGBTTI fosse de pessoas transexuais, Miguel Vale de Almeida como pessoa G teria um discurso completamente diferente, mesmo oposto a esta linha de pensamento. Talvez até afirmasse que, se existe ou se se quer que exista uma comunidade LGBTTI, deve-se reivindicar o que necessário seja para toda a comunidade e não só para uma parcela, usando argumentos discriminativos como este.
Claro que o mal é geral, não é só no nosso portugalinho. Ainda há bem pouco tempo, activistas gay nos Estados Unidos da América iniciaram uma luta para conseguirem que uma lei fosse criada para impedir a discriminação laboral denominada ENDA (Employment Non-Discrimination Act). Inicialmente, a lei deveria proibir a discriminação pela orientação sexual e pela identidade de género. Como a identidade de género ainda faz muita confusão a certas pessoas, os congressistas gay no senado estatal resolveram retirar a menção sobre esta. O burburinho das associações transexuais existentes e de muitas associações que nos apoiam foi tal que depressa se arrependeram de o terem feito. Mesmo assim, ainda tentaram que a orientação sexual e a identidade de género fossem em duas leis diferentes com o mesmo teor. Com a eleição de Obama para presidente, a proposta inicial foi retomada, sendo agora novamente uma proposta inclusiva da identidade de género. No entanto e como se vê, existe transfobia mesmo naqueles que se dizem nossos aliados e que adoram ter um ou dois têzinhos para poderem bradar em altos berros como lutam com afinco pelos direitos de todos.
Não espanta portanto que até usem a transexualidade como moeda de troca para obterem direitos que de outra maneira seriam mais complicados de obter. Quando se lutou para a inclusão da orientação sexual no Artº 13º da Constituição, originalmente também era inclusiva, como a ENDA nos EUA. Agora temos a orientação sexual protegida na Constituição e a identidade de género ainda a servir como moeda de troca para futuras reivindicações LG que sejam mais complicadas de obter.
E nem se coíbem de usar a transexualidade como justificação para reivindicarem temas com os quais as pessoas transexuais em Portugal não se identificam nem desejam. E muito convenientemente nunca falam em transexualidade ou em transexuais, pois sabem bem que algumas reivindicações que andam por aí a ser feitas não têm o apoio d@s transexuais, e usam simplesmente o termo “trans” (que supostamente será de transgénero mas que a maioria das pessoas associa sempre à transexualidade) num uso abusivo e que porventura será até contraproducente para a alguma população transexual.
Chegou-se ao ponto de uma das principais figuras públicas de um grupo que luta pelos direitos LGBTTI, entre outros, afirmar publicamente numa entrevista dada a Bruno Horta do semanário Time Out Lisboa, quando questionado por ter afirmado que haveria um silenciamento sobre as restantes questões da agenda LGBT se se referia à defesa das pessoas transgénero, que “Não só. A homoparentalidade [adopção, reprodução assistida, filhos biológicos, etc.] é mais importante ainda.” Ou seja, toda a agenda LGBTTI é mais importante que a agenda trans. E depois destas declarações, o grupo insiste em reivindicar, em nosso nome, aspectos que, como disse atrás, não são o que as pessoas transexuais querem e desejam. Mas levantar o tema de uma lei de identidade de género ou a inclusão da identidade de género no Artº 13º da Constituição aproveitando a oportunidade soberana dada pela discussão sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo foi coisa que não se viu.
Além disso, na sua luta (que até é legitima mas não nesta altura do campeonato onde até se poderá tornar prejudicial) clamam por uma despsiquiatrização das identidades trans que não existe. Somente as pessoas transexuais são forçadas a suportar longos e intermináveis processos psiquiátricos para verem a sua identidade reconhecida. Porque uma pessoa transexual só é reconhecida como tal depois de ter ultrapassado anos e anos de consultas psiquiátricas, na restante panóplia de pessoas abrangidas pelo termo transgénero não o são. Um travesti não tem de passar por isto para ser reconhecido como travesti, nem um cross-dresser, nem um andrógino. Os que mais se aproximam das pessoas transexuais serão as pessoas intersexuais, das quais pouco se sabe a não ser o que vem de lá de fora.. Como se vê, usa-se e abusa-se desta parcela de pessoas, negando-se direitos por não serem muitas, mas usando e abusando do nosso estatuto quando convém à comunidade LG.
Enfim, voltando ao tópico, que dizer deta teoria? É discriminatória contra parte da população que supostamente deviam defender, é egoista pois reflecte um modo de ver as coisas “as nossas reivindicações é que nos interessam, as vossas não”, e é cínica pois usa argumentação que já foi usada no passado para negar direitos a uma minoria da população portuguesa (veio-me agora à ideia uma frase pronunciada por um dirigente deste país logo a seguir ao 25 de Abril, que dizia mais ou menos isto: o 25 de Abril não foi feito para maricas e putas).
“Temas minoritários como as questões transexuais não podem impedir a obtenção de direitos para as maiorias lgbt” é tão discriminatório como “Temas minoritários como as questões homossexuais não podem impedir a obtenção de direitos para as maiorias populacionais”. Se esta ultima frase fosse proferida por alguém heterossexual, era imediatamente rotulado como “homofóbico”. Que dizer então de quem proferiu a outra frase?
O Ministério da Saúde emitiu há dias uma missiva esclarecendo os deputados do Bloco de Esquerda que a exclusão na dádiva de sangue de homens que tivessem tido sexo com homens em Portugal era uma medida com o aval do governo e que advinha da “necessidade de garantir que os potenciais doadores não têm comportamentos de risco”.
Não posso deixar de exprimir a minha repulsa por este tipo de lógica invertida e insultuosa.
Insultuosa porque considera que um homem que tenha tido sexo com outro homem é de alguma forma inferior a um homem que não tenha tido sexo ou tenha tido sexo com milhares de mulheres.
Insultuosa porque ignora os verdadeiros comportamentos de risco concretos como ter múltiplos parceiros anónimos ou ter sexo anal desprotegido (que acontece muito mais vezes entre homens e mulheres do que entre homens) preferindo catalogar todos os homens que não oprimem a sua orientação sexual minoritária.
Insultuosa porque vem dar agora o dito por não dito: no passado o mesmo partido da Senhora Ministra veio a público dizer que não, que não havia nenhuma exclusão de homens que tivessem tido sexo com homens nas dádivas de sangue e que os casos reportados pelas associações eram coisas pontuais… vamos a ver e afinal a Senhora Ministra até está 100% a favor de tal medida.
Insultuosa porque alega não haver “qualquer discriminação fundada na orientação sexual dos potenciais doadores” tentando passar a ideia que a orientação sexual e a actividade sexual dos indivíduos são coisas completamente independentes.
Insultuosa porque ignora as recomendações internacionais de que cada país deve ter a sua própria política de triagem de doadores de sangue tendo em conta as suas próprias particularidades. Deve ser pela mesma razão que a Senhora Ministra ignora o facto de que em Espanha não há exclusão de homens que tem sexo com homens como doadores e pela mesma razão que ao ler a diretivas européias que recomendam políticas adequadas, a entende como uma ordem inequívoca para excluir homossexuais.
É importante haver uma política séria de triagem de doadores de sangue. É essencial garantir a segurança das pessoas que recebem dádivas de sangue.
Mas tal não se faz com políticas baseadas em preconceitos e sem fundamentação científica real que analisa as variáveis necessárias.
João Paulo PortugalGay.pt
O cientista fez um teste com uma rã para ver em que situações a rã saltava. Colocou a rã numa caixa e disse “rã salta!”, e ela saltou. Cortou uma perna à rã e a rã mesmo assim saltou quando comandada. Cortou outra perna à rã e a rã mesmo assim saltou quando comandada. Cortou a 3ª perna à rã e a rã mesmo assim saltou só com uma pernita quando o cientista disse “rã salta!”. Finalmente cortou a 4ª perna à rã e mesmo repetindo múltiplas vezes “rã salta!”, a rã não saiu do sítio. Conclusão do “cientista”: rã sem pernas não ouve.
Há 40 anos, no bar Stonewall Inn, em Nova Iorque, pessoas homossexuais, bissexuais e transgéneras revoltaram-se e pela primeira vez reagiram e defenderam-se dos sistemáticos actos de agressão e opressão das forças policiais. Foi o início da luta pelos direitos das pessoas Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transexuais/Transgéneras (LGBT). No ano seguinte, realizou-se a primeira Marcha do Orgulho LGBT – orgulho pela coragem de resistir.
No Porto, a 1ª Marcha do Orgulho LGBT foi impulsionada pelo brutal assassinato de Gisberta Salce Júnior, uma mulher transexual. Estávamos em 2006 e pedíamos “um presente sem violência, um futuro sem diferença”. 2007 foi o Ano Europeu da Igualdade de Oportunidades para Todos. As uniões de facto foram finalmente reconhecidas no Código Penal, sem distinguir casais de pessoas do mesmo sexo e casais de pessoas de sexo diferente. Por outro lado, apesar de muito se ter falado na necessidade de pôr termo à discriminação das mulheres no trabalho, nada se disse, por exemplo, sobre a dificuldade que transexuais e transgéneros têm em conseguir um emprego. Exigimos a inclusão da identidade de género no artigo 13º da Constituição da República Portuguesa e uma Lei de Identidade de Género.
Porque a igualdade de direitos não é adiável ou negociável, exigimos a cidadania plena para todas e todos.
Ano após ano, lembramos que o Estado tem a obrigação de se empenhar activamente na luta contra o preconceito. Porque a educação é fundamental, exigimos acções de formação anti-discriminação nas escolas, nos tribunais, nos estabelecimentos de saúde, nas esquadras. Em todos os pilares da democracia. Em 2008 congratulámo-nos com as medidas tomadas no âmbito da educação para uma saúde responsável, mas lamentámos o facto de a educação continuar a ter como base um modelo heteronormativo, que não corresponde à pluralidade das práticas familiares do Portugal do século XXI.
Na linha de todos os alertas e reivindicações que temos vindo a fazer, hoje pedimos a todas e todos que façam connosco uma reflexão sobre uma temática transversal e central de todas as sociedades: a FAMÍLIA.
Os argumentos em defesa do que é normal e tradicional são recorrentes quando se fala de famílias que não obedecem ao paradigma 1 homem +1 mulher = filhos. Mas o que é "normal"?
No Império Romano havia escravatura. Era normal. Diversas formas de escravatura são ainda consideradas normais em vários locais do mundo. No entanto, Portugal foi um dos primeiros países a abolir a escravatura, no século XVIII. A pena de morte também é histórica e ainda se aplica em diversos países. Portugal foi o terceiro país a abolir a Pena Capital, em finais do século XIX.
Avancemos para meados do século XX e para as coisas normais do mundo ocidental. O casamento inter-racial era proibido em muitos países, sob a justificação de que iria desvirtuar a instituição do casamento e porque a seguir teríamos o incesto e a bestialidade. Era normal obrigar os canhotos e escrever com a mão direita. Era normal os surdos não terem uma língua própria. Era normal os negros serem obrigados a viajar na parte de trás dos autocarros. Era normal uma mulher primeiro ser propriedade do pai para depois ser propriedade do marido. Era normal as mulheres não poderem votar nem usar calças de ganga. Era normal dizer-se que o preservativo e a pílula iam acabar com a família. Era normal haver filhos em todos os casamentos. Era normal o casamento ser para toda a vida mesmo que as pessoas fossem infelizes.
O normal é o que a maior parte das pessoas faz, ou acredita que se faz, num determinado momento. Não quer dizer que as práticas minoritárias estejam erradas. Aliás, o normal muda com os tempos...
Não se pode negar a diversidade de modelos familiares existente.
Um lar pode ter como núcleo um relacionamento monogâmico entre um homem e uma mulher, entre dois homens, ou entre duas mulheres. Mas também há relacionamentos amorosos responsáveis entre mais de duas pessoas. Assim como há famílias cuja base é a amizade, e não o amor, ou o sangue. Todas estas famílias existem. Umas têm filhos, biológicos ou adoptados, outras não.
O problema é que algumas destas famílias não são reconhecidas pelo Estado, ou são tratadas como famílias de segunda.
Há menos de 100 anos, o casamento normal seria a união entre duas pessoas com a mesma cor de pele, a mesma religião, do mesmo estrato social e de sexo diferente. Permitiu-se a anormalidade dos casamentos inter-raciais, a modernice de casar por amor, a leviandade de não se pensar nos interesses religiosos ou patrimoniais das famílias. Permitiu-se o amor. O casamento passou assim a ser o coroar de uma relação, o querermos que seja “para sempre” (pelo menos até ao dia do divórcio). As pessoas com orientações afectivas ou sexuais diferentes da maioria também cresceram neste país, e é normal que vejam no casamento civil a legitimação e dignificação do amor que sentem por outra pessoa.
E é disso que falamos: de amor.
Nem todos temos o desejo de encontrar a alma gémea, casar e ter filhos. Mas quem tem esse sonho deve ter igualdade de acesso ao casamento civil. Todos devemos ter o direito de escolher o modelo de família com que mais nos identifiquemos, e o estado tem de dar as mesmas oportunidades a todos e todas.
É urgente que o Estado reconheça o direito à igualdade para todas as pessoas, para todas as famílias. É necessário que ninguém seja discriminado. Somos uma sociedade diversa. Sejamos verdadeiramente inclusivos.
Por tudo isto marchamos e afirmamos:
“Na felicidade e na dor, o que faz a família é o amor!”
“Não estamos a legislar, meus senhores, para gentes remotas e estranhas. Estamos a ampliar as oportunidades de felicidade dos nossos vizinhos, dos nossos colegas de trabalho, dos nossos amigos e dos nossos familiares, e desse modo estamos a construir um país mais decente, porque uma sociedade decente é a que não humilha os seus membros.”
(discurso do Presidente do Governo Espanhol na Câmara dos Deputados, 30 de Junho de 2005 – dia da aprovação da reforma do Código Civil espanhol que passou a permitir o casamento entre pessoas do mesmo sexo)
A apresentação pública é no próximo domingo, dia 31, pelas 16:00 em Lisboa no Cinema São Jorge.
Fica aqui o texto subscrito por mais de 500 pessoas.
MOVIMENTO PELA IGUALDADE no acesso ao casamento civil
A igualdade no acesso ao casamento civil é uma questão de justiça que merece o apoio de todas as pessoas que se opõem à homofobia e à discriminação. Partindo da sociedade civil, a luta pelo acesso ao casamento para casais de pessoas do mesmo sexo em Portugal conta neste momento com um crescente apoio político e social. Nós, cidadãos e cidadãs que acreditamos na igualdade de direitos, de dignidade e reconhecimento para todas e todos nós, para as/os nossas/os familiares, amigas/os, e colegas, juntamos as nossas vozes para manifestarmos o nosso apoio à igualdade.
Exigimos esta mudança necessária, justa e urgente porque sabemos que a actual situação de desigualdade fractura a sociedade entre pessoas incluídas e pessoas excluídas, entre pessoas privilegiadas e pessoas marginalizadas; Porque sabemos que esta alteração legal é uma questão de direitos fundamentais e humanos, e de respeito pela dignidade de todas as pessoas; Porque sabemos que é no reconhecimento pleno da vida conjugal e familiar dos casais do mesmo sexo que se joga o respeito colectivo por todas as pessoas, independentemente da orientação sexual, e pelas famílias com mães e pais LGBT, que já são hoje parte da diversidade da nossa sociedade; Porque sabemos que a igualdade no acesso ao casamento civil por casais do mesmo sexo não afectará nem a liberdade religiosa nem o acesso ao casamento civil por parte de casais de sexo diferente; Porque sabemos que a igualdade nada retira a ninguém, mas antes alarga os mesmos direitos a mais pessoas, acrescentando dignidade, respeito, reconhecimento e liberdade.
Em 2009 celebra-se o 40º aniversário da revolta de Stonewall, data simbólica do início do movimento dos direitos de lésbicas, gays, bissexuais e transgéneros. O movimento LGBT trouxe para as democracias - e como antes o haviam feito os movimentos das mulheres e dos/as negros/as - o imperativo da luta contra a discriminação e, especificamente, do reconhecimento da orientação sexual e da identidade de género como categorias segundo as quais ninguém pode ser privilegiado ou discriminado. Hoje esta luta é de toda a cidadania, de todos e todas nós, homens e mulheres que recusamos o preconceito e que desejamos reparar séculos de repressão, violência, sofrimento e dor. O reconhecimento da plena igualdade foi já assegurado em várias democracias, como os Países Baixos, a Bélgica, o Canadá, a Espanha, a África do Sul, a Noruega, a Suécia e em vários estados dos EUA. Entre nós, temos agora uma oportunidade para pôr fim a uma das últimas discriminações injustificadas inscritas na nossa lei. Cabe-nos garantir que Portugal se coloque na linha da frente da luta pelos direitos fundamentais e pela igualdade.
O acesso ao casamento civil por parte de casais do mesmo sexo, em condições de plena igualdade com os casais de sexo diferente, não trará apenas justiça, igualdade e dignidade às vidas de mulheres e de homens LGBT. Dignificará também a nossa democracia e cada um e cada uma de nós enquanto cidadãos e cidadãs solidários/as – e será um passo fundamental na luta contra a discriminação e em direcção à igualdade.
Associações desafiam bastonário da Ordem dos Médicos a pronunciar-se claramente sobre “reorientações de orientação sexual e identidade de género”.
Os colectivos e associações abaixo referidos vêm desta forma condenar publicamente as escandalosas declarações do psiquiatra Adriano Vaz Serra, presidente da Sociedade Portuguesa de Psiquiatria e de Saúde Mental (SPPSM), e de João Marques Teixeira, presidente do Colégio da Especialidade de Psiquiatria da Ordem dos Médicos, em entrevista à jornalista Andreia Sanches, do Jornal Público do passado dia 2 de Maio.
Para estes dois médicos, não apenas é possível condicionar medicamente a orientação sexual e identidade de género dos/as indivíduos, como desejável, sendo a homossexualidade ou a identidade de género das pessoas transgénero, naturalmente, doenças mentais.
O que mais escandaliza em tais declarações não é apenas a sua carga de conservadorismo moral e falta de critério profissional – a homossexualidade deixou de ser considerada uma doença ao ser retirada da lista de perturbações psiquiátricas em 1973, pela Associação Americana de Psiquiatria -, mas que elas venham de pessoas com altas responsabilidades cívicas e públicas, dirigentes da SPPSM e da Ordem dos Médicos.
O mais inaceitável e imponderável é o impacto deste tipo de declarações de “peritos”, nas vidas e na auto-estima de tantas pessoas lésbicas, gays, bissexuais e transgénero (LGBT) que já enfrentam diariamente enormes dificuldades na sua auto-aceitação e visibilidade pública, como comprovam as taxas de suicídio entre jovens LGBT, claramente mais altas do que a média geral. Daí, a irresponsabilidade e ausência de ciência dos autores destas declarações retrógradas e incompatíveis com as linhas de orientação terapêuticas da APA.
É fácil imaginar, aliás, o que espera os/as “pacientes” que caiam nas mãos de médicos com as práticas correspondentes a estes discursos, desactualizados face ao conhecimento científico, e que estão a indignar boa parte dos seus colegas de profissão, como se vê pela denúncia de Daniel Sampaio na sua crónica deste domingo na revista Pública, onde caracteriza o sucedido como exemplificativo de um caso em que “desaparecem os valores e surgem as crenças”.
São particularmente graves as declarações do responsável da Ordem dos Médicos, em que este afirma que em alguns casos é possível “"re-enquadrar a identidade de género e as opções de relacionamento" de alguém que sente atracção por pessoas do mesmo sexo. A Ordem dos Médicos , representante de uma classe e forçosamente parte da promoção das boas práticas profissionais, revela-se afinal promotora do preconceito e de práticas atentatória dos direitos e da saúde de pacientes. Preocupante é que sejacaso único na Europa ao deter um poder arbitrário de decisão final sobre os processos de mudança de sexo, e que detenha esse poder discricionário alguém que acha que é possível “reenquadrar” a identidade de género e a orientação sexual das pessoas – o que não seria mais do que um atentado contra os Direitos Humanos.
Os colectivos e associações abaixo referidos pensam ser da maior relevância que o bastonário da Ordem dos Médicos quebre um silêncio ensurdecedor e se pronuncie pública e urgentemente sobre esta questão e estas declarações. Com critério científico, e com o critério moral e social de não permitir que, a partir da Ordem, se emitam valores e crenças discriminatórios e atentatórios do dever da classe médica e da saúde dos/das utentes.
Subscrevem:
- Clube Safo
- GAT - Grupo Português de Activistas sobre Tratamentos de VIH/SIDA
- MPE - Médicos Pela Escolha
- não te prives – Grupo de Defesa dos Direitos Sexuais
- Panteras Rosa– Frente de Combate à LesBiGayTransfobia
A Associação Ateísta Portuguesa (AAP), sem se rever nos conselhos do Sr. Patriarca, José Policarpo, às católicas jovens que eventualmente queiram casar com muçulmanos, manifesta-lhe pública solidariedade perante a onda de falsa indignação com que pretendem impedir-lhe o direito à livre expressão e aos conselhos que entende dar.
Carecem de legitimidade moral para condenar o patriarca, por sinal bastante tolerante, para um bispo, os que defendem a poligamia, a discriminação das mulheres, a decapitação dos apóstatas e a lapidação das mulheres adúlteras e pretendem que o Corão substitua o Código Penal.
Antes de se manifestarem ofendidos com o cardeal, os líderes islâmicos em Portugal devem penitenciar-se do seu silêncio perante as ditaduras teocráticas do Médio Oriente e o carácter implacavelmente misógino do Islão. Face a qualquer mullah até Bento XVI parece um defensor dos Direitos do Homem.
Quem pretende que compreendam os seus preconceitos tem de os explicar com clareza. E quem quiser que respeitem as suas crenças tem de demonstrar que estas merecem algum respeito. Falta aos muçulmanos europeus explicar a que tipo de regime submeteriam os não muçulmanos se deixássemos que Alá se tornasse grande e Maomé fosse o único profeta. Falta-lhes justificar porque havemos de respeitar as suas crenças acerca das mulheres, dos apóstatas, dos outros crentes, dos ateus e de todos que critiquem a sua religião.
Mas compete também aos bispos católicos fazer o mesmo. Explicar o que fez a sua religião pela democracia e pelo livre-pensamento, sabendo-se que a derrota política da Igreja está na origem das liberdades individuais de que gozamos. E justificar porque hão de merecer respeito as crenças católicas acerca das mulheres, do divórcio, do sacerdócio, da homossexualidade e do que é ou não é pecado.
