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Sondagem da Semana: 3 a 9 Fev 2010 - Qual a sua opinião sobre a visita de Bento XVI a Portugal de 11 a 14 de Maio de 2010?
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Blog Perguntas e Respostas

14/1/2010 14:36

 

Medicação e Pacheco Pereira


http://sic.sapo.pt/online/video/informacao/noticias-pais/2010/1/pacheco-pereira-ps-nao-avanca-com-adopcao-por-casais-homossexuais-por-causa-do-risco-de-pederastia08.htm

Quando o mundo está em linha de mudança, quando parece que afinal deixa de haver cidadãos de primeira e de segunda, eis que surge o impensável, ou não!

Pacheco Pereira, deputado do PSD, deve ter trocado a medicação, e por isso teve aquilo que se espera um momento de delírio.

A questão encoberta que ninguém quer falar é a adopção por casais do mesmo sexo, em especial das mulheres homossexuais, que desejam ter sexo com pessoas mais novas que elas, seja procuram perpetrar actos de pederastia.

No meio daquele surto Pacheco Pereira teve pelo menos a lucidez de dizer que não era para confundir pedofilia com pederastia, eram coisas diferentes.

São de facto, mas os efeitos secundários da troca medicamentosa que deve ter feito, fizeram-no afirmar que esse é o assunto escondido e aquilo que as em especial as mulheres lésbicas anseiam porque a historia o diz que é assim.

A história recente também nos diz que são os familiares directos, que violam menores, com centenas de vítimas, a história recente diz-nos que padres são predadores dentro das quatro paredes onde acolhem menores desprotegidos.

Mas nunca vi o Dr Pacheco Pereira a falar desse assunto que todos evitam, na defesa do supremo interesse das crianças e de punir os agressores.

As palavras proferidas por Pacheco Pereira não só são ofensivas, como ultrajante, e agressivo para com a dignidade das mulheres lésbicas e mães, bem como para toda a sociedade em geral.

Dizer que os homossexuais, em especial as mulheres homossexuais querem adoptar para assim conseguirem satisfazer instintos pederastas, devia suscitar das forças políticas e de justiça deste país uma repreensão violenta ao Sr Dr Pacheco Pereira.

Lamento que estejamos todos a pagar para sermos, não apenas os homossexuais masculinos e ou femininos, mas todas as pessoas de bem, com afirmações do género.

João Paulo
Editor PortugalGay.pt

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# publicado por portugalgay | |
07/1/2010 12:09

 

Eu, Nós, Eles...


Estamos todos felizes porque se está breve a discussão ou o inicio dela, sobre o alargamento da figura do Casamento Civil a pessoas do mesmo sexo, e os debates multiplicam-se na televisão, nas rádios e nos jornais as entrevistas são mais que muitas.

Protagonistas, bem esses, alguns são novos, outros nem por isso, mas devemos estar orgulhosos, pela primeira vez temos múltiplos protagonistas políticos, que ate hoje não tinham nunca estado na linha da frente de uma questão ligada aos homossexuais (mas também á sociedade em geral), e que hoje falam desses assuntos como se fossem qual Luis Zapatero, frequentes marchantes nas marchas do Orgulho de Lisboa e Porto.

Mas isso até me deixa satisfeito, contudo outras posturas, não novas é verdade, deixam-me triste não por mim mas pela "pequinês" dos intervenientes.

Alguns activistas foram a esses programas de televisão, e se uns dizem “nós” outros tem que “eu”, como se o “eu” a que se referem fizesse alguma coisa sozinhos, como se todo o trabalho que essas pessoas dizem ter feito o tivessem feito sozinhos.

Egocêntricos, incorrectos, egoístas, parecem ser capazes de mudar o mundo sozinhos, apenas recorrendo ao “nós” para juntar forças, para recolher apoios, para somar assinaturas, e no fim apresentam-se na pessoa do “eu”, na revelação dos resultados, no protagonismo mesquinho de algo que não sendo deles, dada a idade que muitos tem, o resultado dessas lutas são para os outros.

Parabéns aos que falam no plural, um bem-haja aos que acreditam que o trabalho que fazem é muito mais importante para quem está lá longe, do que para si mesmo!

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# publicado por portugalgay | |
05/1/2010 12:21

 

Comunicado de Imprensa


Porque Não – Uniões Civis Registadas do PSD

Proposta está mal escrita, contém erros factuais, pretende limitar irresponsavelmente os direitos dos casais do mesmo sexo e chega ao cúmulo de adiar a aplicação da lei por 120 dias.

O PSD apresentou na mesma semana da votação da igualdade no casamento civil um projecto de lei escrito à pressa sobre “União Civil Registada”.

Ao ler o prefácio ficamos a saber que o objectivo é preencher um “vazio legal” pois a legislação nacional “não acolhe e regulamenta” a situação das pessoas do mesmo sexo que tenham “optado por uma plena comunhão de vida”.

Logo aqui fica a questão da pressa: o “vazio legal” invocado existe hoje, mas deixará de existir, literalmente, depois de depois de amanhã… com a votação que acolherá e regulamentará o contrato entre pessoas do mesmo sexo que decidem construir um projecto de vida em comum, contrato esse que é o casamento.

Pouco depois são indicados, e muito bem, os 16 países na Europa que regulamentaram novas formas de parcerias civis registadas que reconhecem os casais do mesmo sexo. Por alguma razão não há nenhuma referência aos 5 países na Europa que reconhecem a igualdade no casamento civil: Espanha, Bélgica, Suécia, Países Baixos e Noruega. São assim 21 países que reconhecem de uma forma ou de outra os direitos dos casais do mesmo sexo.

Mas é então que os “motivos” do PSD ficam curto-circuitados: a principal razão apresentada para a “especificidade deste novo instituto” é precisamente a filiação incluindo, naturalmente, a adopção.

E é aqui que a matemática do PSD não foi bem estudada.

Dos 21 países europeus indicados acima, 14 reconhecem aos casais do mesmo sexo a capacidade de adoptar crianças em conjunto e apenas 7 não o permitem. Entre estes 7 incluem-se a Áustria, a Croácia, o Luxemburgo, a Suíça, a República Checa, a Hungria e a Eslovénia. Sendo que, azar dos azares, neste último país está a decorrer um processo legislativo similar ao de Portugal que deverá aprovar a igualdade no casamento civil em Maio de 2010 incluindo o pleno direito a adopção.

Mas passemos ao texto da lei proposta…

Os “Direitos dos parceiros” apresentados são praticamente iguais aos da actual união de facto mas agora com efeitos imediatos ao acto do registo, o que não deixa de ser uma melhoria importante. O único direito adicional listado nesta secção seria a herança (Artigo 4º 1.e) o que é bem-vindo e necessário.

Entretanto o PSD optou por criar uma secção de “Outras consequências jurídicas” em que concede novos direitos importantes como o direito ao nome, possibilidade de actuar como representante legal em caso de ausência ou incapacidade, e o direito a pedir informações sobre o estado de saúde. Esqueceu-se da ressalva, como acontece no casamento civil, do direito a recuperar o nome após a separação, assim como o básico direito de visita hospitalar.

Mas o grande tropeção do PSD nesta secção está no Artigo 5º 3. Pode ler-se que os parceiros gozam da faculdade de se recusar a prestar depoimento como testemunha, para efeitos do disposto no artigo 134º do Código Penal. E aqui está um grave erro desta proposta: este direito já tinha sido consagrado às uniões de facto na revisão do Código Penal de 2007, tal como tinham sido reconhecidas na alteração outras situações como Violência Doméstica (Artigo 152º), o Homicídio Qualificado (Artigo 132º) entre outros. Estes passaram a ser aplicáveis também a casais do mesmo sexo que tenham “relação análoga à dos cônjuges”. O proposto legislador do PSD ao colocar este Artigo 5º 3 só pode revelar uma das seguintes situações, ambas fortemente censuráveis:

1. Desconhece o texto actual do código penal e pretendia conceder protecções acrescidas aos casais do mesmo sexo

2. Conhecendo o texto actual do código penal pretendia limitar os direitos dos casais do mesmo sexo neste contexto

Como corolário desta falta de atenção do proposto legislador do PSD pode verificar-se na secção dedicada a “Impedimentos” que nem lhes passou pela cabeça que há casais do mesmo sexo que podem estar em União de Facto e que queiram passar para uma União Civil Registada, o que não é permitido pelo Artigo 6º 1.e)

Como gota de água (ou será de veneno?) vem o prazo de aplicação da lei de 120 dias após a sua publicação como que para garantir o maior atraso possível na aplicação na mesma. Os primeiros registos só seriam possíveis a partir de Junho… porquê?

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# publicado por portugalgay | |
03/1/2010 15:40

 

Uma mensagem pelo casamento


Uma mensagem pelo casamento

É altura de agir.

Envie a mensagem abaixo ou o que bem entender para os deputados no parlamento.

Os emails estão no final desta página.

A ajuda de todos e todas é importante.

Obrigado!

Assunto: É altura da igualdade!

Cara/o deputada/o,
Aproxima-se o dia da votação dos projectos sobre a igualdade no acesso ao casamento.

Temos a possibilidade de começar 2010 a corrigir uma das maiores injustiças e discriminações legais: a actual impossibilidade de acesso ao casamento civil para casais de pessoas do mesmo sexo.

Defendo que os casais de gays e de lésbicas devem poder ter acesso à parentalidade em igualdade de circunstâncias. Desafio cada deputad@ a deixar de lado eventuais ideias feitas que possa ter sobre o assunto e a ler os resultados das investigações académicas sérias feitas neste domínio, em alguns casos acompanhando famílias ao longo de mais de duas décadas. Sei que, se o fizerem, chegarão à conclusão inevitável de que nada, absolutamente nada, justifica a actual desprotecção legal das famílias com pais ou mães LGBT - ou qualquer dúvida em relação ao acolhimento legal dos projectos parentais de casais de pessoas do mesmo sexo.

Mas sei também que a possibilidade de regulação pelo casamento da relação de qualquer casal é fundamental e urgente - e independente de qualquer projecto de parentalidade.

Assim, apelo a que tod@s @s deputad@s lutem pela plenitude dos direitos e, caso não seja possível neste momento uma concertação no sentido de garantir avanços no âmbito da parentalidade, apelo a que garantam e apoiem a igualdade no acesso ao casamento não permitindo o protelar da dignidade num campo tão importante como o da conjugalidade.

Votos de um 2010 com mais igualdade e mais liberdade,

(nome)



Lista de endereços de correio electrónico:

CDU
jm@pcp.parlamento.pt, a.lopes@pcp.pt, pcp@pcp.pt, js@pcp.parlamento.pt, bs@pcp.parlamento.pt, gp_pcp@pcp.parlamento.pt, jose.ferreira@pev.parlamento.pt, mt@pcp.parlamento.pt, hn@pcp.parlamento.pt, af@pcp.parlamento.pt, fl@pcp.parlamento.pt, amf@pcp.parlamento.pt, heloisa.apolonia@pev.parlamento.pt, bd@pcp.parlamento.pt, pedro-filipe.soares@be.parlamento.pt

BE
pedro.soares@be.parlamento.pt, jose.pureza@be.parlamento.pt, cecilia.honorio@be.parlamento.pt, heitor.sousa@be.parlamento.pt, francisco.louca@be.parlamento.pt, ana.drago@be.parlamento.pt, luis.fazenda@be.parlamento.pt, helena.pinto@be.parlamento.pt, rita.calvario@be.parlamento.pt, joao.semedo@be.parlamento.pt, Jose.soeiro@be.parlamento.pt, catarina.martins@be.parlamento.pt, jose.gusmao@be.parlamento.pt, fernando.rosas@be.parlamento.pt, mariana.aiveca@be.parlamento.pt,

CDS/PP
pportas@cds.parlamento.pt, raul.almeida@cds.parlamento.pt, telmocorreia2009@gmail.com, abessa@cds.parlamento.pt, joaodeserpaoliva@cds.parlamento.pt, arturrego@cds.parlamento.pt, assuncaocristas@cds.parlamento.pt, tcaeiro@cds.parlamento.pt, pedromotasoares@cds.parlamento.pt, jrebelo@cds.parlamento.pt, isaneto@cds.parlamento.pt, pedropontebrandao@cds.parlamento.pt, jmr@cds.parlamento.pt, jrcastro@cds.parlamento.pt, joaoalmeida@cds.parlamento.pt, cmeireles@cds.parlamento.pt, mseufert@cds.parlamento.pt, filipe.avila@cds.parlamento.pt, nmagalhaes@cds.parlamento.pt, abel.l.baptista@cds.parlamento.pt, hamaral@cds.parlamento.pt,

PSD
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# publicado por portugalgay | |
12/12/2009 13:08

 

Adopção - EUA e Europa


A bem da conversas sobre a adopção que tanto preocupa a Doutora Jurista, os dados da Wikipedia (que valem o que valem) indicam que:

Apenas 4 estados dos EUA não permitem a adopção por pessoas homossexuais a título individual.

Ainda relativamente aos EUA: 17 estados permitem explicitametne a adopção por casais do mesmo sexo, 20 estados permitem-na por omissão, 9 não são claros e apenas 4 a proibem.

Dos 18 países listados da Europa, apenas 3 proibem a adopção por pessoas homossexuais a título individual.

Em termos de adopção por casais, 8 permitem a adopção em geral e 10 proibem. No caso de querem adoptar o filho do parceiro ou marido, 12 países permitem a adopção e apenas 6 são contra.

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# publicado por portugalgay | |
11/12/2009 15:18

 

Celebrações


Na passada quarta-feira, dia 9 de Dezembro, fez 14 anos após ter conhecido aquele que comigo, e eu com ele, partilho uma vida a dois, 14 anos, não são catorze dias, ou meses!

Foi um mês de cada vez, foi um namoro falado, discutido, mas muito amado! Assim e porque não temos filhos, comprei uma árvore, nomeadamente um pinheiro, o qual vamos plantar num vaso grande na nossa varanda, no terraço contrario ao dos cães se não o Júnior chamava-lhe um figo, com ele só mesmo cactos sobrevivem dentro dos vasos.

Mas estas coisas dos aniversários não tem o dom de fazer parar o tempo, e por isso a vida continua, e o país precisa de quem quer de facto trabalhar e não de quem tire licenças, ou apresente baixas, para ir ás compras ou ter um dia diferente, e por isso o maridão foi para o trabalho dele e eu fiquei no meu, vantagens de trabalhar a partir de casa.

E foi ele que me disse: "já tinhas visto isto da Fernanda Cancio?" … até li, e até escrevi sobre o assunto, mas como muito bem sabe algumas pessoas que comigo já se cruzaram, eu gosto sempre de ouvir os dois lados (não é Tété?), e não estava descansado sem ler o que Dona Isilda havia de facto redigido. Mas era dia para descontrair um pouco. Por isso fiquei a "ruminar" na coisa e fui ás compras, a vida de "dona" de casa também tem compras.

Foi aí que decidi que precisávamos de uma árvore de Natal, artificial claro está, e foi aí que comprei o pinheiro para plantar.

Depois chegado a casa e após arrumar as compras, fui montar a árvore nova, ficou linda... o tempo voa, e estava na hora de ir ao ginásio, encontramo-nos lá, depois disso o jantar algo apressado porque o marido ainda tinha trabalho até ás 23:30, enquanto isso fui para casa, ver as noticias do mundo. Até fiquei a saber umas coisas. Por exemplo que em New Jersey a lei do casamento estava a ser debatida por um comité jurídico e até tinha passado nesse comité, e que perante esta avaliação o Governador disse que assinava se a lei chegasse à mesa dele em tempo útil, e tudo isto sem referendo (lol, esta malta está tonta, então não sabem que tem de levar isto a referendo?) ai a nossa vida, estes (norte) americanos querem agora obrigar as pessoas a casar sem falar com elas!

Mas depois vi que os senhores até tem sapiência, pois dizia um dos senadores proponentes da alteração da lei de casamento civil, que não é todos os dias que temos oportunidade de melhorar a sociedade e a forma como tratamos os outros. E que estas oportunidades acontecem poucas vezes na nossa vida, se é que chegam a acontecer.

Mais á frente diz ainda que "as pessoas que se opõem ao casamento entre pessoas do mesmo sexo, não são pessoas más ou cruéis, mas as leis que não permitem esses casamentos, oferecem abrigo seguro para aqueles que o são [cruéis e ruins]. A legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo eliminará esse abrigo e, consequentemente, tornará a nossa sociedade mais compreensiva e inclusiva", penso que nem Zapatero teria dito melhor, ou disse?

Como era o nosso aniversário decidimos ir beber um copo num bar aqui da cidade do Porto, onde por acaso ia acontecer o espectáculo de um amigo de quem sou fã.

Natasha Semmynova, na segunda edição dos seus dez anos de palcos. Sou suspeito para falar deste jovem, afinal por gostar dele, do seu trabalho, costurei para ele algumas peças de vestuário, para ele apresentar nos seus números. Mas aquilo que dele ouvi nessa noite, fica para os presentes na sala, e cada um espalhe como bem entender.

Confesso algumas movimentações nas últimas semanas de exploradores de causas ao invés de activistas que servem causas, me tem deixado em baixo. Assim as palavras do Vítor/Natasha foram recebidas como água cristalina e fresca dada a um moribundo perdido no deserto (música dramática de fundo).

Vítor/Natasha, não tens ideia do bem que fizeste! Pelas palavras de conforto pela minha dedicação, pelas palavras de aplauso ao meu trabalho enquanto PortugalGay.pt e Porto Pride, bem haja meu lindo. Uma das coisas que disseste foi "hoje em dia qualquer um dá a cara, o difícil é manter-se lá de cara descoberta". Vou dizer-te porque é assim tão difícil, principalmente numa causa destas: porque se perde muito, principalmente quando se debate a causa com o coração e a cabeça.

Mas passemos à festa: foi uma noite fantástica, diria mesmo melhor que a primeira edição dos dez anos da Natasha Semminova, especialmente devido ao momento mágico em que Natasha - a pedido do público - cantou à capela "Llorando", na versão de Rabekah Del Rio, uma música que faz parte do filme de David Lynch, "Mulholland Drive".

E assim foi um dia fantástico, o dia em que á catorze anos atrás conheci a melhor pessoa do mundo, o meu amigo, companheiro, o meu maridão.

Mas no dia seguinte de manhã lá fui à net buscar o texto da Senhora Jurista Isilda Pegado. Li o dito, acompanhado do belo de um café, num espaço público mas tranquilo ás primeiras horas de funcionamento, e fiquei a precisar de uma água, e assim fui buscar a dita, com gás como é óbvio, pois logo no primeiro parágrafo a senhora supreendeu-me: não esperava um apelo tão forte ao tradicional casamento entre menores (entenda-se menores de 16 anos). Não sabia que era essa a proposta da alteração da lei, porque se for não participo.

Mas também fiquei a saber que os Direitos Humanos são um "fantasma", e não uma coisa séria. Como já disse Fernanda Câncio não se referenda esta como não foram referendadas outras alterações ao casamento. Como, por exemplo, as mulheres deixarem de ser propriedade do marido. Não se perguntou ao povo (aos homens em geral? aos homens casados? aos homens casados com filhos?) se concordavam com a medida. Fez-se e pronto: as mulheres ganharam mais um degrau na liberdade individual e na igualdade.

A senhora vai buscar até a comunidade muçulmana quando esta não se manifestou interessada em que o Estado Português altere a lei do casamento, de forma a reconhecer o casamento poligâmico, pelo que a senhora está confusa, propondo mais que aquilo que está em discussão. Curiosamente não falou dos cristãos Mormons aos quais o casamento poligâmico é tão querido...

Também não me parece que saiba o que é ser-se católico, porque um católico que preze a sua fé religiosa, casa sempre pela Igreja (e pela lei, simultaneamente pelo civil se não tiver sido celebrado antes). Logo esse "casamento" é indissolúvel, a menos que outros valores se levantem e aquilo que era deixa de o ser.

Senhora jurista as coisas estão mesmo mal para esses lados, na discussão que decorre em New Jersey, uma sua colega disse o seguinte: "O direito de saber que quando o seu parceiro estiver doente, ou quando o seu filho estiver doente, não terá de lutar com burocratas sem nome através de um advogado. O direito de comparecer à reunião de pais na escola sem ter que apresentar desculpas ou explicações. O direito de usar uma aliança de casamento e gozar da dignidade plena e reconhecimento que vem com aquela palavra mágica, casamento, justamente como eu e o meu marido o fazemos. Neste país, não concordamos com o direito civil de alguns e metade do direito civil de outros."

Vá lá doutora, faça um "update" (ou "actualização", se preferir), já reparou que é uma mulher livre e formada, e essa liberdade não foi a referendo?

Mais á frente a Drª diz que "Ou há um grupo que impõe a sua visão à sociedade?", e a resposta é simples e óbvia: a visão da sociedade do casamento civil afastou-se há muito da visão do casamento religioso. A sociedade recusou os casamentos arranjados para perpetuar património e passou a valorizar o casamento por amor. E no meio disto temos um pequeno grupo de pessoas que acham que não... que isto do casamento por amor e os afectos está tudo mal... o que interessa é o casamento para procriar.

Portugal está de facto numa "situação impar": ainda tem muitas facções da sua sociedade que estão à espera desse tal de 25 de Abril. Mas no que tem a ver com a lei em questão estaremos tudo menos numa "situação impar" pois já são muitos os países que consideram os seus cidadãos como cidadãos de pleno direito, o que faz que não estejamos "Orgulhosamente sós".

Agora que penso no assunto... quantos países fizeram um referendo sobre a questão do casamento civil? Os únicos referendos que tive conhecimento aconteceram nos diversos estados dos Estados Unidos da América e alguns desses, no seu fervor religioso, chegaram ao cúmulo de potencialmente acabar com todos os casamentos(!).

Daqui se vê que nem sempre as coisas dos referendos correm bem... e não é só para os que vão votar... é para todos os casais a que se aplique o resultado do referendo.

Termino de forma pessoal, porque afinal este post é sobre o dia do meu "casamento". espero que de uma vez por todas o Estado Português queira de mim mais que os meus impostos, queira também brindar-me com o respeito e a dignidade que enquanto ser humano me é devido, e possa deixar de dizer que estou "casado" entre aspas, e o diga abertamente e com o orgulho de fazer parte de um país que, aos poucos é verdade, está a dar passos decisivos pelo respeito dos seus concidadãos.

E a bem da verdade já somos muitos os casais quer de homens quer de mulheres à espera da lei para fazermos uma festa, a festa do nosso casamento.