Não são só os muçulmanos que criam um "monte de sarilhos" sem necessidade. A AAP recorda que as três religiões do livro – judaísmo, cristianismo e islamismo – são anti-humanas e patriarcais. A misoginia não é uma tara exclusiva do Islão mas apanágio do texto bárbaro da Idade do Bronze – o Antigo Testamento –, herdada pelas referidas religiões. O racismo, a xenofobia, a misoginia e a homofobia são valores do Antigo Testamento.
As três religiões não têm feito mais do que reproduzir esses valores cruéis e obsoletos sendo o Islão, actualmente, a religião que mais implacavelmente se bate pela manutenção do obscurantismo.
A AAP reitera o seu firme propósito de defender as liberdades, nomeadamente a religiosa, do mesmo modo que defende o direito à descrença e à anti-crença.
Odivelas, 18 de Janeiro de 2009 Carlos Esperança (Presidente da Direcção)
Este Natal, temos finalmente o reconhecimento aberto e pleno pelo vaticano da transexualidade.
O papa, num dos seus discursos, afirmou que é preciso defender a heterosexualidade da homossexualidade e transexualidade, tal como as florestas esmeralda (também chamadas de rain forests - florestas da chuva) precisam de ser salvas.
Ou seja, no Vaticano, nada de novo. Nada, a não ser a adição da transexualidade como alvo, e a sua consequente separação da homossexualidade.
Como ponto positivo, revela uma compreensão de que Orientação Sexual e Identidade de Género são duas coisas independentes, embora possam estar interligadas. Finalmente uma pessoa transexual não é considerada homossexual devido à transexualidade.
Outro ponto positivo é que o facto deste imbecil ataque se dar revela que finalmente a transexualidade começa a ter uma visibilidade suficiente para começar a assustar os doutos líderes da(s) Igreja(s).
O resto são pontos negativos aos quais esta igreja já nos habituou, revelando que aquela compreensão que referi acima nada mais é que fruto do acaso. Como se sabe, a transexualidade e as pessoas transexuais não oferecem perigo nenhum à comunidade heterossexual, pois a esmagadora maioria das pessoas transexuais são hetero.
Mas querer-se que saibam destas coisas já é pedir muito. Quando a burrice chega ao ponto de afirmarem que a homossexualidade não tem mal nenhum, mas que o acto de fazer sexo com uma pessoa do mesmo género já tem (pois é precisamente por uma pessoa se sentir atraída sexualmente por outras do mesmo género que define a homossexualidade), não se pode esperar grande coisa.
Além de que, se somos tod@s criaturas de Deus, foi ele que quis que certas pessoas tivessem esta orientação sexual (que como se sabe, não é aprendida mas já nasce com a pessoa). Como sempre, têm a presunção de saber qual a vontade do senhor, eles, simples mortais iguais aos outros.
Também deve ter sido por vontade dele que se vendiam absolvições durante a idade média, por exemplo.
Bem, considerando a quantidade de séculos necessários para darem o dito por não dito sobre Galileu, até que o reconhecimento da transexualidade foi rápido.
Enfim, é a continuação da igreja como força de bloqueio à evolução dos direitos humanos e à própria evolução dos seres humanos. Nada de novo.
Colaborador/a do Centro de Documentação da Associação ILGA Portugal
Fundada em 1996, a Associação ILGA Portugal é uma Instituição Particular de Solidariedade Social, sob a forma de Associação de Solidariedade Social, que tem por objectivos a integração social da população lésbica, gay, bissexual e transgénero (LGBT), a luta contra a discriminação com base na orientação sexual e na identidade de género e a promoção da cidadania, dos Direitos Humanos e da igualdade de género.
A Associação ILGA Portugal tem ao longo dos anos desenvolvido inúmeros projectos numa base de voluntariado, entre os quais a dinamização do Centro LGBT, onde funciona o Centro de Documentação Gonçalo Diniz que é o único Centro de Documentação LGBT do país.
Função
Colaborador/a do Centro de Documentação Gonçalo Diniz, no Centro LGBT da Associação ILGA Portugal, por um período de 23 meses
- Assegurar o funcionamento do Centro de Documentação
- Assegurar a digitalização, armazenamento e colocação online da documentação
Perfil d@ Candidat@
- Identificar-se com a missão da Associação ILGA Portugal - Excelentes conhecimentos informáticos - Bom nível de compreensão inglês escrito
As candidaturas deverão ser enviadas até 12 de Dezembro por correio electrónico para ilga-portugal@ilga.org ou por correio postal para a Rua de S. Lázaro, nº 88, 1150-333 Lisboa - com indicação da função a que se candidata, deverão fazer-se acompanhar por CV, Carta de Apresentação e deverão ser disponibilizadas duas ou três referências de anteriores projectos académicos/profissionais.
A Associação ILGA Portugal não discrimina em função da orientação sexual,da identidade de género, ou de qualquer critério.
Coordenador/a do Centro LGBT da Associação ILGA Portugal
Fundada em 1996, a Associação ILGA Portugal é uma Instituição Particular de Solidariedade Social, sob a forma de Associação de Solidariedade Social, que tem por objectivos a integração social da população lésbica, gay, bissexual e transgénero (LGBT), a luta contra a discriminação com base na orientação sexual e na identidade de género e a promoção da cidadania, dos Direitos Humanos e da igualdade de género.
A Associação ILGA Portugal tem ao longo dos anos desenvolvido inúmeros projectos numa base de voluntariado, entre os quais a dinamização do Centro LGBT. O Centro LGBT é um espaço aberto a tod@s, a partir do qual a Associação e outros grupos têm desenvolvido as suas intervenções nos âmbitos cultural, social e político.
Função
Coordenador/a do Centro LGBT por um período de 23 meses, eventualmente renovável
- Assegurar a gestão quotidiana do Centro e dos seus serviços permanentes - Dinamizar novas actividades a realizar no Centro LGBT - Apoiar a Direcção da Associação ILGA Portugal nomeadamente em iniciativas de âmbito social e político
Perfil d@ Candidat@
- Identificar-se com a missão da Associação ILGA Portugal
- Ser criativ@, autónom@, dinâmic@ e pro-activ@
- Boa capacidade de relacionamento inter-pessoal
- Conhecimentos de Internet, Office e outro software comum a nível do utilizador
Dá-se preferência a
- Experiência prévia em trabalho associativo, nomeadamente, em questões de Direitos Humanos
- Inglês fluente, escrito e falado
Oferta
- Início da função em Janeiro de 2009
- Full time (horário a combinar)
- EUR 909 Bruto/Mês (14 meses por ano) + subsídio de refeição (aproximadamente EUR 74/Mês) - Participação em projectos aliciantes e motivadores
Candidaturas
As candidaturas deverão ser enviadas até 12 de Dezembro por correio electrónico para ilga-portugal@ilga.org ou por correio postal para a Rua de S. Lázaro, nº 88, 1150-333 Lisboa - e deverão fazer-se acompanhar por CV até duas páginas, Carta de Apresentação (especificando a experiência prévia no trabalho associativo) e deverão ser disponibilizadas duas ou três referências de anteriores projectos profissionais.
A Associação ILGA Portugal não discrimina em função da orientação sexual, da identidade de género ou de qualquer outro critério.
Associação ILGA PORTUGAL Email: ilga-portugal@ilga.org http://www.ilga-portugal.pt/ Rua de S. Lázaro, 88 1150-333 Lisboa Metro: Martim Moniz Autocarro: 790 Telefone: 218 873 918 | 969 367 005 Fax: 218 873 922
Ainda há bem pouco tempo, escrevi um post sobre a maneira como os media amiúdas vezes falam/escrevem sobre transexualidade.
Bem pouco tempo depois, saíu uma reportagem no jornal 24 horas, um artigo que supostamente deveria ser centrado na cirurgia que uma transexual, a “primeira cantora transexual portuguesa” estava em vias de fazer.
A reportagem em si até nem estava mal, embora relegasse a transexual para segundo plano, remetendo-a para uma caixinha. Mas, se calhar numa tentativa de chocar muita gente e criar mais uma polémica, o título da dita reportagem era: “Serviço Nacional de Saúde comparicipa a 100 por cento das cirurgias - Mudar de sexo é grátis”.
Como seria de prever, a toda a gente que por várias razões necessita de ser operada e tem de pagar porque o estado não as comparticipa totalmente, esta notícia caiu muito mal. Claro que na sua mais que justa indignação, muitas vezes fruto de um total desconhecimento destas matérias, as pessoas têm tendência de passar ao lado do verdadeiro cerne da questão, subliminarmente influenciadas por títulos manipulados como neste caso.
E porque analiso eu as coisas desta maneira? Porque, e claro que isto não foi mencionado de forma nenhuma, o verdadeiro escândalo não é existirem cirurgias totalmente comparticipadas pelo estado, mas sim haverem cirurgias que não são totalmente comparticipadas. Isto é que é escandaloso num estado que apregoa que a saúde é um direito.
Ou seja, a mensagem subliminar consiste em fazer passar uma imagem de uma espécie de favoritismo em relação a uma classe (que por sinal até é bem conhecida por ser das que mais discriminação sofre quer a nível social quer a nível laboral) em detrimento de outras mais aceitáveis socialmente. Portanto, continuando a lógica subjacente (mas nunca explícita) deve-se cortar essa comparticipação total, nivelando toda a gente a uma suposta “igualdade”.
Este argumento cai logo pela base quando se pensa qual a igualdade entre um trabalhador que tenha de pagar, por exemplo, 5000€ por uma cirurgia e que ganhe o ordenado mínimo, comparando por exemplo, com um gestor de um banco que ganha muitos ordenados mínimos por mês.
Também é falso o argumento quando se pensa que a solução social para muita coisa será, não o descer o nível de quem vive melhor, mas sim subir o nível de quem vive pior. Ou seja, não é por causa de “uns” terem direito a certas coisas que “outros” não têm, que se deve cortar o direito a essas coisas, mas sim, alargar esse direito aos que não o têm. Muitos regimes ditos comunistas o fizeram, nivelando tudo por baixo, quando deviam era ter elevado os mais baixos, como bem se sabe.
Está-se assim perante uma descarada tentativa de manipulação da opinião pública, escamoteando a verdadeira questão, fazendo parecer favorecida toda uma comunidade que como se sabe é na realidade das mais desfavorecidas.
Em seguimento, saiu uma outra peça na RTP1 de hoje, com o seguinte título: “Antigo membro dos Onda Choc submete-se a mudança de sexo”. No pouco que tem como parte escrita, começa logo com um total desrespeito à pessoa transexual feminina e que seria o tema principal da peça, mas que não é sequer mencionada, tratando-a como “O jovem de 26 anos”. No próprio dia em que essa pessoa realiza a sua CRS.
Mais uma vez, embora a peça até nem esteja nada mal (afirmações mais controversas serão da autoria das pessoas entrevistadas, como a deliciosa frase em que a homossexualidade pode ser confundida com transexualidade), se nota que o destaque dado no rodapé enquanto a peça era transmitida rezava o seguinte: “Mudança de sexo – cirurgia 100% comparticipada pelo Serviço Nacional de Saúde”. Pergunta: isto não faz lembrar nada? Mais uma vez uma tentativa de manipulação da opinião pública, mais uma vez escamoteando a verdadeira questão. Duas quase de seguida, com boas reportagens, mas com títulos ou rodapés tendenciosos da opinião pública. Será coincidência?
E ainda não se viu uma reportagem sobre o porquê, por exemplo, de ainda estar uma avaliação psicológica/psiquiátrica há seis anos à espera de vir de Coimbra para Lisboa. Nem se viu uma reportagem sobre os porquês da necessidade de uma lei de identidade de género em Portugal.
Curioso como a balança tem tendência de tombar sempre (ou quase) para um lado...
Nota da ABGLT (Brasil) sobre a exclusão de homossexuais do sacerdote católico
A Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT), entidade de abrangência nacional que congrega 203 organizações congêneres, e cuja missão é promover a cidadania e defender os direitos de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais, contribuindo para a construção de uma democracia sem quaisquer formas de discriminação, afirmando a livre orientação sexual e identidades de gênero, vem a público expressar indignação diante da atitude discriminatória do Vaticano em avaliar candidatos ao sacerdote por meio de exame psicológico, com rejeição daqueles que tal análise considerar serem homossexuais.
A ABLGT lamenta que, no ano em que a Declaração Universal dos Direitos Humanos completa 60 anos, o Vaticano possa adotar uma prática flagrante de discriminação desta natureza. Citamos: “Artigo I: Todas as pessoas nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotadas de razão e consciência e devem agir em relação umas às outras com espírito de fraternidade. Artigo II: Toda pessoa tem capacidade para gozar os direitos e as liberdades estabelecidos nesta Declaração, sem distinção de qualquer espécie, seja de raça, cor, sexo, língua, religião, opinião política ou de outra natureza, origem nacional ou social, riqueza, nascimento, ou qualquer outra condição.”
Em dezembro de 2007, o Arcebispo italiano Silvano Tomassi, representando o Vaticano em sessão do Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas, afirmou que os direitos básicos de cada ser humano “não estão sujeitos aos altos e baixos históricos ou interpretações de conveniências” e que a dignidade humana “transcende qualquer diferença religiosa, política ou cultural”, unindo todas as pessoas “numa única família”.
Ora, há uma nítida contradição no discurso do Vaticano, que por um lado prega o respeito aos direitos humanos e afirma que todas as pessoas fazem parte de “uma única família”, ao mesmo tempo em que exclui os homossexuais de seus quadros. Materializou-se a situação prevista por George Orwell, em sua sátira A Revolução dos Bichos [Triunfo dos Porcos*]: “todos os animais são iguais, mais alguns são mais iguais do que outros”.
A competência, ou “rigidez de caráter”, de um sacerdote independe de sua orientação sexual, assim como a prática da pedofilia não é exclusiva aos homossexuais. Estudos demonstram que a pedofilia é praticada contra crianças de ambos os sexos, majoritariamente por homens heterossexuais, muitas vezes o pai ou parente próximo da vítima. É improvável que a medida tomada pelo Vaticano resulte na almejada diminuição dos casos de pedofilia praticados por seus sacerdotes. A ABGLT condena a pedofilia e,conforme disposições de seu estatuto e as resoluções do seu I Congresso, não aceita a afiliação de organizações que promovem a pedofilia.
Para a ABGLT, a atitude do Vaticano não é atitude cristã, é uma atitude discriminatória, ou seja, anti-cristã. Trata-se de martirizar pessoas que apresentam essa diferença em relação à maioria, demonizando-as. Trata-se de manter a discriminação, aquela que a Igreja diz combater.
A ABGLT já solicitou ao Conselho Federal de Psicologia que se pronuncie sobre esse acinte à cidadania da comunidade de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais,tendo em vista que em 1999 o Conselho publicou a Resolução 001/99 que diz que “a homossexualidade não constitui doença, nem distúrbio e nem perversão” e que “os psicólogos não exercerão qualquer ação que favoreça a patologização de comportamentos ou práticas homoeróticas”. O Conselho deverá se pronunciar dentro de uma semana.
Na semana que vem, será realizada a XXIV Conferência Mundial da Associação Internacional de Lésbicas e Gays (ILGA), em Viena, Áustria. O evento reunirá delegados de organizações LGBT do mundo inteiro e a delegação brasileira solicitará a emissão de uma nota de repúdio ao Vaticano em nome da comunidade internacional LGBT.
CARTA ABERTA À MINISTRA DA SAÚDE A propósito da comemoração do Dia Internacional Contra a Homofobia, amanhã, 17 de Maio de 2008.
É mais que tempo de acabar com o preconceito na recolha de sangue
Exma. Sra. Ministra da Saúde, Doutora Ana Maria Teodoro Jorge:
Tendo assumido recentemente a condução do Ministério da Saúde, não queremos deixar de lhe apresentar um caso que, em nossa opinião, se arrasta há demasiado tempo e que configura uma clara e inaceitável atitude discriminatória por parte do Instituto Português de Sangue.
Como será certamente do seu conhecimento, há já vários anos que diversas instituições e personalidades públicas têm denunciado a prática do IPS em excluir os homens que têm sexo com outros homens de potenciais dadores. Houve mesmo um momento, há três anos atrás, em que foi anunciada com pompa e circunstância a revisão do protocolo que justifica tal exclusão. Afinal, a notícia era falsa e nunca foi confirmada pela prática do IPS ou pela vontade, expressa em actos, dos antecessores de V. Exa.
A indignação aumenta por ser um organismo tutelado pelo Estado e directamente pelo Ministério que dirige, que promove atitudes discriminatórias baseadas em conceitos ultrapassados do que são os grupos de risco quando falamos de comportamentos sexuais. Como sabe, Sra. Ministra, outros organismos também tutelados pelo Ministério da Saúde, assim como uma grande maioria dos profissionais na área da prevenção das doenças sexualmente transmissíveis, há já muitos anos que abandonaram esta ideia de que haveria grupos de risco. O que se trata e importa prevenir são os comportamentos de risco e não há comportamentos exclusivos de heterossexuais ou de homossexuais. Aliás, num estudo recentemente divulgado pelo Instituto de Ciências Sociais, conclui-se que uma preocupante taxa de jovens (e não jovens) não utiliza preservativo nas relações sexuais, que os comportamentos de risco estão muito mais generalizados do que seria de prever, mais de duas décadas após o surgimento dos primeiros casos de HIV em todo o mundo.
Há exactamente um ano, as Panteras Rosa dirigiram ao então Ministro da Saúde estas questões. Na sequência desta iniciativa fomos convidados a debater directamente com os responsáveis pelo IPS a sua política para a doação de sangue, e em reunião ficámos a saber que o IPS justifica a sua prática com protocolos internacionais a que está obrigado. Disse-nos ainda o Presidente do IPS que esta exclusão reside unicamente em dados epidemiológicos recolhidos nos EUA. A ausência de estudos que reflectissem a realidade portuguesa foi um dado apontado como limitador de um maior conhecimento e adequação das práticas à realidade. Há um ano atrás o presidente do IPS aceitou que uma análise ponderada à realidade nacional poderia fazer o IPS inflectir a sua política caso os dados recolhidos para aí apontassem. Deixámos claro, porém, neste contacto com o IPS – posição em que aliás fomos secundados pelo coordenador nacional para o VIH-SIDA e pelas associações Médicos Pela Escolha e Grupo de Acção e Tratamento VIH-SIDA (GAT), que tal decisão não deverá depender de qualquer estudo epidemiológico: nenhum estudo sobre um grupo social, mesmo que conclua que existam diferenças em termos de epidemiologia (e essas são sempre conjunturais e mutáveis ao longo do tempo, exigindo sempre estudos sucedâneos), pode servir para uma exclusão generalista do mesmo grupo social, porque o foco da selecção dos dadores deve estar nos comportamentos e práticas sexuais de risco, e não na orientação sexual das pessoas, ou seja, cada pessoa é um caso. Hoje sabemos que o sistema de recolha de sangue está próximo da ruptura em notícias que foram públicas há alguns meses, que a quantidade de sangue recolhida é absolutamente insuficiente para as necessidades. Sabemos ainda, por casos tristemente célebres, que a qualidade do sangue não é garantida pelo sistema que temos e que o IPS tanto preza. Algum conhecimento da realidade dos hábitos sexuais dos portugueses foi revelado pelo estudo dos ICS e nada nem ninguém nos convenceu que a noção de grupos de risco não é um conceito absolutamente ultrapassado pelas práticas científicas.
Um ano depois e a propósito da comemoração, amanhã, dia 17 de Maio, do Dia Internacional Contra a Homofobia, as Panteras Rosa – Frente de Combate à LesBiGayTransfobia, vêm solicitar-lhe uma decisão política que acabe com a prática discriminatória na recolha de dádivas de sangue por parte do IPS e que garantam procedimentos seguros e eficazes na recolha de sangue.
Certos de que a discriminação é inútil para assegurar a qualidade do sangue e de que o preconceito é prejudicial para o funcionamento de um sistema de doação solidária e fundamental para a saúde pública, queremos acreditar que o Ministério que dirige imporá, finalmente, regras claras e responsáveis para a recolha de sangue no nosso país.
Movimento Panteras Rosa – Frente de Combate à LesBiGayTransfobia
Há uns anos foi criado na Wikipedia em Português uma entrada sobre o PortugalGay.PT.
No passado mês de abril a mesma foi eliminada alegando spam e material auto-promocional numa votação com 10 rápidos votos de utilizadores que nem se preocuparam em comentar o assunto (para se ver até que ponto consideravam relevante a questão).
Se é editor da Wikipedia passe a palavra e deixe a sua opinião na secção [Wikipedia:Pedidos a administradores] da mesma.
"Carta Aberta Associação das Travestis RJ sobre caso Ronaldo
Carta Aberta da ASTRA RIO (Associação das Travestis e Transexuais RJ)á apresentadora ANA MARIA BRAGA em respostas a suas declarações Transfóbicas.
Carta Aberta á Apresentadora Ana Maria Braga Rio de janeiro 1 de Maio de 2008
Excelentíssima Senhora,
"A Associação das Travestis, Transexuais e Transgêneros do Estado do Rio de Janeiro (ASTRA RIO), uma entidade fundada em 29 de Janeiro de 2004 com objetivo de organizar associar e atender as demandas da população de Travestis, Transexuais e Transgêneros deste estado, vem por meio desta manifestar publicamente sua indignação com os comentários feitos pela senhora, quando citava o caso sobre o envolvimento do craque Ronaldo com as Travestis durante o programa exibido em 30 de Abril de 2008. Assistir as declarações e falas da Senhora quando disse que o Ronaldo deveria dormir mais cedo ao invés de se envolver em situações como essa e com esse tipo de gente, onde a senhora ainda sugeria que o caso se trataria de um golpe praticado frequentemente por Travestis e Transexuais profissionais do sexo do RJ, foram como reviver mais uma vez nosso triste fluxo social , como acontece com a maioria de nós Travestis e Transexuais , primeiro nossos pais e familiares nos rejeitam, em seguida o ambiente escolar também nos exclui, amigos não querem mais a minha presença ,nesta manhã do dia 30 vi mais uma pessoa querida a quem recebo toda manhã , me ferir e segregar brutalmente em suas palavras que para min foram flechas.
Diferentemente dos demais dias onde acompanho as mensagens matinais que a muitos telespectadores emocionam com lindas citações de inclusão, respeito, fraternidade, amor e esperança , nesta manhã me vi sendo ridicularizada e classificada como cidadã de segunda ou de nenhuma categoria. Aquela companheira querida exemplo de mulher, tornava-se naquele momento parte do grupo dos meus algozes sociais, responsáveis por grande parte da situação desigual e miserável que ainda hoje obrigam travestis e transexuais a buscarem seu auto sustento nas calçadas. Será que nossa querida companheira esqueceu que dentre os valiosos pontinhos do IBOPE existem muitas travestis e transexuais brasileiras com a televisão ligada a espera da sua companhia, umas acordando para seu dia de trabalho, enquanto outras assistem chegando das ruas e mesmo cansadas ainda ouvem as noticias ou anotam uma receita e não sabiam que este programa não era apropriado par ESTE TIPO DE GENTE , tipo de gente este que acompanham sua carreira e também realizaram orações e pedidos para sua cura, comemoraram sua felicidade amorosa e lhe desejam todo bem . Pena que pelo que parece não somo merecedoras do mesmo respeito por parte de quem admiramos.Independente dos casos vinculados a mídia, Travestis e Transexuais não são nenhum fenômeno esportivo mas com certeza são o segmento populacional mais brutalmente discriminados, verdadeiros fenômenos de sobrevivência , onde quem tem o poder do microfone , tem que usa-lo com sabedoria e justiça pois comentários sem conhecimento do que realmente se dá na relação cliente e Travestis onde é clichê em casos de desentendimento as falas: PENSEI Q FOSSE MULHER ou ELES QUERIAM ME ROUBAR como fulga da constatação do envolvimento com o alvo do seu desejo e da sua culpa.
Portanto ESTE TIPO DE GENTE citado estava trabalhando para atender um mercado que AQUELE TIPO DE GENTE PROCURA.
O movimento social organizado de Travestis e Transexuais é extremamente contrario a utilização e ao tráfico de entorpecentes e esclarece que as Travestis e Transexuais profissionais do sexo não têm como parte de suas atividades como prostituta, roubo, extorsão o tráfico nem a utilização de drogas. Quanto o ocorrido entre a Transexual Anderia Albertini e o Jogador Ronaldo esta instituição deseja que os fatos sejam esclarecidos com imparcialidade no tratamento e averiguação policial e que tudo a verdade possa vir a tona para que nenhuma das partes envolvidas sejam injustiçadas.
Finalizo reafirmando minha tristeza com seu posicionamento mais expressando a senhora e equipe votos da mais elevada estima e distinta consideração, deixando abaixo um texto meu para reflexão que com certeza reflete quem somos.
QUANDO EU ERA PEQUENO, MINHA MÃE TINHA UM MEDO, MEDO DE QUE EU USASSE SUAS ROUPAS, MEDO QUE UM DIA, EU QUISESSE USAR BATOM, COMO SE EU JÁ NÃO SOUBESSE O GOSTO, COMO SE EU JÁ NÃO FOSSE ELA, QUANDO ELA NÃO ESTAVA EM CASA... O QUE MINHA MÃE NÃO SABIA OU FINGIA NÃO SABER É QUE POR DENTRO EU ERA TÃO MULHER QUANTO ELA, EU SÓ NÃO PODIA APARECER, QUEM PODE ME ENTENDER? QUEM TENTA ME ENTENDER? TALVEZ EU NÃO PRECISE SER ENTENDIDA, TALVEZ EU NÃO QUEIRA PRECISAR, MAS ANTES DE VOCÊ ME CHAMAR DE BONECA... SAIBA QUE AS QUE QUIS TER NÃO TIVE, A VIDA COLOCOU PARTE DELAS EM MIM, BRAÇOS DE UMA, PEITOS DE OUTRAS, E ME FEZ SENTIR QUEM EU SOU! QUEM DERA SER UMA BONECA DE FATO, QUEM SABE ESTARIA MAIS FELIZ NO COLO DE SUA FILHA DO QUE NO SEU, E SE EU NÃO ACHAR QUE A PROSTITUIÇÃO NÃO É MEU CAMINHO, VOCÊ ACEITA??????????? VOCÊ ME DARIA EMPREGO?????? OU É MAIS FÁCIL DIZER QUE SOU INFELIZ? QUE SOU PERIGOSA???? PROVAVELMENTE SEUS MARIDOS NÃO ACHAM, E EU SEI QUEM SOU, A MINHA LUZ, OS MEUS DESEJOS, AS MINHAS VITÓRIAS E TRISTEZAS. E EU SEI DE MIM, MAIS QUE VOCÊ DE VOCÊ MESMO MESMO PORQUE SOU NO MÍNIMO DUAS, QUEM EU SOU DE VERDADE, SOU QUEM APARENTO SER, GENTE!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!(Rafael ?Vice presidente Grupo CaboFREE) "
Um rapaz de 15 anos estava sentado na sua aula de Inglês na Califórnia no dia 12 de Fevereiro. Às 8:15 da manhã um rapaz de 14 anos entrou na sala de computadores e deu dois tiros na cabeça do rapaz de 15 anos e morreu dois dias depois. O seu nome era Lawrence King, mas costumava usar o nome Larry, e foi assassinado por ser homossexual. Larry King e eu partilhamos mais que apenas os nomes... Ambos acreditamos que todos os estudantes devem poder ser eles próprios sem medo de ser insultados, vítimas de bulling, ou assédio. Centenas de milhares de estudantes vão fazer um voto de silêncio no dia 25 de Abril, como parte do 12º Dia Nacional do Silêncio. Vão honrar a memória de Larry King e de incontáveis outros alunos que tiveram as suas vozes silenciadas apenas devido à sua orientação sexual ou expressão de género. Por favor juntem-se a mim e apoiem o Dia Nacional do Silêncio porque todos os estudantes têem o direito de se sentirem seguros na escola.
Revisão da Situação Legal das Pessoas LGBT em Portugal - Um Ponto de Vista
O texto abaixo foi consequência da audiência do PortugalGay.pt com o deputado José Soeiro do Bloco de Esquerda.
Representa não só o nosso ponto de vista neste momento como também algumas sugestões de medidas legislativas que nos parecem adequadas nesta altura.
João Paulo Editor
PortugalGay.PT: Revisão da Situação Legal das Pessoas LGBT em Portugal
Casamento Civil
Temos presente que o PS, governo em exercício, disse durante a sua campanha que só numa próxima legislatura se debateria o Casamento Civil entre pessoas do mesmo sexo. Contudo as pessoas atraídas por pessoas do mesmo sexo vivem hoje, como antes, dramas de vida, que ao existir essa figura jurídica, não viveriam. Assim a alteração do artº 1577 do Código Civil (dando razão à Constituição Portuguesa e aos seus artigos 36º e 13º), retirando a este a referência do género ou sexo dos cônjuges alteraria tudo na vivência familiar dos casais do mesmo sexo! Tornaria possível o seu registo; passaríamos a ter acesso ao regime patrimonial; seríamos herdeiros dos nossos/as companheiros/as, e não aquela parte da família que nunca quis saber de nós; seríamos os dois responsáveis pelas nossas dívidas; teríamos a protecção da casa de morada da família; seríamos de facto os cônjuges dos/as nossos/as companheiros/as com opinião e decisão hospitalar bem como de visita, deixando assim de ser aquele amigo “sarnento” que é deixado lá fora porque não é da família. Aliás seria útil fazer uma apresentação exaustiva do que de facto é o “Casamento Civil”. Esta figura jurídica, junta dois cidadãos em comunhão de uma vida e que fazem essa promessa com o Estado Português, e não perante qualquer outra instituição, e muito menos, perante qualquer “embaixada” de um outro qualquer Estado. Esta figura tão renhidamente defendida por alguns, trata-se apenas de um contrato que é celebrado hoje e que “amanhã”, de comum acordo se desfaz. Assim leva a questionar, então para quê tanto alarido sobre o assunto, porquê tanto empenho em que não se cumpra os dois artigos da Constituição Portuguesa?
Redacção actual:
“Casamento é o contrato celebrado entre duas pessoas de sexo diferente que pretendem constituir família mediante uma plena comunhão de vida, nos termos das disposições deste Código”
Redacção pretendida:
“Casamento é o contrato celebrado entre duas pessoas que pretendem constituir família mediante uma plena comunhão de vida, nos termos das disposições deste Código”
Além da alteração do artigo 1577 do código civil, todos os outros códigos que derivam deste, sejam alteradas as expressões que façam referência ao sexo dos contraentes para cônjuges, tal como removidas quaisquer indicações implícitas ou explícitas ao sexo legal dos cônjuges.
Adopção
Neste processo deve ser incluído sim, a adopção, e não se trata de um capricho político mas sim de uma acção em prol da sanidade e da felicidade da criança adoptada. Hoje em dia em Portugal um indivíduo singular já pode adoptar, não faz por isso sentido que eu, adopte uma criança ela venha viver comigo e com o meu companheiro e que este não tenha sobre ela os mesmos direitos e deveres que teria se fossemos um casal heterossexual. Tapar o sol com uma peneira não é solução e, tão pouco opção por parte do PortugalGay.pt. Já existem muitas crianças adoptadas, em Portugal, por pessoas homossexuais, que vivem “maritalmente” (como diz o meu pai), com outra pessoa do mesmo sexo. Hoje em dia existem em Portugal muitas crianças, com esperança na vida, crianças acompanhadas, amadas, com o seu quarto, os seus brinquedos, os seus avós, tios e tias, … já existem em Portugal crianças amadas e respeitadas por casais do mesmo sexo, a quem chamam de pais ou mães, não das 9 a.m. ás 5 p.m., mas 24 horas por dia. Crianças que não vivem numa escola mas que passam por lá porque tem a certeza que os seus pais ao final do dia passam para as ir buscar de volta ao lar. Contudo estas famílias para as suas crianças, e em termos legais, só existem pela metade. São só filhos de um pai/mãe e não dos dois. É por isso urgente assumir a sua existência, e criar condições legais para uma sã convivência em sociedade, no respeito por todo e qualquer cidadão e acima de tudo por respeito ás crianças adoptadas.
Assim sejam abertas a listas de adopção a casais do mesmo sexo
Sejam avaliadas as suas condições para candidatos a adopção como qualquer outro casal
Reveja-se a lei, e crie-se condições justas para com a sociedade, e acima de tudo para com as perspectivas de vida da criança institucionalizada
Educação sexual nas Escolas
Quando pretendemos construir uma casa fazemo-lo a partir dos alicerces, e procuramos que estes sejam fortes, com bastante ferro e argamassa, para segurar a casa perante os abalos da natureza.
Quando nascemos, e crescemos somos educados segundo valores socialmente aceites, como o certo e errado, o bom e o mau, mas nem sempre nos são incutidos esses valores de forma a estarmos flexíveis aos abalos da vida sem que caiamos em acções, e palavras anti-sociais. Nem sempre esses valores que nos são ensinados são os melhores ou socialmente correctos, isto quando estamos em casa, mas… e na escola? Nas escolas onde passamos a maior parte da nossa formação (ou pelo menos devíamos passar), recebemos (mal ou bem) informação que se não for inclusiva, se não for dada sem pré-conceitos, e preconceitos, vai potenciar nesses jovens uma má formação baseada em fobias sociais que não ajudam no desenvolvimento intelectual de quem as tem, nem da sociedade em que estão inseridos. Por tudo isso é mais que urgente, é imperativo que tenhamos uma educação sexual, e de cidadania, que entre muitas outras coisas vai a longo prazo poupar investimento na saúde e potenciar uma inserção plena de todos os cidadãos. Uma educação feita por professores devidamente formados, que em conjunto com Associações, grupos e activistas da sociedade, que detêm o “Know How”, nas matérias ás quais estão ligadas. Agora é importante que essa educação seja uma realidade e não uma quantidade de normas que apenas existem no papel. Pois enquanto assim for, as contas de farmácia e os actos de violência por racismo, sexismo, xenofobia, e homofobia, vão continuar e vão aumentar a vergonha nacional (se é que a temos), do numero crescente de infectados e afectados com doenças sexualmente transmissíveis (e não só), bem como o número de gravidezes juvenis. Será que é isso que desejamos para o nosso país, será esse tipo de recordes que desejamos? Não me parece, … não me parece mesmo!
Convém salientar que as actuais aulas de “Formação cívica” e “Estudo Acompanhado”, são, em demasiados casos, uma “farsa”, sendo usadas para fins que em nada se prendem com o fim para que foram criadas. Em diferentes escolas pode constatar-se que a aula de “Formação Cívica”, onde deviam receber formação que os estimulasse á não discriminação, com base no respeito pela diferença, pelo espaço dos outros e o espaço comum, o respeito próprio, onde se devia ensinar regras de sã convivência em sociedade, ao invés de tudo isso, esta aula é utilizada para discutir o que está menos bem na turma, enquanto turma! Já o “Estudo Acompanhado”, difere de escola para escola, se num lado temos um professor de Educação Visual ou outro qualquer que vai discutir as noticias do dia anterior, outras tem que estão a aplicar o conceito correctamente tendo várias aulas por semana de 45 minutos cada, com professores das disciplinas base, como línguas, matemática, ou história. A educação que todo e cada cidadão recebe, na sua vida é o alicerce, bom ou mau, onde vai assentar toda uma sociedade, por isso uma educação abrangente, diversificada, inclusiva, só traria a Portugal excelentes resultados a médio e longo prazo. Deixou-se de ensinar ás crianças e aos adolescentes como e porquê lavar os dentes, e o que dai advêm quando não se lava; estamos na geração saúde, incentiva-se os putos ao desporto mas não se fala que é importante secarem-se muito bem porque existe vários fungos que habitam um balneário de um ginásio. Querem que os nossos jovens tenham uma sexualidade equilibrada e sadia mas não ensinam nada sobre o ciclo menstrual das mulheres; nem o que é masturbação; nem das doenças, várias, sexualmente transmissíveis, … e o não se falar deste tipo de assuntos leva ao dispêndio de verbas elevadas para acções correctivas a posteriori, verbas tão necessárias em outras áreas, como a educação, por exemplo!
Devem as escolas do ciclo e secundário encontrar horário curricular para implementar as aulas de educação sexual.
As mesmas devem ser ministradas por professores devidamente formados, e habilitados.
As escolas que não obtenham estes docentes, devem exercitar com a comunidade onde está inserida a escola, acordos com a classe médica, com associações, e activistas.
Esta interacção com a sociedade envolvente tem que existir mesmo que a escola tenha docente responsável pela área de Educação Sexual.
A colaboração referida em 3/a deve existir também nas aulas de Educação Cívica.
As aulas de E.C. e E.S. devem ser aulas interactivas solicitando o envolvimento dos alunos quer na aprendizagem, quer na avaliação dos professores e colaboradores convidados.
Transexualidade
Estamos em Portugal numa situação que relega algumas facções da sociedade para uma viagem em 3ªclasse.
Os Transexuais são uma parte dessa sociedade, vivendo como “ratos” de laboratório, são avaliados, são julgados, … são mal tratados.
Uma pessoa transexual que inicia o seu processo de transição, toma essa iniciativa não porque lhe apetece, mas porque essa transição é necessária para o seu equilíbrio emocional e intelectual. E o primeiro passo desse processo é com o seu médico. Este vai avaliar a situação e medicar a pessoa requerente, e juntos traçam o caminho a percorrer para se chegar ao objectivo. Contudo parece que, aos olhos do legislador, este clínico não esta habilitado a tratar do processo clínico, pois o último passo só é dado após avaliação por uma junta médica, um verdadeiro atestado de incompetência ao clínico que iniciou o processo e, simultaneamente, a pessoa transexual que aqui é julgada pela primeira vez. Depois de o mesmo processo ser aceite, a pessoa transexual vai ser de novo julgada por um Juiz que vai decidir se lhe altera o nome ou não! Assim como se não chegasse que este ser humano que tenta corrigir o seu corpo, tornando-o coerente com o seu intelecto, e é julgado todos os dias por uma sociedade mal informada, depois é julgado como se de um criminoso se tratasse, pelas instituições, que o deviam proteger.
No entanto tem muitos destes transexuais que não querem, e cada um tem as suas razões, completar todo o processo, vivendo um género diferente do seu sexo biológico, e é assim que querem contribuir para a sociedade em que estão inseridos. Contudo como pode um transexual encontrar um emprego das 9 a.m. ás 5 p.m. se quando vai fazer a sua entrevista de emprego tem no BI um nome como “José Manuel”, e se apresenta fisicamente como Maria José? Como vai esta pessoa enfrentar a má formação que graça na nossa sociedade, como vai ela encarar o sarcasmo, e por vezes a má criação e a ofensa?
Uma vez que estes seres humanos vivem a sua vida como indivíduos de um género claramente definido, não deveriam poder alterar o seu nome próprio, no sentido de tornar as coisas mais civilizadas e respeitadoras da vontade de cada um? Se não, que importa terem discursos de lamentação e ou preocupação, com estes, quando não lhes é dado forma de encontrar um caminho socialmente mais aceite por toda a sociedade?
Assim a posição do PortugalGay.pt nesta matéria, é que qualquer pessoa Transexual deve ter o direito de escolher o seu médico que a acompanhará no processo de transição. E é este médico e a pessoa transexual que, com o apoio dos meios que acharem necessários, farão não só uma análise prévia sobre a integridade psíquica, intelectual, social e física da pessoa transexual, mas também estarão disponíveis para planear e acompanhar todo o processo futuro. Com este esquema conseguia-se tornar todo o processo menos penoso, mais célere, mais humanizado, e mais económico. Como forma de tornar o processo o menos traumático possível deveriam ser encontradas soluções legais (compatíveis com a vivência em sociedade) para que a pessoa Transexual possa alterar o seu nome próprio mesmo antes de completar o processo clínico, para desta forma simplificar a vida do mesmo, no seu dia a dia. Devia ser possível a uma mulher transexual mudar o seu nome legal de, por exemplo, “José Manuel de Andrade Silva” para “Manuela de Andrade Silva” num processo simples e sem juízos desnecessários.
Nesta proposta só o nome próprio poderia ser alterado mantendo todo o restante nome familiar. Tal como é possível hoje em dia alterar o nome legal por via de casamento de forma trivial, um processo similar de mudança de nome deveria estar disponível para as pessoas transexuais. Desta forma as pessoas Transexuais poderiam legalizar a sua existência perante a sociedade e o Estado. Com esta disposição teriam mais capacidade para encontrar um emprego, poderiam optar por vários empregos e formas de vida. Infelizmente no estado actual as opções reais de emprego são extremamente reduzidas (para não dizer nulas) para uma pessoa transexual em processo de transição.
Uma pessoa Transexual que deseje iniciar o seu processo de reajustar o seu corpo á sua personalidade, deve poder escolher o clínico que deseja para o acompanhar no processo.
O clínico pode recusar a sua assistência, por não se sentir habilitado a realizar o processo, ou por objecção de consciência.
O clínico quando rejeite a solicitação do requerente, é obrigado a encontrar no tempo útil de 15 dias a contar do pedido inicial, um clínico que o substitua.
O requerente pode rejeitar o clínico encontrado pelo primeiro, e ele mesmo procurar outro clínico que o assista.
Fica o clínico solicitado e/ou aceite pelo o requerente obrigado a constituir uma equipa adequada no período máximo de 15 dias após a primeira reunião do requerente e com o acordo expresso do mesmo quer em termos de especialidades a incluir na equipa quer com os clínicos seleccionados.
Género
Existem já inúmeras pessoas que vivem um género diferente do seu sexo biológico, e a falta de condições legais, jurídicas que os protejam, faz que vivam vidas algo clandestinas e marginalizadas.
Gisberta Salce júnior, foi assassinada por ser uma pessoa do género feminino com sexo masculino, foi humilhada repetidamente por inúmeras pessoas e instituições, que repetidamente se referiram e ela como “ele”. Gisberta é apenas um exemplo.
Um indivíduo que sendo do sexo masculino, tendo por isso identificado no seu BI esta condição, e viva o seu dia a dia com o género feminino, não consegue por esta razão encontrar um emprego, dito, socialmente digno, tornando-se por isso difícil de garantir a sua subsistência. Assim não faz sentido a existência no cartão de identificação pessoal, o sexo biológico da pessoa. Assim como não faz sentido que uma pessoa que vive o seu dia a dia um determinado género tenha que alterar o seu sexo biológico, de forma a dizer “a cara com a careta”, e dessa forma poder alterar então o seu nome no BI.
Gisberta Salce Júnior era, aos olhos da sociedade, uma mulher, linda por sinal, que poderia ter sido a telefonista, a secretária, a directora, a presidente de uma qualquer empresa, mas que graças á falta de meios de sociabilização, de humanização de uma sociedade esquecida por muitos, teve de remeter a sua subsistência ao mundo do espectáculo, e no fim da sua vida á prostituição, … não teriam as Gisbertas uma maior escolha se a sociedade lhe desse meios dignos e as tratassem como gente, não ganharia a sociedade mais, empregando estes e assim aumentando a receita em impostos, não seria o Estado mais humanizado evitando que estes seres humanos fossem explorados quando conseguem obter um emprego, que pela sua condição não só ganham menos como trabalham mais, não obstante que os seus patrões não pagam impostos porque eles/as não existem.
Todos ganharíamos mais respeitando a diversidade, e tratando os seres humanos como seres humanos que são.
Um Transexual ou indivíduo que viva um género diferente do seu sexo biológico (transgénero) e pretenda por isso alterar as características dos seus documentos de identificação, tornando estes de acordo com o seu género, pode junto de uma repartição do registo civil proceder á mesma alteração.
Não é solicitado ao requerente a constituição de advogado para o efeito, podendo por isso ser o próprio, através do preenchimento de impresso regulado, solicitar a alteração do seu nome próprio, dentro da lista dos nomes existentes em Portugal.
O requerente deve juntar ao pedido, documentos que justifica a sua pretensão, como por exemplo cartas e outros documentos que se refiram ao requerente segundo o género que vive o seu dia a dia.
Na falta de documentos, deve o requerente fazer-se acompanhar de duas testemunhas idóneas de maior idade, que presencialmente atestem a pretensão do requerente.
Pode ainda o requerente requerer a alteração do seu nome próprio fazendo-se acompanhar de documento onde se declara a necessidade de tal alteração, vitais para o seu equilíbrio emocional e até de sobrevivência em sociedade.
A declaração solicitada no ponto 2, deve ser devidamente autenticada e ser passada por um clínico reconhecido.
A pessoa transexual deverá ter acesso a todos os direitos e deveres civis e legais como qualquer outro cidadão independentemente da sua condição de transexual.
Lei anti-ódio
A existência de uma lei que puna os ódios e fobias sociais existentes, é já por si só, um atestado de que a nossa sociedade, aquela em que vivemos, está desestruturada, está deficiente no que consta á sociabilização, á sã convivência.