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# publicado por portugalgay | |
08/12/2009 19:55

 

Manifesto para a insurreiçom TransFeminista (em Galego)


Fazemos um chamamento à insurreiçom TransFeminista:

Vimos do feminismo radical, somos as bolheras, as putas, xs trans, as migrantes, as negras, as hetero-dissidentes….somos a raiva da revoluçom feminista, e queremos amossar os dentes; sairmos dos gabinetes do gênero e das políticas correctas, e sermos guiadas polo nosso desejo sendo politicamente incorrectas, amolando, repensando e resignificando as nossas mutaçons. Já nom vale com sermos só mulheres. O sujeito político do feminismo “mulheres” ficou pequeno, é exluínte por sim próprio, deixa fora às bolheras, às/aos trans, às putas, às do véu, às que ganham pouco e nom vam à úni, às que berram, às sem-papéis, às marikas…

Dinamitemos o binómio gênero e sexo como prática política. Sigamos o caminho que começamos, “nom se nasce mulher, chega-se a sê-lo”, continuemos a desenmascarar as estruturas de poder, a divisom e ierarquizaçom. Se nom aprendemos que a diferença homem mulher, é umha produçom cultural, ao igual que o é a estrutura ierárquica que nos oprime, reforçaremos a estrutura que nos tiraniza: as fronteiras homem/mulher. Todas as pessoas produzimos gênero, produzamos liberdade. Argumentemos com infinitos gêneros…

Chamamos à reinvençom desde o desejo, à luita com os nossos corpos ante qualquer regimem totalitário. Os nossos corpos som nossos!, ao igual que o som os seus límites, mutaçons, cores e transacçons. Nom precissamos protecçom entorno às decisons que tomamos nos nossos corpos, transmutamos de gênero, somos o que nos peta, travestis, bolhos, superfem, butch, putas, trans, levamos véu e falamos wolof, somos rede: manada furiosa.

Chamamos à insurreiçom, à ocupaçom das ruas, dos blogues, à desobediência, a nom pedir permissom, a gerar alianças e estruturas próprias: nom nos defendamos, façamo-nos temíveis!

Somos umha realidade, operamos em diferentes cidades e contextos, estamos conectadxs, temos objectivos comuns e já nom nos calades. O feminismo será transfronteiriço, transformador, transgênero ou nom será, o feminismo será TransFeminista ou nom será…

Keremos-vos

Rede PutaBolloNegraTransFeminista.

Medeak, Garaipen, La Acera Del Frente, Itziar Ziga, Lolito Power, Las Chulazas, Diana J. Torres AKA Pornoterrorista, Parole de Queer, Post_op, Maribolheras Precárias, Miguel Misse, Beatriz Preciado, Katalli, MDM, Colectivo Transgaliza, Laura Bugalho, EHGAM, NacionScratchs, IdeaDestroyingMuros, Sayak Valencia, TransFusión, Stonewall, Astrid Suess, Alira Zinkunegi, Juana Ramos, 7menos20, Kim Pérez (Cofundadora de Conjuntos Difusos), bizigay, d-generadas, lasdel8 y et al, Beatriz Espejo, Xarxa d’Acció Trans-Intersex de Barcelona, Guerrilla Travolaka, Towanda, Ciclobollos.

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# publicado por portugalgay | |
04/12/2009 10:41

 

Eu não sei se infectei alguém, porque também não se preocuparam em saber se me infectaram


Ridículo, é a palavra!

Dias atrás passou num dos canais da televisão Portuguesa uma reportagem sobre um indivíduo que se dizia seropositivo.

Ate aqui estamos todos bem, pois estávamos perto de recordar o dia internacional da luta contra a infecção pelo VIH/Sida, e como é norma tem sempre uma ou outra reportagem que nos dá uma imagem de como está a situação no momento.

Mas depois toda a reportagem surge numa visão do coitadinho, do "pobre de mim que me infectaram".

Sempre ouvi dizer que para dançar o tango são preciso dois, logo em pleno século XXI com toda a informação disponível, as pessoas "não são infectadas" mas, geralmente, "infectam-se", e embora pareça a mesma coisa, não o é!

Se este senhor está infectado é porque ele não tomou as devidas precauções, é porque ele não se soube proteger e como tal não precisa de vir dizer que o infectaram e que ele é um pobre coitado.

Faltou sem dúvida no inicio do discurso sobre o VIH em Portugal, uma atitude mais assertiva, que não tivesse sido um conjunto de políticas e acções baseadas no preconceito, e por isso muitas pessoas nem deram conta do que de facto se estava a falar, e numa postura tipicamente Portuguesa, foi-se facilitando e acreditando que era uma coisa "dos outros", particularmente dos maricas, ou de pessoas promíscuas (ainda hoje alguna pensam ser sinónimos), e que por isso a outra parte não precisava de protege-se, por isto ou aquilo.

Assim este senhor de que vos falo representa um papel ridículo, uma postura que nem no tempo do AZT se viu. Para quem não sabe ou não se recorda o AZT era a única medicação contra o VIH/SIDA no início da guerra contra este vírus e tinha extremos efeitos secundários mas que, mesmo assim, conseguiu prolongar a vida de muitas pessoas nos finais dos anos 80 dando uma esperança de vida e não uma sentença de morte.

O comentário de que dói muito tomar a medicação para o VIH é mais que uma inverdade: é um insulto a todos aqueles que de facto tem tratamentos dolorosos, como por exemplo os pacientes de cancro. O tratamento actual do VIH/SIDA tem, a bem da verdade, alguns efeitos secundários, mas na esmagadora maioria dos pacientes o diálogo com a equipa médica consegue resolver estas situações e os pacientes têm uma vida perfeitamente normal realizando todas as actividades do dia a dia.

E é um insulto ainda maior porque põe em risco a vida do senhor em causa quando se sabe que "deixar a doença andar" não é um bom método para prevenir complicações do VIH/SIDA e que, embora existam pessoas HIV+ que vivem o dia-a-dia sem medicação estas são seguidas regularmente por uma equipa médica que debate caso a caso quais as melhores estratégias terapêuticas.

E é um insulto à inteligência porque é um contra-senso: ao deixar a doença evoluir estão a fechar-se oportunidades de tratamento e as opções terapêuticas começam cada vez a ser mais limitadas, e aí sim: se a única opção disponível tiver efeitos secundários graves os médicos vêem-se com muito limitada capacidade de manobra.

Mas este testemunho é também lamentável, são mais que muitos os testemunhos de pessoas que infectadas, sentem que a vida lhes deu mais uma oportunidade, e aproveitam essa oportunidade para ver a vida de uma forma mais positiva, sendo que a única culpa que apontam é a sua.

Este senhor diz que foi infectado e que agora não quer saber dos outros e por isso não tomou precauções em uma outra situação, afirmou mesmo que já depois de saber que estava seropositivo teve relações desprotegidas, colocando em risco quem com ele se relacionou.

Pessoalmente custa-em a engolir este verdadeiro atentado contra a vida de um ser humano na forma premeditada.

E porque este tipo de tempo de antena trás sempre quem pense que aquilo que ai foi dito seja mesmo assim, aqui fica algumas sugestões.

Os centros CAD existentes no nosso pais fazem testes de forma anónima (inclusivé para estrangeiros), gratuita, e com apoio psicológico!

Não devem ir a correr fazer o teste quando tiverem uma situação de risco, devem aguardar algum tempo que varia de pessoa para pessoa, assim sugere-se que aguardem pelo menos duas a três semanas, e quando forem fazer o teste digam quando foi que
tiveram esse comportamento.

Mas se estiverem mesmo com dúvidas no "dia seguinte" o CAD também está lá para as esclarecer.

Se por ventura o teste der positivo, os CAD normalmente encaminham-vos para o hospital da área, cumpram os concelhos do vosso medico/a e vão ver que além de poderem ter uma vida sem problemas de maior, a medicação é apenas alguns comprimidos, que graças a evolução farmacêutica se pode resumir a uma toma diária.

Para que nada disto se venha a acontecer tenham sempre em mente que todo e qualquer parceiro/a sexual é um potencial portador não só de VIH mas de qualquer outra doença sexualmente transmissível.

Protejam-se e façam o favor de serem felizes.

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# publicado por portugalgay | |
17/11/2009 23:54

 