Criamos leis porque precisamos de nos proteger, mas essa necessidade só existe quando algo anormal surge na sociedade, e na perspectiva de uma harmonia social criam-se regras e por isso leis, que punem quem as transgride.
Todos (estou em querer uma grande e esmagadora maioria) fica ou sente-se magoada, repugnada, chocada, quando assiste a relatos do sucedido durante o Holocausto Nazi, ou da escravatura existente em outros tempos… mas depois tudo é esquecido, quando se diz que um casal homossexual foi agredido em pleno Chiado a meio da tarde e ninguém fez nada. O sentimento, ou mesmo a palavra, Homofobia, não é conhecida por uma significativa parte da população Portuguesa, ou quando sabem o que é não têm consciência de que se pode morrer devido a esse sentimento, ou se não se morre pode-se sofrer seriamente na pele, a repulsa dos outros sobre nós. Falta por isso exigir das instituições “supostamente” responsáveis e ao Estado em particular, respostas pelas mortes do Alcides (ataque racista em Lisboa), de Gisberta (ataque homo/transfóbico por menores na cidade do Porto), estes dois casos conhecidos e fatais, mas por todos os outros actos de incentivo ao ódio, xenófobo, racista, homofóbico, sexista. Até hoje as situações repetem-se todos os dias com mais ou menos dor! Mas dirão os eruditos que não será tanto assim se não haveria queixas. De facto não devem haver muitas, mais que não seja porque neste como em outros casos para além da demora nos actos judiciais, os réus tem mais defesa, que as vítimas… basta ir a um qualquer julgamento de gangues, e ficamos com a ideia de quem esta a ser julgado é a vitima e não o réu. E pior… se a vítima não tem meios para se proteger fisicamente o estado continua, na prática, incapaz de garantir a integridade física da mesma.
Assim deve o ministério público ter mecanismos e autoridade para intervir em situações de ódio sem qualquer necessidade da existência de uma queixa formal por parte de indivíduos, punindo e obrigando a responder os infractores pelos seus actos.
Não deve nenhuma pessoa individual ou colectiva, instituição, associação, partido politico, confissão religiosa ou outra, incentivar a todo e qualquer tipo de ódio por meios propagandistas, sendo as mesmas punidas quando responsáveis por tal acção.
Entenda-se por suporte propagandista, toda e qualquer forma de expressar uma ideia que incite a qualquer ódio e ou fobia social, em suporte móvel ou fixo, espaço publicitário, site de Internet, rádio ou TV, e ainda em reuniões e ou assembleias quando estas sejam efectuadas em espaço de acesso público e, ou tornadas públicas pelos meios de comunicação social ou outros.
Devem os infractores ser punidos com uma coima, pena de prisão ou trabalho comunitário adequados nos casos das infracções se terem efectuado através de meios de grande impacto como Rádio, TV, sites da Internet, jornais e revistas, ou espaços publicitários.
Nos restantes casos a penalização a aplicar nunca deve ser inferior á metade da primeira (reuniões e assembleias)
50% do valor das coimas aplicadas serão entregues a instituições que exerçam actividade na prevenção das situações particulares visadas pela agressão. Sendo que este fica á consideração do Juiz designar qual ou quais as instituições contempladas.
A reincidência deve ser punida com penalização agravada.
No caso de ficar provado a influência de tais actos em situações de violência concretas praticadas por terceiros também haverá lugar a penalização agravada de acordo com as consequências sofridas pelas vítimas.
União de Facto
Este é um dado hoje adquirido, as e os cidadãos Portugueses podem viver uma união de facto tendo com isso regalias que lhe foram conferidas logo de inicio, como a opção de entrega do IRS conjunto, e outras que foram chegando no entretanto, como a inscrição de parceiros na ADSE. Contudo o texto legal tem ainda algumas ambiguidades, em especial quando aplicada na prática em outras situações além das indicadas.
Quantas vezes vemos em textos legais e regulamentos as expressões: “análogas aos cônjuges” e “equivalentes aos cônjuges”? E se esta expressão se aplica a todas as pessoas que vivam em união de facto ou não é uma decisão que é tomada por cada pessoa que trata destes processos levando a aplicações diferentes da legislação para situações idênticas mas em locais diferentes.
Por outro lado o reconhecimento das uniões de facto nas Juntas de Freguesia embora nos pareça adequado não está claramente indicado na lei.
E, finalmente, há situações em que o processo aplicado a pessoas casadas é muito mais simples do que o aplicado a pessoas que vivam em união de facto sem nenhuma razão objectiva para esta burocratização. Este é o caso, por exemplo, da renovação dos cartões de cônjuge da ADSE.
Deve ser clara e explícita a equiparação legal dos casais reconhecidos pela Lei de União de Facto com as leis e regulamentos em que são utilizadas as expressões “análogas aos cônjuges” e “equivalentes aos cônjuges” assim somo expressões similares.
Sempre que seja necessário o reconhecimento legal de uma União de Facto a declaração prestada pela Junta de Freguesia deveria ser prova suficiente em qualquer situação sem prejuízo de outras formas de reconhecimento como, por exemplo, através de testemunhas.
Nas situações em que a lei se aplique a “pessoas casadas” e a “pessoas que vivam em situações análogas aos conjugues” os processos administrativos devem ser equivalentes excepto, como é natural, na prova da situação conjugal. Exemplificando: se num caso é necessário uma certidão de casamento, no outro será necessária a certidão da junta de freguesia.
STOP ASESINATOS A PERSONAS TRANSEXUALES EN PORTUGAL! EXIGIMOS MEDIDAS PÚBLICAS CONTRA LA TRANSFOBIA , YA!
A principios de este mes de marzo los restos mortales de Luna, mujer trans de 42 años, fueron hallados en un contenedor de escombros en Lisboa. Luna, salvajemente asesinada, con signos de cruenta violencia, era hasta este injusto final, una mujer brasileña, con sordera parcial, residente y trabajadora precaria en la prostitución desde hace varios años en la zona de Conde Redondo. Desde Madrid mostramos nuestra más absoluta indignación y repulsa ante este nuevo asesinato de una persona transexual en Portugal. Hace poco menos de dos años asistimos al cruel asesinato de Gisberta en Porto, otra mujer transexual, también trabajadora en la prostitución, también cometido en similares circunstancias de violencia, desprecio por la vida de las personas transexuales. Se constata por un lado por la pasividad de las autoridades, presas de los intereses de los sectores más reaccionarios de la sociedad portuguesa, y por otro lado el sensacionalismo casi justificativo mostrado por parte de los medios de prensa. En aquella ocasión exigimos medidas por parte del Gobierno y Administración portuguesas para evitar que pudieran cometerse crímenes similares. Al igual que entonces nos hacemos eco del llamamiento internacional convocado desde el colectivo Panteras Rosa de Portugal para denunciar que a fecha de hoy no han cambiado las condiciones que permiten que se sigan cometiendo atentados contra la vida de las personas transexuales. Dos años después de Gisberta, las personas transexuales continúan siendo blanco de la violencia y el odio generado por la incomprensión y el prejuicio. No sabemos nada sobre el criminal que ejecutó el asesinato ni sobre sus motivaciones. Pero sabemos que la transfobia mata y que las personas trans están mayormente sometidas a la violencia que las demás. Sabemos también que los prejuicios y la discriminación son generalizados, que la ignorancia alimenta el odio y que genera violencia. Sabemos que el estado, la sociedad, todos nosotros y nosotras tenemos responsabilidades para con las víctimas mortales y sobre todo para con todas las personas que llevan una vida en que la lucha por sobrevivir coexiste con el miedo y con los riesgos consecuentes. Luna nació mujer; con su cuerpo masculino que no concordaba con su identidad femenina. Tenía un seguimiento en el Hospital de Santa María por el equipo multidisciplinar de alteración del cuerpo. Tenía proyectos, deseos y frustraciones como todo el mundo. Tenía personas que la querían y tal vez quería volver a Brasil donde se encuentra su familia. Luna fue una mujer que luchó contra muchas dificultades y, según los diarios, murió víctima de una gran violencia, posiblemente alimentada por el odio, el prejuicio y la ignorancia. Su cuerpo fue abandonado en un contenedor de escombros, oculto por piedras y polvo, como si fuese basura, como si su vida no hubiera valido la pena. Los medios de prensa se concentraron de forma sensacionalista en el aspecto físico de la víctima, convirtiendo dicho aspecto en algo más importante que el propio asesinato en sí. Después de una descripción pormenorizada en exceso, incidiendo en lo fuera de lo normal del físico de la víctima, la noticia continua con unas palabras sobre el asesinato, como si el aspecto físico de la víctima fuese una explicación evidente, suficiente, natural, lógica y casi inevitable del asesinato. Los medios hablan de transexual como un cuerpo de hombre (púdicamente señalando “con pene”), o como hombre vestido de mujer, o de travestí con pechos. La imagen emergente de este tipo de artículos hace de la víctima una monstruosidad presentada para júbilo de la curiosidad pública, sin ningún respeto por su género o por la intimidad de su cuerpo y dando la impresión de que es casi (o absolutamente) normal que este tipo de personas sean asesinadas. La otra imagen dirigida de esta forma es la de ser trans y querer engañar “al mundo” usando un disfraz particularmente bien logrado que dé la apariencia engañosa de mujeres y hombres… y si engañan al mundo, es evidentemente natural que las personas engañadas reaccionen. Este tipo de discurso hecho por los media está, infelizmente, lejos de ser solo un caso en lo que respecta al homicidio; es el caso de casi todas las emisiones, artículos y entrevistas sobre el tema trans. Los media portugueses, sin excepción, se quedan satisfechos con la descripción de la precaridad de las personas trans, sea la prostitución, las drogas, ser seropositiv@ , no tener papeles o casa, como si estas vidas fueran una elección de las victimas, ocultando que es la transfobia la circunstancia que mantiene esta precaridad, y presentando como escandaloso no solo el hecho “elegir” ser trans, como también el elegir este modo de vida, haciendo de las víctimas personas inmorales y chocantes, y persistiendo así en la promoción de la transfobia, de la precaridad de las vidas trans, y del hecho de que estas personas continúen siendo uno de los colectivos más proclives al desprecio y la agresión. En resumidas cuentas la falta de conciencia hacia los derechos humanos mostrada desde los medios de comunicación, su persistencia en mostrar la transexualidad como algo patológico, la manera en la que utilizan el sensacionalismo a la hora de recojer noticias relacionadas con lo trans contribuyen a perpetuar el estigma, los prejuicios, el odio y la violencia que recae sobre estas personas. Como todas las víctimas potenciales, los y las trans necesitan formas de protección que les garantice igualdad de oportunidades y la posibilidad de una vida digna. Necesitan, como cualquier persona, poder ejercer su derecho al libre desarrollo de la personalidad y a la autodeterminación del propio cuerpo, derecho a poder escoger libremente su propio nombre en los documentos de identidad. Los y las trans necesitan ser vistos como personas con derechos y obligaciones, ni más ni menos que todas las demás. Los y las trans en Portugal necesitan de la pedagogía de la visibilidad, más allá de los círculos de la prostitución o el espectáculo nocturno. Y Portugal necesita ver a estas personas sin la mirada del prejuicio, la desconfianza y el rechazo. La identidad del género es un asunto que el Estado de Portugal tarda en legalizar y ese atraso empeora las condiciones de vida y sobrevivencia de muchos trans. ¿Para cuándo las correcciones legales que posibiliten el real ejercicio de la ciudadanía por las personas transexuales y transgéneros? . ¿Para cuándo la legislación que deje de imponer restricciones mezquinas? ¿Para cuándo una legislación que deje de alimentar la violencia psicológica cotidiana sobre estas personas? ¿Para cuándo una legislación que considere explícitamente como agravante la discriminación, el asedio y la violencia con base en la transfobia? ¿Para cuándo un compromiso serio para acabar con casos como el de Gisberta o el de Luna, personas asesinadas por el odio transfóbico? ¿Para cuándo más medios humanos y mejor formación cívica y técnica en las fuerzas policiales? ¿Para cuándo presencia de cooperación en vez de las actitudes agresivas que todavía perduran en algunos elementos de las instancias policiales? ¿Para cuándo una ética periodística más humana y menos sensacionalista?
Asociación RQTR de la Universidad Complutense de Madrid Colectivo LiberAcción de Madrid Fundación Triángulo Asociación Española de Transexuales – Transexualia Grupo de Trabajo Queer Colectivo Acera del Frente de Madrid Asociación Ex-Presos Sociales, Xirivella (Estatal) Vindicación Feminista Portal Diario Transexual Colectivo de Lesbianas, Gais, Transexuales y Bisexuales de Madrid- COGAM Federación Estatal de Lesbianas, Gais, Transexuales y Bisexuales - FELGTB Area de Libertades Sexuales de Izquierda Unida Iniciativa del Poble Valencià de Xirivella
<< Ao longo da legislatura [...] aparentemente pelo gozo de continuar a irritar meia Espanha, aprovou o casamento de homossexuais [...] >>
Compreendo que possa usar figuras de estilo de forma mais ou menos feliz, mas não compreendo como é que um sociólogo pode afirmar que Zapatero teve o gozo de irritar meia Espanha quando os factos sociólogos mostram o contrário.
Como deve estar esquecido, recordo-lhe que o Eurobarómetro 66 (disponível on-line em http://ec.europa.eu/public_opinion/archives/eb/eb66/eb66_en.htm), uma publicação da Comissão Europeia dedicado à Opinião Pública na União Europeia e com dados de finais de 2006 questionou os espanhois sobre se:
"O Casamento Homossexual deve ser legalizado em toda a Europa"
E as conclusões foram:
56% concordam com esta afirmação 31% estão contra esta afirmação 13% não responderam
Daqui se percebe que não é "meia espanha" nem nada que se pareça que ficou irritada com esta política de Zapatero. Ou se ficou irritada, então está cheia de vontade de irritar o resto da europa o que, depreendo da sua perspectiva sociológica, é bem provável.
Grato pela atenção,
João Paulo (alguém que gostaria de ter o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo reconhecido em Portugal) jpaulo@portugalgay.pt
Dias Contados
Alberto Gonçalves sociólogo albertog@netcabo.pt
VIVA ZAPATERO?
Em 2004, as eleições espanholas foram precedidas pelos atentados de Madrid. O governo do PP, que alertara para o perigo islâmico, que o combatera no Iraque e que à última hora se atrapalhou a fingir que a culpa era da ETA, foi derrotado. Em 2008, as eleições foram precedidas do atentado em Mondragón. O governo do PSOE, que negociara com uma ETA em frangalhos, que permitira a reorganização dos criminosos bascos e que, em cima das urnas, se atrapalhou a fingir que o combate ao terrorismo era uma prioridade socialista, foi reeleito. A história deve ter uma moral que me escapa.
Os factos não escapam. E os factos são os seguintes: apesar dos esforços de uns optimistas para se convencerem do contrário, Rajoy perdeu; apesar dos esforços dele próprio para conseguir o contrário, Zapatero ganhou. Sempre que os foguetes rebentam antes, Zapatero faz a festa depois. Da primeira vez, talvez a merecesse. Da segunda, nem por isso.
Ao longo da legislatura, e além de ressuscitar a ETA, o homem que fundamentou parte da campanha no formato das suas sobrancelhas abriu as portas à autonomia da Catalunha (e do que calhar), desenterrou os fantasmas da guerra civil e, aparentemente pelo gozo de continuar a irritar meia Espanha, aprovou o casamento de homossexuais e um programa de educação "cívica" que raia o cómico. Na política internacional, aproximou-se dos rústicos tiranos da América Latina e, à margem da Europa actual, afastou-se dos EUA. E até a economia, radiosa durante anos, decidiu nos últimos meses afundar-se. Eis um legado, a renovar por quatro anos graças aos votos bascos e catalães.
Para os entusiastas, Zapatero é um paradigma da modernidade, uma bolsa de resistência ao "imperialismo" e um luz apontada às trevas da Igreja. Para os críticos, trata-se de um radical que, com relativa contrariedade, cede às regras do mercado e, com vasta irresponsabilidade, consola a irreverência juvenil no resto. Mesmo uma perspectiva moderada concederá que a Espanha que conhecemos já teve melhores dias e mais promissor futuro. É com eles? Não é.
A reeleição de Zapatero, que garante a permanência e, suspeita-se, o aprofundamento da implosão espanhola, parece uma péssima notícia para o cantinho dependente que é Portugal. Em compensação, parece uma óptima notícia para o eng. Sócrates, feliz pelo sucesso de um dos seus "melhores amigos pessoais". Quanto ao nosso dilacerado coração, balança entre o que é bom para a pátria e o que é bom para o eng. Sócrates. Isto partindo do cínico princípio de que há uma diferença.
Francisco José Viegas escreve. Já o sabemos. Desta vez, contudo, surpreendeu mais do que nunca, ao conseguir (quando comparadas as suas qualidades de pensamento literário com as dela) converter Margarida Rebelo Pinto numa verdadeira e merecidíssima candidata ao Nobel da Literatura.
Tão iluminado por um blogue (porque teve preguiça de ir mais além), diz que “ hetero que é hetero nem menciona o facto, limita-se a nem falar do assunto”. Mais adiante, repete a ideia. Só que a ela foge de forma “histérica”, como apelidou massivammente as reacções (que não entende!) das pessoas LGBT. Depreendo que então “hetero” não possa ser vossa mercê, já que tudo o que escreve – e desde logo aí começa a questão: sentir-se compelido a escrever e a “falar do assunto” - contraria tal inultilidade da afirmação dos “heteros”. Francisco, Francisco… olhe que a gente pode não ter recebido prémios da Associação Portuguesa de Escritores, mas (umas vezes pior, outras bastante bem) sabe ler o que vossa mercê profere!
A idiotice que (estando sóbrio?!) reconhece à campanha da Tagus é directamente proporcional às atrocidades que escreve. Diz-nos que a mesma campanha foi “inexplicavelmente” retirada do site – não, não foi inexplicavelmente, querido Francisco, foi por mobilizar pessoas (felizmente) atentas a palavras tão perigosas, chauvinistas, retrógradas (e ainda acha que “há sinais dos tempos”?!) como as suas. Leia mais atentamente a História e verá que foi em ignorâncias como as que nos oferece que os totalitarismos e os genocídios beberam as mais fortes inspirações. Ignorâncias (quase sempre) fingidas por parte de quem se sentava nos tronos para ganhar prémios, materiais ou de outra espécie. Oxalá os seus prémios não nos levem a temer que o seu nome se equipare ao de Hitler.
“Parecer-lhe” que não há ódio não chega: exactamente por isso, por se limitar ao “parecer” sem se esforçar por saber, depois dos prémios que recebeu e dos cargos que ocupa, é necessário que se fundamente. Valia a pena perceber (sabendo, em vez de lhe “parecendo”) que não, não somos uma “classe de coitadinhos e de vítimas de tudo e de nada”. Afinal, nem temos que ser vítimas de “tudo”, porque já somos vítimas de palavras como as suas. Se se queixa que hoje há que “vigiar cada distracção, cada frase mal pronunciada”, imagine que queixas temos nós enquanto houver pessoas como você, querido Francisco, ao dizerem coisas assim. Não sei se bebeu demasiada Tagus. Parece - aqui a palavra faz, por decorrência lógica da sua falta de lógica, muito sentido. Mas, mesmo que a tenha bebido (e a gente sabe que tem direito a fazê-lo) nem por isso está perdoado. Escreva, preferencialmente, quando os efeitos nocivos de tais líquidos tiverem já cessado.
Quer ainda parecer-me que Fernando Pessoa ficaria bem pouco orgulhoso (sim: orgulhoso) da sua Direcção na casa que recebeu o nome dele. E estou em crer que o orgulho, como o conhecemos (não como você julga conhecê-lo), é coisa de que o grande vulto não se envergonharia. Se ressuscitar, que não me atraiçoe o poeta nesta crença. Ou, então, desisto do mundo.
Fecha o seu artigo com chave do pior metal, ao ensinar-nos que “precisamos de contar anedotas sobre brancos, pretos, judeus, muçulmanos, gays, machos, mulheres, loiras, morenas, católicos, papas, padres, rabinos, alentejanos, açorianos, portuenses, lisboetas, o que for. Para ver se somos gente normal. Ou se só copiamos os estereótipos politicamente correctos”. Fale por si. Ou nem fale. Que isto de “normal” há muito que tem que se lhe diga. E antes o “politicamente correcto” que o “profissionalmente incauto”, como bem nos demonstrou que é.
Que o Francisco é muito sorridente já a gente tinha dado por ela. Que precise de pessoas por si assim apelidadas para se divertir e para que o sorriso se lhe crave duradouramente na face é que custa. Vai ver, ainda alguém lhe oferece, à maneira de algumas organizações norte-americana que se debatem com palavras como as suas, o título de “homossexual honorário”. Porque trazer o seu orgulho até nós seria tudo menos “histérico”. Apenas uma lição de convívio com as “distracções” que todos os dias, em muitas horas, em muitos lugares nos assomam e às vezes nos matam. Inclusive as distracções da comunicação social. Na qual tem responsabilidades, querido Francisco.
Quase 10 % da população transgénero será assassinada, em comparação com 0.0055 % da população em geral.
60 % da população transgénero será vítima de crimes de ódio.
Estas estatísticas vindas como não podia deixar de ser dos EUA, providenciadas pela Gender Evolve, são a base de uma petição online às Nações Unidas demandando direitos iguais para a população transgénero aos da restante população.
Enquanto lá por fora vão aparecendo estatísticas, até mesmo da Austrália, no outro lado do planeta (46.9 % de trans femininas e 29.4 % de trans masculinos foram ameaçados com violência), em Portugal não se conhecem estatísticas relativas à população Transgénero.
Por esse mundo fora, Transgéneros e amigos/apoiantes reúnem-se em Novembro para o Transgender Day of Remembrance, para relembrar e honrar aqueles que foram assassinados devido a Transfobia.
Este evento teve o seu início para comemorar a vida de Rita Hester, cujo assassinato em 1998 despoletou uma vigília em San Francisco, e o Remembering Our Dead website, que tenta enumerar os nomes daquel@s que foram assassinados devido a Transfobia.
Desde essa altura, o evento espalhou-se, tendo presentemente lugar em numerosas cidades pelo mundo fora.