Tudo muito católico


Foi ontem que na Universidade Católica em Lisboa que aconteceuum debate... ou melhor: uma sessão de esclarecimento, sobre o Casamento homossexual.
Os oradores foram escolhidos de forma a serem imparciais, pois esperava-se esclarecer uma plateia que ainda não teria entendido bem aquilo a que se propôs o Partido Socialista durante a campanha eleitoral, e agora também apresentado no plano do Governo.
Foram oradores o Padre Gonçalo Portocarrero Almada, e o Padre Nuno Serras Pereira. Completamente imparciais os dois oradores deram uma visão do casamento civil, ao longo da história, ou mais ou menos isso. Contudo introduziram uma alteração ao termo, deixando a determinada altura de se chamar Casamento Civil, para ser Matrimónio Civil.
Que apropriado, ou não estivéssemos nós na Universidade Católica, e não fossem os interlocutores representantes de uma instituição especialista em servir a Deus e ao Diabo. Verdadeiros especialistas em iludir o povo com discursos de clemência, de alusão ao amor, fraterno ou não, e de muito sofrimento para que os mais incautos se sintam impelidos a seguir as suas ideias, os seus propósitos e sintam que devem apoiar as suas posições e teses.
Mas devo confessar de que se por um lado me torci de agonia ao escutar as apresentações de um e outro, por outro lado pude saborear, diria mesmo deliciar-me, que os súbditos - ou supostos súbditos - não mais pensam pela cabeça dos outros e tem as suas próprias posições, as suas próprias leituras da realidade, e daquilo que deve ser uma sociedade justa.
Assim desde já o meu bem-haja ás intervenções dos que na fase das perguntas e respostas, se mostraram insatisfeitos com o "não-esclarecimento" prestado.
Bem... como facilmente perceberam estava a ser irónico quanto à imparcialidade dos oradores, porque aquilo a que se assistiu na “não” sessão de esclarecimento, foi a apresentação, algo suave é verdade, do ministério da fé, ou daquilo que é a posição da Igreja, pelo que penso esta sessão deveria ter-se chamado, “A posição da ICAR sobre o Casamento entre pessoas do mesmo sexo!”.
Vou tentar reproduzir algumas das afirmações e/ou noções que foram proferidas pelos oradores.
O primeiro orador,Portocarrero, até começou bem, questionando como poderia um Padre opinar sobre o Casamento Civil, não sendo este um direito canónico, mas sim civil?
Começou, lá isso começou. E embora o deva cumprimentar pela sua brilhante apresentação, um orador de excelência, aquilo que escolheu dizer foi algo que se ficou pela demagogia barata com uma série de argumentos vazios, observando a realidade actual das diferentes estruturas familiares, e das posturas da ICAR ao longo da historia relativamente ás ditas minorias, e perante uma grande maioria que são as mulheres.
Uma das suas primeiras afirmações foi dirigida ao Português, enquanto língua, que por vezes é usado de forma a iludir e originar conflitos. Citando o caso particular do aborto, que agora se chama IVG (interrupção voluntária da gravidez). Mas os termos foram mudando ao longo dos anos em diversos locais e não se vê grande alarme nisso. Por exemplo, as "contínuas", agora chamam-se “pessoal de acção educativa”, será que estamos a iludir alguém? Depois penso que deviam até ficar contentes pois se a moda de dar novos nomes ás coisas está tão viva na sociedade e na política isso deve-se á mestria da Igreja, que conseguiu (e ainda consegue) ler e reler a Bíblia Sagrada, dando tantos significados quanto aqueles que são precisos no momento.
Depois fiquei a saber que os homossexuais não têm uma relação matrimonial, porque isso é algo apenas relativo aos heterossexuais.
Mas a minha aprendizagem continuou: fiquei a saber que afinal o Código Civil tal como o conhecemos não impede os homossexuais de casar, afinal qualquer homem homossexual pode casar com uma mulher, tal como uma mulher lésbica pode casar com um homem. Por isso é "falaciosa" a nossa pretensão de alterar código civil.
E mais á frente a plateia foi informada que ao Direito não lhe interessa saber a orientação sexual, ou quaisquer outras características dos nubentes. Mais: a discriminação é um sinónimo de respeito pelas distinções existentes em cada um.
“O casamento que não observe a essência do casamento, não é um casamento e por isso é uma fraude” e “Não queremos [os homossexuais] casar, queremos viver juntos, porque aquilo que queremos não é casamento”. Estas foram algumas afirmações que deixo á vossa consideração.
Mas vamos então para a palavra que cada vez mais me deixa com mais dúvidas: “natural”. Esta palavra surge na apresentação de Portocarrero, aliada ao matrimónio, na frase, “o matrimónio natural não decorre de nenhuma repercussão religiosa ou jurídica”, e por isso “abrir o casamento civil a homossexuais, é abrir a caixa de Pandora, porque um mal nunca vem só”.
Ora Senhor Padre não poderíamos estar mais esclarecidos, seja casar é mau, mas na se preocupe, nós seres humanos imperfeitos, estamos habituados a sofrer e queremos por isso aceder a este “mal”, porque acreditamos que o amor que nos une será capaz de o transformar em algo positivo.
O Padre Gonçalo Portocarrero Almada, termina dizendo que tempos difíceis vem a caminho para as famílias Portuguesas. Parece-me que não reparou que a crise económica e a falta de emprego já cá estão, porque no que se refere ao Casamento Civil quase tudo fica na mesma. Apenas mudará o facto de que a minha relação de 14 anos vai poder ser oficializada pelo Estado Português, como oficial são os impostos que religiosamente pago desde sempre.
Mas não nos poderemos esquecer que eram dois oradores, e o segundo, embora não goze do dom da oratória, tem uma oratória que no seu conteúdo é de gozo.
Serras Pereira, começa por dizer que o seu antecessor não merecia as palmas que estava a receber, mas sim muitas mais. Coisa que depois da apresentação de Serras Pereira não poderia estar mais de acordo.
Então aqui fica uma das primeiras afirmações: "as pessoas nascem 'barão' e mulher, podem ter acidentes de percurso que podem ser alvo de correcção”. Fiquei logo alvoraçado porque na sei porque os homens são “barões” e as mulheres não podem ser “baronesas” (será que é da prenuncia do norte?) Mas por outro lado fico satisfeito que o Sr. Padre tenha no seu discurso uma alusão ás pessoas transexuais.
Mas a minha inquietação manteve-se com as frase seguintes: “a relação sexual é a realização de um acto entre duas pessoas diferentes [de sexo diferente], … a única coisa que só pode ser feita por duas pessoas, um homem e uma mulher, … tudo que seja diferente disto não é uma complementaridade”
Ora muito me surpreende que a ICAR tenha um discurso tão virado para o sexo carnal, esperava-os castos, e promotores do sexo reprodutivo, mas pelos vistos afinal o sexo é bom, deve ser praticado, e é a essência do casamento.
No entanto outros dogmas da ICAR não mudam, se não vejamos como apresenta Serras Pereira a "Criação do Mundo": Adão "representa a humanidade". Adão andava metido naquilo que faz rir, entra em transe e é-lhe retirada uma costela (qual Deus a fazer de ladrão de rins) de onde nasce a mulher, esse ser inferior. Perante isto a humanidade/Adão grita de espanto: "um ser igual a mim!".
Confesso que fiquei desordenado, e ao mesmo tempo com a ideia de que Eva afinal era uma Transexual M to F. Até imaginei no meu miolo uma cena animada com o Adão aos saltitos no paraíso a brincar ás casitas com Eva.
Mas depois fiquei realmente perturbado: "a semente de Deus é o sémen de Deus, que vem fecundar mais um filho para a ICAR" - isto no ritual do baptismo - assim o disse Serras Pereira. Eu tenho cá para mim que a água do baptismo é o símbolo da pureza e não do esperma de Deus, isto pareceu-me tudo um pouco repugnante... mas quem sou eu?
Mas a altercação realmente medieval veio pouco de depois, qual bicho papão que atormenta as mentes mais incautas: "Aprovar o casamento civil entre homossexuais, trás consigo a aprovação de outras uniões como o incesto, a poligamia, entre grupos, dos bissexuais, e até com animais." Imagine-se os frades todos do convento a casarem-se uns com os outros! Deus nos livre e guarde! E eu a pensar que tais argumentos básicos tinham sido abandonados há largos anos depois dos debates sobre os casamentos inter-raciais.
Devo ainda confessar, já que estamos a falar de padres, que fiquei maravilhado com o profundo conhecimento de Serras Pereira sobre as actividades deleitosas a que os praticantes da homossexualidade se dedicam. Desde o uso de "utensílios sintéticos e/ou orgânicos introduzidos no ânus" por essas pessoas passando pelas práticas de Sado-maso e até às conhecidissimas "golden-queens". Aparentemente estas actividades estão obstadas pela Santa Madre Igreja de serem realizadas pelas pessoas heterossexuais... aparentemente tal medida não teve grande efeito prático.
"50% das violações de menores são perpetradas por homossexuais" foi a revelação científico-teológica seguinte que, face à forma como a Igreja Católica trata a questão do abuso sexual de menores só pode ser resultado de um qualquer decreto Papal "porque sim". Como os decretos Papais que esconderam os abusadores Católicos das autoridades civis "porque sim".
"Depois da aprovação do casamento civil para pessoas do mesmo sexo, a seguir vem a opressão com base nos actos tidos como homofóbicos, e sendo assim pessoas como os padres que estejam a ler uma qualquer passagem da bíblia que seja considerada homofóbica correm o risco de ir presas". É preciso mesmo ter muita desventura: com milhares de passagens para escolher na bíblia, foram logo pegar naquelas duas que rejeitam a homossexualidade... não haverá mais nada de interessante para ler?
Serras Pereira vai mais longe, e afirma que as pessoas homossexuais não são seres felizes: "não acredito que essa pessoa [homossexual] seja feliz, sei por experiência própria e de vida, que essa pessoa não pode ser feliz contrariando os mandamentos de Deus". Novamente a dúvida! A surpresa! Que experiências terá tido Serras Pereira para ficar tão abalado? Se calhar foi na mesma circunstância em que deleitou-se com as "Golden-Queens"...
Termino com uma questão colocada por um dos jovens. Queria ele saber como sustentavam os dois oradores que o casamento civil seja apenas para heterossexuais, ou apenas realizável entre um homem e uma mulher. Na resposta Padre Portocarrero diz "o contexto natural da procriação é o matrimónio, algo fora disso é ofensivo à condição humana". Ficamos esclarecidos que mais de 1 em cada 4 crianças em Portugal é uma ofensa à condição humana (por nascerem fora do casamento).
Mas a melhor parte do "debate" foi quando um jovem tentou, em vão, colocar a sua pergunta sobre o casamento civil e a presidente da Associação Mulheres em Acção, Alexandra de Almeida Teté, levanta-se do seu lugar, e em consonância com a restante plateia que vaiava o dito aluno desde o início, retira a este o microfone da mão, dizendo que "o direito só vai proteger aquilo que é o bem comum".
Tudo muito católico como se vê.

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10/11/2009 00:30

 

Discurso de D. Jorge Ortiga na abertura da Assembleia Plenária da Conferência Episcopal Portuguesa


Agência Ecclesia

Discurso de D. Jorge Ortiga na abertura da Assembleia Plenária da Conferência Episcopal Portuguesa

A Assembleia Plenária da Conferência Episcopal é, sempre, experiência de profunda comunhão eclesial. Desta vez, a alegria da comunhão torna-se mais expressiva pela graça que nos é concedida da visita de Sua Santidade o Papa.

Como já foi referido em Nota Pastoral do Conselho Permanente da C.E.P (6 de Outubro de 2009): "A comunhão visível com o Sucessor de Pedro, fisicamente presente entre nós, será, mais uma vez, ocasião da expressão espontânea desse amor à sua pessoa, ao seu magistério e ao seu serviço universal e de fidelidade à Igreja".

Expressamos a mais sentida gratidão e queremos corresponder com a preparação consciente das nossas comunidades, de modo que a sua mensagem seja acolhida sem reticências por todos os cristãos.

A mesma comunhão eclesial faz com que manifestemos a D. Albino Mamede Cleto, Bispo de Coimbra, as felicitações pelos vinte e cinco anos de serviço episcopal e a D. Manuel Rodrigues Linda, novo Bispo Auxiliar de Braga, a solidariedade permanente de cada um de nós.

A IGREJA NO MUNDO

A C.E.P., norteada pela necessidade de repensar a pastoral nas suas dioceses, encontra-se mergulhada num momento num contexto de mudança civilizacional. Muitas perspectivas podem e devem ser equacionadas. Fiéis a uma responsabilidade histórica – que a minha presença no Sínodo dos Bispos sobre a África veio reforçar – importa que reinterpretemos a nossa vocação missionária. Para isso, teremos, por um lado, de continuar a acolher os imensos contornos do universo como espaço onde levar a semente do Evangelho; por outro, centrar a atenção nos nossos próprios espaços, onde nos apercebemos de um progressivo afastamento da mensagem cristã.

Sempre interpelados pela missão, recordo a peculiar relação histórica entre a Europa e a África, para manifestar a particular solidariedade, no campo espiritual e material, com os povos de língua portuguesa (1).

Aceitamos, também, a gratidão manifestada pelo Sínodo às nossas Igrejas na Europa, sabendo que é nosso dever eclesial permanecer junto desses povos, inclusive através do envio de missionários que, por meio da inculturação, testemunhem a fidelidade a Cristo com o anúncio do evangelho e a entrega da vida (2).

Esta nova consciência missionária e a reflexão que dela fazemos, obriga-nos a repensar, à luz do Concílio Vaticano II, o papel da Igreja no mundo. Durante muito tempo apenas vimos “o mundo da Igreja”. Hoje, é inequívoco que não existe o “mundo da Igreja”, mas que Ela deve estar no meio do mundo, não como senhora mas como serva. Estar no coração do mundo é já uma luta a travar, uma vez que a mudança que modernidade ocidental trouxe consigo deslocou o cristianismo do centro para a “periferia dos dispensáveis e dos irrelevantes”.

Curiosamente, na fragilidade desta periferia podemos reencontrar a nossa identidade cristã, a qual se plasma na única segurança que vem de Cristo. É neste contexto de humildade, que teremos de passar duma atitude de detentores da verdade para uma transparência da verdade, de emissores únicos e autoritários a peregrinos dialogantes nesta mesa comum da procura. Nunca podemos renunciar ao encargo que nos é confiado de apontar a urgência dum encontro com a Verdade. Sabemos que o ser humano se desfigura sempre que não é capaz de se confrontar com Ela e vive na persistente “ditadura do relativismo”, ou seja, no comodismo de quem se demite de pensar com rigor a realidade.

Segundo Santo Agostinho, a verdade, que também é dom, é maior do que nós e é-nos primeiramente dada. Em “qualquer processo cognoscitivo, a verdade não é produzida por nós, mas sempre encontrada ou, melhor, recebida”, afirma a encíclicaCaritas in Veritate (n. 34). Podemos então concluir que, sendo a verdade um dom recebido por todos, pode constituir-se como força que unifica a Humanidade e promove a universalidade dos povos.

Compete-nos, por isso, sair do “nosso” mundo para provocar encontros com todos e ouvir as suas inquietações e dramas e, na comunhão com todos, semear a sede duma redescoberta do sentido para a vida que só Deus oferece. Este encontro dialogante acontecerá, ou deverá acontecer, através de uma presença, silenciosa mas de testemunho, da Igreja nos mais variados ambientes.

A missão está aí e é desafio que devemos encarar. Os “mundos” esperam-nos e teremos de lá chegar. A sociedade portuguesa é, ainda, detentora de profundas marcas cristãs. Trata-se de avivar o que parece morto e situar o Evangelho neste contexto que parece contradizê-lo em muitas dimensões.

Como pode, então, a Igreja convergir com o mundo neste jogo de fronteiras e de procura da Verdade? Acredito que é, precisamente, apostando no desenvolvimento integral da pessoa, na educação para os valores e restituindo a dignidade à instituição familiar, como nos recorda o Santo Padre na encíclica Caritas in Veritate.

TEMPO DE MUDANÇAS

O trabalho só faz sentido se dinamizado em conjunto com múltiplos parceiros.

A actual condição da sociedade portuguesa solicita da Igreja uma atitude muito concreta. Qualquer mudança projecta-nos para um futuro em aberto, uma infinitude de possibilidades que, a seu tempo, se concretizam ou desvanecem. Este é o tempo de mudança de governo e, neste sentido, perspectiva-se uma nova fase de relacionamento com o poder civil.

Hoje é consensual a autonomia entre Igreja e Estado. A laicidade é uma realidade e, no dizer do Papa João Paulo II (Fevereiro de 2005): “longe de ser um lugar de colisão, é realmente o âmbito para um diálogo construtivo, no espírito dos valores de liberdade, de igualdade e de fraternidade”. Este “diálogo construtivo” é o nosso permanente compromisso e queremos continuar a cooperar na linha da Lei da Liberdade Religiosa que consigna que não pode ser tratado como igual o que é diferente (Art.º 5º) e cria espaço legal para uma Concordata que testemunha o específico da Igreja Católica nos vários quadrantes. Não queremos pretender um Estatuto de privilégio. Caminhamos como povo português e trairemos a nossa missão se não lhe oferecermos uma mensagem que alguns podem não reconhecer como necessária. Aceitamos a lógica da liberdade.

PRIORIDADE DA EDUCAÇÃO

Torna-se prioritário olhar para a Educação e reconhecê-la como elemento fundante e estruturante da sociedade portuguesa, comportando responsabilidades, quer para a sociedade em geral quer para a Igreja em particular. A educação apela a acções que favorecem o desenvolvimento intelectual, afectivo, espiritual, físico e moral da pessoa humana, tendo sempre como objectivo a tomada de consciência da própria pessoa e o autodomínio. É necessário, portanto, ter a capacidade de abrir horizontes e promover a totalidade da pessoa, nas suas múltiplas dimensões: intelectual, afectiva, física e espiritual… Só um projecto onde se fomentem os valores garante um humanismo com futuro.

Daí que algumas coordenadas do ensino em Portugal nos inquietem. Importa ter a coragem de o repensar e não caminhar com soluções parciais e ao sabor dos ventos e conveniências corporativas e políticas. Sem valores verdadeiramente assumidos, a educação não acontece, o relativismo ganha foros de “norma”, a família desestrutura?se, perde as suas coordenadas de referência e até de autoridade e a vida social corre o risco de se tornar ponto de “desencontro”. Muitos já o referiram e nunca se pode esquecer. A crise está na ausência de valores. Poderá parecer que temos uma sociedade de progresso e verdadeiramente desenvolvida. O actual momento da sociedade já o desmente e o futuro poderá reservar-nos algumas surpresas.

Educar para os valores deve permitir uma pluralidade plausível e séria de propostas, de modo que, segundo o princípio da subsidiariedade, seja permitido aos pais escolher o projecto que querem assumir para os seus filhos. Os pais necessitam da concretização deste direito. E para que isto seja uma realidade, o ensino não pode ser estatizado em absoluto, de uma forma sub?reptícia e compulsiva, como parece ser essa a vontade de muitas políticas pseudo?educativas. Também na educação, a democracia passa necessariamente pela justa autonomia e descentralização estatal.

A par da necessária pluralidade e qualidade de oferta, torna-se imprescindível sensibilizar, consciencializar e responsabilizar as famílias, para que sejam capazes de interpretar a sua missão, neste ambiente de uma sociedade com sinais de desorientação e imaturidade. Em muitos casos, podem ser necessários gestos e atitudes frontais, manifestando um justo inconformismo cívico, a fim de que seja respeitada e legislada claramente a liberdade de opção dos pais sobre a educação dos seus filhos.

A FAMÍLIA E OS VALORES

A “família tornou-se a célula primeira e vital da sociedade” (FC 42), uma vez que possui vínculos vitais e orgânicos com a mesma sociedade. Na verdade, representa a primeira escola da sociedade e, como tal, local privilegiado para a aprendizagem dos valores éticos e cívicos.

A nossa história atesta que a instituição familiar tem sido uma escola positiva e fundamental. Foi ela que promoveu uma consciência viva da liberdade pessoal, incutiu a importância das relações interpessoais, estimulou uma verdadeira educação dos filhos e, no amor mútuo, abriu-se a uma necessária procriação responsável.

Hoje, a família encontra-se exposta ao relativismo dos valores, o que estará a degenerar em anti?valores: rupturas familiares, crise social da figura do pai, dificuldade em assumir compromissos estáveis, graves ambiguidades acerca da relação de autoridade entre pais e filhos, o número crescente dos divórcios, a praga do aborto, o recurso cada vez mais frequente à esterilização e a instauração de uma verdadeira e própria mentalidade contraceptiva (cf. FC 6).

É, pois, fundamental que a família descubra a sua identidade. O que é, e também qual a sua missão na sociedade. Cada família é chamada a descobrir o apelo de Deus dentro de si e “tornar-se aquilo que é” (FC 17).

Se a emergência educativa passa pela família, nunca nos poderemos cansar de anunciar o seu verdadeiro estatuto e denunciar campanhas que pretendem dar uma orientação contrária às características que, queiramos ou não, se revestem de uma dimensão cultural e antropológica e que, por essa razão, nunca podem ser consideradas ultrapassadas ou retrógradas.

Continua a infiltrar?se, em muitos casos de uma maneira camuflada, a “teoria do género”, como verdadeira ideologia apostada em redefinir a família, a relação matrimonial, a procriação e a adopção. Ninguém ignora os problemas reais com os quais a instituição familiar se debate quotidianamente. Perante estas novas problemáticas, vão surgindo tentativas de solução baseadas nos valores tradicionais de liberdade, igualdade e saúde que, para além dos seus significados verdadeiros, começam a ficar mergulhados num conjunto de ambiguidades, desviando-se duma antropologia sadia e verdadeiramente confirmada pela genuína cultura.

Em muitos casos, a justa liberdade da mulher já não encerra uma verdadeira emancipação das discriminações sociais e do poder autoritário do homem. Enveredou por uma competição entre os dois sexos, onde aparece com evidência a rivalidade e o antagonismo que conduzem a uma procura da afirmação individual, quando deveria estruturar-se em termos de solidariedade e complementaridade responsável. A violência doméstica prolifera e o desencanto familiar multiplica-se.

Determinadas concepções de igualdade pretendem sublinhar a diferença natural entre homem e mulher como irrelevante e propõem a uniformidade de todos os indivíduos como se fossem sexualmente indiferenciados, com a consequência inevitável de considerar os comportamentos e orientações sexuais equivalentes. Assim julgam que cada indivíduo tem o direito de concretizar livremente e, em muitos casos até mudar, as próprias escolhas segundo as suas preferências, desejos ou inclinações. As uniões homossexuais pretendem apresentar-se com estatuto idêntico à família.

Também na área da saúde reprodutiva, sob o pretexto da prevenção e da preocupação por evitar as doenças, aconselha-se o exercício meramente amistoso, ou até simplesmente lúdico, da sexualidade, não a integrando numa perspectiva de verdadeiro amor aberto, responsavelmente, à procriação. Neste terreno, o aborto é banalizado com orientações legais que desrespeitam o valor indiscutível da vida e assim o decréscimo da natalidade atinge níveis preocupantes, motivados por interpretações egoístas do dom da sexualidade.

Trata-se duma verdadeira campanha ideológica que não tem em consideração as implicações antropológicas. Se isto acontecesse, tais comportamentos deviam ser considerados eticamente inaceitáveis. Urge, por isso, a responsabilidade de restituir aos sagrados princípios da liberdade, igualdade e saúde os seus verdadeiros conteúdos em favor duma convivência responsável perante um amanhã que deve ser continuamente repensado dentro dos parâmetros dum humanismo integral.

O papel da Igreja será sempre de proposta e defesa da dignidade humana, independentemente da ideologia ou crença religiosa dos indivíduos, aliando o respeito com a coragem. Sentimos o dever de oferecer um contributo para uma sociedade constituída por homens e mulheres verdadeiramente livres e iguais. Em muitos casos seremos incompreendidos, mas o que julgamos ser a verdade sobre a vida humana deve prevalecer sobre o que é considerado política ou socialmente correcto e os aplausos da opinião pública reinante. Por vezes, a Igreja experimenta seguir em contra-corrente, mas sempre de modo respeitoso e dialogante, a mentalidades facilitistas que pretendem impor os seus critérios.

A atenção à família determina o conteúdo das prioridades a considerar pelas instâncias governativas. Não devemos cair num alarmismo ou visão negativa do actual momento histórico. Também não interessa ficar passivamente a apontar os culpados ou responsáveis pela actual situação social. Sabemos que o desemprego cresce e as empresas lutam com dificuldades ou já encararam a realidade da falência. A carência de bens essenciais entrou em muitas casas e não pode ser camuflada a resignação dura de pessoas simples que se vêem obrigadas à austeridade. A vergonha encobre muita miséria e os dados estatísticos, elaborados a nível nacional ou internacional, lançam alertas que os poderes deveriam ouvir para discernir caminhos que ofereçam aos pobres uma vida digna.

Esta é a prioridade das prioridades. As soluções não são fáceis de encontrar. Só uma convergência que não admite distracções permite uma sociedade justa e fraterna.

SACERDOTES, SERVOS DUMA NOVA HUMANIDADE

É meu grato dever recordar o Ano Sacerdotal. A Igreja é povo de Deus que participa no único sacerdócio de Cristo. Nesta abrangência de responsabilidades, os sacerdotes devem revitalizar o dom que receberam e sentir-se intérpretes duma missão ministerial capaz de rejuvenescer o tecido das comunidades, suscitando e reconhecendo o Sacerdócio comum dos fiéis. A todos e cada um dos sacerdotes, gostaria de expressar a mais profunda gratidão pelo testemunho de fidelidade a Cristo e pedir que continuem a testemunhar maior transparência do Amor de Deus pela humanidade. Os Bispos de Portugal não só compreendem o novo e complexo contexto em que o ministério é exercido, mas estão, também, empenhados em discernir soluções capazes de a todos proporcionar as condições humanas exigidas para a alegria de serem intérpretes duma missão que, sendo de origem divina, se incarna na história, mostrando como Cristo continua a ser imprescindível para uma vida feliz.

Continuaremos empenhados em vivenciar um amor feito verdade a partir dum projecto de vida onde resplandeça a lógica do dom e o princípio da gratuidade capaz de constituir um Portugal caracterizado por um desenvolvimento integral para todos e, particularmente, para os mais pobres.

Que o Santo Padre, cuja visita queremos preparar com esmero e júbilo, nos encontre mergulhados neste serviço.

Fátima, 9 de Novembro de 2009

† Jorge Ortiga, Arcebispo Primaz de Braga e Presidente da C.E.P

NOTAS:

1 - Um sincero agradecimento a todas as Igrejas locais que, estendendo a mão, prestam serviços em África e à África, tanto no campo espiritual como no material. No que se refere à reconciliação, à justiça e à paz, a Igreja em África continua a contar com a solidariedade dos responsáveis da Igreja nos países ricos e poderosos, cuja políticas, acções ou omissões, ajudam ou podem causar e mesmo agravar a difícil situação da África. A este respeito, recordamos que entre a Europa e a África há uma peculiar, relação histórica.