Sendo um evento com uma importância cada vez maior, traz ênfase aos perigos e diferenças de se ser Transgénero, enquanto une a população Transgénero com um verdadeiro sentimento de comunidade ao honrar os seus mortos. É também uma representação do activismo Transgénero, que luta pelos direitos humanos que se deve ter, nomeadamente o direito a não se ser assassinado por se ser Transgénero. Igualmente revela ao mundo o nível de violência a que a população Transgénero está sujeita, relembrando que a transfobia existe e é uma realidade, até aqui no nosso pequenino Portugal, alargando a discussão para além da homofobia.
Em Portugal, a totalidade dos movimentos ditos LGBTTI, continuam sistematicamente a ignorar esta data marcante da comunidade Transgénero.
Muito graças a vários blogues que foram aparecendo por aí (Transfofa em blog, Lara’s dreaming, Fishspeakers entre outros) feitos por Transgéneros (Transexuais nestes casos) que decidiram que já chegava de não termos uma voz nossa, os grupos e associações LGBTTI lá começaram a prestar atenção (a contra-gosto ou não) a esta comunidade que tem sido sistematicamente ignorada e discriminada desde que se iniciou o chamado movimento LGBTTI em Portugal, com o início das várias associações/grupos existentes.
Mesmo quando se comemora anualmente o Pride, o dia do orgulho gay, que comemora os Stonewall Riots, teimam em esquecer que quase três anos antes aconteceu o Compton’s Cafeteria Riot.
Em Agosto de 1966, no Gene Compton’s Cafeteria localizado no Tenderloin em San Francisco, uma área operária e pobre da cidade onde a população Transgénero vivia ( e ainda vive), aconteceu o primeiro levantamento LGBTTI.
Tudo começou quando uma provocadora Queen se recusou a abandonar o café, fazendo com que a gerência chamasse a polícia. Quando esta chegou, não obteve a reacção que esperava. A maioria das pessoas presentes eram Transgéneros, e "começaram a partir todas as janelas do lugar, e enquanto tentavam sair para escaparem aos estilhaços de vidros, a polícia tentou apanhar e meter nas carrinhas todos que pudessem apanhar, mas foram atacados a murro e pontapé, tendo uma carrinha policial ficado com os vidros todos partidos e uma banca de jornais foi totalmente queimada."
Embora algumas mudanças positivas se tivessem sucedido a este levantamento, como um melhor relacionamento com a polícia local, e o estabelecimento de serviços sociais para benefício da população Transgénero, este acontecimento, por ter sido protagonizado por Transgéneros, não deu início a um movimento nacional massivo como sucedeu com o levantamento similar na Greenwich Village em New York depois de um raide policial ao bar Stonewall.
Aconteceu demasiado cedo, quase 3 anos antes de Stonewall? Ou foi novamente a Transfobia ainda existente dentro dos próprios movimentos LGBTTI a fazer esquecer que a população Transgénero existe e tem voz, direitos e vontade de lutar por eles?
O facto é que, em Portugal, comemora-se todos os anos o Pride, com uma marcha e uma festa, agora (finalmente) não só em Lisboa mas também no Porto, com o apoio da quase totalidade das associações/grupos LBGTTI além de outras referentes a direitos humanos, e o Transgender Day of Remembrance continua a ser completamente ignorado.
Tedd Haggard era o principal responsável pela Aliança Envangélica nos E.U.A., um aliado de George W. Bush e um forte opositor ao Casamento entre pessoas do mesmo sexo.
Um prostituto veio agora a público dizendo que teve 3 anos de uma "relação puramente sexual remunerada" com ele, sem saber quem ele realmente era. E agora que descobriu que era um fevoroso anti-gay decidiu vir a público expor a sua hipocrisia.
Picnic Mães e Pais LGBT, Crianças e Amig@s – 29 de Outubro, Lisboa
A ideia de juntar novamente crianças com pais e/ou mães LGBT surgiu logo após a última actividade do género, contudo, foi sendo continuamente adiada porque entre as férias, trabalho e criançada, o tempo escasso muitas vezes voa.
Em 2006 realizaram-se já duas actividades: um Encontro sobre Homoparentalidade, no Centro Comunitário Gay e Lésbico de Lisboa em Março, que teve cerca de 30 pessoas, animadas e conversadoras, entre mães e pais actuais e futuros, filh@s e net@s de LGBT, pequenos e já mais crescidos; e em Maio, um animado picnic ao ar livre.
Ora, a ideia é mesmo dar continuidade a este tipo de eventos, tornando-os regulares e aproveitando a partilha para se construirem redes de apoio [in]formal . Gostaríamos de, aos poucos, alargar a rede a outras cidades e outro tipo de partilha/eventos, para onde quisermos ir. Assuntos sobre a legislação/escola, entre outros, estarão presentes entre os temas a partilhar neste tipo de eventos.
Para voltar a reunir este grupo, cada vez com mais gente, desafiamos tod@s @s interessad@s a juntarem-se a nós num encontro para crianças e adultos, em Lisboa, em que haverá espaço e boa disposição para troca de histórias e experiências.
Gostaríamos também de criar uma mailing list [informal] para os participantes e interessados para que seja um espaço que permita dar continuidade a cada evento e onde se possa debater questões do nosso dia-a-dia.
QUANDO: Dia 29 de Outubro, domingo, a partir das 14:30 ONDE: no Jardim dos Moinhos de Santana, à Ajuda, se a metereologia ajudar. Enviaremos mapa aos interessados.
Para mais informações e ** para confirmar presença ** por favor enviar mail para Manuel Beja marilgapor@yahoo.com Sara Martinho cacaoccino@yahoo.com.br
Por favor ** divulguem ** por mail, sites e blogs possíveis para chegarmos aos eventuais interessad@s.
Realizou-se entre os dias 5 e 8 deste mês na cidade de Madrid a 13ª Conferencia da EPOA (Associação Europeia de Organizadores de Prides).
Quatro dias com uma agenda de trabalho e lúdica bem preenchida.
Entre outros pontos constava a apresentação do que havia sido o EuroPride 2006 em Londres, e os candidatos ao EuroPride 2009.
Sabendo-se que Madrid vai receber o Euro Pride 2007, e sabendo-se também do sucesso crescente dos Pride de Madrid espera-se por isso um Euro Pride 2007 em grande. Em 2008 espera-nos Stockholm na Suécia. Assim os candidatos a 2009 foram:
Mannheim/Alemanha – uma apresentação muito tímida, num tom de voz muito baixo, e numa apresentação algo confusa sendo que o powerpoint e um vídeo foram apresentados ao mesmo tempo, em direcções diferentes, isto para não dizer qe as imagens do vídeo em nada favoreceu a corrida, sendo que no final conseguiu apenas um voto. www.csd-mannheim.de
Tel Aviv/Israel – algo nervosa, viu-se um elevado interesse que 2009 fosse o ano do seu Euro Pride, uma vez que na mesma data Israel faz 100 anos de existência, e por isso adivinha-se um grande empenho nas celebrações. Contudo penso que este ponto não foi devidamente enaltecido, e talvez a falta de algum calor na apresentação lhe vale-se apenas cinco votos, deixando esse sonho adiado. http://www.aguda-ta.org.il/content/english.asp
Zurich/Suiça – uma locução de quem sabe muito bem o que está a falar, e estando convicto das dificuldades sabe também que pode muito bem ganhar. Tendo parecido mais uma apresentação de promoção turística da cidade de Zurich, todo o seu conteúdo foi brilhantemente exposto, com cor e brilho, dando consciência de um empenho associativo e das instituições elevado para que as coisas venham a ser de facto em grande, assim Zurich saiu vencedora com oito votos. www.csdzurich.ch
Após este panorama o paraíso fiscal mais conhecido do mundo será o anfitrião do EuroPride 2009. Agora e para que conste as coisas fazem-se com gente e em todas as apresentações isso bem visível, o envolvimentos das instituições governamentais e da união necessária das associações GLBT de cada país. Quanto a Madrid terá o seu Euro Pride 2007 entre os dias 22 de Junho a 1 de Julho, e está tudo a postos para receber todos e todas num ambiente de festa e diversão, com toda a segurança que a ocasião merece. Assim desde exposições, debates, acontecimentos desportivos, e a própria para em si serão dias muito quentes entre calor humano e o tempo.
Logo na semana seguinte acontece a 7ª edição do Porto Pride e da Marcha do Orgulho na mesma cidade. Dia 7 de Julho de 2007 é o Dia LGBT do Porto, a não perder.
É assim, com preexistência, entusiasmo, vontade, e desejo de se fazer cada vez mais e melhor que vamos somando “Nãos” mas, também somamos apoios.
Este ano é especialmente para mim, o ano, aqueles que foram agraciados pelos prémios MTV, aqueles que somam sucessos atrás de sucessos, que são reconhecidos em Portugal e no Mundo, foram também aqueles que responderam simpaticamente á nossa solicitação para estarem presentes na sexta edição do Porto Pride.
Assim aos The Gift o nosso muito obrigado! www.thegift.pt
Não estiveram presentes fisicamente mas deixaram-nos uma mensagem que com orgulho (Pride) difundimos no espaço do evento, e agora disponibilizamos no site do Porto Pride 2006.
Este ano foi, com uma mensagem, para o ano quem sabe estarão presentes no palco!?
Os votos sinceros de que The Gift e Sucesso, sejam duas palavras indissociáveis, onde esteja um, brilhe o outro.
O Porto Pride 2006 agradece humildemente a vossa fantástica participação.
Realiza-se a 1ªMarcha do Orgulho na cidade do Porto, sobe o lema, “Direitos Humanos, um Presente sem Violência, Um Futuro sem Diferença.”
Jovens, muito Jovens nestas andanças da militância, juntaram-se para discutir a realização deste evento. Arrelias, discussões de horas para definir um papel mas, que no final deram uma “filha” linda, a 1ªMarcha do Porto.
Este era sem duvida o Ano, era sem duvida o ambiente certo para a sua realização, afinal haviam assassinado de forma barbara e indescritível uma transexual, sem abrigo, toxicodependente, seropositiva, de seu nome Gisberta.
Assim a memória foi a “locomotiva” que levou esta composição ao destino desejado.
A Primeira Marcha do Orgulho, do Porto, foi linda, entre 300 a 500 pessoas alegraram as ruas, exclamaram palavras de ordem, exibiram reivindicações, expuseram o rosto da Gisberta em nome de todas as vítimas de ódios sócio culturais.
Uma Marcha que sobreviveu á falta de apoio e entusiasmo por parte de organizações que aqui me recuso a citar o nome, (aqui não é uma lavandaria de roupa suja).
Contudo é uma organização que pela sua suposta posição no movimento social GLBT, foi ou é motivo de vergonha para mim, e de certo para algumas pessoas organizadoras da 1ª Marcha do Orgulho do Porto.
Para o ano tem mais e pela adesão deste ano, pelas margens (pessoas a assistir á passagem) para o ano será ainda melhor.
Á tarde foi a Marcha de noite a sexta edição do Porto Pride, e a quinta realizada no Teatro de Sá da Bandeira.
Com a presença das associações: Grip – Rede Ex-aequo – Não Te Prives – Panteras Rosa - @T – BI-Portugal – Poli Amor – Abraço – ATTAC, que estiveram presentes com as suas bancas promovendo o seu trabalho e comercializando os seus produtos, e promovendo o seu trabalho. um Staff que da Porta à Caixa foram exemplares, um show fantástico que de Ano para Ano se torna cada vez mais sofisticado, trabalhado e pensado para esta noite, e os mais de 2000 convivas que alegraram, aplaudiram, e se divertiram, sendo que com a sua presença permitiram que a organização do Porto Pride (PortugalGay.pt – Boys´R´Us), vá doar á Liga dos Amigos do Hospital Joaquim Urbano, muito perto de 4500 euros.
Parabéns aos DJ´s residentes pela selecção musical cuidada, e um especial agradecimento ao DJ convidado, o meu queridíssimo Nuno Cacho, que fazendo parte dos Heteros descomplexados, aceitou o nosso convite para abrilhantar a festa com a sua presença e com a sua musica especialmente pensada para este Porto Pride.
Desde 2001, ano da primeira edição, o Porto Pride vem somando apoios, sendo que alguns são hoje amigos: Rádio Nova Era – Cutty Sark – Neoponto-Artes Gráficas – Red Bull – AMC-Arrabida20 – Projecção – Super Bock, e com o patrocínio da CNLCS.
Parabéns a todos os que nos apoiam, e acreditam no nosso projecto, a todos que antes, durante e depois, fazem o seu melhor, ou o que esta ao seu alcance para que tudo aconteça, no sentido de satisfazer a todos/as, e animam cada edição do Porto Pride.
A todos/as quantos cito neste texto o nosso (organização) bem-haja, por darem em cada ano razão de existirmos.
Uma vez mais o evento Gay com mais apoios privados em Portugal, não fez agenda no vocabulário dos demais dirigentes/activistas, nem antes nem depois.
Em seis anos de Porto Pride com o donativo deste ano ficamos muito perto dos 20.000 euros doados á sociedade, e mais concretamente ao HJU.
Por isso não posso deixar de expressar a minha tristeza por sentir por parte de alguns colectivos a indiferença, ou até o desprezo relativo ao Porto Pride, sendo que este ano em relação à Marcha, tiveram a mesma atitude. Tal postura só mostrou aos demais, aos mais atentos e que sabem ver com olhos de ver, quem esta nesta luta para servir, ou para ser servido.
Lamento, não por eles, mas por todos quantos esperam por um abraço amigo, por uma palavra, por alguém que por eles esteja onde não podem estar.
Para o ano há mais, a Segunda Marcha do Porto, pelos Direitos Humanos, e a sétima edição do Porto Pride.
O Instituto Português do Sangue anunciou há tempos a alteração das regras que há décadas discriminam os dadores homossexuais masculinos sem outro critério que não o do preconceito. O tempo passa, porém, e o processo arrasta-se, tal como nada mudou nas práticas do centros de recolha de sangue.
Face à lentidão e às contradições do processo de eliminação da discriminação de homossexuais nas regras de doação de sangue, as Panteras Rosa propõem, na semana em que se celebra o 28 de Junho - Dia Mundial da Libertação LGBT - em quase todo o mundo, que toda a comunidade LGBT portuguesa e simpatizantes se dirija aos centros de recolha de sangue mais próximos para tentar fazer valer o direito à doação. As Panteras Rosa apelam a toda a população Lésbica, Gay, Bissexual, Transsexual e heterossexuais que tenham tido relações com parceir@s LGBT nas várias zonas do país que tentem fazer uma doação, não escondendo no preenchimento do questionário as práticas homossexuais ou práticas com parceiros LGBT; a) em caso de recusa da doação, solicitando e deixando registo no livro amarelo (de reclamações); b) se recolhido sangue, exigindo uma notificação escrita sobre o destino final do sangue doado; c) e dando em qualquer caso conhecimento da tentativa e do seu resultado ao nosso movimento através do e-mail panteras.rosas@sapo.pt. Com os dados recolhidos, pretendemos divulgar informação pública sobre a disparidade e o preconceito das práticas hoje assumidas pelos centros de recolha de sangue a nível nacional face à população LGBT , e pressionar decisivamente o IPS e os responsáveis políticos para a eliminação desta discriminação inaceitável, que constitui aliás um problema de saúde pública para a população em geral, transmite mensagens de prevenção erradas e prejudica o stock de sangue disponível nos hospitais ao excluir muitos milhares de potenciais dadores. Semana de 28 DE JUNHO 2006 TODOS/AS AOS BANCOS DE SANGUE! O EMPURRÃO QUE FALTA PARA ACABAR DE VEZ COM A DISCRIMINAÇÃO
Estes comentários foram recebidos na sondagem da semana sobre o Arrail Pride.
labina54@hotmail.com em 7 Jun 2006 15:22
Desta vez resolvi deixar de ser anónimo e muitos parabens ao lance ter sempre posto o seu email, quando dá as suas opiniões. Quanto ao outro senhor anónimo de 6 e 7 de junho (eu sou o anónimo de 6 que iniciou o comentário com "francamente!!!) Apenas lhe quero dizer que por haver na verdade tanto homossexual frustrado é que nós nuynca mais temos uma posição neste país e mais, neste mundo. Como se pode ser tão estupido e retrógado é que me admira. Olhe menino, sabe uma coisa? Eu na verdade era para não ir ao pride, mas agora estou com muita vontade de ir. Sabe porquê? Não será por lá ir que venho mais ou menos homossexual. Sei o que significa ser assim e poro-me com toda a dignidade que um ser humano deve ter. Tive uma relação com outro homem quye durou 17 anos e as nossas vidas eram iguaizinhas aos casais hetero. Olhe menino. Faça uma esforço e vá oa pride, talvez saia de lá apaixonado por alguém, porque é disso que voce está a precisar. Anda perdido, encontre-se e verá que tudo á sua volta lhe pareçe mais belo. Ah outra coisa. Sou de facto um dos homossexuais dos mais "velhos" como voce refere, mas nunca destrui nenhum mais novo. Pelo contrário sempre lhes ensinei aquilo que ao longo da vida fui aprendendo. Acima de tudo a terem dignidade. E já acora, desculpe-me a pergunta: ´já marcou a consulta para um psiquiatra? Não se descuide, olhe que noto estar a ficar pior.........
lance_pt@hotmail.com em 7 Jun 2006 1:31
Ao anonimo de 6 e 7 de junho. diga lá... você é do PNR não é? Comentários como esses nao podem vir de um homossexual. Com que então somos como os comunistas que comemos criancinhas, deficientes mentais, incapazes de atingir qualquer tipo de função profissional mais elevada e ... nas suas palavras " infantis, obcessivos, violentos, vingativos, falsos e muito mas MUITO mais sexuais". Meu caro, essa atitude conservadora de igreja católica tirada a ferros da Bíblia [Romanos 1; 23-32] simplesmente ... nao pega! Com certeza que os homossexuais têm defeitos... assim como todos os heteros... mas se é para combater fogo com fogo lembre-se que na Biblia também diz: “Por que vês tu o argueiro no olho do teu irmão, porém não reparas na trave que está no teu próprio?” (Mateus 7:3). Abra sua mente e seus olhos! A homossexualidade não se ensina, simplesmente é-se homossexual ou não se é... agora você tem a escolha de ser ou não uma pessoa frustrada... faça um esforço e vai ver que se consegue libertar, porque no final de contas, o ódio continua a ser o que de mais negativo e decadente existe na sociedade, e você meu caro... está cheio dele! Tenha um bom dia!
Anónimo em 7 Jun 2006 0:48
NÃO! PONTO FINAL parágrafo travessão: - É no PRIDE que algumas vidas começam a ser destruidas graças a atitudes que homosexuais mais velhos têm para destruir mais novos, ou pelo menos para retirar a dignidade deles. O arraial PRIDE a que fui no ano passado colocou-me várias questões a nível do que é a homosexualidade. Achei um espectáculo altamente decadente e mais decadente ainda que nos outros anos. A liberdade não é sinónimo de evolução na sociedade e espero que a bomba expluda um destes anos. E agora vão dizer que tenho falta de fazer amor com outro homem? LOL... No comments... Eu acho a homosexualidade uma doença. Não é que diga que esteja curado ou não, mas simplesmente é uma doença. Tanto que é assim que são praticamente nulos os homosexuais que tiveram sucesso na vida, e não me venham com artistas e escritores blah blah blah, que isso não é nada, Estou a falar de gente de progresso como engenheiros, empresários e arquitectos, Por alguma razão esses mundos são quase 100% heteros (hà-de haver um ou outro gay a pastar porque teve essa sorte..)Talvez porque a homosexualidade seja um impedimento no desenvolvimento psíquico de uma pessoa. Tanto que é assim que são os homosexuais que têm comportamentos mais infantis, obcessivos, violentos, vingativos, falsos e muito mas MUITO mais sexuais. E são os homosexuais que mais acusam uma pessoa de falta de sexo que outras pessoas. Sendo este um argumento algo que se utiliza quando se é novo ... agora a partir dos 30 anos, dizer tal coisa é um claro sinónimo de imaturidade e de falta de desenvolvimento. Mas claro que numa sociedade a ficar decadente em todas as vertentes é claro que a homosexualidade vai ganhando terreno e respostas do género já se vê acontecer com heterosexuais também . Pode ser que atinjamos Berlin e isto atinja a reviravolta e haja a resposta sem piedade das pessoas que de uma forma de outra levaram com as atitudes negativas de homosexuais. por isso digo: Sou totalmente contra o PRIDE e o arraial e sou a favor da proibição de tal evento.
Quero antes de mais saudar o trabalho e a energia de todos os meus amigos, no seu combate contra a homofobia. Ciente da qualidade e da generosidade da sua acção, não direi mais para não ofender a sua humildade. E a todos quantos querem estar presentes, uma saudação!
17 de Maio de 2006, 2ª edição do Dia Mundial de Luta Contra a Homofobia!
Cada avanço é uma ocasião de alegria: o ano passado, por exemplo, o Presidente do Parlamento Europeu reconheceu oficialmente o Dia mundial. Eis uma bela vitória, e logo no primeiro ano! Maior alegria ainda, as “estreias” organizadas por ocasião do dia 17 de Maio de 2005, que fortemente estimulámos e encorajámos: as primeiras manifestações públicas LGBT na Bulgária, na Costa do Marfim, em Hong-Kong e em Taipé.
Mas o Dia mundial tem também momentos de tristeza, para os que pensam nas vítimas da homofobia, nos relatos dolorosos que surgem por esta ocasião, nas pessoas humilhadas, espancadas, nos refugiados que fogem do seu país de origem, e que, mesmo no exílio, se vêem obrigados a fugir aos controlos de polícia, correndo o risco de serem reenviados para suas casas, para a prisão, por vezes para a morte.
Hoje, a homossexualidade é penalizada em cerca de 80 países. Alguns Estados, como a Nigéria, ou os Camarões, estão inclusive apostados em agravar a legislação já existente. A pena de morte é ainda aplicada numa dezena de países. Mesmo quando a homossexualidade não é um delito, os homossexuais são muitas das vezes selvaticamente perseguidos. No Brasil, a polícia contabiliza uma média de cerca de 100 assassínios todos os anos. Infelizmente, há muito por fazer...
Também em Portugal a homofobia mata! Pensamos em particular no assassínio da Gisberta. E não é apenas disso que se trata! Os inquéritos mostram que os jovens não heterossexuais estão entre 7 a 15 vezes mais expostos ao risco de tentativa de suicídio do que os outros jovens. É uma triste realidade, que se explica pelo heterossexismo prevalecente: todos os pais esperam «naturalmente» que o seu filho ou a sua filha venham a ter um dia parceiros do outro sexo.