2 - A este propósito, o Sínodo sente o dever de exprimir um profundo reconhecimento aos muitos missio nários, clérigos, religiosos e fiéis leigos de outros continentes que semearam a fé na maior parte dos países de África. São muitos os que ainda hoje aí trabalham, com uma dedicação e zelo heróicos. Um agradecimento muito especial àqueles que permaneceram junto do seu povo, mesmo em tempos de guerra e de graves crises. Alguns chegaram mesmo a pagar com a vida a sua fidelidade.

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10/11/2009 00:30

 

Discurso de D. Jorge Ortiga na abertura da Assembleia Plenária da Conferência Episcopal Portuguesa


Discurso de D. Jorge Ortiga na abertura da Assembleia Plenária da Conferência Episcopal Portuguesa

A Assembleia Plenária da Conferência Episcopal é, sempre, experiência de profunda comunhão eclesial. Desta vez, a alegria da comunhão torna-se mais expressiva pela graça que nos é concedida da visita de Sua Santidade o Papa.

Como já foi referido em Nota Pastoral do Conselho Permanente da C.E.P (6 de Outubro de 2009): "A comunhão visível com o Sucessor de Pedro, fisicamente presente entre nós, será, mais uma vez, ocasião da expressão espontânea desse amor à sua pessoa, ao seu magistério e ao seu serviço universal e de fidelidade à Igreja".

Expressamos a mais sentida gratidão e queremos corresponder com a preparação consciente das nossas comunidades, de modo que a sua mensagem seja acolhida sem reticências por todos os cristãos.

A mesma comunhão eclesial faz com que manifestemos a D. Albino Mamede Cleto, Bispo de Coimbra, as felicitações pelos vinte e cinco anos de serviço episcopal e a D. Manuel Rodrigues Linda, novo Bispo Auxiliar de Braga, a solidariedade permanente de cada um de nós.

A IGREJA NO MUNDO

A C.E.P., norteada pela necessidade de repensar a pastoral nas suas dioceses, encontra-se mergulhada num momento num contexto de mudança civilizacional. Muitas perspectivas podem e devem ser equacionadas. Fiéis a uma responsabilidade histórica – que a minha presença no Sínodo dos Bispos sobre a África veio reforçar – importa que reinterpretemos a nossa vocação missionária. Para isso, teremos, por um lado, de continuar a acolher os imensos contornos do universo como espaço onde levar a semente do Evangelho; por outro, centrar a atenção nos nossos próprios espaços, onde nos apercebemos de um progressivo afastamento da mensagem cristã.

Sempre interpelados pela missão, recordo a peculiar relação histórica entre a Europa e a África, para manifestar a particular solidariedade, no campo espiritual e material, com os povos de língua portuguesa (1).

Aceitamos, também, a gratidão manifestada pelo Sínodo às nossas Igrejas na Europa, sabendo que é nosso dever eclesial permanecer junto desses povos, inclusive através do envio de missionários que, por meio da inculturação, testemunhem a fidelidade a Cristo com o anúncio do evangelho e a entrega da vida (2).

Esta nova consciência missionária e a reflexão que dela fazemos, obriga-nos a repensar, à luz do Concílio Vaticano II, o papel da Igreja no mundo. Durante muito tempo apenas vimos “o mundo da Igreja”. Hoje, é inequívoco que não existe o “mundo da Igreja”, mas que Ela deve estar no meio do mundo, não como senhora mas como serva. Estar no coração do mundo é já uma luta a travar, uma vez que a mudança que modernidade ocidental trouxe consigo deslocou o cristianismo do centro para a “periferia dos dispensáveis e dos irrelevantes”.

Curiosamente, na fragilidade desta periferia podemos reencontrar a nossa identidade cristã, a qual se plasma na única segurança que vem de Cristo. É neste contexto de humildade, que teremos de passar duma atitude de detentores da verdade para uma transparência da verdade, de emissores únicos e autoritários a peregrinos dialogantes nesta mesa comum da procura. Nunca podemos renunciar ao encargo que nos é confiado de apontar a urgência dum encontro com a Verdade. Sabemos que o ser humano se desfigura sempre que não é capaz de se confrontar com Ela e vive na persistente “ditadura do relativismo”, ou seja, no comodismo de quem se demite de pensar com rigor a realidade.

Segundo Santo Agostinho, a verdade, que também é dom, é maior do que nós e é-nos primeiramente dada. Em “qualquer processo cognoscitivo, a verdade não é produzida por nós, mas sempre encontrada ou, melhor, recebida”, afirma a encíclicaCaritas in Veritate (n. 34). Podemos então concluir que, sendo a verdade um dom recebido por todos, pode constituir-se como força que unifica a Humanidade e promove a universalidade dos povos.

Compete-nos, por isso, sair do “nosso” mundo para provocar encontros com todos e ouvir as suas inquietações e dramas e, na comunhão com todos, semear a sede duma redescoberta do sentido para a vida que só Deus oferece. Este encontro dialogante acontecerá, ou deverá acontecer, através de uma presença, silenciosa mas de testemunho, da Igreja nos mais variados ambientes.

A missão está aí e é desafio que devemos encarar. Os “mundos” esperam-nos e teremos de lá chegar. A sociedade portuguesa é, ainda, detentora de profundas marcas cristãs. Trata-se de avivar o que parece morto e situar o Evangelho neste contexto que parece contradizê-lo em muitas dimensões.

Como pode, então, a Igreja convergir com o mundo neste jogo de fronteiras e de procura da Verdade? Acredito que é, precisamente, apostando no desenvolvimento integral da pessoa, na educação para os valores e restituindo a dignidade à instituição familiar, como nos recorda o Santo Padre na encíclica Caritas in Veritate.

TEMPO DE MUDANÇAS

O trabalho só faz sentido se dinamizado em conjunto com múltiplos parceiros.

A actual condição da sociedade portuguesa solicita da Igreja uma atitude muito concreta. Qualquer mudança projecta-nos para um futuro em aberto, uma infinitude de possibilidades que, a seu tempo, se concretizam ou desvanecem. Este é o tempo de mudança de governo e, neste sentido, perspectiva-se uma nova fase de relacionamento com o poder civil.

Hoje é consensual a autonomia entre Igreja e Estado. A laicidade é uma realidade e, no dizer do Papa João Paulo II (Fevereiro de 2005): “longe de ser um lugar de colisão, é realmente o âmbito para um diálogo construtivo, no espírito dos valores de liberdade, de igualdade e de fraternidade”. Este “diálogo construtivo” é o nosso permanente compromisso e queremos continuar a cooperar na linha da Lei da Liberdade Religiosa que consigna que não pode ser tratado como igual o que é diferente (Art.º 5º) e cria espaço legal para uma Concordata que testemunha o específico da Igreja Católica nos vários quadrantes. Não queremos pretender um Estatuto de privilégio. Caminhamos como povo português e trairemos a nossa missão se não lhe oferecermos uma mensagem que alguns podem não reconhecer como necessária. Aceitamos a lógica da liberdade.

PRIORIDADE DA EDUCAÇÃO

Torna-se prioritário olhar para a Educação e reconhecê-la como elemento fundante e estruturante da sociedade portuguesa, comportando responsabilidades, quer para a sociedade em geral quer para a Igreja em particular. A educação apela a acções que favorecem o desenvolvimento intelectual, afectivo, espiritual, físico e moral da pessoa humana, tendo sempre como objectivo a tomada de consciência da própria pessoa e o autodomínio. É necessário, portanto, ter a capacidade de abrir horizontes e promover a totalidade da pessoa, nas suas múltiplas dimensões: intelectual, afectiva, física e espiritual… Só um projecto onde se fomentem os valores garante um humanismo com futuro.

Daí que algumas coordenadas do ensino em Portugal nos inquietem. Importa ter a coragem de o repensar e não caminhar com soluções parciais e ao sabor dos ventos e conveniências corporativas e políticas. Sem valores verdadeiramente assumidos, a educação não acontece, o relativismo ganha foros de “norma”, a família desestrutura?se, perde as suas coordenadas de referência e até de autoridade e a vida social corre o risco de se tornar ponto de “desencontro”. Muitos já o referiram e nunca se pode esquecer. A crise está na ausência de valores. Poderá parecer que temos uma sociedade de progresso e verdadeiramente desenvolvida. O actual momento da sociedade já o desmente e o futuro poderá reservar-nos algumas surpresas.

Educar para os valores deve permitir uma pluralidade plausível e séria de propostas, de modo que, segundo o princípio da subsidiariedade, seja permitido aos pais escolher o projecto que querem assumir para os seus filhos. Os pais necessitam da concretização deste direito. E para que isto seja uma realidade, o ensino não pode ser estatizado em absoluto, de uma forma sub?reptícia e compulsiva, como parece ser essa a vontade de muitas políticas pseudo?educativas. Também na educação, a democracia passa necessariamente pela justa autonomia e descentralização estatal.

A par da necessária pluralidade e qualidade de oferta, torna-se imprescindível sensibilizar, consciencializar e responsabilizar as famílias, para que sejam capazes de interpretar a sua missão, neste ambiente de uma sociedade com sinais de desorientação e imaturidade. Em muitos casos, podem ser necessários gestos e atitudes frontais, manifestando um justo inconformismo cívico, a fim de que seja respeitada e legislada claramente a liberdade de opção dos pais sobre a educação dos seus filhos.

A FAMÍLIA E OS VALORES

A “família tornou-se a célula primeira e vital da sociedade” (FC 42), uma vez que possui vínculos vitais e orgânicos com a mesma sociedade. Na verdade, representa a primeira escola da sociedade e, como tal, local privilegiado para a aprendizagem dos valores éticos e cívicos.

A nossa história atesta que a instituição familiar tem sido uma escola positiva e fundamental. Foi ela que promoveu uma consciência viva da liberdade pessoal, incutiu a importância das relações interpessoais, estimulou uma verdadeira educação dos filhos e, no amor mútuo, abriu-se a uma necessária procriação responsável.

Hoje, a família encontra-se exposta ao relativismo dos valores, o que estará a degenerar em anti?valores: rupturas familiares, crise social da figura do pai, dificuldade em assumir compromissos estáveis, graves ambiguidades acerca da relação de autoridade entre pais e filhos, o número crescente dos divórcios, a praga do aborto, o recurso cada vez mais frequente à esterilização e a instauração de uma verdadeira e própria mentalidade contraceptiva (cf. FC 6).

É, pois, fundamental que a família descubra a sua identidade. O que é, e também qual a sua missão na sociedade. Cada família é chamada a descobrir o apelo de Deus dentro de si e “tornar-se aquilo que é” (FC 17).

Se a emergência educativa passa pela família, nunca nos poderemos cansar de anunciar o seu verdadeiro estatuto e denunciar campanhas que pretendem dar uma orientação contrária às características que, queiramos ou não, se revestem de uma dimensão cultural e antropológica e que, por essa razão, nunca podem ser consideradas ultrapassadas ou retrógradas.

Continua a infiltrar?se, em muitos casos de uma maneira camuflada, a “teoria do género”, como verdadeira ideologia apostada em redefinir a família, a relação matrimonial, a procriação e a adopção. Ninguém ignora os problemas reais com os quais a instituição familiar se debate quotidianamente. Perante estas novas problemáticas, vão surgindo tentativas de solução baseadas nos valores tradicionais de liberdade, igualdade e saúde que, para além dos seus significados verdadeiros, começam a ficar mergulhados num conjunto de ambiguidades, desviando-se duma antropologia sadia e verdadeiramente confirmada pela genuína cultura.