A questão de uma possibilidade alternativa nunca é encarada, e esta pressão social constante, como a atmosfera envolvente, totalmente invisível mas sempre omnipresente, torna-se cada vez mais sufocante. Alguns jovens já não sabem como safar-se dela. Solidão, depressão, e pronto… Quando falamos de homofobia, pensamos nos insultos, nas discriminações, nas agressões físicas. É que também isso é a homofobia, silenciosa, quotidiana e mortífera.
Que fazer então? Afundar-nos no desespero ou na resignação? Não. A acção é a meus olhos o melhor remédio para o pessimismo. Acções, houve muitas no ano passado, e mais ainda irá haver este ano: o Festival IDAHO no Japão, o Festival IDAHO na Turquia, o Festival IDAHO e o Pride histórico na Rússia, a estreia absoluta do filme “Hate Crime” em Hollywood, um seminário no Parlamento Europeu com o Presidente do Parlamento e o vice-presidente da Comissão europeia, cerimónias religiosas contra a homofobia na Guiana, na Nigéria, na Inglaterra, em França, um minuto de silêncio em França, na Costa do Marfim, na Grã-Bretanha, no Peru e no Sri-Lanka, etc.
É preciso multiplicar as acções contra a homofobia, para que um dia, finalmente, já nada disso seja necessário fazer...
Louis-Georges Tin Presidente do Comité IDAHO (International Day Against Homophobia) www.idahomophobia.org
Maria admite que ao princípio "estava contra", e só ia para acompanhar o namorado. "Mas quando entrei nas casas de banho e vi os preservativos, os lenços de papel, até esperma no chão... Fiquei revoltada. Podem-se apanhar doenças, ali. Há famílias que se servem daquelas casas de banho... E ouvi dizer que há pessoas com sida que lá vão." Dir-se-ia que para esta rapariga de 26 anos, como para os amigos, a sida se transmite por contágio visual. Ou, diz um deles, "pelo suor".
Trabalhadores do sector primário e secundário sem mais que a escola de lei, estes rapazes e raparigas de feições espessas, rurais, exibem sem filtro as convicções. Para eles, o nome certo da coisa é abominação. "Deus fez a mulher para o homem." Num sorriso envergonhado, os olhos sempre suspensos no namorado, Maria repete a catequese. Se alguma vez lhe passou pela cabeça ter um filho homossexual? Abana a cabeça, confusa. "Se sair ao pai, não é de certeza." À queima-roupa, o prospectivo pai dispara "Eu sou sincero: mais valia afogá-lo logo no rio."
amor que não ousa dizer o nome. Foi numa noite de Inverno, no fim de 2004. O carro estava num ermo à saída da cidade, quieto, luzes apagadas. Um cerco súbito de faróis no máximo e motores rugidos estremece os ocupantes, vultos perscrutam o interior do carro. Depois, tão depressa como chegaram, desaparecem. Perplexos, a mulher e o homem levam tempo a remediar o susto. O romance clandestino ia aca- bando mal. Mas não era esse tipo de clandestinidade que os outros procuravam.
É do "amor que não ousa dizer o seu nome", como escreveu há mais de um século Oscar Wilde, que eles andam à procura. Mais concretamente, dos engates ou encontros sexuais de ocasião entre homens, como os que há muito ocorrem numa zona de descanso no IP5, ao pé de Viseu. A mesma que, numa notícia publicada em Outubro num diário nacional, foi referida como uma área "de prostituição masculina" em relação à qual o presidente da câmara Fernando Ruas (PSD) manifestava a intenção de solicitar um reforço de policiamento (intenção que, diz agora, nunca concretizou, já que tem "total tolerância por essa inclinação sexual" e condena "aquilo que vem a lume na Imprensa como perseguição a homossexuais"). Uma zona que Carlos, 39 anos (o nome, como quase todos os mencionados nesta reportagem, foi alterado), frequentava. Até que, numa bela noite de Outono, "estava no carro com um amigo quando fomos rodeados por uma série de automóveis, que nos barraram a saída".
contas a ajustar. Vultos masculinos cercam-nos, enquanto nos veículos, nota Carlos, "ficam umas moças, a observar". Sem escapatória, tranca as portas. "Ali estávamos, muito quietos, mortos de medo, sem perceber nada." Os homens, entre os 20 e os 30 anos, batem no carro, gritam insultos. "Era paneleiros, filhos da puta, eu sei lá. Urinaram-me o automóvel todo, riscaram-no... Ameaçavam com pancada e repetiam 'os paneleiros hádem morrer todos, havemos de correr com eles daqui para fora'." Ao longo dos 45 minutos que, garante , o episódio durou, ligou para a GNR: "Disse que havia indivíduos a ameaçar-me e a danificar-me o carro, e eles nada."
Depois, continua Carlos, "deixaram-nos sair. Dirigi-me para o posto da guarda, onde me receberam muito bem, dizendo que havia muita gente a queixar-se do mesmo". Mas, garante, aconselharam-no a "esperar" antes de avançar com a queixa, porque "tinha meio ano para decidir se queria ir com aquilo para a frente". Retrospectivamente, acha "estranho". Mas terá seguido o conselho, como quando, de acordo com o seu relato, foi abordado pelos mesmos indivíduos no centro de Viseu num sábado de Janeiro. "Diziam 'Foste fazer queixa, temos contas a ajustar.' Ofereceram-me porrada, e eu ala para a esquadra da PSP, com eles atrás." Mais uma vez, "suspendeu" a queixa. "Ainda estou a pensar se devo ou não avançar, eles são pessoas perigosas, de muitas represálias."
querem que eu morra? Relatos como o de Carlos não são difíceis de obter, em Viseu. E há até histórias de horror um homossexual teria sido queimado com pontas de cigarro, a outro teriam apontado uma pistola à cabeça... Mas estas, que empalidecem episódios como o de Carlos, não são assumidas por ninguém. Porque são falsas ou porque a vergonha e o medo falam mais alto?
Certo é que queixas "efectivas" contra um grupo com as características do descrito só há quatro, todas na PSP. Na GNR, que tem a intendência da zona de descanso do IP5 onde a maioria dos casos se terá dado, nem uma para amostra. Aliás, o tenente Ferreira, comandante do posto, garante que nunca o grupo de indivíduos em causa foi, sequer, identificado. Isto apesar de vários testemunhos - incluindo os dos membros do grupo - certificarem que as visitas à zona eram quase diárias. "Que quer que lhe diga", diz o tenente. "É fácil reconhecer as nossas viaturas, as pessoas podem fugir..." Quanto ao "conselho" alegadamente dado a Carlos, fica interdito "Isso é muito estranho." Já a PSP terá logrado, por duas vezes, identificar os alegados agressores. Uma das queixas, relativa a uma ocorrência de Dezembro, terá já, de acordo com o comissário Lopes Ferreira, "seguido para o tribunal". As outras três, apresentadas pela mesma pessoa, estão ainda em investigação.
Quem as apresentou está agora impedido de falar devido ao segredo de justiça. Mas antes, "por ver que a polícia não ligava nenhuma", decidiu "chamar a SIC". Na reportagem, emitida em meados de Fevereiro, após dois dos alegados ataques de que foi alvo, Manuel, de 30 anos, narrava como, na noite de 11 para 12 daquele mês, tendo estacionado o seu carro no centro de Viseu, junto ao tribunal, se viu, com dois amigos que transportava, "cercado de automóveis, que me trancaram a saída". Seguem-se as pancadas no carro, ameaças, insultos. "Eram 20 ou 30 à nossa volta. Liguei para a polícia duas vezes. À segunda, meia hora depois da primeira, estava histérico. Só gritava 'Querem que eu morra?'" Tempos depois, entre as quatro paredes de casa, num jantar de amigos, Manuel, em encarnação perfeita do Nelo de Herman José, faz do drama uma comédia hilariante: "Um dos meus amigos só se persignava. 'É hoje! De hoje não passamos!"
Só quando Manuel tem a ideia de começar a anotar as matrículas das viaturas dos atacantes estes se afastam e o deixam sair dali. Vai direito à esquadra. "E os outros sempre atrás de mim. Chego, apito que nem um louco, e nem um polícia aparece. Vou lá eu e que vejo? Três agentes todos descansados a ler o jornal. 'Què que foi?', dizem eles." Envergonhado de ter de se assumir como homossexual, Manuel hesita. Perguntaram-me três vezes o que me tinham chamado... E eu, muito baixo paneleiro." Sentindo-se mal, pede para ser escoltado ao hospital, já que os agressores continuam lá fora. "Os polícias saíram comigo e nem se deram ao trabalho de os identificar."
o "pretenso gang". Só no terceiro encontro de Manuel com o grupo, já após a reportagem televisiva, a polícia responde prontamente ao seu pedido de socorro, identificando cinco homens e duas mulheres. Mas antes, narra Manuel, é mais uma vez ameaçado "Ai que reportagem tão linda na SIC! É hoje que vais morrer."
A visibilidade do caso determinou protestos vários, sobretudo de associações ligadas à defesa dos direitos dos homossexuais como a ILGA Portugal e a Opus Gay. A 22 de Março, a associação Olho Vivo e as Panteras Rosa/Frente de Combate à Homofobia deram uma conferência de imprensa em Viseu, acusando as autoridades locais de não terem feito tudo ao seu alcance para debelar os atentados contra os homossexuais. Uma frase do comandante da PSP local - "estas situações acontecem a quem as procura" - é mote para a suspeição de uma certa bonomia em relação aos agressores.
Agressores cuja existência parece, de resto, não ser inteiramente admitida pelas polícias. A 23 de Março, a Lusa citava o mesmo comandante, que garantia "não estar confirmada, para já, a existência de um gangue organizado de 30 pessoas". E o governador civil, em comunicado do mesmo dia, falava de "um pretenso gang que andaria nos últimos tempos a perseguir cidadãos de determinada inclinação sexual". E prossegue "Em Viseu, vive-se, felizmente, um clima de segurança que permite aos cidadãos em geral viverem de forma tranquila e com normalidade, salvo raríssimos casos pontuais de reduzida dimensão".
Seja lá o que for um gang (ou gangue), e seja lá o que for o conceito de organização implícito na ideia, esta dezena de viseenses que às 11 horas da muito fria noite de 22 de Março se encontra com o DN numa zona deserta da cidade fez questão de surgir assim, "em grupo" "Ou falamos todos ou não fala nenhum." Mesmo se são menos de dez e garantem que "são muitos, às vezes mais de 40", assumem-se como um colectivo que age com um objectivo comum: "Limpar esta porcaria" . A "porcaria" são "os paneleiros", que "metem nojo". "Haviam de morrer todos", repetem. "Um homem que tem sexo com outro não merece viver."
Não obstante, certificam que "nunca ameaçaram ninguém de morte, ao contrário do que esse mentiroso disse à SIC", e " não terem nada contra os homossexuais". Só querem "acabar com o nojo do IP5", onde um deles terá sido assediado. "Fui à casa de banho, vem um gajo e mete-me a mão no coiso. Levou logo um malhão." Virá daí o espírito da milícia, alimentado em conversas de café. "Começámos a ir lá todos os dias."
em vez da polícia. Nascia assim, há meio ano, uma peculiar forma de diversão. A "brigada anti-homossexual", como a crisma o mais brincalhão, cujo pai surge a meio da conversa e fica a assistir, encantado. "Claro que sei o que o meu filho faz." Não é excepção "As nossas famílias sabem e concordam. Só dizem para termos cuidado." A crer no grupo, não são as únicas forças vivas da cidade a dar-lhes a bênção. Certos de que a maioria do povo de Viseu está do seu lado, insistem ter também o apoio das polícias. "Estão fartos de saber o que andamos a fazer. Fomos identificados muitas vezes, já nos revistaram os carros... Alguns até dizem que como eles não podem fazer nada, fazemos nós." Convicto do mandato, o namorado de Maria faz manifesto: "Temos o direito e o poder de agir em vez da polícia." Um dos camaradas ri: "Somos tantos que eles nem sabem... Os polícias e nós."
Este "eles" inclui o homem da queixa mediática, as suas testemunhas e quem os apoiar. Mesmo se aqui todos desconsideram as consequências do processo. "Não vai dar nada. É a nossa palavra contra a deles. E se ele sabe mentir, nós também sabemos." O mal, lamentam, "foi não lhe darmos umas porradas". Como fazem a todos os que "resistem". "Se se viram a nós, levam". Enlevados na epopeia, arriscam confidências. A história preferida, pela sua moral, é a do homem de meia-idade "que fizemos despir-se todo e andar nu, de um lado para o outro, no parque do IP5". No fim da lição, quando lhe entregaram a roupa, "ele agradeceu. Disse que tinha mulher e filhos e que aquilo que ia ali fazer era uma vergonha." Os olhos do justiceiro brilham mais, em triunfo e comoção. "Disse que devíamos fazer o mesmo a todos. Vê?"
Estava numa reunião de trabalho com a Coordenação Nacional Luta Contra a Sida quando via telemóvel me chega a notícia de que uma transexual de seu nome Gisberta havia sido assassinada no Porto.
A notícia vinha a ficar mais arrepiante quando tive acesso à informação que descrevia a forma barbara, com requintes de malvadez, da agressão que vitimou esta nossa “irmã”. Mas como se tudo isto não bastasse os autores desta cruel e requintada execução, eram demasiado jovens para se poder imaginar que de tal fossem capazes. Numa cidade como o Porto, uma cidade acolhedora, de gente de trabalho, um grupo de jovens educados por uma instituição Cristã/Católica, levaram acabo a façanha de pontapear; espancar; queimar; dilacerar, e por fim afogar um ser humano. Estaríamos longe de imaginar que tal pudesse acontecer mas a verdade é que aconteceu e a Gisberta não está mais entre nós. Partiu deste mundo por um acto “inquisidor” que pune algumas diferenças e entre elas os mais desprovidos das suas faculdades, físicas, a Gisberta já vitima de, amores e desamores, de uma sociedade que mal trata os seus, e de um vicio que a levou a viver na rua, agonizou as suas ultimas horas de vida devido a um acto sanguinário perpetrado por jovens que deviam estar a jogar á bola, a correr em volta da escola ou a estudar.
Não vou apontar o dedo nem á instituição que os educava, nem aos jovens, nem à Justiça Portuguesa, porque nesta altura não sei de quem é a culpa, de certo será de todos nós e também minha, porque não se compreende que os autores morais e materiais desta acção saiam impunes, continuando as suas vidas como se nada se tivesse passado, como se a vida de um ser humano nada valesse, e ao mesmo tempo outros beneficiem de “créditos” estatais.
Quem foi de forma cruel e desumanamente assassinada não foi a Gisberta! Foi sim, a “irmã” do Senhor Primeiro-ministro, foi a “irmã” de Sua Excª Dom Policarpo, foi a “irmã” de cada um de nós! Hoje foi a Gisberta porque era uma Transexual. Amanha porque se é preto, depois porque se é deficiente, ou porque se é seguidor de uma religião diferente.
Assim impunemente se matou, e triste e lamentavelmente se ignorou a vida de um ser humano.
O sangue da Gisberta e a sua agonia está hoje nos cálices de cada um, bebam para remissão dos pecados, os mesmos pelos quais seremos todos (os crentes) julgados no dia do juízo final.
1.° manifesto do M. A. H. R. (Movimento de Acção Homossexual Revolucionária)
13 de Maio de 1974 Liberdade para as minorias sexuais
À semelhança do que acontece em vários países também em Portugal as minorias sexuais reivindicam a liberdade de se assumirem como tal. Do M.A.H.R. (Movimento de Acção Homossexual Revolucionária) recebemos o primeiro manifesto:"Na festa do 1.° de Maio, no Porto, apareceu o primeiro cartaz a reivindicar "Liberdade para os homossexuais". Isto significa que os movimentos de libertação homossexual se encontravam reprimidos pelo meio século de fascismo, e se identificavam com a libertação sócio-política do Movimento das Forças Armadas. A situação de guerra que o País atravessou e atravessa provocou um progressivo acréscimo na homossexualidade (masculina e feminina): nas Forças Armadas, nas camadas proletárias, desempregados, nas comunidades sujeitas a forte repressão sexual (colégios, liceus, seminários, cadeias, etc). desenvolveu-se a prática homossexual tornando o facto estatística e socialmente irreversível. Se a decadência burguesa origina a decomposição da moral sexual, a oposição de classes impõe o homossexual como uma força antagónica à ordem estabelecida (social e sexual).Paralelamente ao movimento político anti-repressivo vive o movimento sexual anti-repressivo. A homossexualidade dissocia-se da instituição família (que Marx considerava a base institucional do capitalismo) e liberta na sua prática o desejo sexual reprimido. Nos regimes fascistas os homossexuais são vítimas de chantagem, de perseguições sociais, obrigados a esconderem-se e a isolarem-se da convivência comunitária.O problema da homossexualidade é muito mais grave do que aparenta àqueles que estão integrados na moral sexual burguesa. A homossexualidade é a força mais destrutiva dessa moral. Vítimas da mais autoritária repressão jurídica e social, os homossexuais portugueses têm tudo a reivindicar, desde a integridade de cidadãos, à possibilidade de se incluírem em qualquer movimento político revolucionário.Pedimos às Autoridades e ao Povo Português:
Abolição imediata do art. o 71, n.° 4 do Código Penal, que reputa, ambiguamente, de passíveis de medidas de segurança às práticas homossexuais. Possibilidade jurídica de contestar os actos de chantagem, extorsão e perseguição de que os homossexuais são alvo. Livre prática homossexual, desde que esta não seja provocada por acto de violência física. Livre reunião de núcleos homossexuais. Exigência de uma participação nos órgãos informativos, com fins de esclarecimento sobre liberdade homossexual masculina e feminina. Imposição de uma educação sexual que não descrimine as práticas homossexuais, em todas as escolas. Livre compreensão da problemática inerente à homossexualidade que não separamos, de modo algum, da problemática sexual geral.
O M.A.H.R. compõe-se já de mais de 1000 militantes no Porto e em Lisboa. Sabemos da saída, em destacadas editoras de uma série de livros fundamentais para a compreensão e reivindicações da homossexualidade.Para breve, três obras-primas da sexologia :
-"Saint-Genet": obra suprema de Jean-Paul Sartre, de crítica literária e político-sexual de uma das figuras mais proeminentes da revolução sexual: Jean Genet. -"Désir homosexuel": DE Guy Hocquenghem, esquizo-análise da homossexualidade, nas suas implicações político-filosóficas. -"Rapport contre Ia normalité": a mais importante antologia de textos reivindicativos de adolescentes, operários e intelectuais revolucionários.
Dado que este é o 1.° manifesto do M. A. H. R., preferimos o anonimato, até um reconhecimento mínimo da nossa integridade física e social.
O que eu acho é que os movimentos LGBT podem ter má fama e é verdade que em muitos casos o têm. Existem várias pessoas com carreiras estragadas por fazerem parte de movimentos e por se dedicarem mais a eles que ao resto e por deixarem o tempo passar. A passagem do tempo é algo assustador e muitas vezes os movimentos LGBT fazem com que apareçam pontos sem retorno na vida das pessoas. Nesse sentido Bento XVI até tem razão, uma vez que existem muitos homens que perdem a noção de vida por fazerem parte de movimentos LGBT. Não esquecendo ainda o facto de que o movimento LGBT cada vez mais é caracterizado pelo culto da imagem e do sexo e não pelo culto do amor. A imagem transmitida pelos homosexuais acaba por ser a negativa e não a positiva por estas razões. Desta forma acredtio muito nas palavras do papa Bento XVI porque de facto existe algo de muito errado e muito decadente na sociedade em que vivemos hoje em dia em que os valores da família são constantemente destruídos por valores falsos. Hoje em dia a musa da destruição da família até parece ser a Madonna, que quebrou laços familiares e conseguiu subir na carreira. O que me preocupa é se é esta a imagem que a Madonna transmitiu ao mundo? Agora parece ser "fixe" e "cool" quebrar laços familiares. Porquê? De muitas coisas erradas que o Papa diz, no aspecto decadente e destrutivo da sociedade ele tem muita razão. "Deus escreve direito por linhas tortas" já dizia a minha avó!
Anónimo em 16 de Abril de 2006 12:03
Comentário:
Tendo em conta que em Portugal existem quase 1 milhão de pessoas que são homossexuais ou lésbicas, e que no "movimento homossexual" (incluindo tudo o que é classificado de "homossexual" no espaço público como marchas, associações, bares, discotecas, saunas) teremos, no máximo dos máximos, umas 20 mil pessoas é difícil de engolir este tipo de generalizações do autor deste comentário.
Por outro lado o problema do Papa não é a quebra de laços familiares mas sim a não conformidade com o Casamento Católico e a existência de novos laços familiares, incluindo, a união e casamento entre pessoas do mesmo sexo que tanto tem preocupado a hierarquia católica (bem mais preocupada que os católicos propriamente ditos).
Afinal o maior opositor do Casamento Civil entre pessoas do mesmo sexo na Europa tem sido a própria Igreja... só em Portugal temos milhares de famílias constituídas por pessoas do mesmo sexo não têm reconhecimento legal por esta razão. Afinal quem "quebra laços familiares"?
ok eu vou dar a minha opinião bombástica! :P se não fosse a homofobia eu hoje em dia estaria numa melhor posição. Não houve um único movimento LGBT que me endireitasse, nem PortugalGay, nem ILGA, nem Panteras, nem Festival de cinema LGBT nem nada... Hoje em dia até acho que os movimentos LGBT só me atrasaram a vida e por isso ainda sou estudante! Muito obrigado por nada já agora e agradecia que se afastassem de mim seus movimentos malditos! Está na altura de me borrifar para vocês e pensar mais em mim porque eu sou mais importante que qualquer movimento LGBT nem que para isso me case com uma mulher. Não hà pachorra para tanta perda de tempo e tantos atrasados mentais! Desculpem mas é assim que penso. Estou completamente decepcionado com os movimentos LGBT especialmente pensando que as coisas poderiam ter corrido melhor. Por isso não tenho estabilidade e se por um lado posso culpar a homofobia por isso, por outro tenho a culpar a exposição e desorientação negativa que as associações LGBT que prometem mundos e fundos me deram. Desculpem mas a minha vida está em pedaços graças a esta obcessão carnívora e bairrista das associações LGBT. nunca mais me peçam para fazer seja o que for. NUNCA MAIS!
Anónimo em 16 Abr 2006 0:57
Comentário...
Tenho pena que este tipo de comentário seja feito de forma anónima e sem clarificar a situação e explicar o que se passou e o que esta pessoa fez para o evitar (ou não).
As associações são feitas por pessoas (chamam-se "associações" por isso mesmo)... quem não está bem numa associação, junta-se a outras pessoas e faz a sua associação ou grupo de interesse. Agora, ninguém é obrigado a fazer o que quer que seja numa associação e parece-me triste que se venha culpar terceiros pelas consequências dos actos conscientes da própria pessoa.
Mas ainda há muita gente que considera a política antiga não discriminatória... baseados na ideia que estatisticamente um homem que tem sexo com homens tem maior probabilidade de ser seropositivo.
Vamos então falar de estatísticas.
Segundo os últimos dados (referentes a 31 de Dezembro de 2005) disponíveis no site Sida.pt:
Encontram-se notificados 28 370 casos de infecção VIH / SIDA nos diferentes estadios de infecção. A análise, segundo os principais aspectos epidemiológicos, clínicos e virológicos é apresentada separadamente para cada estadio da infecção, por corresponder a situações distintas. Como elemento comum a todos os estadios, verifica-se que o maior número de casos notificados (“casos acumulados”) corresponde a infecção em indivíduos referindo consumo de drogas por via endovenosa ou “toxicodependentes”, constituindo 46,1% (13 085 / 28 370) de todas as notificações. O número de casos associados à infecção por transmissão sexual (heterossexual) representa o segundo grupo com 36,3% dos registos e a transmissão sexual (homossexual masculina) apresenta 11,7% dos casos; as restantes formas de transmissão correspondem a 5,9% do total. Os casos notificados de infecção VIH /SIDA, que referem como forma provável de infecção a transmissão sexual (heterossexual), apresentam uma tendência evolutiva crescente importante. No segundo semestre de 2005, a categoria de transmissão “heterossexual” regista 52,7% dos casos notificados (PA, Sintomáticos não-SIDA e SIDA).
Isto são dados notificados desde sempre. A infecção nos primeiros anos foi marcada por uma maioria de transmissões homossexuais, depois houve uma quebra acentuada destas situações que levou a estes resultados acumulados. Infelizmente os dados mais recentes apresentam um cenário em que as transmissões por via homossexual voltaram a aumentar situando-se perto da média acumulada... ainda há muito trabalho a fazer nesta área.
Outros estudos apontam para entre 5 a 10% da população seja homossexual.
O problema é que ser "homossexual" e ser "homem que teve sexo com homens" não são sinónimos... antes pelo contrário. Os estudos efectuados nesta área apresentam percentagens muito mais elevadas de "homens que tiveram sexo com homens" do que "homossexuais"... os valores chegam a 70% do número de homens. E é aqui que a estatística estraga a política anterior do IPS.
Mas falemos de outras estatísticas do VIH/SIDA:
40% dos casos notificados são de pessoas entre os 25 e 34 anos.
Pela lógica então estas pessoas deveriam também ser eficazmente proibidas de doar sangue, e no entanto isto não passou na cabecinha dos senhores do IPS.
Quanto ao exemplo dos EUA, basta ver esta notícia para perceber como a histeria está muito acima de princípios científicos naquele país quando se fala de VIH/SIDA.
Sobre o artigo do Público republicado no vosso site (e no link http://jornal.publico.clix.pt/noticias.asp?a=2006&m=03&d=12&uid=&id=67927&sid=7465):
Para além de muita insensibilidade no tratamento da questão (alguma da qual vocês "repararam"), o artigo está muitissimo errado em relação à relação entre Transexualidade primária / secundária e o desejo / possibilidade de se fazer a SRS (Sex Reassignment Surgery).
Tradicionalmente a transexualidade primária é definida como as pessoas que "descobriram" a sua transexualidade antes da puberdade. Também tradicionalmente, estas pessoas são heterossexuais. As pessoas transexuais secundárias "descobrem" a sua transexualidade mais tarde, tipicamente depois da puberdade, e costumam ser homossexuais. A definição dada não corresponde às teorias de género convencionais (será uma nova teoria portuguesa??). De qualquer modo, a teoria-padrão é só um estereótipo muito parvinho e sem grande relação com a realidade. Conheço muitas Transexuais primárias homossexuais (i.e. lésbicas), e Transexuais secundárias hetero. Eu própria sou primária e lésbica :). Mas enfim, é um estereótipo muito comum e com base em conceitos estabelecidos há muito tempo...
Agora a relação entre primária / secundária e o querer-se fazer a SRS ou não é uma coisa que nunca ouvi antes! Quem lhes disse isto não sabe nada de Transexualidade (deve ter sido um psiquiatra do SNS, essas abébias convencidas de que são médicos a sério...). Existem TSs primárias que não querem / podem fazer a SRS e secundárias que querem e fazem a SRS. Querer-se fazer ou não depende da vontade da pessoa se sujeitar a uma cirurgia altamente invasiva e arriscada (e das possíveis complicações advintes, incluindo perda de sensibilidade permanente), da pessoa se sentir desconfortável (ou não) com o seu corpo como ele é, da sua sexualidade, da sua sensibilidade pessoal, e, claro está, das possibilidades económicas e / ou competência (ou falta dela...) dos cirurgiões locais (os cirurgiões portugueses, embora se "atirem" a fazer SRSs, não estão minimamente preparados para ela, e os resultados costumam ser pior que maus), entre muitos outros motivos, que nada têm a haver com a Transexualidade ser "primária" ou "secundária".
Enfim, mais um artigo desinformativo e preconceituoso... gostava de saber quem elaborou estas respostas! E será coincidência ter sido publicado no jornal de JMF, esse cruzado anti-LGBT??
Saudações a tod@s!
pessoa não identificada
Fica aqui a nota, que me parece fazer muito mais sentido que o artigo original do Público.
Mais uma vez fico chocado com as palavras que são utilizadas, em nome da igualdade das pessoas de opção sexual diferente, para levar "a água ao seu moinho". Que quero ser considerado igual entre toda uma sociedade que recrimina a minha sexualidade, sim quero! Se quero poder ter direitos iguais a todos os outros que são intilulados "normais" apenas porque têm uma sexualidade diferente da minha, sim quero! Mas por favor, não utilizem estas questões para fazer propaganda política barata e principalmente, tenham memória e tentem recordar um pouco a nossa história nos últimos anos e vejam o buraco onde Portugal caiu quando o último governo rosa esteve a brincar à política.
Não quero cair no erro que aqui aponto e peço desculpa se o fiz, o que quero apenas dizer é que a causa gay não é motivo para propagandas políticas baratas, principalmente porque no meio disto tudo quem são os preconceituosos somos mesmo nós. Se em Portugal vivemos uma situação destas, a culpa é nossa. As pessoas têm medo de tudo e juntam-se sempre ao lado mais facil. Digo isto com mágoa e com um profundo desgosto, nasci no país errado, que sabe que é mesquinho e ridículo mas que ninguém se une nem se esforça para poder alterar seja o que for.
anónimo
Comentário:
Caro utilizador,
Antes de mais obrigado pelo seu comentário, é sempre agradável termos conhecimento da opinião dos demais utilizadores que o PortugalGay.pt tem.
Contudo sou obrigado a discordar um pouco com o seu comentário. Antes de mais gostaria que me deixa-se corrigir uma palavrinha que muitos pseudo especialistas usam quando falam dos GLBT nas televisões, e que é “opção” sexual. Ora que me recorde quer da minha pessoa quer daquelas com ate hoje já tive de oportunidade de falar, e acredite que foram muitas, nenhuma dessas pessoas optou por ser Gay ou Lésbica, sentiu essa vontade, o desejo pelo corpo igual ao seu, e a isso chama-se orientação.
Não acredito que acredite, que nós GLBTs optamos por ter uma vida de mentira, escondendo a nossa orientação sexual, que escolhemos ser maltratados, apontados ou apelidados dos mais variados nomes ofensivos existentes no nosso vocabulário vernáculo e do calão.
Concordo consigo quando diz que o ultimo governo rosa andou a brincar á politica, mas deve também concordar comigo que o governo agora demissionário não brincou quando silenciou os inúmeros comunicados feitos pelas diversas associações Gay, quando tentou institucionalizar de forma agressiva o patriarcado, austero, colocando para canto as minorias onde nós nos encontramos.
Quanto ao dizer que a causa Gay não é motivo para propagandas politicas baratas, isso não é tanto assim. Ser activista Gay ou Lésbica, é fazer politica, barata ou cara é a politica possível. A culpa de nós (GLBTs) não termos uma força maior social e politica, é mesmo nossa, eu enquanto activista sinto falta daqueles que defendo, no Porto Pride, na marcha nacional em Lisboa, sinto falta que lá estejam de cara tapada ou descoberta mas lá. Quando se contam o numero de pessoas nessas manifestações, o que se contam são cabeças e não caras, e acredite que no dia em que tivermos 500.000 cabeças principalmente na marcha, e no Porto Pride, acredite que os nossos políticos e jornalistas vão olhar para nós de outra maneira.
Não acredito que tenha nascido no país errado. O país é feito por pessoas logo o seu país é também feito por si, e pelas suas acções. Eu acredito que todos nascemos com uma função a cumprir, andamos muitas vezes de um lado para o outro sem sabermos muito bem o nosso caminho, e quando encontramos o nosso caminho aquilo que temos muitas vezes de fazer é saber se estamos dispostos a pagar o “preço” desse caminho. A jeitos de desabafo lhe digo que o preço de ser activista neste nosso país é por vezes muito alto, e só o consigo pagar graças ao meu companheiro e à minha família de origem.
Olá a todos. Gostaria de suscitar a seguinte reflexão junto de vós:
Quase diariamente que venho à esta página como devem vir milhares de outras pessoas. Desde sempre que as mensagens que vejo por aqui são, salvo raras excepções, como que tiradas da "Alice no País das Maravilhas".
Por vezes as pessoas tentam encontrar nas outras aquilo que elas próprias não têm ou aquilo que não são, realmente isto é curioso.
Quando vêm com o discurso das qualidades, parece que a palavra defeitos lhes é desconhecida, e depois e acima de tudo o "se não frequentas sitios gay"... parece que os sitios gay ou nos sitios gays, vá-se lá saber como os definem, se pregam umas kekas em cima dos balcões... é triste mas é a realidade nua e crua que aqui se vê patente nalgumas mensagens.
Das duas uma: ou os remetentes de mensagens com esse teor viveram toda a vida num mosteiro, numa abadia, num seminário, já não digo que estiveram presos num estabelecimento prisional pois lá os que não sabem nada na vida, n deve existir nenhum, depressa aprenderiam, ou então querem conhecer alguém puro e casto (ainda haverá isso?) para lhes mostrar um presente que lhes convenha, ocultando um passado que os envergonha???
Pessoalmente não sou nenhum poço de virtudes, sou aquilo que sou, acho que chega; alguém que se lhe apetecer ir a uma sauna vai, como se lhe apetecer ir a uma discoteca vai, mas acima de tudo, alguém que não tenta enganar os outros enganando-se a si próprio.
Boa Noite! Respeito a homosexualidade. No entanto, sou completamente contra a adopção por um casal gay.
Eu imagino como me sentiria se tivesse sido adoptado por um casal gay.........
O senhor fala a certa altura: é preferivel ser filho de um casal de pais desiquilibrados com prejuiso enerente dos filhos ou de um casal gay. Se o casal gay fossem um casal prefeito(conceder uma boa educação) ok, no entanto, tanto um casal gay como hetero pode ser desiquilibrado. Assim sendo, por ai estamos empatados. Desempatamos ao falar que em condições iguais, é saudavel uma criança se filha de um casal hetero em detrimento de um casal gay.
Obrigado pela atenção.
Resposta:
Continua-se a fazer as maiores confusões ou pelo menos não se quer ver o obvio!?
Coitadas das crianças que vão ser adoptadas por casais homossexuais, como se vão sentir? Vão sentir-se da mesma forma que sentiram as crianças que tinham um olho de cada cor, o nariz grande, gaga, filhos de divorciados (há uns anitos atrás), ou filhos negros de um casal branco ou mix-race.
Pela ordem de ideias sempre que um dos progenitores morresse, o sobrevivente devia ter o máximo de um mês para encontrar o seu par, não vá a criança ser penalizada pela sociedade, ou ter deformações psíquicas por ser educada apenas pelo pai ou pela mãe.
Embora na minha óptica se esteja com o carro à frente dos bois, ou seja deve-se primeiro lutar pelo casamento civil entre pessoas do mesmo sexo e, só depois a adopção. Aquilo que se esta a argumentar contra a adopção por casais do mesmo sexo é pura e simplesmente o mesmo que se fez quando houve os primeiros divórcios, ou os primeiros casamentos entre pessoas de raças diferentes, por outras palavras uma verdadeira hipocrisia.
Aquilo que se pede há anos é: "Nem menos nem mais, direitos iguais!"
Ou seja na questão da adopção deve um casal homossexual passar pelos mesmo tramites legais que passa um casal heterossexual.
Mais uma questão. Parece dramático ser-se adoptado por um casal de pessoas do mesmo sexo, mas já não dramático ser-se adoptado por um idoso/a, alguém que esta no seu fim de vida em muitos casos até se encontra sozinho/a, e adopta um elemento de companhia, no caso uma criança, já não parece nada dramático nem nada do outro mundo. Onde vai estar o pai ou a mãe dessa criança quando ela tiver 16 anos, uma fase problemática na vida de cada um, uma vez que foi adoptada com cinco anos, e o pai ou a mãe adoptiva tinha 50,... é com 61 anos que vão encarar os matulões que rondam as escolas? Já é problemático faze-lo com trinta anos imagine-se com 61.
Gisberta - A palavra aos visitantes PortugalGay.PT
04-03-2006 0:11:57
Que Pesadelo!
No contexto Casa Pia...só depois de tanto Fumo e Fogo é que se resolveu averiguar e ainda nada se fez de realmente importante!No contexto do Homicidio da GISBERTA....continua tudo a dar que falar e a Justiça a falhar...quanto a acções preventivas, então é que entramos num descalabro total. A Instituição Oficinas de S. Josá, tem de ser Investigada, em todas as suas delegações e o sistema tem de actuar nesta fase inicial, não se devem esperar por mais assassinatos ou crimes afins! BASTA! Actuem PREVENTIVAMENTE!
Paulo Sá
04-03-2006 0:34:01
Oi
E realmente triste, como pode a nossa joventude ser tão cruel intolerante, mas pensando bem a culpa não será bem destes jovens, isso envolveria muitas outras questões, ainda por cima este mediatismo não traz nada de bom, a Gisberta precisava de apoio muito apoio como muitas outras MULHERES, sim porque ELA e uma MULHER, mas tem que se começar por algum lado talvez a parte boa deste mediatismo ainda acabe por se refletir mais tarde sim porque isto tal como tudo vai aos poucos, não podemos mudar as opinioes repentinamente....
anónimo
03-03-2006 20:19:32
one tender kiss to the sweet Gisberta, your smile will stay deep in our eyes, all we love you and we will not forget your sweet and beautifull face of tender woman, of lovely soul, of infinite dreamer...
Este fim de semana foi efectuada pelo PortugalGay.PT a doação do montante conseguido no Porto Pride 2005 ao Hospital Joaquim Urbano. Na noite de sexta-feira no bar Boys´R´Us (co-organizador do Porto Pride 2005) um representante da Liga de Amigos do Hospital Joaquim Urbano, recebeu das mãos de João Paulo, editor do site PortugalGay.PT, um cheque no valor de 3'034,73 euros (3'010,00 euros do donativo recolhido na festa mais juros bancários).
Nestes cinco anos o Porto Pride doou à Liga de Amigos do Hospital Joaquim Urbano um total de mais de 13.000 euros (treze mil euros), que têm ajudado esta liga não só a realizar melhoramentos nas instalações e nas condições de atendimento e internamento desta unidade hospitalar como também na reintegração de vidas quase destruídas pela toxicodependência.
E foi precisamente um dos responsável por esta área, Sérgio Camanho, que salientou a importância deste apoio e o seu reconhecimento junto da organização do Porto Pride e às cerca de 200 pessoas que enchiam o bar por volta das duas da manhã.
O Porto Pride 2005 foi realizado no dia 2 de Julho no Teatro Sá da Bandeira pelo PortugalGay.PT e Boys'R'Us e contou com apoios do Alto Comissariado da Saúde - Coordenação Nacional para a Infecção VIH/sida, Cutty Sark, Rádio Nova Era, SuperBock, NorPonto, Projecção e AMC Cinemas.
A edição de 2006 deste evento reconhecido internacionalmente já tem data marcada: sábado, 8 de Julho em local a anunciar.
Antes de mais boa noite!Gostava de deixar aqui algumas referências opinativas acerca do que foi, nesta página e semelhantes, publicado.Sou de Viseu, nasci cá e continuo a morar cá e fico escandalizada com algumas "acusações" aqui referidas.Como nativa viseense quero deixar aqui bem claro que a homofobia verifica-se, infelizmente, em todo o mundo e não só em Viseu. Não pretendo, assim, defender ou atenuar qualquer atitude menos própria que alguem possa ter tomado em relação a alguns "gays" de Viseu. Agressões vemos nós diariamente não só a gays como a hetero ou bi-sexuais. Acho indecente que esses senhores venham para a imprensa alegar ofensa só porque foram agredidos ou ameaçados por serem gays.Eu sou lésbica assumida, convivo diariamente com pessoas de outras orientações sexuais e não tenho qualquer razão de queixa em relação a ninguem de Viseu ou a algum tratamento menos próprio que me tenha atingido. Quero então salientar que antes de resolverem acusar os viseenses do que quer que seja ou antes de os olharem como os "bichos" da homofobia em Portugal, pesquisem bem o que se passou, investiguem as supostas vitimas de agressões e depois tirem as devidas conclusões.Devo acrescentar que conheço bem a "vítima" que se diz agredida por ser gay e acho indecente que tenha aproveitado o que se passou (note-se que se desconhecem as causas, a única justificação dada para o sucedido foi adiantada pela própria vítima) para, de alguma forma, se fazer ouvir por 10 minutos.Efectivamente, repito que as pessoas não são iguais, como em todo o lado, em Viseu há todo o tipo de pessoas, todo o tipo de mentalidades e é um erro descomunal generalizar uma cidade por uma simples agressão da qual se desconhece, repito, desconhece o verdadeiro motivo.
Pois, afinal nunca se descobriram os verdadeiros agressores ou se calhar até descobriram mas não convém à vitima identificá-los, por uma ou outra razão que não lhe daria o efeito desejado desde o princípio.Assim, como lésbica, como ser humano, como consciente e acima de tudo como viseense, agradeço que as pessoas que olham para esta história como um atentado aos direitos humanos, tentem pelo menos saber um pouco da essência desta polémica e sobretudo o motivo da mesma ter corrido toda a Imprensa Portuguesa. Acrescento, para concluir, que esse senhor supostamente agredido devia ter vergonha do que anda a fazer, afastar-se do meio em que se insere em Viseu pois infelizmente não tem maturidade nem competência para fazer parte de tal comunidade. Essas atitudes não o levam à fama, não o encaminham ao objectivo que ele pretende mas sim a que as pessoas fiquem com a ideia de que os homossexuais, lésbicas e bissexuais são todos como ele. É uma pena que a comunidade G.L.B.T. (gays, lésbicas, bissexuais e transexuais) de Viseu esteja tão mal representada, devido à existência deste membro da fundação.Grata pela atenção!
Utilizadora Não Identificada
Resposta
Não vou entrar em grandes detalhes sobre o seu comentário (além do publicar), quero contudo dizer-lhe que dei aulas numa área melindrosa para a sociedade (dança), durante cinco anos na cidade de Viseu e em S Pedro do Sul e Oliveira de Frades, e não tenho mesmo nada a apontar ao Visienses em geral.
Quanto à "suposta agressão", a mesma foi devidamente documentada pelas autoridades competentes e os "supostos agressores" até se deram ao luxo de fazer "supostas entrevistas" aos media. O "suposto motivo" foi claramente indicado por um deles: "Os paneleiros 'hádem' morrer todos".
Quanto ao resto posso sempre sugerir-lhe que motive outras pessoas GLBT de Viseu para se organizarem e assim representarem de forma que achem mais conveniente os seus interesses.
Vários sites e blogs têm vindo a ser constantemente bombardeados por mensagens provindos da Opus Gay, do Portugal Gay e do GLS Portugal com o preposito de desestabilizar todos os órgão de comunicação gls portugueses.
E isto porquê ? Porque a Opus Gay que manda nestes sites, embora faça tudo para que não se saiba, pretende acabar com todos os órgãos de informação GLS, incluindo o vosso, que estejam contra a Opus Gay e assim silenciar definitivamente tudo o que não lhes convém que se saiba. Para finalmente poder reinar sozinha e fazer o que bem entender.
Aliás, isto já não é novidade nenhuma porque toda a gente já sabe disto, inclusive você, e há já bastante tempo. Tanto que estas pretensões da Opus já foram por diversas vezes reveladas, inclusive, como também sabe, resultaram na expulsão da Opus de tudo o que é sitio dentro da nossa comunidade. Infelizmente, o mesmo não sucedeu ainda fora desta, e só por causa disto é que ainda não a conseguimos banir de uma vez por todas.
Certamente que estão a ler esta mensagem incrédulos, o que se compreende, visto já terem recebido tantas mensagens destas e tão contraditórias. E devem estar a pensar que só podem ser todas fruto de uma mente doentia. Mas saibam que é exactamente isto que se pretende que pensem. É verdade que a maioria dessas mensagens provêm todas da mesma fonte. Só que têm um único preposito: desacreditar todas as mensagens como esta.
Dito isto só acredita se quiser. Mas pense bem, análise bem o que leu aqui e reflicta sobre o assunto aqui tratado. E vai chegar á conclusão que algo de muito grave se passa.
Acha mesmo que todas as mensagens que tem recebido foram escritas pela mesma pessoa e com o único preposito tresloucado de o desestabilizar ? Pense bem: alguém se iria dar a esse trabalho todo se não tivesse um preposito bem claro e maquiavélico em mente ?