Em muitos casos, a justa liberdade da mulher já não encerra uma verdadeira emancipação das discriminações sociais e do poder autoritário do homem. Enveredou por uma competição entre os dois sexos, onde aparece com evidência a rivalidade e o antagonismo que conduzem a uma procura da afirmação individual, quando deveria estruturar-se em termos de solidariedade e complementaridade responsável. A violência doméstica prolifera e o desencanto familiar multiplica-se.

Determinadas concepções de igualdade pretendem sublinhar a diferença natural entre homem e mulher como irrelevante e propõem a uniformidade de todos os indivíduos como se fossem sexualmente indiferenciados, com a consequência inevitável de considerar os comportamentos e orientações sexuais equivalentes. Assim julgam que cada indivíduo tem o direito de concretizar livremente e, em muitos casos até mudar, as próprias escolhas segundo as suas preferências, desejos ou inclinações. As uniões homossexuais pretendem apresentar-se com estatuto idêntico à família.

Também na área da saúde reprodutiva, sob o pretexto da prevenção e da preocupação por evitar as doenças, aconselha-se o exercício meramente amistoso, ou até simplesmente lúdico, da sexualidade, não a integrando numa perspectiva de verdadeiro amor aberto, responsavelmente, à procriação. Neste terreno, o aborto é banalizado com orientações legais que desrespeitam o valor indiscutível da vida e assim o decréscimo da natalidade atinge níveis preocupantes, motivados por interpretações egoístas do dom da sexualidade.

Trata-se duma verdadeira campanha ideológica que não tem em consideração as implicações antropológicas. Se isto acontecesse, tais comportamentos deviam ser considerados eticamente inaceitáveis. Urge, por isso, a responsabilidade de restituir aos sagrados princípios da liberdade, igualdade e saúde os seus verdadeiros conteúdos em favor duma convivência responsável perante um amanhã que deve ser continuamente repensado dentro dos parâmetros dum humanismo integral.

O papel da Igreja será sempre de proposta e defesa da dignidade humana, independentemente da ideologia ou crença religiosa dos indivíduos, aliando o respeito com a coragem. Sentimos o dever de oferecer um contributo para uma sociedade constituída por homens e mulheres verdadeiramente livres e iguais. Em muitos casos seremos incompreendidos, mas o que julgamos ser a verdade sobre a vida humana deve prevalecer sobre o que é considerado política ou socialmente correcto e os aplausos da opinião pública reinante. Por vezes, a Igreja experimenta seguir em contra-corrente, mas sempre de modo respeitoso e dialogante, a mentalidades facilitistas que pretendem impor os seus critérios.

A atenção à família determina o conteúdo das prioridades a considerar pelas instâncias governativas. Não devemos cair num alarmismo ou visão negativa do actual momento histórico. Também não interessa ficar passivamente a apontar os culpados ou responsáveis pela actual situação social. Sabemos que o desemprego cresce e as empresas lutam com dificuldades ou já encararam a realidade da falência. A carência de bens essenciais entrou em muitas casas e não pode ser camuflada a resignação dura de pessoas simples que se vêem obrigadas à austeridade. A vergonha encobre muita miséria e os dados estatísticos, elaborados a nível nacional ou internacional, lançam alertas que os poderes deveriam ouvir para discernir caminhos que ofereçam aos pobres uma vida digna.

Esta é a prioridade das prioridades. As soluções não são fáceis de encontrar. Só uma convergência que não admite distracções permite uma sociedade justa e fraterna.

SACERDOTES, SERVOS DUMA NOVA HUMANIDADE

É meu grato dever recordar o Ano Sacerdotal. A Igreja é povo de Deus que participa no único sacerdócio de Cristo. Nesta abrangência de responsabilidades, os sacerdotes devem revitalizar o dom que receberam e sentir-se intérpretes duma missão ministerial capaz de rejuvenescer o tecido das comunidades, suscitando e reconhecendo o Sacerdócio comum dos fiéis. A todos e cada um dos sacerdotes, gostaria de expressar a mais profunda gratidão pelo testemunho de fidelidade a Cristo e pedir que continuem a testemunhar maior transparência do Amor de Deus pela humanidade. Os Bispos de Portugal não só compreendem o novo e complexo contexto em que o ministério é exercido, mas estão, também, empenhados em discernir soluções capazes de a todos proporcionar as condições humanas exigidas para a alegria de serem intérpretes duma missão que, sendo de origem divina, se incarna na história, mostrando como Cristo continua a ser imprescindível para uma vida feliz.

Continuaremos empenhados em vivenciar um amor feito verdade a partir dum projecto de vida onde resplandeça a lógica do dom e o princípio da gratuidade capaz de constituir um Portugal caracterizado por um desenvolvimento integral para todos e, particularmente, para os mais pobres.

Que o Santo Padre, cuja visita queremos preparar com esmero e júbilo, nos encontre mergulhados neste serviço.

Fátima, 9 de Novembro de 2009

† Jorge Ortiga, Arcebispo Primaz de Braga e Presidente da C.E.P

NOTAS:

1 - Um sincero agradecimento a todas as Igrejas locais que, estendendo a mão, prestam serviços em África e à África, tanto no campo espiritual como no material. No que se refere à reconciliação, à justiça e à paz, a Igreja em África continua a contar com a solidariedade dos responsáveis da Igreja nos países ricos e poderosos, cuja políticas, acções ou omissões, ajudam ou podem causar e mesmo agravar a difícil situação da África. A este respeito, recordamos que entre a Europa e a África há uma peculiar, relação histórica.

2 - A este propósito, o Sínodo sente o dever de exprimir um profundo reconhecimento aos muitos missio nários, clérigos, religiosos e fiéis leigos de outros continentes que semearam a fé na maior parte dos países de África. São muitos os que ainda hoje aí trabalham, com uma dedicação e zelo heróicos. Um agradecimento muito especial àqueles que permaneceram junto do seu povo, mesmo em tempos de guerra e de graves crises. Alguns chegaram mesmo a pagar com a vida a sua fidelidade.

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07/11/2009 12:32

 

O que há de errado com a adopção gay?


Em Novembro de 2002 a APA (Associação Psiquiatria dos EUA) emitiu um comunicado em que defendia a co-adopção por casais do mesmo sexo.

Neste comunicado, reproduzido abaixo, pode ler-se que: "Diversos estudos realizados nas últimas três décadas demonstram que as crianças educadas por gays e lésbicas exibem o mesmo nível de funcionalidade emocional, cognitiva, social e sexual quando comparadas com crianças educadas por casais heterossexuais"

E, no entanto, a co-adopção ainda é um bicho-papão quem em Portugal quer nos EUA.

Pior: os que são contra esta medida defendem-se dizendo que é pelo melhor interesse das crianças. Como se vê pela declaração da APA os dados científicos contrariam claramente esta teoria.

Fica a pergunta que não sei responder: o que querem realmente essas pessoas que são contra?

Filipe Paulo


Adoption and Co-parenting of Children by Same-sex Couples
POSITION STATEMENT

Approved by the Board of Trustees, November 2002
Approved by the Assembly, November 2002

"Policy documents are approved by the APA Assembly and Board of Trustees… These are …position statements that define APA official policy on specific subjects…" -- APA Operations Manual.

Numerous studies over the last three decades consistently demonstrate that children raised by gay or lesbian parents exhibit the same level of emotional, cognitive, social, and sexual functioning as children raised by heterosexual parents. This research indicates that optimal development for children is based not on the sexual orientation of the parents, but on stable attachments to committed and nurturing adults. The research also shows that children who have two parents, regardless of the parents’ sexual orientations, do better than children with only one parent.
While some states have approved legislation sanctioning second parent adoption, other court judgments and legislation have prohibited lesbian women and gay men from adopting or co-parenting. Therefore, in most of the United States, only one partner in a committed gay or lesbian couple may have a legal parental relationship to a child they are raising together. Adoption by a second parent, however, would not only formalize a child’s existing relationships with both parents in a same-sex couple, it would also provide vital security for the child. Children could avail themselves of both parents’ health insurance benefits, access to medical care, death benefits, inheritance rights, and child support from both parents in the event of separation. Adoption protects both parents’ rights to custody and/or visitation if the couple separates or if one parent dies.

The American Psychiatric Association has historically supported equity, parity, and non-discrimination regarding legal issues affecting mental health. In 2000, APA supported the legal recognition of same sex unions and their associated legal rights, benefits, and responsibilities. APA has also supported efforts to educate the public about homosexuality and the mental health needs of lesbian women, gay men, and their families. Removing legal barriers that adversely affect the emotional and physical health of children raised by lesbian and gay parents is consistent with the goals of the APA.

The American Psychiatric Association supports initiatives which allow same-sex couples to adopt and co-parent children and supports all the associated legal rights, benefits, and responsibilities which arise from such initiatives.

This position statement was drafted and proposed by the Committee on Gay, Lesbian, and Bisexual Issues and was supported by the Council on Minority Mental Health and Health Disparities.

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02/11/2009 20:16

 

Definição de Casamento e Matrimónio no dicionário



casal
nome masculino
1.conjunto de macho e fêmea
2.conjunto de duas pessoas de sexo diferente
3.conjunto de duas pessoas casadas ou que mantêm uma relação amorosa ou íntima, vivendo ou não juntas
4.par, parelha
[...]
(Do lat. casále-, «quinta; fazenda»)
casamento
nome masculino
1.ato ou efeito de casar
2.contrato celebrado entre duas pessoas que pretendem constituir família em conjunto; matrimónio
3.cerimónia que celebra o estabelecimento desse contrato; núpcias
4.situação que resulta do ato de casar
5.estado de casado
[...]
(De casar+-mento)
matrimónio
nome masculino
1.DIREITO contrato perante a lei para um homem e uma mulher viverem em comum e beneficiarem de certos privilégios legais
2.união legítima, de caráter civil ou religioso, entre duas pessoas; casamento; união conjugal
3.bodas; núpcias
[...]
(Do lat. matrimonìu-, «id.»)
casar
verbo transitivo
1.ligar pelo casamento
[...]
verbo intransitivo e pronominal
1.unir-se pelo casamento
[...]

cônjuge
nome masculino
cada um dos esposos em relação ao outro
(Do lat. conjùge-, «esposo; esposa»)
esposo
nome masculino
homem em relação à pessoa com quem casou
(Do lat. sponsu-, «id.»)
esposa
nome feminino
mulher em relação à pessoa com quem casou
(Do lat. sponsa-, «id.»)

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02/11/2009 19:47

 

Regiões TV - Esclarecimento sobre Falhas e Buracos


Alguns dias atrás fui convidado para ir a um canal de cabo (Regiões TV), para desvendar um pouco do PortugalGay.pt e do seu trabalho em 13 anos de existência.

Era suposto falar das mais de 20.000 páginas que ilustram o directório, as noticias, as sondagens, bem como a secção de apoio, entre outros temas como a saúde, … era ainda suposto dizer que temos mais de 5000 pessoas por dia que nos visitam pelas mais diversas razões, e que resultam em mais de cinco milhões de page views, e muito perto de dois milhões de pessoas por ano. Devia ainda falar das reportagens presentes no portugalgay.pt/tv e do número verde 800206919 o único totalmente gratuito para que as pessoas possam deixar as suas denúncias e também pedir informações e apoio, alertando que só o podemos fazer quando deixam contacto para o efeito.

Era suposto falar de tudo isto e mais, sobre o PortugalGay.pt que se confunde com o seu Editor (eu mesmo), mas estavam outros convidados presentes na entrevista, e um desses convidados era a Alexandra de Almeida Teté, representante da associação “Mulheres em Acção”.


Presente esteve também a “DJ Buondi” que se mostrou algo agradada com a postura de Teté durante a sua entrevista, tal como eu mesmo. Em pleno século XXI inda são necessárias associações que defendam a igualdade, e que a paridade não deve ser uma mera questão de retórica.