Você sabe bem que não. E então ? Vai ficar de braços cruzados á espera da próxima ofensiva da Opus Gay ? Quem sabe da próxima vez já não tenha o seu blog para poder fazer ouvir a sua voz... MTC | 12.12.05 - 7:47 pm | #
Resposta
1. Sugerir que o PortugalGay.PT é controlado pela OpusGay ou por qualquer outra associação é revelar um total desconhecimento dos 10 anos de história passada desde site 2. O PortugalGay.PT por norma faz um número muito reduzido de comentários nos blogs, precisamente para garantir a independência de ambas as partes 3. A única pessoa com "preposito bem claro e maquiavélico" é a pessoa que escreve o comentário citado
fui banido pelo webmaster. Censura cibernautica!!!!
ou foi a opinião livre e espontanea que não entra nas vossas cabecinhas e logo tem que ser banida.
mas aqui fica a opinião. Sou católico mas concordo plenamente convosco e vou mais além, sem hipocrisias e falsidades. Creio que se devia declarar todos os feriados, da religião católica, como dias normais. Não entendo como é que um Estado pode fazer cumprir feriados como o Entrudo, a Páscoa, O Santo António ou o São João, A ascensão de Nossa Senhora, O dia de Ramos, o Corpo de Cristo e o Natal. Todas essas datas são Cristãs e por isso dias exclusivos de povo de cristo, logo nunca poderiam ser feriados num Estado que se auto-denomina de Laico. Mas parece que dá jeito ser cristão, quando é para não trabalhar!
Resposta
Quanto à "censura", há limites para tudo e não permitimos que usem o PortugalGay.PT para divulgar ideias preconceituosas ou situações de claro abuso e desrespeito por terceiros. Infelizmente não há nenhum sistema de blocking/banning 100% eficaz que permita por um lado evitar situações de abuso quer por outro lado nunca bloqueiem comentários perfeitamente válidos...
Quanto ao comentário propriamente dito, relembro-lhe que o Entrudo e Páscoa não são feriados oficiais em Portugal.
Quanto ao Santo António e São João são feriados municipais fora do controlo directo do estado. Cada município pode definir o seu feriado como quiser e, pelo menos no caso do Porto, o feriado de São João apesar do seu nome muito pouco tem de religioso.
O caso do Natal é mais complicado por diversas razões históricas, mas o resumo é que pouco tem de católico, principalmente nos dias de hoje.
Ficamos assim com A Ascensão de Nossa Senhora, O Dia de Ramos, o Corpo de Cristo... E o que se celebra nesses dias? Ou será que faz sentido haver 3 feriados específicos para a (suposta) maioria católica de um país? Quais as tradições desses dias? Que fazem a maioria dos Portugueses nesses dias? Não tenho respostas...
... cuidado: Jesus adverte! ao se aproximar a sua volta á terra, o contexto global seria semelhante ao contexto das cidades de sodoma e gomorra... mas o amor de Deus ainda está ao alcance de todo pecador, pois Jesus veio ao mundo foi para apagar os pecados de todos os seres humanos que crerem nele e o receberem como salvador e senhor, mas quando voltar será para emitir juizo. e lá na carta que S. Paulo envia a corrompida cidade de Corinto ele movido pelo Espírito Santo diz que nenhum gay ou crença semelhante serão salvos mas irão para o inferno, e Jesus nunca poderia mentir porque Ele é Deus. arrempenda-se e se converta a Cristo e tudo o que você fez será perdoado e terá assim a sua entrada na etrnidade feliz, creia.
Resposta:
Confesso que o fundamentalismo religioso (seja ele de que religião for) é algo que me ultrapassa e vejo como uma contradição dos próprios princípios da maioria das religiões.
Todo o discurso base de Jesus Cristo de "amai-vos uns aos outros" é pulverizado com textos como o acima transcrito.
Mas vamos ao texto...
Em primeiro lugar o visitante fala da volta de Jesus à terra, uma das passagens mais tenebrosas da Bíblia (ainda pior que as múltiplas cabeças cortadas). De todo o texto do Apocalipse o nosso visitante escolheu a comparação com Sodoma e Gomorra, que nem sequer são referidas nesse livro.
Depois fala de S. Paulo em Corínto... essa carta refere-se realmente à homossexualidade mas o senhor onde escreve "ou crença semelhante" deveria escrever "qualquer que não creia em Jesus"... ou seja: Judeus, Budistas, Muçulmanos, Ateus....
Para terminar "Jesus nunca poderia mentir porque Ele é Deus"... talvez... mas pelos vistos não foi Jesus que escreveu o Novo Testamento e desde lá até hoje muitas outras pessoas preferiram deitar a sua colherzinha no texto.
tenho sim uma sugestão. Normalmente tudo o que é gay em Portugal, deixa um espeço muito pequeno para as mulheres como se os homens fossem o centro da homossexualidade. Nos outros paises, gays são ambos os sexos e todos são um só tentando combater um só preconceito contra a homossexualidade. Porque é que em portugal não é assim. Porquê tanta hipocrisia. Juntos somos mais e mais, mais fortes. Que estupidez este... modo de pensar!
Resposta:
Não poderia concordar mais!
Contudo para que haja movimentação Lésbica é preciso haver lésbicas que queiram fazê-lo... até podem ser homens a fazerem este trabalho mas tem que haver retorno (isto é: tem de ser as mulheres a dizer o que está a correr bem ou mal). Mas a bem da verdade convém relembar que os protestos (como, por exemplo, o site www.casamentocivil.org) e documentos emitidos vão sempre requisitando direitos e deveres para todos os GLBT.
Cá em Portugal temos como associação Lésbica o “Clube Safo”, que trabalha em conjunto com outras associações sempre que tal se justifique. Mas outras associações como, para dar apenas um exemplo, a “Não te Prives” de Coimbra têm nas suas fileiras mulheres, hetero e lésbicas.
O que é preciso que exista em Portugal, e que existe em maior escala nos outros países, é que os interessados se movimentem e estejam mais atentos à iniciativas e façam parte delas. A visibilidade pública não é um requisito para este trabalho (muitas e muitos podem trabalhar na preparação das coisas, e esta ajuda é preciosa).
Estreou ontem no cinema quarteto em Lisboa a nona edição do festival de cinema Gay Lésbico de Lisboa.
Esta que é a primeira inteiramente organizada pela nova direcção, presidida por João Ferreira. O antigo presidente, Celso Junior, continua a ajudar no festival mas este ano apenas no visionamento de alguns filmes.
Mais tarde daremos conta de como correu esta nona edição.
Iniciou-se hoje no Instituto Luso-Frances um colóquio promovido pela organização do Festival de Cinema Gay Lésbico de Lisboa com um painel de luxo tendo contado na sessão se abertura com um dos mais importantes, se não o mais importante investigador da actualidade sobre o tema Queer: Didier Eribon. Este coloquio estende-se até amanhã.
Artigo de Opinião de Nuno Pacheco publicado no Jornal Público de 16 de Setembro de 2005.
Liberdade poluída Nuno Pacheco
Se os automóveis poluem a Liberdade na avenida, os auto-intitulados nacionalistas vão poluí-la um pouco mais acima, no Parque Eduardo VII
A notícia não é nova, mas ressurgiu ontem: a lisboeta Avenida da Liberdade é a zona mais poluída da Europa. Automóveis em excesso e um trânsito infernal contribuíram para tal "triunfo", que agora lhe valerá umas lavagens diárias e mais uns estudos técnicos, a ver se acertamos com as normas comunitárias relativas à emissão de partículas poluentes. Mas a poluição desta Liberdade viária tem, amanhã, um forte concorrente uns largos metros acima. Trata-se da manifestação "Defendamos as nossas crianças contra o lobby gay e a pedofilia", convocada pelo Partido Nacional Renovador (PNR), com todos os seus fiéis atrelados, onde se inclui a Frente Nacional (FN). Só que, aqui, a Liberdade a poluir é outra: é a de todos os portugueses que, mesmo nos piores momentos, ainda se orgulham de o ser, sem precisarem de "mestres" iluminados ou ditadores de pacotilha. A conversa é antiga, germina na lama, e começa sempre do mesmo modo. Primeiro, os alvos são escolhidos entre os que eles consideram "anormais", "imorais" ou ameaças à pátria: homossexuais, imigrantes, minorias étnicas, artistas "decadentes" e outros chavões do género. Depois, quando lhes crescer a força, virão todos os que, por defenderem a democracia e o livre-pensamento, são considerados anarquistas e defensores do "caos social". Por fim, serão todos os cidadãos cuja alma não caiba no cangaço dos ditadores. Eles negam, é claro. Mas nas entrelinhas das suas mensagens públicas, e mesmo até nas linhas mais explícitas, lá estão os pequenos ovos da mesma velha serpente: o facho azul e vermelho sobre umas quinas de estética fascista no cartaz-símbolo do PNR; o desejo de um "governo verdadeiramente patriótico que promova valores em vez de proveitos, trabalho em vez de passeatas" (discurso populista de efeito fácil, já usado com êxito por vários candidatos a ditadores); a "unidade da pátria e das suas gentes", bandeira falaciosa para encobrir o desejo de um Portugal soturno e de novo fechado ao mundo. No site da Frente Nacional, que se apresenta a si própria como uma legião de activistas de cérebro voluntariamente desligado (a FN, escrevem, "não faz doutrina política, apenas promove o activismo nacionalista. Deixamos a política para quem de direito"), diz-se a dado passo o seguinte: "Desde o final da Segunda Guerra Mundial que o nacionalismo é extremamente perseguido e marginalizado na nossa sociedade, devido à campanha permanente de propaganda. Os nossos inimigos têm conseguido separar-nos do nosso povo." Conseguem adivinhar porquê? Recuem 60 anos e revejam os horrores do nazismo, das perseguições e deportações em massa, do Holocausto. Demagogia, dirão os "nossos" nacionalistas. Porque, eles próprios o dizem, a ideia é pôr "os portugueses primeiro!" E, como diz o tal partido-cérebro, de onde sairia naturalmente o déspota a impor à pátria, desejam "um novo rumo para Portugal". Perfeito. A começar por esta frase, escrita pela FN no seu site: "Sem dúvida que "o trabalho liberta" e este trabalho ajuda a libertar todo um povo, o nosso povo!" Por curiosa coincidência, "O Trabalho Liberta" ("Arbeit Macht Frei") era a consigna que encimava a entrada do infame campo de Auschwitz, sinistro símbolo de um dos períodos mais terríveis e sanguinários de toda a nossa história. O discurso destes "libertadores" pode, por isso, poluir mais que o fuel que respiramos.
A SIC estreou um novo formato em que faz o elogio do ser ‘gay’. Ao facto de o efeito surpresa se ter esgotado na estreia, acresce uma audiência pouco generosa.
O ‘Esquadrão G’ entrou em acção. O formato não traz nada de novo. No todo ou em partes este programa já foi concretizado em Portugal. Portanto o efeito surpresa perdeu-se com a exibição do primeiro número. É merecida no entanto uma referência positiva à promoção do programa. Criou a expectativa necessária para espevitar a curiosidade dos portugueses. Mesmo assim as audiências não foram boas. Um share de 28.8% é curto para um programa de estreia. Muito provavelmente a tendência é para diminuir nas próximas edições. Mas vamos ao essencial da questão. O pecado capital deste programa prende-se com a mensagem subliminar que está na sua génese.
A formação do ‘Esquadrão G’ estabelece-se tendo como principio definido que todos os seus membros são antes de tudo ‘gays’. Depois vem tudo o resto. As qualidades humanas e técnicas e as capacidades desenvolvidas por cada elemento para enfrentar a televisão são elementos secundários. O que é preciso é ser ‘gay’. Assim talvez pudessemos dizer que nasceu em Portugal o primeiro programa ditado pelo ‘orgulho gay’, estabelecendo-se o preconceito de que um programa deste género só pode ser desenvolvido por ‘gays’.
A mensagem que se pretende passar é a de que só os ‘gays’ têm bom gosto, sentido estético, normas elementares de educação, estão sintonizados com as novas correntes culturais do mundo, etc. Nada mais falso. Não é com certeza a opção sexual que ditará a arrumação destes saberes. A SIC presta um mau serviço aos seus públicos quando alimenta este programa preconceituoso. Quanto ao desempenho dos ‘gays’ o mínimo que se pode dizer é que é desigual. Há elementos que sabem bem o que estão a fazer e há outros que não evidenciaram sequer bom gosto nem capacidade de expressão aceitável, com muitos pontapés na gramática.
Nos finais da década de 70, invectivando contra o Conselho da Revolução, Jardim proclamou: «Os militares já não são o que eram. Os militares efeminaram-se». O comandante do Regimento de Infantaria da Madeira, coronel Lacerda, envergou a farda número um, e pediu audiência ao presidente da Região Autónoma da Madeira. Logo-assim, Lacerda aproximou-se dele e pespegou-lhe um par de estalos na cara. Lamuriou-se, o homenzinho, ao Conselho da Revolução. Vasco Lourenço mandou arrecadar a queixa com um seco: «Arquive-se na casa de banho».
A partir de agora temos mais uma razão para comparar a Igreja Católica a uma qualquer seita fanática e intolerante, designando-a simplesmente pela sigla chistosa de ICAR (bem achado). Como IURD ou qualquer coisona parecida.
o meu nome è Sandra, eu sou lèsbica e na minha opiniaõ nós que temos uma escolha sexual diferente daquela que a sociedade chama de normal,ainda somos muito descriminados e temos muita falta de apoio!
Resposta
Olá Sandra, Obrigado por nos ter contactado.
Antes de mais quero dizer-lhe que não é opção sexual mas sim orientação sexual. Penso eu que você não escolheu ser lésbica, apenas poderá ter escolhido viver a sua sexualidade ou não e de que forma, certo?
Depois o apoio não tem de vir de fora para dentro mas de dentro para fora: ou seja devemos nós próprios (Lésbicas, Gays, Bi e Trans) participar nas associações, nas marchas, dos eventos, das concentrações dando maior visibilidade a esses acontecimentos, dando mais razão aos seus activistas, onde me incluo, para continuar a lutar por um lugar ao sol que será de todos e não apenas de alguns.
Por isso deixo-lhe aqui a sugestão de visitar a nossa agenda e ver onde pode colaborar com a sua presença e dos e das suas amigas nos eventos que se vão realizar em Portugal.
Comentário de um leitor (que não indicou forma de contacto) na página Política e Direitos:
A homofobia existe! Não há que ignorar. É quase uma instituição. Vêja-se a este propósito, as declarações do cabeça de lista do PS numa atitude claramente homófoba e provocatória conseguiu ser uma excepção à descida generalizada do PS a nível nacional no distrito de Aveiro, para as eleições da legislatura anterior. Outro politico reincidente neste tipo de discurso A. J. Jardim! As insinuações do anterior lider do PSD: "colos". Não faltariam exemplos! Perseguições e agressões: Viseu. A sociedade portuguesa como um todo parece alhear-se de assuntos mais sérios, quase que paralizada por medos! As greves têm sempre uma adesão diminuta, o abandono escolar é elevadíssimo, a sociedade portuguesa parace não reagir a estimulos.
Relativamente à problematica da escolaridade, Orlando de Carvalho, na História do Ensino em Portugal, (há mais gente a estudar a problemática do ensino em Portugal), nota que desde o séc. XIX e apesar de todo o esforço que foi feito a nível da cobertura de uma rede nacional de escolas os portugueses o resultado final foi fraco. Diz ele que uma coisa é ter escolas à disposição, outra é sentir necessidade de as frequentar. Pelo actual indice de insucesso e abandono escolar parece que as coisas não se alterarm muito nos últimos 200 anos. Esta é ainda uma realidade da sociedade portuguesa confirmada por duas intituições internacionais: UNESCO e OCDE que medindo graus de iliteracia coloca sistematicamente Portugal na cauda da tabela.
O problema da homofobia é antes de mais uma quetão cultural. Que urge resolver através da Instrução, elevando o nível cultural, permitindo que a cidadania se cumpra em pleno. Os Direitos exercem-se. Não se trata de uma questão de tolerência, mas cidadania.
Não se pode pedir ao poder Legislativo que ande à frente da sociedade. Se a comunidade gay não aparece em público, se não dá a cara, fragiliza-se perante o resto da socidade.
É pois, como grupo de pressão que temos que nos unir, mas começando por nos aceitarmos e entendermo-nos nas nossas diferenças....!
Será que o Cardeal D. Saraiva Martins e a própria hierarquia da Igreja Católica Apostólica Romana (ICAR) vivem no mesmo planeta que o comum dos mortais? Como pode minorar a educação de um casal empenhado de duas pessoas do mesmo sexo em comparação com o destino de uma criança numa instituição de acolhimento? Tal desprezo pela educação familiar só pode vir de quem nunca se preocupou em visitar instituições de acolhimento e menos ainda em conhecer a realidade das famílias de pessoas do mesmo sexo.
Mas o Cardeal Português vai mais longe na sua desinformação tentando confundir Cristianismo com Catolicismo e branqueando o papel da ICAR na história sangrenta da Europa. Pelas palavras do Sr. Cardeal, ficaríamos todos convencidos que a Europa seria uma paraíso se seguisse as palavras da ICAR... mas olhando para um livro de História rapidamente se descobre que a ICAR já mandou realmente na Europa... basta procurar termos como "Idade Média", "Idade das Trevas", "Inquisição" e "Cruzadas" para se perceber a verdadeira marca da ICAR na Europa. Quanto a nomes como Miguel Ângelo, agradecemos ao Cardeal o favor de recordar a todos a importância deste homem que tanto amou (no sentido mais carnal do termo) outros homens.
Tal como Miguel Ângelo os homossexuais e bissexuais de hoje são pessoas que amam e lutam por ideais. Homens e mulheres, católicos, cristãos, muçulmanos, hindus, ortodoxos... tem amor para dar e muitos deles o desejo de criar, educar, formar e amar uma criança a quem chamam filho ou filha. Crianças que passariam a ter a oportunidade de serem educadas conjuntamente por duas pessoas que assumem este compromisso. Crianças que passariam a ter um lar depois de terem sido abandonadas por um homem e uma mulher, por um pai e uma mãe de uma "família tradicional". Crianças para as quais hoje em dia em Portugal não existem nem de perto nem de longe famílias suficientes para adoptar.
De lamentar a facilidade com que pessoas tão injustas e cruéis nas suas palavras como o Cardeal D. Saraiva Martins, estejam em lugares de destaque, lhes seja dada voz, ou sejam premiadas seja lá pelo que for.
Pessoas como o Cardeal D. Saraiva Martins são a imagem viva da possível "derrota da razão e da humanidade" nos nossos dias.
Portugal vive momentos de austeridade, dificuldades em áreas sensíveis na sociedade como emprego, saúde, e educação. Continuamos a ser o país na cauda da Europa, e no que respeita aos direitos humanos, estamos remetidos a um atraso que só com coragem, empenho e determinação, conseguiremos estar ao nível de outros países.
As questões ligadas mais directamente aos GLBT (Gay; Lésbica; Bissexual: Trangender), são também assunto de direitos humanos, e que Portugal tem ignorado, e quando os atende fá-lo de forma ligeira, superficial, parcial. Somos todas e todos cidadãos de primeira quando temos de pagar os nossos impostos mas alguns de nós passam a elementos de segunda categoria quando chegam na hora de colher os benefícios.
Em 2002 deu-se o alargamento da lei de União de Facto a casais do mesmo sexo, e o Estado pensou já está! Esta lei não só, não confere todos os direitos que confere aos casais heterossexuais, como ao cabo de quase três anos ainda não está regulamentada.
Acrescentou-se ao Artº13º, a não discriminação com base na orientação sexual, e identidade de género, e mais uma vez se pensou que já estava tudo feito, contudo este artigo obriga a profundas alterações na constituição Portuguesa, alterações que estão por fazer. Com o artº13º deve ser retirada a alínea e) do artº1501 do Código Civil, e não faz sentido o artº1462 do mesmo código, onde diz que o casamento é um contrato celebrado entre duas pessoas de sexo diferente... Deve o casamento civil ser também um direito dos casais do mesmo sexo, conferindo os mesmos direitos e obrigações, os mesmos procedimentos que são exigidos por lei aos casais heterossexuais.
Da mesma forma o artº175 do Código Penal, já apontado como inconstitucional mas, continua lá sem que tenha sido retirado.
Compreendo que há muito trabalho a ser feito pelo actual Governo no sentido de "ordenar a casa", contudo isso não poderá significar que se vai construir a casa pelo telhado.
A questão da educação sexual mais uma vez esquecida, afogada em teses infundadas para que a mesma não seja implementada, adormecida na falta de vontade politica para a colocar em pratica mas, vergonhosamente constatada a sua necessidade nos números de gravidezes juvenis, da propagação de doenças sexualmente transmissíveis.
Falta-nos uma lei que puna realmente todos os actos de ofensas físicas, moral e psíquica, fundados em ódios, como a homofobia. Apostar na formação das autoridades, serviços de saúde, e escolares, evitando sorrisos "amarelos" como os que foram noticia em Viseu. No Portugal do século XXI ainda se morre por se ser diferente seja qual for essa diferença.
Precisamos de um código do trabalho rectificado, que vise a protecção real de quem trabalha. Bem como ter em atenção à lei das falências tantas vezes fraudulentas levando famílias inteiras para a miséria.
É necessária a rectificação da lei do aborto, que julga, incrimina e pune as mulheres por um acto por si só, sofrido e penoso, que só ás mulheres diz respeito. Razões como emprego, psíquicas e familiares, levam estas mulheres a um acto tão desesperado. Mas mesmo assim todos temos conhecimento das crianças que mesmo perante todas estas adversidades venhem ao mundo, para depois serem deixadas nas ruas, ou serem institucionalizadas e, perante todo este cenário mantemos uma lei de adopção burocrática, demorada, discriminadora. Dar o direito de casais do mesmo sexo adoptarem, é não só um acto de civilização, como uma real demonstração de que efectivamente nos preocupamos com as nossas crianças, que querem terminar o tempo angustiante de espera por quem as ame, lhes dê carinho, educação, um lar, 24 horas por dia e não pais e mães que no seu melhor não deixam de faze-lo em part-time.
Portugal precisa de coragem e determinação para levar o nosso país ao centro da Europa.
Um Portugal de trabalho, saúde, educação, abrangente; multi-racial; multi-cultural; multi-sexual, precisamos de um Portugal assim com URGENCIA.
Temos a força de trabalho só precisamos de criar condições.
Por tudo isto realizou-se este sábado no Teatro de Sá da Bandeira a quinta edição do Porto Pride, cerca de duas mil pessoas, associações e partidos, deram razão de ser ao evento, e estiveram lá para alem de se divertirem para de alguma forma manifestar o seu descontentamento com o estado das coisas no nosso país.
A todos no geral e a cada um em particular, o meu mais sentido obrigado por darem também razão de ser ao meu trabalho e empenho para que o evento Porto Pride se realize.
Aos que por algum motivo não foram ao Porto Pride 2005, apenas um comentário, perderam uma festa fantástica, que o diga quem lá esteve.
Atá para o ano no dia 1 de Julho de 2006 num local algures no Porto.