Contudo toda esta nossa concordância muda, e o abismo surge, quando, ainda não estou muito certo como, entra o tema do Casamento Civil acessível a todos e todas, em que Teté se mostra completamente contra, e adianta a sua posição também contrária á adopção por homossexuais.

Ora foi aqui que tudo que era suposto eu dizer caiu por terra, pois os entrevistadores, do programa “Chá de Frutas”, preferiram o debate entre a minha pessoa e a Teté.

Não vou descrever o debate, pois foi penoso ver alguém com responsabilidades sociais a ter posturas de uma tal profunda discriminação e preconceituosas que deixou a mim e a Dj Buondi (segundo ela mesma me disse) surpresos, para não dizer chocados, com tais posturas. Contudo acredito que este debate venha a estar presente na secção de multimédia do site da RTV (http://www.rtv.com.pt/www/).

O que me leva a escrever estas linhas não é o debate em si, mas sim algo que eu disse no calor da discussão que quero aqui deixar claro o que quis de facto dizer.

A certa altura a Senhora Alexandra Teté, diz que o que não falta são pais a querer adoptar,… e eu respondi que esses pais querem adoptar bébes, para colmatar falhas, para tapar buracos,...

Pois bem as “falhas” e “buracos” a que me refiro, não são falhas dessas pessoas ou que a vida dessas pessoas tenham buracos que precisam ser tapados, e que o serão com a adopção de bebés! Nada disso.

Aquilo a que me referia no momento é falhas da natureza, que priva alguns seres humanos da sua capacidade de fecundação, levando-os a pensar na adopção, para colmatar um vazio (buraco) que existe nas suas vidas, a vontade de exercer a parentalidade, de educar, de criar, de formar um ser à sua imagem e semelhança. Esse é o significado das minhas palavras que ali, e como já disse no calor da discussão, ficou por esclarecer.

Mas aqui também incluo as pessoas, e casais que com o coração cheio de amor para dar, se sentem impelidos, e na obrigação de oferecer ás crianças institucionalizadas uma oportunidade de acreditarem nos adultos e nas famílias.

Entre essas pessoas estão os homossexuais, homens e mulheres que desejam exercer esse seu lado de responsabilidade perante um ser em construção! Pessoas que desejam ser pais e mães! E os homens e mulheres homossexuais já são pais e mães hoje em dia mas não são reconhecidos legalmente como pais ou mães com a pessoa com que partilham a sua vida.

Por isso defendo que a discriminação com base na orientação sexual, identidade de género, origem étnica ou religião não têm lugar quando alguém se propõe a adoptar uma criança. O objectivo é dar a essa criança um ambiente estável, acolhedor, com amor, com regras, com educação, de dar um espaço a que possa chamar de LAR e uma família que possa ela adoptar como sua. E ao avaliar as capacidades de uma ou duas pessoas nesta tarefa com base em preconceitos está-se a reduzir as probabilidades de encontrar o lar mais adequado a cada criança em particular.

Quanto a Alexandra de Almeida Teté, que no início da sua entrevista tanto defendeu a necessidade de ser exercida uma acção na defesa dos direitos da mulher no local de trabalho, que desde já tem o meu inteiro apoio, deixo uma reflexão:

Qual seria a sua postura enquanto representante da Associação Mulheres Em Acção, quando uma lésbica lhes pedisse ajuda, porque a sua entidade patronal não quis situar as suas férias em consonância com as da sua companheira/esposa; ou se, por outro lado, não quis dar licença de parto, para poder acompanhar a gravidez da sua companheira e primeiro passos do filho delas?

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01/11/2009 11:14

 

Será que os gays ganham na terça-feira no Maine?


Por Rex Wockner

Eu não tenho a menor idéia, mas aqui vão os factores em jogo...

1. As sondagens dão um empate técnico. Isto pode não ser bom para os gays, porque, alguns dizem, as pessoas que vão votar de uma maneira que outros consideram preconceituosa podem sentir-se inibidas de dizer as verdade na sondagem.
2. Os adversários da igualdade no casamento estão tipicamente mais motivados sobre a questão do que apoiantes. Como tal, os opositores podem sentir-se mais motivados para ir efectivamente votar. Não é bom para os gays.
3. No entanto, a operação de "saiam-de-casa-e-vão-votar" tem sido superior do lado dos gays aqui no Maine quando comparada com a operação dos adversários. Isto é muito bom para os gays. Independentemente da forma como alguém se sente sobre o casamento homossexual, não importa pêveas se não forem votar. O lado gay pode obter um apoio mais significativo no momento da votação real.

Estes tópicos importantíssimos podem ser o que eu e a porta-voz da campanha "NO ON 1" Karin Roland estávamos a discutir no corredor à noite quando o Andrés Duque disparou uma série interminável de fotos sem eu saber de nada.

Também pode ser que estivéssemos apenas fazendo caretas de Halloween um ao outro.

Repararam os corninhos diabólicos?

Julia Rosen da "Corage Campaing" também tinha o seu par de cornos de Halloween. Como se lésbicas numa noite normal não fossem suficientes divertidas.

Na foto abaixo, encontrei-me com a minha conterrânea de San Diego, Elaine Graybill, na sede de
No On 1/Protect Main Equality. É completamente inútil tentar resistir aos seus abraços. E, na realidade, por que alguém iria querer resistir?

A campanha No On 1 ainda está à procura de voluntários em qualquer lugar os E.U.A. para o seu programa "Call on Equality". Clickez-vous
aqui.

Tradução por PortugalGay.pt, visite o blog de Rex Wockner em inglês em http://wockner.blogspot.com.

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23/10/2009 19:25

 

Jornal Público - Será “indesculpável” se o Governo não aprovar o casamento entre pessoas do mesmo género


Congresso “Género, Media e Espaço Público”

22.10.2009 - 16:19 Por Lusa

A dirigente da associação Não te Prives Ana Cristina Santos disse hoje que será “indesculpável” se o Governo de José Sócrates não aprovar o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo nos próximos quatro anos.

“A sociedade civil e a comunidade internacional não perdoariam ao Governo socialista um recuo nesta matéria”, defende Ana Cristina Santos, da Não te Prives

“Acredito que a questão será resolvida nesta legislatura, não poderá ser de outra forma, seria de todo indesculpável e uma surpresa”, afirmou a socióloga, que falava à Lusa após abordar o tema “Olhares mediáticos sobre o activismo LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e transgéneros) em Portugal”, no congresso internacional “Género, Media e Espaço Público”, a decorrer hoje e sexta-feira em Coimbra.

A investigadora da Universidade de Londres e do Centro de Estudos Sociais (CES) da Universidade de Coimbra frisou que a promessa “já vem atrasada e tanto a sociedade civil como a comunidade internacional não perdoariam a Portugal, ao Governo socialista, um recuo nesta matéria”.

“Basta pensarmos no exemplo espanhol, país aqui ao lado, com um passado de ditadura de direita, com um peso da Igreja Católica bastante acentuado, mas onde nada serviu de desculpa ao governo de Zapatero para adiar uma questão de direitos humanos”, observou Ana Cristina Santos, sublinhando que a lei espanhola inclui também o direito à adopção.

Nos últimos anos, Portugal tem revelado uma evolução positiva na cobertura jornalística das acções do movimento LGBT, que se tornou “mais justa, inclusiva e objectiva”, mas “há ainda um longo caminho a percorrer”, na opinião de Ana Cristina Santos.

“Há uma transformação positiva, mas falta um caminho longo, sobretudo no deixar de objectivar o activismo, as causas LGBT, perceber que são causas de direitos sexuais e, como tal, de direitos humanos, que dizem respeito a todos, independentemente da orientação sexual”, sustenta.

A investigadora acrescenta que, quando “políticos, jornalistas, professores, todas as pessoas perceberem que é de interesse geral e humano acolher a diversidade, todos terão a ganhar”.

A questão do género no tratamento jornalístico dos media espanhóis foi o tema central da comunicação de Joana Gallego, da Universidade Autónoma de Barcelona, presente no mesmo congresso.

A investigadora, que participa num estudo sobre o estatuto feminino nos meios de comunicação, criticou o facto de as mulheres serem apresentadas como “objectos de observação”, sem individualidade, ao contrário dos homens, referenciados como “protagonistas da informação”.
“As mulheres não têm uma individualidade. Quando são notícia saem primeiro como mulher e depois como notícia”, compara, referindo alguns títulos: “Nobel da Economia distingue pela primeira vez uma mulher” e “A UE busca uma mulher para melhorar a sua imagem”.

Para Joana Gallego, esta abordagem em que a mulher “nunca actua em nome próprio mas de um colectivo” “não ajuda à igualdade do género” e os meios de comunicação tornam-se “sancionadores sociais”.

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19/10/2009 01:57

 

PortugalFashion Day 3


Foi um dia calmo mais tranquilo no que tem a ver com o frenesim que se viveu nos dias anteriores.

Com seis desfiles que foram uma surpresa... esperava um dia com menos interesse uma vez que os "pesos pesados" da moda que habitualmente estão na plateia, já se tinham ido na sua maioria, mas afinal foi um dia muito interessante.

Comecemos por Rita Bonaparte: com um fundo musical que nos transportava aos jogos do Super Mário, ou do Game Boy, e quem abriu o desfile parecia uma personagem de “Alice, no país das maravilhas”. Bem... a música não era por acaso: o tema que jorrava de toda a colecção era o “Jogo”, e por isso tivemos o vislumbre de coordenados repletos de grande imaginação, e beleza. Igual destaque lançamos sobre os sapatos, com um design simples e ao mesmo tempo elaborado, com cores e estilo únicos. Nós gostamos.

Jordan Santos, trouxe-nos uma colecção que premiava a aparente simplicidade das formas, mas com cortes elaborados nos detalhes, num conjunto de coordenados vendáveis, e que nos transportam para as festas junto á piscina, ou na areia da praia.

Já com a colecção da senhora de Sónia Pratas parece que a passerelle se transformou numa sociedade de “vampiras”, amantes do negro e cor do sangue. Vagueando pela cidade, atrevidas,
provocantes e sexy. Dissimulam a sua sede, contrastando as cores e os tecidos nobres com cores e mantérias mais básicos, mas não deixam o seu atrevimento de lado, expondo jóias únicas, fortes, afirmando a forte personalidade de uma “vampira”, e os sapatos, bem esses são de se tirar com os dentes,… foi sem duvida o desfile!

Depois a masculinidade de ID Values, contrastou com a feminilidade e leveza de Carlos Gil.
ID Values mostrou a essência do homem combinando elegância com solidez, Carlos Gil, mostrou o quanto uma mulher pode ser uma obra prima! Usamos cores para pintar uma tela, e tornamo-la bem expressiva, se houver uma palavra para descrever o desfile de Carlos Gil, essa palavra é… soberbo! Mas como este desfile foi muito mais, teremos que adicionar,… fantástico; extraordinário; deslumbrante, e cima de tudo elegante.

Terminou o dia de domingo, e o ultimo dia do PortugalFashion, com um colectivo de Jóias, de onde destaco, CA Jóias e Eugénio Campos. um usou a extravagancia de materiais alternativos fundidos com o ouro, e grandes medalhões, o segundo apresentou extensos cordões sofisticados, numa malha de fino ouro, flores com detalhe, e uma mescla de pérolas
em diferentes tons.

Pronto acabou a apresentação da Primavera/Verão 2010, estejam atentos porque criadores, espaços bonitos, e tecidos deslumbrantes estão já a caminho para as colecções Outono/Inverno 2010.

Entretanto já está disponível a primeira foto-reportagem PortugalGay.pt do PortugalFashion, com fotos exclusivas dos bastidores. Nos próximos dias haverá mais.

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